domingo, 1 de julho de 2012

O sarcófago dos dois irmãos

No National Museum of Scotland descobrimos um sarcófago muito curioso e, quanto a mim, bastante invulgar. É um curioso sarcófago duplo.
Na legenda do museu é referido que eram dois meios irmãos de nome Pediamun e Penhorupabik e que terão falecido entre os anos 174 e 200 da nossa era, deixando a hipótese de terem morrido por qualquer doença infecciosa, uma vez que terão falecido na mesma altura.




PS: A fotografia foi tirada em condições difíceis, pois este sarcófago encontrava-se atrás de uma vitrina com escassa iluminação. Recusei, como era o meu dever,  usar o flash (embora houvesse gente que o utilizasse) pois provoca a deterioração irreversível das pinturas.
Puxei a máquina ao máximo (apliquei um ISO 800, uma velocidade de obturação de 1/4 de segundo que só não deu imagem demasiado tremida graças ao bom sistema de estabilização de imagem VR da Nikon e abertura da lente máxima). Sem tripé e sem flash não poderia sair melhor.
 Por fim, tive ajuda do software que recuperou bastante a imagem dando a falsa sensação de que até estava bem iluminada ( o Photomatix é assim... não serve só para trabalhar fotos do tipo  HDR -High Dynanic Range, mas aqui quebrou-me o galho).

Esta segunda imagem do interior do sarcófago é do próprio site do museu


quinta-feira, 21 de junho de 2012

O Ramesseum, de balão


Uma das vantagens da ousada viagem de balão que costuma ocorrer durante as visitas de estudo ao Egito é poder ver lá de cima alguns dos monumentos da margem ocidental de Lucsor, onde há muitos séculos foram feitos os túmulos de reis, rainhas, funcionários e artesãos, sobretudo na fase histórica do Império Novo (séculos XVI-XI a. C.).

Além dos túmulos, também alguns faraós mandaram erigir nessa vasta área os seus templos funerários (os palácios de milhões de anos, como se chamavam), e durante a visita deste ano foi apreciado bem do alto o templo funerário de Ramsés II, o Ramesseum, que está hoje bastante destruído, quer por tremores de terra quer por destruição humana.

Ainda assim, consegue-se perceber, depois de um primeiro pátio coberto de destroços, o que resta da passagem que dava acesso a um segundo pátio hipostilo, onde só estão as bases das colunas e alguns colossos osíricos adossados aos pilares da fachada da sala hipostila, na qual se percebe a nave central mais alta que as naves laterais.

Este palácio de milhões de anos feito para o grande Ramsés II não é habitualmente visitado por grupos, mas pode ser que para o próximo ano consigamos incluir uma visita ao seu interior...

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O dia a dia

Uma das grandes dificuldades da "interpretação sociológica" dos antigos egípcios é, obviamente, a sua ausência enquanto sociedade viva. Temos de ir às abundantes fontes históricas, correndo sempre o risco de interpretações abusivas. É por isso que este diorama é para mim interessante, porquanto, abusivamente ou não, aqui os temos vivinhos e bem nutridos, a trabalhar no "maior oásis do mundo".

Fonte: National Museum of Scotland

terça-feira, 19 de junho de 2012

O falcão de Gulbenkian


No seguimento das imagens já aqui publicadas evocativas da visita 
de estudo ao Egito na Páscoa deste ano, aqui vai mais uma, 
desta feita com o pequeno (mas bom) grupo de viajantes 
junto do falcão de Gulbenkian... perdão, do falcão de Hórus, 
no majestoso mas airoso templo de Edfu.

Foi a imponente e conspícua imagem do falcão hórico que serviu
 de inspiração ao escultor Leopoldo de Almeida para fazer a bela 
estátua de Calouste Gulbenkian sentado sob a proteção benfazeja 
e inspiradora do deus Hórus, que bem se pode apreciar 
por quem está na Praça de Espanha olhando para a Gulbenkian.

E tudo isto porque o notável colecionador e generoso mecenas 
que foi Calouste Gulbenkian tirou uma fotografia junto 
desta famosa estátua de Hórus, quando em 1934 visitou o Egipto 
e esteve no grande e majestoso templo de Edfu, 
ficando dessa sua jornada um interessante caderno de viagem.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Um servidor de Akhenaton


     Aperel é o nome de um alto funcionário régio nos reinados de Amenhotep III e Akhenaton. Dispunha de títulos como "General dos Carros de Guerra", "Pai do Deus" e ainda Tjati, ou seja "Vizir", o equivalente a principal chefe da administração central. 

    O túmulo de Aperel foi descoberto em 1987 numa região de Sakara, dedicada ao culto da deusa Bastet. Os registos indicam que Aperel desempenhou as funções de "Vizir do Norte" ou seja era o maior responsável pela administração central no Norte do Egito.

   Também exerceu funções militares e certamente teria grande confiança junto do misterioso faraó «herético» Akhenaton, pois permaneceu no seu cargo durante o reinado deste, mesmo durante a confusa revolução religiosa monoteísta implementada pelo rei. Era, portanto, um seu servidor da mais alta estima.

     A sua esposa, Tauseret, aparenta ter sido uma destacada senhora na corte de Akhenaton e Nefertiti, pois ela foi a única mulher não real do Império Novo sepultada num conjunto de três sarcófagos, o que não era vulgar.

     Conhecem-se três filhos deste antigo casal egípcio: Huy, Seny e Hatiay. O primeiro terá falecido, algures no 10º ano do reinado de Akhenaton, talvez com 25-35 anos de idade. O segundo parece ter seguido a carreira de dignitário e o terceiro veio a ser sacerdote.

    Segundo alguns especialistas, Aperel terá falecido entre os 50 e os 60 anos de idade, ao passo que a esposa não terá ultrapassado os 50. É de supor que dada a carreira de Aperel ter decorrido em dois reinados, ele talvez tenha falecido algures no reinado de Akhenaton, embora não existam certezas. Como em tantos aspectos deste estranho período da História do Antigo Egito, as perguntas são mais do que as respostas...

Um Akhenaton "escocês"

Meus caros amigos, imaginem onde fui encontrar esta representação do nosso conhecido faraó Akhenaton...



Foi num excelente museu em Edimburgo- National Museum of Scotland-  (http://www.nms.ac.uk/)  numa enorme ala repleta de objetos de grande qualidade, e com excelente apresentação.
Acreditem que fiquei maravilhado com o que vi e, se alguma vez forem para estas paragens, não o percam.
Este museu é multitemático: abarcando o contexto histórico, tecnológico, biológico (incluindo fósseis de animais pré-históricos como o famoso T Rex e o Triceratops) e mineral.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

As «Múmias de Belém»


No passado sábado, dia 9 de Junho, a RTP 2 passou um excelente documentário sobre os estudos realizados com as múmias egípcias animais e humanas do Museu Nacional de Arqueologia (chamadas «Múmias de Belém»), cuja qualidade fica muito a dever à realização de Marta Covita e dos técnicos da Iniziomédia.

Depois de vários anos de trabalho, a equipa multidisciplinar, que reuniu médicos radiologistas, um bioarqueólogo, egiptólogos e conservadores, liderados pelo Dr. Luís Raposo (diretor do Museu Nacional de Arqueologia) e pelo Dr. Carlos Prates (médico do IMI) deu por bem empregue todo o tempo dispensado.

Para uma boa divulgação do trabalho levado a cabo foram feitas conferências sobre o Lisbon Mummy Project na Associação dos Arqueólogos Portugueses (no decurso da Festa da Arqueologia no dia 5 de Maio) e no Museu Nacional de Arqueologia (no dia 19 de Maio, numa organização do GAMNA).

domingo, 27 de maio de 2012

A Grande Pirâmide


Esta bela imagem captada na recente visita de estudo ao Egito pode gerar 
a romântica e ilusória sensação de estarmos no árido planalto de Guiza 
subitamente verdejante e frondoso, com a Grande Pirâmide de Khufu 
refletida nas águas calmas do Nilo.

A verdade é que a foto foi tirada junto da piscina do Hotel Mena House, 
mesmo ao lado do planalto de Guiza, durante os agradáveis dois dias 
em que estivemos no Cairo, para vermos, entre outros monumentos, 
as milenares pirâmides da IV dinastia.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

«Fascinating Mummies»

Uma exposição a decorrer no National Museum of Scotland, em Edimburgo, até 27 de Maio.

Quem quiser aceder ao catálogo pode fazê-lo na biblioteca de arte da Gulbenkian.

sábado, 19 de maio de 2012

Na Praça Tahrir


O grupo que visitou o Egito na Páscoa de 2012, e que durante doze dias fruiu os vestígios históricos de uma civilização milenar, pôde também apreciar e sentir um país em mudança, tendo passado pelo coração palpitante da revolução, a famosa Praça Tahrir (a Praça da Libertação).

Embora já sem as compactas multidões que ocuparam esse vasto espaço nos meses antecedentes e já sem os confrontos violentos que fizeram centenas de mortos e feridos, ainda continuam acampados na Praça Tahrir alguns manifestantes com as suas tendas, os seus cartazes e faixas.

Graças ao nosso amigo Gamal Khalifa foi possível entender o que dizem as inscrições captadas nesta foto pela viajante Maria João Freire: o texto da pequena faixa em cima avisa «Allah dá tempo, mas nunca esquece», um outro ao lado diz «Vivenda de um revolucionário da liberdade», e a maior, em baixo, parcialmente tapada, proclama «Conselho da Liderança (da Revolução), contra a conspiração com os americanos!»

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Um pouco mais acerca de Tutmés IV e da «Estela do Sonho»

Na sequência da instrutiva postagem do nosso entusiasta colega escriba Jorge, eis uma reprodução de um detalhe da Estela do Sonho de Tutmés IV à Esfinge de Guiza. O detalhe ilustra a oferenda que o rei faz à divindade agradecendo pela sua ascensão. Esta reprodução pode ser vista no Museu Egípcio Rosacruz em San José, na Califórnia.

Tutmés IV será um grande monarca, o instaurador da paz definitiva com o antigo Reino de Mitanni, com o qual o Egito sob os dois reinados anteriores, havia estado em conflito frequente. As pacíficas relações entre os dois países deram origem a uma época de paz e tranquilidade quase absolutas no Médio Oriente Antigo durante quase 75 anos, aquilo que alguns chamam o «1º equilíbrio internacional». 

Sabe-se que nas relações com Mitanni, o rei Tutmés IV até chegou a reforçar a aliança por intermédio de casamento com princesas desse reino rival, um hábito repetido no tempo do sucessor.

O pacífico reinado de Tutmés IV beneficiou deste equilíbrio internacional, com o Egito a atingir a sua época de máximo esplendor, através de amplas relações com reinos vizinhos e reconhecido como uma das nações mais poderosas do Mundo Antigo por volta de 1400 a.C. O comércio florescia graças ao ouro da Núbia, permitindo ao Egito reforçar a sua supremacia sobre os rivais no âmbito da diplomacia. E obviamente, foram feitas diversas construções em honra de Amon, em Karnak, inclusive um enorme obelisco, hoje presente em Roma, em frente à Igreja de S. João de Latrão.

Tutmés IV reinou sensivelmente entre 1400 e 1390 a.C. um reinado breve mas significativo com o fim das guerras externas e o usufruto de um tempo de paz, prosperidade, riqueza e abundância.

Eu acho que se poderá dizer que a Esfinge cumpriu bem - talvez além das expetativas - o seu trato em fazer de Tutmés IV o soberano de todo o Egito! E este não foi ingrato, protegendo a enorme estátua leonina dos azares do tempo e da incúria dos homens.

O que acham os leitores?

Tutmés IV e a lenda





Filho de Amenhotep II, Tutmés IV (XVIII Dinastia) não era o primogénito, pois, pelo menos, dois irmãos mais velhos faleceram prematuramente. Aparentemente, para reforçar a legitimidade do novo faraó, os sacerdotes tebanos do deus Amon criaram as condições para uma eficaz manipulação política e fizeram correr uma lenda em benefício do jovem Tutmés.
Segundo essa lenda era sugerido que o faraó devia o seu trono à Esfinge de Guisa que, já nessa altura, era muito antiga. 


A história contava que Tutmés após uma caçada se tinha deitado à sombra da Esfinge, a qual, na altura se encontrava parcialmente coberta pela areia do deserto. Num sonho, a Esfinge disse-lhe: "Dar-te-ei a realeza sobre a Terra como cabeça dos seres vivos; tu levarás a coroa branca e a coroa vermelha sobre o trono de Geb o príncipe dos deuses. É aqui, que agora, a areia do deserto me atormenta, a areia por cima da qual eu estava em outro tempo. Ocupa-te de mim, para que possais realizar tudo que desejas. Eu sei que tu és meu filho e protetor". Tutmés mandou então retirar a areia que cobria a Esfinge e proceder à sua restauração. Mandou também erguer uma estela na qual contou o extraordinário sonho. Essa estela foi colocada entre as patas dianteiras da Esfinge, que ainda hoje se encontra no mesmo local, o que não deixa de ser impressionante. 





segunda-feira, 14 de maio de 2012

Consulta ortopédica no Egito


O nosso simpático e eficiente guia Mustafa há algum tempo que se queixava 
de dores no pé e durante o maravilhoso cruzeiro no Nilo não hesitou: 
consultou o Dr. Francisco Mateus, distinto médico ortopedista 
que integrava o grupo de viajantes.

E ali mesmo no salão do barco, no decurso da tradicional «festa egípcia» 
que todos os anos organizamos durante o cruzeiro nilótico, 
teve lugar uma insólita consulta médica, com o Dr. Francisco Mateus 
a aconselhar o seu lamentoso paciente egípcio.

Esta curiosa imagem, captada com sublime oportunidade 
pela Dra Maria João Freire, testemunha afinal uma valência 
das nossas visitas de estudo ao Egito: é que nos nossos grupos de viajantes
vão sempre médicos, farmacêuticos e enfermeiros - e houve até um ano 
em que ia um médico veterinário (just in case...).

As 10 maiores descobertas do Egito antigo



Este video que aqui vos apresento, vale bem todos os minutos que o passem a ver.

Eu que não minto, não engano nem ludibrio!!!  Confesso-vos que o video completo demora  1h e 28 minutos, mas ninguém vos manda vê-lo duma assentada... Podem fazê-lo por partes quando tiverem oportunidade...
Escolher as dez maiores descobertas não é tarefa nada fácil, pois cada um de nós escolheria porventura algumas outras. 
Na minha modesta opinião, parece-me um trabalho muito bem feito com imagens bastante interessantes pelo que recomendo a sua visualização da maneira que bem entenderem.

Como curiosidade, ainda vemos o carismático Dr. Haiwass a comandar as operações...

Índice para facilitar a vossa tarefa:

1-A barca do faraó Khufu (0-13min)
2-A pedreira do obelisco inacabado (13-20min)
3-As tumbas dos trabalhadores das pirâmides (20-28min)
4-O tesouro do faraó Tutankhamon (28-37min)
5-A cidade dos construtores de tumbas (Deir-el-medina) (37-42min)
6-A tumba de Seti I (42-50 min)
7-O templo perdido de Akhmin (50-58 min)
8-O Templo de Abu-Simbel (58-1:06)
9-O esconderijo secreto das múmias reais (1:06- 1:14)
10-O vale das múmias douradas (1:14- 1:25)

Bom Filme!!!

No templo de Lucsor


Eis mais uma foto que recorda a visita de estudo ao Egito realizada 
nas férias da Páscoa, com todos os participantes do pequeno grupo 
em frente ao templo de Lucsor (Ipet-resit, o Harém do Sul do deus Amon), 
que foi visitado num magnífico fim de tarde - e quando duas horas depois 
saímos do templo já o sol tinha desaparecido no horizonte
 e os muros estavam todos iluminados.

Para a posteridade aqui ficam os nomes dos fotografados, da esquerda para 
a direita: Mustafa (guia local), Teresa Matos (farmacêutica), 
Maria João Freire (farmacêutica), José Jara (médico psiquiatra), 
Olga Barata (médica anestesista), Leonor Tavares (professora), 
Luís Araújo (egiptólogo), Natália Araújo (dona de casa), 
Conceição Mateus (professora), Francisco Mateus (médico ortopedista), 
Paulo Carreira (doutorando de História Antiga) e Teresa Neves (guia turística).

domingo, 13 de maio de 2012

"Trailer" do filme "The Mummy"

Em complemento ao post do Fernando coloco aqui o"trailer" deste famoso filme de 1932.- "The Mummy"
Hollywood explorou à sua maneira um dos maiores medos do ser humano, o encontro com um morto-vivo.
Mesmo que seja inverosímel, levou milhões de pessoas a terem umas noites mal dormidas. LOL

Let´s look at the trailer...



e o resumo da história do filme...(em inglês)

Clique aqui para ter acesso à sinopse do filme!


sábado, 12 de maio de 2012

A Múmia!

Quem disse que a civilização do Antigo Egito é uma coisa do passado, que já nada tem a ver com a Idade Contemporânea engana-se redondamente: o seu legado continua a influenciar a nossa cultura ocidental de uma maneira muito mais forte e permanente do que se pode imaginar: na literatura, na filosofia, na arquitectura e, obviamente, no cinema! 

Afinal a ideia cinematográfica das múmias regressarem à vida e aterrorizarem as nossas vidas não é coisa recente como se pode ver neste cartaz deste filme de 1932, A Múmia, interpretada pelo enigmático Boris Karloff, célebre pelos seus papéis em filmes de terror durante as décadas de 30 e 40 do século XX.

Afinal, pergunto-me o que será que nos atrai tanto em películas de monstros aterrorizantes do mundo do além que regressam à vida para nos atormentar? Será a mística do país do Nilo a nos chamar ou é simplesmente porque gostamos de sentir o coração aos pulos? Deixo a questão por responder aos meus caros colegas escribas e leitores deste blogue.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O banho depois da cultura


Após dez dias quentes e intensos de cultura (muita cultura!), 
os viajantes bem mereceram refrescar-se nas águas do mar Vermelho, 
em Hurgada, para dois dias de renovador e restaurador Heb-sed.

Ei-los erguendo os braços numa saudação ao respetivo ka, 
rejubilando pelo sucesso de mais uma visita de estudo ao Egito, 
de onde todos vieram mais enriquecidos... e bronzeados.


sábado, 5 de maio de 2012

Astérix & Cléopâtre - Les Egyptiens parlaient comme ça



Como será que falavam os antigos egípcios? Pois neste pequeno clip introdutório do filme Astérix e Cleópatra de 1968 eis uma versão engraçada de como se imagina que fosse. Ainda bem que nos dias de hoje já não é assim...!

terça-feira, 1 de maio de 2012

História de um obelisco enviado para Roma

Apresento uma série de slides muito interessantes que me foi enviado há uns meses pelo nosso estimado escriba Jorge Mateus e que nunca foi publicada porque não sabíamos como...

Os slides mostram como um enorme obelisco veio em bolandas da antiga cidade de Heliopólis para Roma no reinado do imperador Calígula no ano de 37 d.C.

Espero que gostem...

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Em Abu Simbel


Enquanto no nosso país em Abril se despejavam águas mil 
em dias de temperaturas baixas, o pequeno grupo de viajantes 
fruía uma ensolarada primavera junto dos templos de Abu Simbel.

Com o sorridente e descomunal Ramsés II entronizado como 
testemunha atrás de nós, visitámos o seu templo e o templo vizinho 
da sua esposa favorita Nefertari, «A mais bela entre todas».

Sim, o grande Ramsés II pode bem testemunhar os agradáveis momentos 
de cultura e de ludismo que experimentámos na visita a Abu Simbel, 
e pode mesmo fazê-lo quatro vezes - ou melhor, três e meia, 
porque uma das suas colossais estátuas da fachada está semidestruída.

Determinativo vivo

Na escrita hieroglífica, o pardal é um determinativo para coisas más, com a transliteração bin.

Foto: «I Am Egypt»

domingo, 29 de abril de 2012

Imagens de peças do Museu de Antiguidades Egípcias do Cairo

Vou aqui postar um belíssimo lote de imagens de algumas magníficas peças do Museu de Antiguidades Egípcias do Cairo. Enviaram-me por mail este ficheiro em Powerpoint que como calculam não pode ser colocado diretamente aqui num blog. No entanto há que conseguir arranjar uma solução para que se consiga ver (confesso que estou a experimentar e ainda não sei qual vai ser o resultado). Duas situações se podem dar, ou os meus amigos vão ver as imagens pretendidas que a meu ver são muito boas, ou esta postagem será apagada... e aí ninguém vai saber...
Vamos ver como isto corre...
Musee egyptien

Para ver as imagens em tela cheia há  que clicar nas setas em cruz no cantinho inferior direito... Apreciem!

Foto da fachada principal do museu

A minha Nut

Na Eneáde de Heliópolis, Nut é irmã e esposa de Geb, filha de Chu e Tefnut, mãe de Osíris, de Ísis, de Set e de Néftis. Segundo os textos mitológicos, Nut uniu-se a seu irmão sem conhecimento de Ré ou contra a vontade dele, o que levou o pai dos deuses a ordenar a Chu a separação brutal do casal e a decretar a sua esterilidade em todos os meses do ano. Tot, o deus da lua, teve piedade dela e, jogando com a lua, ganhou-lhe a septuagésima segunda parte da sua luz ou seja, cinco dias. Estes cinco dias intercalares, epagómenos, foram introduzidos no calendário egípcio antes do Ano Novo e, em cada um destes, Nut conseguiu ter um filho.

Embora separada de Geb, durante o dia, por Chu, à noite, encontrava-se com o marido criando assim as trevas. Quando havia tempestades durante o dia, os egípcios atribuíam o fenómeno ao estremecer dos quatro pilares do céu por Nut.

Esta Nut veio comigo do Egipto em 1999.

Fonte: As Divindades Egípcias (J. Candeias Sales)

Confabulações de um arquiteto no Antigo Egito..

Aqui fica um interessante artigo sobre o tema da arquitetura no Antigo Egito. Como seria, afinal, a vida de um arquiteto-chefe no Império Antigo? Quais seriam as suas opções e dificuldades? Peço desculpa por estar em inglês, mas foi assim que o encontrei...

Clique aqui neste Link! ... sim, aqui mesmo em cima destas letrinhas! ;-)


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Breve introdução sobre a cor no Antigo Egito

Os antigos egípcios aplicavam quase sempre um acabamento de cor tanto nas estátuas como nos relevos interiores e exteriores dos templos.

Simulação do Templo de Lucsor

Infelizmente a grande maioria dos monumentos chegaram aos nossos dias sem cor ou, apenas, com pálidos apontamentos da mesma: umas vezes atribuídas ao envelhecimento natural dos monumentos e das peças de arte, outras graças à destruição humana, intencional ou não.
Nalguns locais, mais abrigados dos elementos e mais inacessíveis, essas cores ainda se vislumbram, com alguma palidez, é certo, mas que nos impressiona pela sua extrema beleza. É no interior dos túmulos, mesmo nos anteriormente saqueados, que encontramos as pinturas nas paredes e nos objetos funerários, relativamente bem preservadas. Ao vê-las, podemos imaginar como seria tudo isto na época em que foram feitas.
As cores eram utilizadas com intenções mais do tipo mágico-religioso do que simplesmente estéticas, pois algumas delas estavam codificadas para transmitir certas ideias.


A título de exemplo e duma maneira um pouco simplista:
O preto (kem) obtido frequentemente a partir de carvão moído ou do óxido de manganésio, era a cor que representava a regeneração, tal como o verde. Os deuses Anúbis e Min eram representados com esta cor.
O branco (hedj) obtido a partir de cal ou gesso, representava a alegria e a felicidade.
O vermelho (decher) obtido a partir de certas terras de ocres avermelhados, tinha habitualmente conotações negativas, relacionando-se com a violência, o deserto e claro com o mais malvado dos deuses, Set, o terrível irmão de Osíris (foi principalmente na Época Baixa que o deus Set foi amaldiçoado e ostracizado, mas nem sempre foi assim).
O verde (uadj) obtido a partir da malaquite ou do crisólito, transmitia a ideia de rejuvenescimento, sendo utilizada para pintura da pele do deus Osíris.
O amarelo (ketj) obtido a partir de ocres amarelos ricos em óxido de ferro, era utilizado em substituição do ouro.



quarta-feira, 25 de abril de 2012

Em Deir el-Bahari


O pequeno grupo de viajantes da Páscoa de 2012 em frente do templo funerário da rainha-faraó Hatchepsut, o Sublime dos Sublimes (Djeser-djeseru), sob o inclemente sol de Abril.

Antes tinha sido a visita ao sossegado Vale dos Reis, e depois foram os «Colossos de Memnon», isolados e mudos à entrada do muito destruído templo funerário de Amen-hotep III.

E há mais fotos...

terça-feira, 24 de abril de 2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Refastelado


Bem refastelado no barco de cruzeiro que nos levou desde Assuão até Lucsor, durante a tradicional «festa egípcia» que todos os anos se tem repetido nas nossas inesquecíveis visitas de estudo ao Egito, desta vez com um grupo mais pequeno e de tipo familiar.

Esta é a primeira de uma série de imagens que testemunharão os belos momentos de cultura e de lazer que fruímos nas férias da Páscoa no país do Nilo, em mais uma viagem organizada pelo Instituto Oriental da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Para o ano há mais!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Egito - Nefertiti, A Rainha Misteriosa



Neste documentário, procura-se desvendar o mistério que rodeia Nefertiti, a esposa do famoso Akhenaton, único faraó monoteísta do Antigo Egito. São analisados os vestígios de Tutankhamon, os registos, os túmulos do Vale dos Reis. Tenta-se compreender o papel, o destino, os eventos, as relações entre as várias personagens desse período pouco compreendido da História da Antiguidade Egípcia, com destaque para a bela rainha consorte do faraó «herético».

Acima de tudo, põe-se a maior pergunta de todas: onde se encontra Nefertiti? Um desafio ainda por solucionar...

O Egipto no Mudo:

segunda-feira, 16 de abril de 2012

De regresso



Já viemos da nossa visita de estudo ao Egito, com um pequeno «grupo familiar» de doze pessoas, o mais pequeno desde que há treze anos o Instituto Oriental da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa iniciou as suas viagens ao país do Nilo, que agora atravessa uma fase de transformação.

Como testemunho do nosso feliz regresso à pátria, depois de doze dias de uma viagem maravilhosa e inesquecível, aqui fica um brinde saboroso: um link que propicia a visualização do correto processo de mumificação e embalsamamento de uma múmia egípcia com um toque lúdico e educativo.

terça-feira, 10 de abril de 2012

O Barão Vivant Denon


«Toda a minha vida desejei fazer a viagem ao Egipto, mas o tempo que tudo desgasta já tinha desgastado essa vontade. Logo que surgiu a hipótese desta expedição, que devia tornar-nos donos dessa região, a possibilidade de executar o meu antigo projecto, acordou em mim o desejo. Um palavra do herói que comandava a expedição decidiu a minha partida: ele prometeu levar-me consigo, e eu não duvidava do meu regresso. Depois de ter segurado a sorte daqueles que dependiam da minha existência, tranquilo com o passado, eu pertencia por completo ao futuro. Sabendo que o homem que desejava constantemente algo, adquire logo a faculdade de alcançar o seu objectivo, eu já não pensava nos obstáculos ou, pelo menos, sentia dentro de mim tudo o que era necessário para os ultrapassar. O meu coração palpitava sem que conseguisse descobrir se aquela emoção era de tristeza ou de alegria. Eu caminhava errante, evitando todos, agitando-me sem ideia, sem prever nem saber o que iria ser útil num país assim tão desprovido de todos os recursos.»
Regressado a Paris, em 1802, publica este seu relato ilustrado
com 141 gravuras da sua autoria.

Voando sobre um ninho de pirâmides...

Tenho andado ausente do blogg porque voo muito e, por isso, trouxe-vos estas imagens:

http://www.airpano.ru/files/Egypt-Cairo-Pyramids/start_e.html


As imagens link acima referido são obtidas de helicóptero e podemos ter uma perspetiva única sem ser de balão...


Nota: com o rato, a imagem vira 360º; com a roda do referido "roedor" podemos fazer zoom  in e out.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A irmã de Ísis

A estatueta de Néftis, aqui exibida nesta imagem, encontra-se no Museu do Louvre, em Paris.

Pouco compreendida, mas nem por isso menos importante deusa do panteão egípcio, Néftis é uma peça destacada no culto da imortalidade relacionado com Osíris e Ísis, os quais também eram seus irmãos.

Curiosamente, Néftis é também irmã e esposa do assassino invejoso de Osíris - o deus Set - e dele, segundo alguns mitos, deu à luz Anúbis, o deus dos ritos funerários. Néftis - que desaprovara o assassinato feito pelo marido - auxiliou a sua irmã Ísis no processo de ressurreição de Osíris.

Néftis simboliza, de certo modo, a experiência da caminhada pela morte ao passo que Ísis simboliza a experiência do renascimento. Enquanto Ísis realiza os encantamentos destinados à recuperação do sopro da vida ao corpo de Osíris, Néftis protege o falecido dos monstros, demónios e outros perigos durante o seu percurso pelo Duat, o mundo subterrâneo.

Néftis é quase sempre associada a Ísis ou a Set, razão pela qual é pouco compreendida e pouco conhecida. Durante o Império Novo, particularmente nos inícios da XIX dinastia, a predilecção faraónica por Set permitiu que Néftis ganhasse algum destaque, em especial numa antiga localidade chamada Sepermeru, nos arredores de Fayium.

Dado que Sepermeru era um dos principais locais de culto a Set, aqui se erguera um templo em sua honra - «Casa de Set, Senhor de Sepermeru».

A ele associada, mas a nível independente, Néftis também era aqui cultuada num santuário chamado «Casa de Néftis de Ramsés-Meriamun». Parece que Ramsés II dedicou especial atenção ao culto a Néftis pois o santuário desta deusa em Sepermeru aparenta ter sido fundado no reinado deste monarca.

sábado, 7 de abril de 2012

O Templo de Debod


O Egipto ptolemaico em Madrid.
Mais informações sobre este templo (desmontado entre 1960-61, em operação patrocinada pela Unesco para salvar os vestígios arquitectónicos da Núbia, e oferecido pelo Egipto a Espanha em 1968) ... aqui.


Foto: TMS

Tríade famosa

Esta tríade formada por Osíris ao centro ladeado pela sua esposa Ísis e seu filho Hórus, é aqui apresentada numa estupenda peça que se encontra atualmente no museu do Louvre, em materiais nobres (ouro e lápis lazuli), pertenceu ao faraó Osorkon II (874-850 a.C.) que foi sepultado no templo de Amon em Tânis.


  Photobucket Pictures, Images and Photos

sábado, 24 de março de 2012

Quem quiser vai de balão


Durante a visita de estudo ao Egito, para onde partimos no dia 29 de Março, está prevista uma viagem de balão sobrevoando a região de Lucsor Ocidental, para lá do alto apreciarmos o belo templo funerário de Hatchepsut em Deir el-Bahari, o Ramesseum, os Colossos de Memnon, Medinet Habu, a vila de Deir el-Medina, e os túmulos do «Vale dos Nobres».

Na memória dos ousados balonistas ficam também as imagens das grandes montanhas que escondem o Vale dos Reis e o Vale das Rainhas, os campos verdejantes, as casas com terraços, as eiras e o gado, os habitantes que lá de baixo nos vão acenando, o rio Nilo e o imenso deserto perdendo-se ao longe no fulvo horizonte iluminado pelo sol da alvorada.

Depois os viajantes aéreos, madrugadores balonautas, terão em terra uma festa de despedida, animada por um captain Mohamed, que distribuirá a cada um dos participantes um bonito diploma de balonista para depois ser orgulhosamente mostrado aos amigos - mas o problema para quem quer ver nascer o sol do alto de um balão é ter de acordar às quatro da madrugada...

 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Sincretismo cultural

Mesmo que Cleópatra tenha sido degradada pela propaganda do 1º Imperador de Roma, Otávio César Augusto como sedutora oriental e vil, destruidora das virtudes romanas, os novos senhores estrangeiros a dominar o Egito durante meio milénio influenciaram e foram influenciados pela cultura egípcia, especialmente na área dos rituais funerários.

Esta imagem provém do Museu de Belas-Artes, em Montreal, no Canadá. Apresenta máscaras funerárias romanas de formato tridimensional originárias da colecção de múmias encontradas na zona do Fayum.

Se os corpos destas pessoas foram mumificados de acordo com a antiga tradição funerária egípcia, as faces foram representadas através de retratos pintados ou máscaras funerárias ao estilo romano, exibindo o que terão sido os seus verdadeiros traços em vida. Em muitos casos, os seus nomes estavam registados em grego antigo.

Isto mostra uma fabulosa simbiose de culturas - a clássica greco-romana com a oriental-egípcia - que persistiu durante os primeiros três séculos da dominação romana no país do Nilo até à altura em que o Cristianismo começa lentamente a superar as antigas religiões pagãs, por volta de meados do século III da nossa era.

Mais de 900 destes retratos foram descobertos na necrópole do Fayum, frequentemente bem preservados devido ao clima seco do Egito. Actualmente muitos deles estão espalhados por diversos museus um pouco por todo o Mundo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Faltam oito dias


Estas imagens esfíngicas servem para lembrar que faltam
apenas oito dias para a partida do grupo que viajará para o Egito
em mais uma visita de estudo organizada pelo Instituto Oriental
da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Na região do Cairo estaremos junto das pirâmides de Guiza e da Esfinge,
passando depois por Sakara, e visitando as relíquias de três religiões
 na capital egípcia: a mesquita de Mohamed Ali, a igreja copta
 da Sagrada Família e a sinagoga de Ben Ezra.

No Sul visitaremos Abu Simbel, a ilha de Filae com os seus templos,
depois o templo de Kalabcha, seguindo-se o cruzeiro no Nilo
que nos levará aos templos de Kom Ombo e de Edfu, até Lucsor,
onde há muito para ver e para aprender.

Na margem ocidental teremos o Vale dos Reis, o Vale das Rainhas,
 Deir el-Medina e os túmulos particulares de funcionários e artesãos,
mais os templos funerários de Deir el-Bahari (Hatchepsut)
e de Medinet Habu (Ramsés III).

Na margem oriental esperam-nos os templos de Karnak (Ipet-sut)
 e de Lucsor (Ipet-resit), seguindo depois para norte,
através do Egito rural e profundo, até Abido
 (templo cenotáfio de Seti I) e Dendera (templo de Hathor).

Há no programa visitas a museus, a começar pelo grande Museu
 Egípcio do Cairo (em que estado se encontra ele?),o Museu de Imhotep
 em Sakara, e o belo Museu de Lucsor - e se houver tempo
daremos um salto ao novo Museu de Kom Ombo.

Quem quer vir?


quarta-feira, 14 de março de 2012

Antes da avalanche dos turistas...



























A Biblioteca Pública de New York partilhou cerca de 9 mil fotografias e ilustrações da região do Médio Oriente num período entre o século XVII e os começos do século XX. As fotos acima apresentadas representam uma pequena parte dessa colectânea. Mostram alguns dos mais emblemáticos vestígios da antiga civilização egípcia, assim como grandiosos monumentos islâmicos nos anos de 1870-75, quando visitar o Egito era o privilégio dos estudiosos das academias europeias ou de pessoas abastadas, as minorias com meios e tempo para viajar pelo conhecimento ou pelo lazer.

Tem-se uma perspectiva do país numa época de pureza, de simplicidade e de tranquilidade quando a população não conhecia as enormes afluências das massas turísticas, nem o ritmo frenético da era moderna. Era um país parado no tempo, capturado através das lentes dessa recém-inventada caixa mágica, onde apenas se via o mundo de então e o mundo de outrora...

sexta-feira, 9 de março de 2012

O Egito! Sempre o Egito...

É verdade: tenho andado ausente do nosso blog. "Coisa" de não profissional! Mas não deixo de pensar nesse país e nos tumultos que se continuam a verificar. Receio pelo futuro: o passado / a história / a arte... Então deu-me para aqui:

sábado, 3 de março de 2012

O Mapa de Turim!


No século XIX foi encontrada uma preciosidade sob as areias do Antigo Egito: o Mapa de Turim. Este papiro - fragmentado em duas partes aqui reunidas - é, na verdade, o mais antigo mapa topográfico do Mundo, concebido por volta de 1150 a.C. pelo «escriba do túmulo» Amennakhte, filho de Ipuy, durante o reinado de Ramsés IV, da XX dinastia.

A criação deste mapa topográfico teve a ver com a vontade régia de enviar expedições para explorar as minas em Wadi Hammamat à procura dos blocos de pedra bekhen usados no fabrico de estátuas do rei. Uma estela encontrada numa dessas pedreiras datada do 3º ano do reinado de Ramsés IV confere-nos as informações a essa expedição, a qual teria mais de 8 mil homens.

O Mapa de Turim apresenta um esquema com as rotas, as pedreiras, os montes e colinas circundantes e a mina de ouro junto à localidade de Bir Umm Fawakhir. Apresenta numerosas anotações sobre distâncias, destinos e localizações dos vários pontos importantes da região. Também pode ser considerado um dos primeiros, senão o primeiro mapa geológico existente, pois o seu criador teve o cuidado de assinalar mediante o uso de cores e anotações as várias formações rochosas com as devidas características pela região assinalada.

A localização desses espaços descritos nesse papiro está notavelmente correcta o que demonstra que os antigos egípcios tinham boas noções de Geografia e Geologia apesar de não disporem dos conhecimentos e instrumentos dos dias de hoje.

O Mapa de Turim foi descoberto aparentemente em Deir-el-Medina, perto de Tebas, por agentes de Bernardo Drovetti, procônsul francês no Egito, algures entre os anos de 1821-24 e actualmente encontra-se no Museu de Antiguidades Egípcias de Turim.

P.S. Podem saber mais pormenores sobre o Mapa de Turim no seguinte site:

www.eeescience.utoledo.edu/Faculty/Harrell/Egypt/Turin Papyrus/Harrell_Papyrus_Map_tex.htm

Nesse site, James A. Harrell, professor de Geologia do Departamento de Ciências Ambientais da Universidade de Toledo, em Ohio, EUA, faz uma descrição e análise do mesmo. Está em inglês, infelizmente, portanto, espero que o dominem para compreender a leitura do artigo!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Instrumentos cirúrgicos na Antiguidade

Numa das paredes do templo de Kom-Ombo, a Sul de Lucsor, mandado erigir por Ptolemeu VI (cerca de 185 a.C.)  encontra-se uma representação muito curiosa  de uma mesa com instrumentos cirúrgicos e de duas deusas sentadas em cadeiras de parto.


(clicar na foto para ampliar)

A mesa mostra um arsenal cirúrgico bastante completo sendo este apresentado no habitual estilo egípcio de forma a serem vistas todas as peças constituintes, sem encobrimento de umas pelas outras,  pelo que o tampo da mesa é apresentado na vertical e não na horizontal.

Neste instrumental destaco:
foreceps; serra para os ossos; várias sondas; cateteres; pipetas; tesoura; pinças; esponjas, facas, vasos, espéculos, etc.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O Inferno de antes..

Se as inegáveis semelhanças dos 10 mandamentos bíblicos com a confissão negativa do capítulo 125 do livro dos mortos nos dão que pensar, o que dizer então do conceito de Inferno? Bom, de acordo com Josép Padró, os antigos egípcios não tinham propriamente a conceptualização formal de um inferno, ou seja, o maior castigo para os que não superavam o tribunal de Osíris era, coisa já de si absolutamente terrível, a não imortalidade. Contudo, um texto escrito em demótico, datado do séc VI a.c. , os Prodígios Mágicos de Siosires, contem passagens particularmente reveladoras, de que, numa tradução livre do castelhano, vou enumerar apenas algumas passagens:

“ O pequeno Siosires pegou na mão de seu pai, Setne, (filho de Ramsés II), e conduziu-o a um lugar que ele conhecia na montanha de Menfis, ali haviam 7 grandes salas, nas quais se apinhavam homens de todas as condições…ao entrarem na 4ª sala Setne viu pessoas que corriam, agitadas, enquanto alguns burros comiam sobre as suas costas, outros tinham a sua comida, água e pão, pendurados sobre as suas cabeças, esticando os braços para os alcançar, enquanto outros cavavam valas debaixo dos seus pés para os impedir…na 5ª sala Setne viu uns defuntos em posição venerável, enquanto os que haviam sido acusados de cometer crimes, estavam de pé atrás da porta, suplicantes e com a dobradiça da porta espetada num olho.”

Bom, meus caros, por aqui me fico, para depressões já nos basta a crise..

Fonte: Paper de Josep Padró "El mal, el pecado y el castigo en el antiguo Egipto"


sábado, 25 de fevereiro de 2012

Curiosa divindade...quem será?

Esta estranha criatura é a representação de um membro importante do panteão religioso egípcio, crucial no desenvolvimento do antigo mito da morte e da ressurreição, tão caro ao coração e mente do povo do Antigo Egito.

A sua participação nesse mito igualmente simboliza a compreensão dualista que os antigos egípcios tinham do seu mundo: de um lado a estreita faixa verde ao longo do Nilo que providenciava os recursos para o crescimento das culturas; do outro lado o universo estéril, seco e perigoso dos desertos do Sahara e da zona oriental cujas forças ameaçavam de forma constante a sobrevivência da civilização do Nilo.

Faço a pergunta: quem é esta divindade que está associada a essas forças ameaçadoras?

Já disse o suficiente, penso eu...agora depende de quem conseguir descobrir a solução. Uma «mosca de ouro» ou um cone de perfume, escolham o que quiserem!

Boa investigação!