domingo, 14 de abril de 2013
Os três guias
Mantendo a tradição das anteriores visitas de estudo ao Egito
dos grupos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,
também neste ano a viagem teve o acompanhamento de três guias:
um egiptólogo do Instituto Oriental (Luís Araújo), uma guia profissional
da Tui Viagens (Teresa Neves), e o guia local (Mustafa el-Ashabi).
E tudo correu muito bem!
sexta-feira, 12 de abril de 2013
O banho no mar Vermelho
Tal como no ano passado, a visita de estudo deste ano ao Egito terminou
com um retemperador banho nas águas do mar Vermelho, em Hurghada,
depois de alguns dias de peregrinação cultural.
Alguns dos viajantes quiseram lembrar a sua presença do dia de Páscoa
deste ano em Hurghada, em 31 de março, na tradicional pose do ka,
sob uns agradáveis 30 graus de temperatura...
Ah, e em Portugal nessa altura chovia a potes e estava frio!
sábado, 6 de abril de 2013
Mais uma visita de estudo
Terminou com sucesso mais uma visita de estudo ao Egito organizada
pelo Instituto Oriental da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,
desta vez em parceria com a Associação Portuguesa dos Amigos
dos Castelos, com dezoito participantes desejosos de aprender,
e que decorreu entre 20 de março e 2 de abril de 2013.
Aqui está o grupo de viajantes numa foto tirada no sítio da antiga cidade
de Mênfis (Ieneb-hedj), uma das grandes capitais do antigo Egito, visitada
no primeiro dia de um longo percurso que decorreu sem problemas,
ao contrário do que se esperaria com as notícias alarmantes da imprensa
manifestamente exageradas acerca da situação no Egito.
Para o ano lá estaremos novamente!
domingo, 17 de março de 2013
Ptah, o senhor da Criação!
Esta bonita estátua, oriunda da antiga capital de Tebas-Usaet, no Sul do Egito, é datada do reinado de Amenhotep III, c. de 1390-53 a.C. e representa uma das maiores divindades egípcias: Ptah, "o da bela face", "o senhor da Verdade", "o mestre da Justiça", "o que ouve as orações", "o mestre das Cerimónias", "o senhor da Eternidade" - só alguns dos epítetos pelos quais era designado.
A importância de Ptah no panteão religioso egípcio não deve ser subestimada: era considerado o senhor da Criação, que com o seu pensamento e com a sua palavra, criou o Mundo. Nessa qualidade, todos os componentes da Natureza e do Universo deviam a Ptah a sua existência, dado que ele concebeu-os por via do pensamento e por via da magia da sua palavra, deu-lhes forma.
A sua importância simbológica como criador reforçou-se ao longo dos milénios através da sua associação à monarquia faraónica, já que se considerava Ptah como um crucial preservador do papel do monarca. Sem contar ainda que Ptah era o patrono dos artífices, protegendo os que se dedicavam aos trabalhos artesanais e artísticos. Dada a profusão de obras de arte de todas as qualidades, promovidas ao longo de milhares de anos, compreende-se porque o culto de Ptah, tão cedo iniciado, se tenha espalhado e prolongado por todo o Antigo Egito até ao fim da era faraónica.
Ptah era a principal divindade na região da milenar Mênfis desde os primórdios da unificação do país, fazendo parte da Tríade Menfita, ao lado de Sekhmet, sua esposa e Nefertum, seu filho. É representado frequentemente na forma de Osíris (pele de cor verde, envolto em linho e com a típica barba divina), segurando um bastão ou cetro com os símbolos de ankh, djed e uas, ou seja vida, estabilidade e poder, fortalecendo a sua posição como deus com o poder da criação e estabilização. Devido ao seu papel criador, também tem afinidade com as questões da fertilidade e do renascimento e, como é habitual na religião egípcia antiga, sofre o sincretismo com outras divindades, como Bes, o boi Ápis e Sokar.
O culto de Ptah tornou-se tão popular na sociedade egípcia que veio a ser elevado à posição de uma das principais divindades nacionais, associado às cerimónias faraónicas. O seu culto depressa se estendeu aos maiores centros populacionais, encontrando-se vestígios da sua prática em Abido, Tebas, Abu-Simbel e Pi-Ramsés. Existem ainda provas do seu culto fora das fronteiras do Duplo País, em diversos pontos do Mediterrâneo Central e Oriental - Cartago, por exemplo - graças aos Fenícios.
A estátua, aqui exibida, encontra-se no Museu Egípcio de Turin, em Itália, o qual contém uma das maiores coleções de Arte Egípcia encontradas no estrangeiro. Vale a pena visitar!
quinta-feira, 14 de março de 2013
Foram os ossos da irmã de Cleópatra VII encontrados? O mais provável é que não
Etiquetas:
Cleópatra
sexta-feira, 1 de março de 2013
Hoje, no University College London:
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Fragmento do Cairo
Quando eu a cinjo e ela me abre os braços,
Sou como um homem que regressa da Arábia,
Impregnado de perfumes.
Desço o rio numa barca,
ao ritmo dos remadores.
Com um feixe de canas ao ombro,
vou para Mênfis,
e direi a Ptah, senhor da verdade:
«dá-me esta noite a minha amada».
Este deus é como um rio de vinho,
com seus maciços de canas.
E a deusa Sekhmet é como se fosse a sua moita de flores.
E a deusa Earit, seu lótus em botão.
E o seu lótus aberto, o deus Nefertum.
- E a minha amada será feliz.
Levanta-se a aurora através da sua beleza.
Mênfis é um cesto de tomates
posto frente ao deus de rosto puro.
Bom é mergulhar, bom,
ó deus meu amigo,
é banhar-me diante de ti.
Adivinhas-me quando se molha
minha túnica de fino linho real.
E juntos entramos nas águas,
e à tua frente eu saio das águas,
agarrando entre os dedos
um estupendo peixe encarnado.
- Olha para mim.
Tanto se alvora meu coração, de puro amor,
que metade da minha cabeleira se desfaz,
quando corro ao teu encontro.
Para que me vejas sempre igual e bela
diante de ti,
eu componho os meus cabelos.
Sou como um homem que regressa da Arábia,
Impregnado de perfumes.
Desço o rio numa barca,
ao ritmo dos remadores.
Com um feixe de canas ao ombro,
vou para Mênfis,
e direi a Ptah, senhor da verdade:
«dá-me esta noite a minha amada».
Este deus é como um rio de vinho,
com seus maciços de canas.
E a deusa Sekhmet é como se fosse a sua moita de flores.
E a deusa Earit, seu lótus em botão.
E o seu lótus aberto, o deus Nefertum.
- E a minha amada será feliz.
Levanta-se a aurora através da sua beleza.
Mênfis é um cesto de tomates
posto frente ao deus de rosto puro.
Bom é mergulhar, bom,
ó deus meu amigo,
é banhar-me diante de ti.
Adivinhas-me quando se molha
minha túnica de fino linho real.
E juntos entramos nas águas,
e à tua frente eu saio das águas,
agarrando entre os dedos
um estupendo peixe encarnado.
- Olha para mim.
Tanto se alvora meu coração, de puro amor,
que metade da minha cabeleira se desfaz,
quando corro ao teu encontro.
Para que me vejas sempre igual e bela
diante de ti,
eu componho os meus cabelos.
Poema de Herberto Helder, in «O Bebedor Nocturno»
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Há precisamente 90 anos...
Hoje, 16 de Fevereiro de 2013, completam-se 90 anos da abertura da última das câmaras funerárias do túmulo de Tutankhamon, quando Howard Carter quebrou o selo que a encerrava, acompanhado de membros da sua equipa. Lá dentro vislumbrou-se pela primeira vez em mais de 3 mil anos, o sarcófago deste jovem rei egípcio, falecido de forma prematura com apenas 18 anos.
Carter tinha descoberto os primeiros vestígios do túmulo, em Novembro de 1922, mas levou quase três meses somente para desobstruir o entulho em frente à porta principal, remover e registar todos os magníficos tesouros que estavam nas primeiras câmaras e finalmente alcançar a última, que abriu nesta data, precisamente há 90 anos atrás.
O jornalista britânico, Henry Wollam Morton, do Daily Express, foi praticamente o único membro da impressa internacional autorizado a entrar no local juntamente com Carter e os seus ajudantes e o criador dos primeiros artigos jornalísticos a respeito da descoberta do túmulo real, que cimentaram a reputação do perseverante arqueólogo e do seu achado junto do público britânico e consequentemente pelo mundo inteiro.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Lá se foi o Carnaval...
Lá se foi o Carnaval, perdendo-se a ocasião de nos mascararmos
de poderosos faraós, como alguns fazem em certos corsos
e em descontraídas palhaçadas caseiras.
Estes adereços devem ser apropriados para climas mais frios,
e como estas imagens são de origem americana
compreende-se bem este pesado vestuário carnavalesco.
Quanto ao tropical clima do Brasil, ele revela-se mais propício
para a recriação histórica, pois lá os figurantes e foliões
podem exibir apenas a faraónica tanga real - cá não...
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Installation of the colossal statue of Amenemhat II (ca. 1919--1885 B.C.)
Este vídeo exibe a instalação de uma estátua colossal de Amenemhat II, terceiro rei da XII dinastia, no Grande Salão de Entrada do Museu Metropolitano de Arte, em Nova York. Cedida temporariamente pelo Museu de Antiguidades Egípcias de Berlim, a estátua permaneceu em exposição nesse local por um ano, a partir de Agosto de 2011.
Amenemhat II reinou c. de 1919 a 1885 a.C. (ou segundo alguns autores entre 1929 e 1895 a.C. ou entre 1900 e 1870 a.C.), durante o Império Médio - mas o seu reinado é pouco destacado comparativamente aos mais ilustres soberanos da dinastia. Existem discordâncias sobre a possibilidade ou não de ter exercido uma co-regência conjunta no fim do reinado do pai, Senuseret I.
No essencial, o reinado de Amenemhat II é uma serena continuidade da governação anterior: a nível interno, uma boa gestão económica, demonstrada pela exploração agrícola do oásis do Faium, com a construção de canais e ampliação das terras de cultivo; a nível externo, caracterizado pelo aumento do comércio com o Egeu, a Sírio-Palestina, a Ásia Menor e a Mesopotâmia, demonstrado pela descoberta de diversos objetos egípcios (estátuas e escaravelhos reais) em antigas cidades do Levante, além da descoberta do «tesouro de Tod», onde entre outros, foram encontrados objetos de origem cretense e mesopotâmica. Conhece-se ainda uma expedição à misteriosa Terra de Punt, por volta do 28º ano do reinado.
Existe uma estela fragmentada em Mênfis com referências a uma expedição bélica contra tribos beduínas no Sinai assim como a destruição de duas cidades na Ásia, para além da vinda de um tributo oriundo da Núbia. Sem tais referências, o reinado de Amenemhat II é basicamente desprovido de campanhas bélicas.
Pouco se sabe sobre a corte deste rei: conhecem-se os nomes de duas esposas - Senet, através de estátuas encontradas no Delta e Kaneferu, enterrada junto ao marido em Dahchur - tal como os nomes de várias filhas através de inscrições em estátuas e sepulcros associados ao complexo piramidal do monarca. São ainda conhecidos os nomes de dois príncipes, Amenemhat-ankh e Senuseret - o último dos quais será o sucessor, Senuseret II. Entre os seus funcionários, destacam-se os vizires Senuseret e Ameni, os tesoureiros Merikau e Sa-Iset, o governador provincial Djehuty-hotep e ainda o chefe da expedição a Punt, Khent-khetuer.
O complexo piramidal de Amenemhat II, em Dahchur, hoje largamente arruinado, ainda não foi sujeito a uma intensa investigação, embora algum do requinte artístico da época possa ser admirado, nomeadamente no capítulo da joalharia descoberta nos sepulcros das princesas Ita e Khnemet - anéis, braceletes, colares e diademas finamente trabalhados. Além do complexo piramidal em Dahchur e outros raros vestígios, pouco mais subsiste deste reinado, um dos mais escassamente documentados da XII dinastia.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Mais um desafio para os interessados!
Esta elegante escultura em quartzito, datada c. de 1400 a.C., encontra-se atualmente no Museu Britânico, em Londres. Representa um babuíno, animal outrora comum nas margens do rio Nilo, famoso pela sua agilidade, inteligência, perspicácia e hábil destreza manual.
Não admira, portanto, que tenha sido associado como animal sagrado a uma divindade em particular, a qual é vista como protetora da escrita e dos escribas, criador dos hieróglifos, dos cálculos matemáticos, de todos os trabalhos científicos, mágicos, filosóficos e religiosos, orientador das posições das estrelas e dos corpos celestes e até mesmo mediador entre as forças do bem e do mal.
Agora coloco um pequeno desafio aos amigos e participantes deste blogue: qual a divindade associada ao babuíno?
E quem quiser e se conseguir, pode tentar ler os hieróglifos presentes na escultura, entre os quais existem duas cartelas reais, onde estão indubitavelmente os nomes de um rei.
A todos, boas leituras e boa sorte!
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
A vida no Antigo Egito
Correspondendo ao interesse que os cursos de temática egiptológica
continuam a despertar entre os alunos, os estudiosos, e entre o público
em geral, decidiu o Centro de História da Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa, através da sua linha de investigação
de História Antiga e Memória Global, organizar um novo curso
em cinco sessões, com o tema «A vida no Antigo Egito»,
que terá o seguinte calendário e programação:
2 de maio - Viver no campo (Telo Ferreira Canhão)
9 de maio - Viver na cidade (José das Candeias Sales)
16 de maio - Viver no templo (Luís Manuel de Araújo)
23 de maio - Viver no exército (José Varandas)
30 de maio - Viver no túmulo (Rogério Sousa)
As sessões do curso decorrem no Anfiteatro III da Faculdade de Letras
de Lisboa, às quintas-feiras, das 18 às 20 horas, podendo os interessados
de Lisboa, às quintas-feiras, das 18 às 20 horas, podendo os interessados
obter mais informações sobre o curso junto do secretariado do Centro.
Rosto de um rei!
Esta foto mostra o rosto de um grande monarca do Império Novo, que reinou cerca de 1290-1279 a.C. como Menmaetré Seti-merenptah, ou seja Seti I, segundo faraó da XIX dinastia e pai do ainda mais célebre Ramsés II, que tão popularmente é conhecido.
Seti I, cujo nome indica a sua inclinação pelo culto ao deus Set e atesta a origem da família, de cariz militar e provavelmente vinda do Delta Oriental do rio Nilo, teve um reinado relativamente curto, se comparado com o do seu famoso sucessor, possivelmente não superior a 11 anos, mas não menos pleno de realizações políticas, artísticas e militares. Da sua consorte, Tuia, teve vários filhos, inclusive o seu célebre herdeiro.
Associado ao poder, ainda em vida do pai, Ramsés I, fundador da linhagem, o novo monarca depressa se inteirou das questões governativas e bélicas, na qualidade de vizir e comandante, usando depois as suas capacidades para travar o avanço dos Hititas na região da Sírio-Palestina e subordinar de novo as tribos e principados rebeldes após as perturbações decorrentes da experiência armaniana. Assaltou a cidade de Kadesh e dominou, mais ou menos vitoriosamente, os seus inimigos, conseguindo manter intactas as possessões egípcias na Ásia. Também existem notícias de expedições contras tribos líbias e contra os Núbios. A competência militar de Seti I, juntamente com o apoio de excelentes funcionários permitiu uma sã administração do país e a manutenção do seu prestígio internacional, embora o conflito com os Hititas só se resolvesse no reinado seguinte.
A nível artístico, destacam-se obras de Seti I no grande templo de Karnak, em Tebas-Uaset, sobretudo a fabulosa sala hipostila, com 134 colunas, que ainda hoje constitui uma das grandes atracções turísticas. Em Abido, o rei ampliou e decorou o templo em honra de Osíris, suprema divindade local, a par de outras divindades nacionais e dele próprio como deificado. Os relevos do templo de Abido são dos mais belos e bem preservados de todo o Egito e possuem, inclusive, a lista de sucessão dinástica dos monarcas egípcios anteriores a ele, com as devidas alterações para eliminar nomes impróprios. O templo não seria terminado senão já no reinado do seu filho, Ramsés II.
Em Gurna, Seti mandou criar o seu templo mortuário ao passo que existem outros vestígios seus em Auaris, Mênfis e mesmo na Núbia e no Sinai como forma de reconhecimento do poder e riqueza do faraonato mesmo além-fronteiras.
No Vale dos Reis, na margem ocidental do rio Nilo, perto de Tebas, Seti foi a enterrar no túmulo KV17, o maior e mais ricamente decorado sepulcro da necrópole real. Tem 136 metros de comprimento, onze câmaras e algumas salas anexas. Giovanni Batista Belzoni, um dos primeiros arqueólogos modernos, foi o responsável pelo achado tumular, em 1817, daí que por vezes se chame ao KV17, o "túmulo de Belzoni". Dado o avançado estrago feito por Champollion, ao remover duas secções de paredes, em 1829, o túmulo de Seti I encontra-se quase sempre encerrado ao público para minimizar os danos.
A múmia de Seti I seria encontrada num túmulo coletivo em Deir-el-Bahari, em 1881. Embora a mais bem preservada, não escapou à ação destruidora dos ladrões tumulares, pois sabe-se que a sua cabeça fora decepada e depois cuidadosamente recolocada com o auxílio de pedaços de linho por sacerdotes fiéis que em seguida enterraram o corpo nesse túmulo coletivo para evitar mais profanações. Atualmente, encontra-se no Museu Egípcio do Cairo.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Escrita hieroglífica
Está agora a decorrer o curso de Iniciação à Escrita Hieroglífica,
em mais uma iniciativa do Centro de História da Universidade de Lisboa,
através da sua linha de investigação de História Antiga e Memória Global,
a qual congrega diversos investigadores de História Antiga
(incluindo o Egito, Mesopotâmia, Israel, Grécia e Roma,
entre outras culturas da Antiguidade).
As sessões têm lugar às quintas-feiras, das 18 às 20 horas, no Anfiteatro IV
da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com cerca de 50 alunos
inscritos, o que para os tempos que correm é muito bom,
atestando o interesse que os temas de Egiptologia continuam a despertar.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Laços de família
Do período ramséssida, surge-nos esta bela imagem, proveniente do túmulo TT359, última morada do chefe dos trabalhadores de Deir-el-Medina, Inherkhau. Este homem, não sendo pertencente à alta sociedade egípcia da época, destaca-se em parte pela invulgaridade de ter mandado construir dois túmulos distintos. Em virtude da inesgotável informação a respeito desta imagem e deste funcionário do Império Novo, cingir-me-ei aos dados principais:
- Inherkhau significa "Onuris aparece", sendo que Onuris é uma adulteração grega para o deus Iny-hor. Terá sido uma espécie de supervisor dos trabalhos de construção tumular régia no Vale dos Reis e aparentemente descende de uma linhagem de homens que exerceram essas mesmas tarefas ao longo de várias gerações. Terá vivido algures nos reinados de Ramsés III e Ramsés IV, ou seja cerca de 1150 a.C.
- nesta imagem, presente na câmara G do túmulo TT359, Inherkhau está acompanhada da sua esposa Wabet "A Pura" e de quatro jovens filhos, um rapaz (o qual não possui brincos nas orelhas) e três raparigas. O momento é de intimidade doméstica com Inherkhau a acariciar a trança da filha mais velha à sua frente, enquanto esta dá a uma irmã mais nova uma pequena ave malhada, ao passo que o rapaz se apoia nos joelhos da mãe, Wabet. Esta, por sua vez, abraça o seu marido. Atrás, a terceira filha segura na mão outra pequena ave malhada.
- em frente a Inherkhau e respetiva família, surgem dois homens, o primeiro dos quais lhe entrega uma estatueta de Osíris e uma pequena caixa, que contém escrito o título de Inherkhau. O segundo homem entrega um pequeno cântaro ou vaso. Ambos atuam como servidores da família de Inherkhau no mundo do além para poupar-lhes as tarefas de cariz manual.
A profunda intimidade entre os membros da família de Inherkhau é um testemunho do grande valor e importância concedida pelos Antigos Egípcios à instituição familiar, base da sociedade. O próprio papel de Inherkhau - «supervisor das construções do Senhor das Duas Terras» - também dispõe de um peso social considerável: afinal Inerkhau viveu numa era de perturbações políticas, sociais e económicas, o que muitas vezes se traduzia em empobrecimento artístico e cultural, mas os seus túmulos não evidenciam esse declínio, pois é ricamente decorado e ornamentado, atestando a sua proeminência na época.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Erotismo e sexualidade
Eis uma das bonitas imagens que constam no livro sobre Erotismo
e Sexualidade no Antigo Egito, que teve a sua sessão de lançamento
na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
no passado dia 19 de dezembro, com a apresentação da obra
a cargo do egiptólogo Doutor Telo Ferreira Canhão.
O autor aproveita o ensejo desta postagem para muito justamente
parabenizar as Edições Colibri e os seus eficazes profissionais
pela qualidade estético-gráfica do volume e para agradecer
aos muitos amigos e admiradores da civilização egípcia
que estiveram presentes naquela sessão.
Quanto ao conteúdo da obra, isso dirão os leitores, esperando-se
convictamente que ela possa esgotar, como sucedeu ao volume
que em 1995 foi editado com o título de Estudos sobre Erotismo
no Antigo Egipto, e que serviu de inspiração para este novo livro.
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Prendas generosas
Um dos temas mais tradicionais da variada decoração de alguns templos
egípcios são as figuras de fecundidade que simbolizam as oferendas
que cada província faz ao rei e à divindade que nesse templo
é cultuada - e neste caso o rei, cujo nome lá consta na inscrição,
é o famoso Ramsés II, o deus é Osíris e o templo é em Abido.
egípcios são as figuras de fecundidade que simbolizam as oferendas
que cada província faz ao rei e à divindade que nesse templo
é cultuada - e neste caso o rei, cujo nome lá consta na inscrição,
é o famoso Ramsés II, o deus é Osíris e o templo é em Abido.
São imagens de abundância, mostrando a frutuosa produtividade
de cada província do Egito, com as mais diversas vitualhas
que as personificações dessas provincias transportam - e hoje,
nesta quadra festiva que atravessamos e que não ameniza a crise,
diríamos que são prendas generosas.
de cada província do Egito, com as mais diversas vitualhas
que as personificações dessas provincias transportam - e hoje,
nesta quadra festiva que atravessamos e que não ameniza a crise,
diríamos que são prendas generosas.
A figura da esquerda é um Nilo hermafrodita que aqui representa
a 15ª província (Khmunu, a dos Oito), ou província da Lebre,
que hoje é El-Achmunein, e a da direita é uma figura feminina
correspondente à 14ª província (Kis ou Kussai), que hoje é Meir.
a 15ª província (Khmunu, a dos Oito), ou província da Lebre,
que hoje é El-Achmunein, e a da direita é uma figura feminina
correspondente à 14ª província (Kis ou Kussai), que hoje é Meir.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
100 anos
Rainha do Antigo Egipto (c. de 1383-1345 a.C),
e esposa principal de Amen-hotep IV, mais tarde Akhenaton.
Há dois anos estivemos frente a frente no Egyptian Museum, Neues Museum, em Berlim.
Na única sala em que não nos é permitido fotografias, daí esta foto de recurso...
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
E mais outra ...
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