quarta-feira, 19 de junho de 2013

Curso de Verão


Decorrerá durante o mês de julho na Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa um Curso de Verão dedicado ao tema
«Erotismo e Sexualidade no Antigo Egito».

É mais um curso livre levado a efeito pelo Centro de História,
decorrendo as sessões às quartas-feiras das 18 às 20 horas,
no Anfiteatro III da Faculdade de Letras de Lisboa,
sendo primeira sessão no dia 10 de julho.

O curso é composto por cinco sessões, e uma delas será
no sábado, dia 27 de julho, na sala de antiguidades egípcias
do Museu Calouste Gulbenkian.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Hoje é dia de Petrie


Se Petrie, nascido neste dia de 1853, é indispensável a quem se interesse minimamente pelo Antigo Egipto, imperdoável será uma ida a Londres sem uma visita atenta ao mini mas excelente museu homónimo.

domingo, 2 de junho de 2013

Viver no antigo Egito


Terminou na passada semana o curso livre destinado a evocar a vida
no antigo Egito, organizado em cinco sessões que estiveram a cargo
de docentes do Centro de História da Faculdade de Letras de Lisboa.

Os temas apresentados no curso livre foram os seguintes: 
«Viver no campo» (Telo Ferreira Canhão),
«Viver na cidade» (José das Candeias Sales),
«Viver no templo» (Luís Manuel de Araújo)
«Viver no exército» (José Varandas)
«Viver no túmulo» (Rogério Sousa)

O próximo curso livre de temática egiptológica levado a efeito pelo
Centro de História da Faculdade de Letras de Lisboa será em julho,
às quartas-feiras, das 18 às 20 h., também com cinco sessões, uma delas
na sala de antiguidades egípcias do Museu Calouste Gulbenkian.


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Facebook no Egito


Nesta interessante fotografia obtida no Cairo por Maria Luísa Pinto,
durante a nossa recente visita de estudo ao Egito nas férias da Páscoa,
podemos ver como o velho país do Nilo se moderniza com o facebook,
aqui bem publicitado numa rua típica da capital.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

«Festa egípcia»


Cumprindo a tradição dos anos anteriores, também nesta última 
visita de estudo ao Egito os viajantes participaram na habitual 
«festa egípcia» organizada durante o cruzeiro no rio Nilo, 
na noite anterior à chegada a Lucsor.

Aqui está o grupo na tradicional foto com «trajes típicos» 
para um momento de diversão no amplo salão do navio de
cruzeiro «Nile Style» - e quem na altura não tiver as fatiotas do
folclore local arranja uns adereços para fingir e também participa.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O rei Khakheperré Senuseret!


   A clássica posição da estátua deste faraó, o rei Khakheperré Senuseret  - conhecido por Senuseret II - demonstra bem a sólida autoridade da monarquia faraónica, força motriz da brilhante era do Império Médio.

    Sabe-se pouco deste quarto rei da XII dinastia comparado a alguns dos seus antecessores e sucessores, dado o carácter fragmentário ou contraditório das fontes. Filho de Amenemhat II, a duração e datação do seu reinado são inexactas: tanto lhe atribuem 10 como 19 anos de reinado, algures entre 1897 e 1860 a.C. sendo que muitos apontam 1870-1860 a.C. como a altura mais provável. Também não existe consenso sobre a ideia de um reinado conjunto com seu pai.

   O  pacífico reinado de Senuseret II, sem registo de ações bélicas, é marcado pela diplomacia e pelo comércio com os reinos vizinhos do Médio Oriente. A nível interno, desenvolveu boas relações com nomarcas, como atestam os indícios no túmulo de Khnumhotep, governador de Beni Hasan.

   Sem guerras ou rebeliões para o atormentar, Senuseret II dedicou os seus esforços ao incremento da agricultura. Uma oportuna descida do nível das águas do lago Moeris, no oásis do Faium expôs consideráveis extensões de terras férteis, circunstância que o faraó aproveitou, ampliando vários projectos hidráulicos anteriores mediante a construção de diques e canais para melhor controlo e distribuição de água. Para o efeito, em Senuserethotep - hoje Kahun - mandou erguer os primeiros bairros de trabalhadores conhecidos.

   As artes conheceram também os seus tempos áureos. A nível arquitectónico, destaca-se o complexo piramidal do rei em El-Lahun, onde além de um sarcófago de granito rosado, foi descoberto, em 1889, pelo egiptólogo Flinders Petrie um uraeus de ouro finamente trabalhado, possivelmente pertencente à máscara fúnebre do soberano. Mais recentemente, em 2009, novas escavações permitiram descobrir alguns corpos mumificados.


    Nas criptas adjacentes onde se sepultaram as filhas do rei, foram encontradas belíssimas jóias de ouro, prata e pedras semi-preciosas. No complexo fúnebre do sucessor, Senuseret III, destaca-se a cripta da princesa Sithathoriunet, onde Petrie e Brunton descobriram em 1914, um nicho com mais jóias (como o peitoral com o nome de Senuseret II acima visualizado), vasos, espelhos e outros materiais cosméticos de excelente qualidade.
    A estatuária também atingiu notável refinamento, como se verifica pelas diversas estátuas de Senuseret II, atestando a XII dinastia como exemplar na representação artística da figura humana. Algumas dessas estátuas seriam reaproveitadas séculos mais tarde por outros soberanos.

    Da corte de Senuseret II, as informações são escassas. Existem registos que apontam a existência de duas rainhas - Khenemetneferhedjet I (mãe de Senuseret III) e Nofret II - e duas esposas secundárias. Conhecem-se com relativa certeza três ou quatro filhas, entre as quais Sithathoriunet.
   No que toca aos altos funcionários e ministros, são poucos os dados. Salienta-se Khnumhotep, que além de governador local, terá sido diplomata, chefe da casa real e finalmente vizir. Todavia, como no que toca à maioria dos restantes faraós, as perguntas sobre Khakheperré Senuseret são mais do que as respostas!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Estivemos em Dahchur


No decurso da recente viagem ao Egito organizada pelo Instituto Oriental
 o nosso grupo esteve em Dahchur, a alguns quilómetros a sul de Guiza 
e Sakara, e lá pudemos ver duas grandes pirâmides da IV dinastia pouco 
visitadas, a insólita «pirâmide romboidal», e a «pirâmide vermelha»,
porque são muito raros os grupos que ali se deslocam.

Graças à greve da TAP (obrigado TAP), partimos mais cedo para o Egito,
e assim tivemos mais um dia, que deu para visitar a necrópole de Dahchur,
onde existem pirâmides da IV dinastia (do rei Seneferu) e da XII dinastia
(feitas para os reis Senuseret III, Amenemhat II e Amenemhat III).

A imagem mostra a chamada «pirâmide romboidal», com a sua estranha 
forma, mas alguns «voluntários» entraram na «pirâmide vermelha», 
o que não é nada fácil, quer pela penosa subida até à sua entrada 
quer pelo percurso interno, com vários metros (a descer e a subir) 
andando numa incómoda posição agachada.

Mas sim, estivemos lá!

domingo, 14 de abril de 2013

Os três guias


Mantendo a tradição das anteriores visitas de estudo ao Egito
dos grupos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,
também neste ano a viagem teve o acompanhamento de três guias:
um egiptólogo do Instituto Oriental (Luís Araújo), uma guia profissional
 da Tui Viagens (Teresa Neves), e o guia local (Mustafa el-Ashabi).

E tudo correu muito bem!

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O banho no mar Vermelho


Tal como no ano passado, a visita de estudo deste ano ao Egito terminou
 com um retemperador banho nas águas do mar Vermelho, em Hurghada,
depois de alguns dias de peregrinação cultural.

Alguns dos viajantes quiseram lembrar a sua presença do dia de Páscoa
 deste ano em Hurghada, em 31 de março, na tradicional pose do ka,
sob uns agradáveis 30 graus de temperatura...
Ah, e em Portugal nessa altura chovia a potes e estava frio!

sábado, 6 de abril de 2013

Mais uma visita de estudo


Terminou com sucesso mais uma visita de estudo ao Egito organizada 
pelo Instituto Oriental da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,
desta vez em parceria com a Associação Portuguesa dos Amigos 
dos Castelos, com dezoito participantes desejosos de aprender, 
e que decorreu entre 20 de março e 2 de abril de 2013.

Aqui está o grupo de viajantes numa foto tirada no sítio da antiga cidade
de Mênfis (Ieneb-hedj), uma das grandes capitais do antigo Egito, visitada
no primeiro dia de um longo percurso que decorreu sem problemas,
ao contrário do que se esperaria com as notícias alarmantes da imprensa
manifestamente exageradas acerca da situação no Egito.

Para o ano lá estaremos novamente! 

domingo, 17 de março de 2013

Ptah, o senhor da Criação!


   Esta bonita estátua, oriunda da antiga capital de Tebas-Usaet, no Sul do Egito, é datada do reinado de Amenhotep III, c. de 1390-53 a.C. e representa uma das maiores divindades egípcias: Ptah, "o da bela face", "o senhor da Verdade", "o mestre da Justiça", "o que ouve as orações", "o mestre das Cerimónias", "o senhor da Eternidade" - só alguns dos epítetos pelos quais era designado.

   A importância de Ptah no panteão religioso egípcio não deve ser subestimada: era considerado o senhor da Criação, que com o seu pensamento e com a sua palavra, criou o Mundo. Nessa qualidade, todos os componentes da Natureza e do Universo deviam a Ptah a sua existência, dado que ele concebeu-os por via do pensamento e por via da magia da sua palavra, deu-lhes forma.

   A sua importância simbológica como criador reforçou-se ao longo dos milénios através da sua associação à monarquia faraónica, já que se considerava Ptah como um crucial preservador do papel do monarca. Sem contar ainda que Ptah era o patrono dos artífices, protegendo os que se dedicavam aos trabalhos artesanais e artísticos. Dada a profusão de obras de arte de todas as qualidades, promovidas ao longo de milhares de anos, compreende-se porque o culto de Ptah, tão cedo iniciado, se tenha espalhado e prolongado por todo o Antigo Egito até ao fim da era faraónica.

  Ptah era a principal divindade na região da milenar Mênfis desde os primórdios da unificação do país, fazendo parte da Tríade Menfita, ao lado de Sekhmet, sua esposa e Nefertum, seu filho. É representado frequentemente na forma de Osíris (pele de cor verde, envolto em linho e com a típica barba divina), segurando um bastão ou cetro com os símbolos de ankh, djed e uas, ou seja vida, estabilidade e poder, fortalecendo a sua posição como deus com o poder da criação e estabilização. Devido ao seu papel criador, também tem afinidade com as questões da fertilidade e do renascimento e, como é habitual na religião egípcia antiga, sofre o sincretismo com outras divindades, como Bes, o boi Ápis e Sokar.

  O culto de Ptah tornou-se tão popular na sociedade egípcia que veio a ser elevado à posição de uma das principais divindades nacionais, associado às cerimónias faraónicas. O seu culto depressa se estendeu aos maiores centros populacionais, encontrando-se vestígios da sua prática em Abido, Tebas, Abu-Simbel e Pi-Ramsés. Existem ainda provas do seu culto fora das fronteiras do Duplo País, em diversos pontos do Mediterrâneo Central e Oriental - Cartago, por exemplo - graças aos Fenícios.

  A estátua, aqui exibida, encontra-se no Museu Egípcio de Turin, em Itália, o qual contém uma das maiores coleções de Arte Egípcia encontradas no estrangeiro. Vale a pena visitar!

sexta-feira, 1 de março de 2013

Hoje, no University College London:


TONIGHT
6.30 Institute of Archaeology. Clive Barham Carter talks about 'A Thousand Miles up the Nile with Amelia Edwards'. Free admission, all welcome. Should be great lecture: Amelia is our hero - Petrie's patron, founder of the Petrie Museum and the EES.
Pena, a crise.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Fragmento do Cairo

Quando eu a cinjo e ela me abre os braços,
Sou como um homem que regressa da Arábia,
Impregnado de perfumes.

Desço o rio numa barca,
ao ritmo dos remadores.
Com um feixe de canas ao ombro,
vou para Mênfis,
e direi a Ptah, senhor da verdade:
«dá-me esta noite a minha amada».
Este deus é como um rio de vinho,
com seus maciços de canas.
E a deusa Sekhmet é como se fosse a sua moita de flores.
E a deusa Earit, seu lótus em botão.
E o seu lótus aberto, o deus Nefertum.

- E a minha amada será feliz.

Levanta-se a aurora através da sua beleza.
Mênfis é um cesto de tomates
posto frente ao deus de rosto puro.

Bom é mergulhar, bom,
ó deus meu amigo,
é banhar-me diante de ti.
Adivinhas-me quando se molha
minha túnica de fino linho real.
E juntos entramos nas águas,
e à tua frente eu saio das águas,
agarrando entre os dedos
um estupendo peixe encarnado.
- Olha para mim.

Tanto se alvora meu coração, de puro amor,
que metade da minha cabeleira se desfaz,
quando corro ao teu encontro.

Para que me vejas sempre igual e bela
diante de ti,
eu componho os meus cabelos.

Poema de Herberto Helder, in «O Bebedor Nocturno»

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Há precisamente 90 anos...

 
   Hoje, 16 de Fevereiro de 2013, completam-se 90 anos da abertura da última das câmaras funerárias do túmulo de Tutankhamon, quando Howard Carter quebrou o selo que a encerrava, acompanhado de membros da sua equipa. Lá dentro vislumbrou-se pela primeira vez em mais de 3 mil anos, o sarcófago deste jovem rei egípcio, falecido de forma prematura com apenas 18 anos.
 
   Carter tinha descoberto os primeiros vestígios do túmulo, em Novembro de 1922, mas levou quase três meses somente para desobstruir o entulho em frente à porta principal, remover e registar todos os magníficos tesouros que estavam nas primeiras câmaras e finalmente alcançar a última, que abriu nesta data, precisamente há 90 anos atrás. 
   
   O jornalista britânico, Henry Wollam Morton, do Daily Express, foi praticamente o único membro da impressa internacional autorizado a entrar no local juntamente com Carter e os seus ajudantes e o criador dos primeiros artigos jornalísticos a respeito da descoberta do túmulo real, que cimentaram a reputação do perseverante arqueólogo e do seu achado junto do público britânico e consequentemente pelo mundo inteiro.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Lá se foi o Carnaval...


Lá se foi o Carnaval, perdendo-se a ocasião de nos mascararmos 
de poderosos faraós, como alguns fazem em certos corsos 
e em descontraídas palhaçadas caseiras.

Estes adereços devem ser apropriados para climas mais frios, 
e como estas imagens são de origem americana 
compreende-se bem este pesado vestuário carnavalesco.

Quanto ao tropical clima do Brasil, ele revela-se mais propício 
para a recriação histórica, pois lá os figurantes e foliões
podem exibir apenas a faraónica tanga real - cá não...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Installation of the colossal statue of Amenemhat II (ca. 1919--1885 B.C.)




    Este vídeo exibe a instalação de uma estátua colossal de Amenemhat II, terceiro rei da XII dinastia, no Grande Salão de Entrada do Museu Metropolitano de Arte, em Nova York. Cedida temporariamente pelo Museu de Antiguidades Egípcias de Berlim, a estátua permaneceu em exposição nesse local por um ano, a partir de Agosto de 2011.

    Amenemhat II reinou c. de 1919 a 1885 a.C. (ou segundo alguns autores entre 1929 e 1895 a.C. ou entre 1900 e 1870 a.C.), durante o Império Médio - mas o seu reinado é pouco destacado comparativamente aos mais ilustres soberanos da dinastia. Existem discordâncias sobre a possibilidade ou não de ter exercido uma co-regência conjunta no fim do reinado do pai, Senuseret I.

   No essencial, o reinado de Amenemhat II é uma serena continuidade da governação anterior: a nível interno, uma boa gestão económica, demonstrada pela exploração agrícola do oásis do Faium, com a construção de canais e ampliação das terras de cultivo; a nível externo, caracterizado pelo aumento do comércio com o Egeu, a Sírio-Palestina, a Ásia Menor e a Mesopotâmia, demonstrado pela descoberta de diversos objetos egípcios (estátuas e escaravelhos reais) em antigas cidades do Levante, além da descoberta do «tesouro de Tod», onde entre outros, foram encontrados objetos de origem cretense e mesopotâmica. Conhece-se ainda uma expedição à misteriosa Terra de Punt, por volta do 28º ano do reinado.

   Existe uma estela fragmentada em Mênfis com referências a uma expedição bélica contra tribos beduínas no Sinai assim como a destruição de duas cidades na Ásia, para além da vinda de um tributo oriundo da Núbia. Sem tais referências, o reinado de Amenemhat II é basicamente desprovido de campanhas bélicas.

   Pouco se sabe sobre a corte deste rei: conhecem-se os nomes de duas esposas - Senet, através de estátuas encontradas no Delta e Kaneferu, enterrada junto ao marido em Dahchur - tal como os nomes de várias filhas através de inscrições em estátuas e sepulcros associados ao complexo piramidal do monarca. São ainda conhecidos os nomes de dois príncipes, Amenemhat-ankh e Senuseret - o último dos quais será o sucessor, Senuseret II. Entre os seus funcionários, destacam-se os vizires Senuseret e Ameni, os tesoureiros Merikau e Sa-Iset, o governador provincial Djehuty-hotep e ainda o chefe da expedição a Punt, Khent-khetuer.

  O complexo piramidal de Amenemhat II, em Dahchur, hoje largamente arruinado, ainda não foi sujeito a uma intensa investigação, embora algum do requinte artístico da época possa ser admirado, nomeadamente no capítulo da joalharia descoberta nos sepulcros das princesas Ita e Khnemet - anéis, braceletes, colares e diademas finamente trabalhados. Além do complexo piramidal em Dahchur e outros raros vestígios, pouco mais subsiste deste reinado, um dos mais escassamente documentados da XII dinastia.