domingo, 27 de maio de 2012

A Grande Pirâmide


Esta bela imagem captada na recente visita de estudo ao Egito pode gerar 
a romântica e ilusória sensação de estarmos no árido planalto de Guiza 
subitamente verdejante e frondoso, com a Grande Pirâmide de Khufu 
refletida nas águas calmas do Nilo.

A verdade é que a foto foi tirada junto da piscina do Hotel Mena House, 
mesmo ao lado do planalto de Guiza, durante os agradáveis dois dias 
em que estivemos no Cairo, para vermos, entre outros monumentos, 
as milenares pirâmides da IV dinastia.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

«Fascinating Mummies»

Uma exposição a decorrer no National Museum of Scotland, em Edimburgo, até 27 de Maio.

Quem quiser aceder ao catálogo pode fazê-lo na biblioteca de arte da Gulbenkian.

sábado, 19 de maio de 2012

Na Praça Tahrir


O grupo que visitou o Egito na Páscoa de 2012, e que durante doze dias fruiu os vestígios históricos de uma civilização milenar, pôde também apreciar e sentir um país em mudança, tendo passado pelo coração palpitante da revolução, a famosa Praça Tahrir (a Praça da Libertação).

Embora já sem as compactas multidões que ocuparam esse vasto espaço nos meses antecedentes e já sem os confrontos violentos que fizeram centenas de mortos e feridos, ainda continuam acampados na Praça Tahrir alguns manifestantes com as suas tendas, os seus cartazes e faixas.

Graças ao nosso amigo Gamal Khalifa foi possível entender o que dizem as inscrições captadas nesta foto pela viajante Maria João Freire: o texto da pequena faixa em cima avisa «Allah dá tempo, mas nunca esquece», um outro ao lado diz «Vivenda de um revolucionário da liberdade», e a maior, em baixo, parcialmente tapada, proclama «Conselho da Liderança (da Revolução), contra a conspiração com os americanos!»

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Um pouco mais acerca de Tutmés IV e da «Estela do Sonho»

Na sequência da instrutiva postagem do nosso entusiasta colega escriba Jorge, eis uma reprodução de um detalhe da Estela do Sonho de Tutmés IV à Esfinge de Guiza. O detalhe ilustra a oferenda que o rei faz à divindade agradecendo pela sua ascensão. Esta reprodução pode ser vista no Museu Egípcio Rosacruz em San José, na Califórnia.

Tutmés IV será um grande monarca, o instaurador da paz definitiva com o antigo Reino de Mitanni, com o qual o Egito sob os dois reinados anteriores, havia estado em conflito frequente. As pacíficas relações entre os dois países deram origem a uma época de paz e tranquilidade quase absolutas no Médio Oriente Antigo durante quase 75 anos, aquilo que alguns chamam o «1º equilíbrio internacional». 

Sabe-se que nas relações com Mitanni, o rei Tutmés IV até chegou a reforçar a aliança por intermédio de casamento com princesas desse reino rival, um hábito repetido no tempo do sucessor.

O pacífico reinado de Tutmés IV beneficiou deste equilíbrio internacional, com o Egito a atingir a sua época de máximo esplendor, através de amplas relações com reinos vizinhos e reconhecido como uma das nações mais poderosas do Mundo Antigo por volta de 1400 a.C. O comércio florescia graças ao ouro da Núbia, permitindo ao Egito reforçar a sua supremacia sobre os rivais no âmbito da diplomacia. E obviamente, foram feitas diversas construções em honra de Amon, em Karnak, inclusive um enorme obelisco, hoje presente em Roma, em frente à Igreja de S. João de Latrão.

Tutmés IV reinou sensivelmente entre 1400 e 1390 a.C. um reinado breve mas significativo com o fim das guerras externas e o usufruto de um tempo de paz, prosperidade, riqueza e abundância.

Eu acho que se poderá dizer que a Esfinge cumpriu bem - talvez além das expetativas - o seu trato em fazer de Tutmés IV o soberano de todo o Egito! E este não foi ingrato, protegendo a enorme estátua leonina dos azares do tempo e da incúria dos homens.

O que acham os leitores?

Tutmés IV e a lenda





Filho de Amenhotep II, Tutmés IV (XVIII Dinastia) não era o primogénito, pois, pelo menos, dois irmãos mais velhos faleceram prematuramente. Aparentemente, para reforçar a legitimidade do novo faraó, os sacerdotes tebanos do deus Amon criaram as condições para uma eficaz manipulação política e fizeram correr uma lenda em benefício do jovem Tutmés.
Segundo essa lenda era sugerido que o faraó devia o seu trono à Esfinge de Guisa que, já nessa altura, era muito antiga. 


A história contava que Tutmés após uma caçada se tinha deitado à sombra da Esfinge, a qual, na altura se encontrava parcialmente coberta pela areia do deserto. Num sonho, a Esfinge disse-lhe: "Dar-te-ei a realeza sobre a Terra como cabeça dos seres vivos; tu levarás a coroa branca e a coroa vermelha sobre o trono de Geb o príncipe dos deuses. É aqui, que agora, a areia do deserto me atormenta, a areia por cima da qual eu estava em outro tempo. Ocupa-te de mim, para que possais realizar tudo que desejas. Eu sei que tu és meu filho e protetor". Tutmés mandou então retirar a areia que cobria a Esfinge e proceder à sua restauração. Mandou também erguer uma estela na qual contou o extraordinário sonho. Essa estela foi colocada entre as patas dianteiras da Esfinge, que ainda hoje se encontra no mesmo local, o que não deixa de ser impressionante. 





segunda-feira, 14 de maio de 2012

Consulta ortopédica no Egito


O nosso simpático e eficiente guia Mustafa há algum tempo que se queixava 
de dores no pé e durante o maravilhoso cruzeiro no Nilo não hesitou: 
consultou o Dr. Francisco Mateus, distinto médico ortopedista 
que integrava o grupo de viajantes.

E ali mesmo no salão do barco, no decurso da tradicional «festa egípcia» 
que todos os anos organizamos durante o cruzeiro nilótico, 
teve lugar uma insólita consulta médica, com o Dr. Francisco Mateus 
a aconselhar o seu lamentoso paciente egípcio.

Esta curiosa imagem, captada com sublime oportunidade 
pela Dra Maria João Freire, testemunha afinal uma valência 
das nossas visitas de estudo ao Egito: é que nos nossos grupos de viajantes
vão sempre médicos, farmacêuticos e enfermeiros - e houve até um ano 
em que ia um médico veterinário (just in case...).

As 10 maiores descobertas do Egito antigo



Este video que aqui vos apresento, vale bem todos os minutos que o passem a ver.

Eu que não minto, não engano nem ludibrio!!!  Confesso-vos que o video completo demora  1h e 28 minutos, mas ninguém vos manda vê-lo duma assentada... Podem fazê-lo por partes quando tiverem oportunidade...
Escolher as dez maiores descobertas não é tarefa nada fácil, pois cada um de nós escolheria porventura algumas outras. 
Na minha modesta opinião, parece-me um trabalho muito bem feito com imagens bastante interessantes pelo que recomendo a sua visualização da maneira que bem entenderem.

Como curiosidade, ainda vemos o carismático Dr. Haiwass a comandar as operações...

Índice para facilitar a vossa tarefa:

1-A barca do faraó Khufu (0-13min)
2-A pedreira do obelisco inacabado (13-20min)
3-As tumbas dos trabalhadores das pirâmides (20-28min)
4-O tesouro do faraó Tutankhamon (28-37min)
5-A cidade dos construtores de tumbas (Deir-el-medina) (37-42min)
6-A tumba de Seti I (42-50 min)
7-O templo perdido de Akhmin (50-58 min)
8-O Templo de Abu-Simbel (58-1:06)
9-O esconderijo secreto das múmias reais (1:06- 1:14)
10-O vale das múmias douradas (1:14- 1:25)

Bom Filme!!!

No templo de Lucsor


Eis mais uma foto que recorda a visita de estudo ao Egito realizada 
nas férias da Páscoa, com todos os participantes do pequeno grupo 
em frente ao templo de Lucsor (Ipet-resit, o Harém do Sul do deus Amon), 
que foi visitado num magnífico fim de tarde - e quando duas horas depois 
saímos do templo já o sol tinha desaparecido no horizonte
 e os muros estavam todos iluminados.

Para a posteridade aqui ficam os nomes dos fotografados, da esquerda para 
a direita: Mustafa (guia local), Teresa Matos (farmacêutica), 
Maria João Freire (farmacêutica), José Jara (médico psiquiatra), 
Olga Barata (médica anestesista), Leonor Tavares (professora), 
Luís Araújo (egiptólogo), Natália Araújo (dona de casa), 
Conceição Mateus (professora), Francisco Mateus (médico ortopedista), 
Paulo Carreira (doutorando de História Antiga) e Teresa Neves (guia turística).

domingo, 13 de maio de 2012

"Trailer" do filme "The Mummy"

Em complemento ao post do Fernando coloco aqui o"trailer" deste famoso filme de 1932.- "The Mummy"
Hollywood explorou à sua maneira um dos maiores medos do ser humano, o encontro com um morto-vivo.
Mesmo que seja inverosímel, levou milhões de pessoas a terem umas noites mal dormidas. LOL

Let´s look at the trailer...



e o resumo da história do filme...(em inglês)

Clique aqui para ter acesso à sinopse do filme!


sábado, 12 de maio de 2012

A Múmia!

Quem disse que a civilização do Antigo Egito é uma coisa do passado, que já nada tem a ver com a Idade Contemporânea engana-se redondamente: o seu legado continua a influenciar a nossa cultura ocidental de uma maneira muito mais forte e permanente do que se pode imaginar: na literatura, na filosofia, na arquitectura e, obviamente, no cinema! 

Afinal a ideia cinematográfica das múmias regressarem à vida e aterrorizarem as nossas vidas não é coisa recente como se pode ver neste cartaz deste filme de 1932, A Múmia, interpretada pelo enigmático Boris Karloff, célebre pelos seus papéis em filmes de terror durante as décadas de 30 e 40 do século XX.

Afinal, pergunto-me o que será que nos atrai tanto em películas de monstros aterrorizantes do mundo do além que regressam à vida para nos atormentar? Será a mística do país do Nilo a nos chamar ou é simplesmente porque gostamos de sentir o coração aos pulos? Deixo a questão por responder aos meus caros colegas escribas e leitores deste blogue.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O banho depois da cultura


Após dez dias quentes e intensos de cultura (muita cultura!), 
os viajantes bem mereceram refrescar-se nas águas do mar Vermelho, 
em Hurgada, para dois dias de renovador e restaurador Heb-sed.

Ei-los erguendo os braços numa saudação ao respetivo ka, 
rejubilando pelo sucesso de mais uma visita de estudo ao Egito, 
de onde todos vieram mais enriquecidos... e bronzeados.


sábado, 5 de maio de 2012

Astérix & Cléopâtre - Les Egyptiens parlaient comme ça



Como será que falavam os antigos egípcios? Pois neste pequeno clip introdutório do filme Astérix e Cleópatra de 1968 eis uma versão engraçada de como se imagina que fosse. Ainda bem que nos dias de hoje já não é assim...!

terça-feira, 1 de maio de 2012

História de um obelisco enviado para Roma

Apresento uma série de slides muito interessantes que me foi enviado há uns meses pelo nosso estimado escriba Jorge Mateus e que nunca foi publicada porque não sabíamos como...

Os slides mostram como um enorme obelisco veio em bolandas da antiga cidade de Heliopólis para Roma no reinado do imperador Calígula no ano de 37 d.C.

Espero que gostem...

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Em Abu Simbel


Enquanto no nosso país em Abril se despejavam águas mil 
em dias de temperaturas baixas, o pequeno grupo de viajantes 
fruía uma ensolarada primavera junto dos templos de Abu Simbel.

Com o sorridente e descomunal Ramsés II entronizado como 
testemunha atrás de nós, visitámos o seu templo e o templo vizinho 
da sua esposa favorita Nefertari, «A mais bela entre todas».

Sim, o grande Ramsés II pode bem testemunhar os agradáveis momentos 
de cultura e de ludismo que experimentámos na visita a Abu Simbel, 
e pode mesmo fazê-lo quatro vezes - ou melhor, três e meia, 
porque uma das suas colossais estátuas da fachada está semidestruída.

Determinativo vivo

Na escrita hieroglífica, o pardal é um determinativo para coisas más, com a transliteração bin.

Foto: «I Am Egypt»

domingo, 29 de abril de 2012

Imagens de peças do Museu de Antiguidades Egípcias do Cairo

Vou aqui postar um belíssimo lote de imagens de algumas magníficas peças do Museu de Antiguidades Egípcias do Cairo. Enviaram-me por mail este ficheiro em Powerpoint que como calculam não pode ser colocado diretamente aqui num blog. No entanto há que conseguir arranjar uma solução para que se consiga ver (confesso que estou a experimentar e ainda não sei qual vai ser o resultado). Duas situações se podem dar, ou os meus amigos vão ver as imagens pretendidas que a meu ver são muito boas, ou esta postagem será apagada... e aí ninguém vai saber...
Vamos ver como isto corre...
Musee egyptien

Para ver as imagens em tela cheia há  que clicar nas setas em cruz no cantinho inferior direito... Apreciem!

Foto da fachada principal do museu

A minha Nut

Na Eneáde de Heliópolis, Nut é irmã e esposa de Geb, filha de Chu e Tefnut, mãe de Osíris, de Ísis, de Set e de Néftis. Segundo os textos mitológicos, Nut uniu-se a seu irmão sem conhecimento de Ré ou contra a vontade dele, o que levou o pai dos deuses a ordenar a Chu a separação brutal do casal e a decretar a sua esterilidade em todos os meses do ano. Tot, o deus da lua, teve piedade dela e, jogando com a lua, ganhou-lhe a septuagésima segunda parte da sua luz ou seja, cinco dias. Estes cinco dias intercalares, epagómenos, foram introduzidos no calendário egípcio antes do Ano Novo e, em cada um destes, Nut conseguiu ter um filho.

Embora separada de Geb, durante o dia, por Chu, à noite, encontrava-se com o marido criando assim as trevas. Quando havia tempestades durante o dia, os egípcios atribuíam o fenómeno ao estremecer dos quatro pilares do céu por Nut.

Esta Nut veio comigo do Egipto em 1999.

Fonte: As Divindades Egípcias (J. Candeias Sales)

Confabulações de um arquiteto no Antigo Egito..

Aqui fica um interessante artigo sobre o tema da arquitetura no Antigo Egito. Como seria, afinal, a vida de um arquiteto-chefe no Império Antigo? Quais seriam as suas opções e dificuldades? Peço desculpa por estar em inglês, mas foi assim que o encontrei...

Clique aqui neste Link! ... sim, aqui mesmo em cima destas letrinhas! ;-)


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Breve introdução sobre a cor no Antigo Egito

Os antigos egípcios aplicavam quase sempre um acabamento de cor tanto nas estátuas como nos relevos interiores e exteriores dos templos.

Simulação do Templo de Lucsor

Infelizmente a grande maioria dos monumentos chegaram aos nossos dias sem cor ou, apenas, com pálidos apontamentos da mesma: umas vezes atribuídas ao envelhecimento natural dos monumentos e das peças de arte, outras graças à destruição humana, intencional ou não.
Nalguns locais, mais abrigados dos elementos e mais inacessíveis, essas cores ainda se vislumbram, com alguma palidez, é certo, mas que nos impressiona pela sua extrema beleza. É no interior dos túmulos, mesmo nos anteriormente saqueados, que encontramos as pinturas nas paredes e nos objetos funerários, relativamente bem preservadas. Ao vê-las, podemos imaginar como seria tudo isto na época em que foram feitas.
As cores eram utilizadas com intenções mais do tipo mágico-religioso do que simplesmente estéticas, pois algumas delas estavam codificadas para transmitir certas ideias.


A título de exemplo e duma maneira um pouco simplista:
O preto (kem) obtido frequentemente a partir de carvão moído ou do óxido de manganésio, era a cor que representava a regeneração, tal como o verde. Os deuses Anúbis e Min eram representados com esta cor.
O branco (hedj) obtido a partir de cal ou gesso, representava a alegria e a felicidade.
O vermelho (decher) obtido a partir de certas terras de ocres avermelhados, tinha habitualmente conotações negativas, relacionando-se com a violência, o deserto e claro com o mais malvado dos deuses, Set, o terrível irmão de Osíris (foi principalmente na Época Baixa que o deus Set foi amaldiçoado e ostracizado, mas nem sempre foi assim).
O verde (uadj) obtido a partir da malaquite ou do crisólito, transmitia a ideia de rejuvenescimento, sendo utilizada para pintura da pele do deus Osíris.
O amarelo (ketj) obtido a partir de ocres amarelos ricos em óxido de ferro, era utilizado em substituição do ouro.