quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Um museu vazio


Esta imagem mostra o Museu Egípcio do Cairo surpreendentemente
sem ninguém, o que é de facto invulgar num local sempre com
grandes multidões dentro e fora do imenso edifício, situado num
dos topos da famosa Praça Tahrir, o coração do Cairo.

Como a comunicação social tem mostrado, rarearam as manifestações
 ruidosas e violentas de centenas de milhares de pessoas na Praça Tahrir
e os blindados do exército continuam a proteger o Museu.

A verdade é que desde há umas duas semanas que não chegam notícias
de acontecimentos trágicos no Egito, o que também dá para pensar:
as forças armadas conseguiram impor a paz, ou esta calmaria
esconde alguma coisa em preparação?...

Em todo o caso, a visita de estudo ao Egito, na Páscoa de 2014,
não está totalmente posta de lado!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

O Egito no Caramulo (3)



Sim, é verdade!!!


O tema desta postagem é uma cópia descarada da anterior
feita pelo nosso escriba Fernando Azul, que em boa hora
regressou das suas férias (nas Bahamas?) para evocar
um velho provérbio egípcio acerca de uma das mais antigas
e saborosas bebidas da humanidade: a cerveja.

Durante as recentes férias no Caramulo pude testemunhar,
no decurso das agradáveis duas semanas em que lá estive,
a virtuosa e fresquíssima atualidade deste provérbio egípcio
bebendo à saúde dos escribas e dos leitores deste blogue.

Seneb!!! - que é como quem diz: Saúde!!!



quinta-feira, 12 de setembro de 2013

"A boca de um homem perfeitamente contente está repleta de cerveja."

    O título desta postagem é um provérbio datado c. de 2200 a.C. (fins do Império Antigo) e concerne, obviamente, a uma das bebidas mais antigas da Humanidade: a cerveja. Não só era bebida para lazer, mas também era prescrita para curar doenças e usada como oferta nos rituais aos deuses. Era consumida por toda a sociedade egípcia, incluindo a realeza. Existem diversas referências e representações da mesma em túmulos, o que atesta a sua importância até na vida além da morte. Nesta imagem abaixo, podemos observar como escreviam "cervejeiro" e "cerveja".

   Escavações em Guiza trouxeram à luz vestígios de padarias e cervejarias para a alimentação dos trabalhadores e não será descabido teorizar que os seus salários possivelmente consistiam não em moeda, mas pão e cerveja. O processo de fabrico era simples: após germinarem, os grãos de cevada eram esmagados, virando malte, o qual recebia mistura de farinha de pão e água e seguidamente era colocado no forno até estar no ponto. Finalmente era filtrado e armazenado em jarros para consumo.

   Na imagem seguinte, datada da XVIII dinastia, observa-se como era feito o consumo da cerveja: este mercenário sírio, ladeado pela esposa, sentada à sua frente, é auxiliado por um servo a usar o canudo como uma espécie de filtro para absorver o líquido, evitando assim o resíduo amargo na boca.


   O fabrico e consumo de cerveja perdurou durante toda a civilização faraónica, a qual, por sua vez, os transmitiu aos Gregos, estes aos Romanos e assim sucessivamente até hoje. Atualmente, a cerveja é mais fácil de produzir e mais agradável de consumir do que na era faraónica, tendo, contudo, perdido o seu estatuto de oferta sagrada ou de medicação prescrita para doenças. Todavia tal como descreve o provérbio já mencionado, podemos afirmar que a nível de lazer, ela não perdeu nenhuma da sua popularidade! 

Fonte(s): http://antigoegito.org/a-cerveja-no-antigo-egito/

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O Egito no Caramulo (2)


Durante as recentes férias no Caramulo levei comigo o Egito, que lá
esteve representado por uma camisola verde do IV Congresso Ibérico 
de Egiptologia, organizado com grande sucesso em Lisboa em 2010, 
e um chapéu evocando Luxor, comprado a muito custo e regateio na
última viagem ao Egito metido entre dois vendedores que vociferavam
e gesticulavam a elogiar a qualidade dos chapéus. 

O Egito no Caramulo (1)


Fachada do Museu do Caramulo que possui, entre a grande variedade
de obras de arte de muitas épocas e estilos, uma pequena coleção
 de antiguidades egípcias, oferecidas por diversos beneméritos.

A exemplo dos anos anteriores, passei duas semanas de férias 
na aprazível região de Tondela e Caramulo, antes de começarem
os horrorosos e dramáticos incêndios que depois lá deflagraram, 
e de novo estive no Museu do Caramulo.

Aqui fica o anúncio para conhecimento dos interessados, e quando
lá forem visitem este agradável museu e vejam a notável coleção
de carros antigos, os belos quadros e objetos lá expostos,
e, claro, o interessante acervo egípcio.



quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Voltaremos?...


Eis o nosso guia Mustafa, com a bandeira portuguesa, avançando
para a entrada do templo de Hórus, em Edfu, à frente do grupo
de viajantes na visita do Instituto Oriental na Páscoa de 2013.

Será que a cena se repetirá na Páscoa de 2014?...

domingo, 18 de agosto de 2013

Lá volta a ameaça dos saques


«An Egyptian antiquities museum, the Malawi National Museum, was ransacked, looted, and parts of it torched during recent violence in Egypt. More than 1,000 pieces of history were reported to have stolen, and the few pieces that remained were damaged and left in the rubble. The Museum, located in Minya, was broken into by armed individuals last Thursday. The photo below shows one part of the museum. The attack on the museum shows the dire need to ensure the protection of Egypt's history and culture, and explains why the Military has blocked off all access to Tahrir Square, where the Egyptian National Museum is located. Museum across the country and other archaeological sites remain closed to the public due to security concerns.»

(fonte: Egyptian streets)

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O Egipto em Dorset


Um obelisco de Philae e um quarto recheado de egiptologia, são os atractivos principais de Kingston Lacy, no Dorset, graças a William John Bankes (1786–1855) e às suas aventuras e explorações no Egipto.

(foto: Patrick Costello)

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Uma interessante notícia arqueológica, mesmo se já com alguns meses de atraso...

    "Arqueólogos descobriram um dos mais antigos portos do mundo, que remonta ao tempo do faraó Quéops, informou hoje o ministro de Antiguidades, Mohamed Ibrahim. O porto foi descoberto em Wadi al-Jarf, localizada na costa do Mar Vermelho, 180km ao sul de Suez. Quarenta folhas de papiro coberto de textos hieroglíficos que lançam luz sobre a vida cotidiana dos antigos egípcios também foram descobertos no local. Os textos supostamente eram relatórios mensais sobre o número de trabalhadores e detalhes de suas atividades diárias e, segundo Ibrahim, são os mais antigos que se tem notícia. As folhas de papiro foram transferidas imediatamente para o Museu de Suez após a descoberta, para que arqueólogos e historiadores pudessem estudá-las e documentá-las, completou o ministro."




 "Uma missão francesa-egípcia descobriu o local, sendo que, navios de transporte de cobre e outros metais, provavelmente frequentavam o porto nos tempos antigos. Um conjunto de cais de pedra também foi descoberto. Adel Hussein, chefe do setor de Antiguidades Egípcias, disse que a missão também encontrou os restos das casas dos trabalhadores portuários, 30 cavernas e várias ferramentas de pedra."

Fonte(s):
http://antigoegito.org/arqueologos-descobrem-um-dos-mais-antigos-portos-do-mundo-e-dezenas-de-papiros/

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Na necrópole de Qubbet el-Hawa

“Nadie quería perderse el momento: se iba a presenciar la apertura de una cámara intacta que no ha visto la luz desde hace casi 4000 años”. Esta frase podría pertenecer al diario de excavación de Howard Carter momentos antes de penetrar a la sala sepulcral de Tutankamón, pero en realidad corresponde al blog de la misión de la Universidad de Jaén en Qubbet el-Hawa, una necrópolis de nobles de Elefantina, frente a Asuán. “Esta provincia, frontera entre el antiguo Egipto y Nubia jugó un papel vital”, explica el director de la excavación, Alejandro Jiménez Serrano, tanto desde un punto de vista “comercial, diplomático como religioso”, detalla. Ahora, sus gobernantes empiezan a emerger de las profundidades del desierto. Es el caso del personaje que el equipo jienense acaba de descubrir en su cámara sepulcral intacta. (http://www.lavanguardia.com/cultura/20130621/54376821682/entrevista-alejandro-jimenez-serrano-egiptologo.html)

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Curso de Verão


Decorrerá durante o mês de julho na Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa um Curso de Verão dedicado ao tema
«Erotismo e Sexualidade no Antigo Egito».

É mais um curso livre levado a efeito pelo Centro de História,
decorrendo as sessões às quartas-feiras das 18 às 20 horas,
no Anfiteatro III da Faculdade de Letras de Lisboa,
sendo primeira sessão no dia 10 de julho.

O curso é composto por cinco sessões, e uma delas será
no sábado, dia 27 de julho, na sala de antiguidades egípcias
do Museu Calouste Gulbenkian.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Hoje é dia de Petrie


Se Petrie, nascido neste dia de 1853, é indispensável a quem se interesse minimamente pelo Antigo Egipto, imperdoável será uma ida a Londres sem uma visita atenta ao mini mas excelente museu homónimo.

domingo, 2 de junho de 2013

Viver no antigo Egito


Terminou na passada semana o curso livre destinado a evocar a vida
no antigo Egito, organizado em cinco sessões que estiveram a cargo
de docentes do Centro de História da Faculdade de Letras de Lisboa.

Os temas apresentados no curso livre foram os seguintes: 
«Viver no campo» (Telo Ferreira Canhão),
«Viver na cidade» (José das Candeias Sales),
«Viver no templo» (Luís Manuel de Araújo)
«Viver no exército» (José Varandas)
«Viver no túmulo» (Rogério Sousa)

O próximo curso livre de temática egiptológica levado a efeito pelo
Centro de História da Faculdade de Letras de Lisboa será em julho,
às quartas-feiras, das 18 às 20 h., também com cinco sessões, uma delas
na sala de antiguidades egípcias do Museu Calouste Gulbenkian.


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Facebook no Egito


Nesta interessante fotografia obtida no Cairo por Maria Luísa Pinto,
durante a nossa recente visita de estudo ao Egito nas férias da Páscoa,
podemos ver como o velho país do Nilo se moderniza com o facebook,
aqui bem publicitado numa rua típica da capital.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

«Festa egípcia»


Cumprindo a tradição dos anos anteriores, também nesta última 
visita de estudo ao Egito os viajantes participaram na habitual 
«festa egípcia» organizada durante o cruzeiro no rio Nilo, 
na noite anterior à chegada a Lucsor.

Aqui está o grupo na tradicional foto com «trajes típicos» 
para um momento de diversão no amplo salão do navio de
cruzeiro «Nile Style» - e quem na altura não tiver as fatiotas do
folclore local arranja uns adereços para fingir e também participa.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O rei Khakheperré Senuseret!


   A clássica posição da estátua deste faraó, o rei Khakheperré Senuseret  - conhecido por Senuseret II - demonstra bem a sólida autoridade da monarquia faraónica, força motriz da brilhante era do Império Médio.

    Sabe-se pouco deste quarto rei da XII dinastia comparado a alguns dos seus antecessores e sucessores, dado o carácter fragmentário ou contraditório das fontes. Filho de Amenemhat II, a duração e datação do seu reinado são inexactas: tanto lhe atribuem 10 como 19 anos de reinado, algures entre 1897 e 1860 a.C. sendo que muitos apontam 1870-1860 a.C. como a altura mais provável. Também não existe consenso sobre a ideia de um reinado conjunto com seu pai.

   O  pacífico reinado de Senuseret II, sem registo de ações bélicas, é marcado pela diplomacia e pelo comércio com os reinos vizinhos do Médio Oriente. A nível interno, desenvolveu boas relações com nomarcas, como atestam os indícios no túmulo de Khnumhotep, governador de Beni Hasan.

   Sem guerras ou rebeliões para o atormentar, Senuseret II dedicou os seus esforços ao incremento da agricultura. Uma oportuna descida do nível das águas do lago Moeris, no oásis do Faium expôs consideráveis extensões de terras férteis, circunstância que o faraó aproveitou, ampliando vários projectos hidráulicos anteriores mediante a construção de diques e canais para melhor controlo e distribuição de água. Para o efeito, em Senuserethotep - hoje Kahun - mandou erguer os primeiros bairros de trabalhadores conhecidos.

   As artes conheceram também os seus tempos áureos. A nível arquitectónico, destaca-se o complexo piramidal do rei em El-Lahun, onde além de um sarcófago de granito rosado, foi descoberto, em 1889, pelo egiptólogo Flinders Petrie um uraeus de ouro finamente trabalhado, possivelmente pertencente à máscara fúnebre do soberano. Mais recentemente, em 2009, novas escavações permitiram descobrir alguns corpos mumificados.


    Nas criptas adjacentes onde se sepultaram as filhas do rei, foram encontradas belíssimas jóias de ouro, prata e pedras semi-preciosas. No complexo fúnebre do sucessor, Senuseret III, destaca-se a cripta da princesa Sithathoriunet, onde Petrie e Brunton descobriram em 1914, um nicho com mais jóias (como o peitoral com o nome de Senuseret II acima visualizado), vasos, espelhos e outros materiais cosméticos de excelente qualidade.
    A estatuária também atingiu notável refinamento, como se verifica pelas diversas estátuas de Senuseret II, atestando a XII dinastia como exemplar na representação artística da figura humana. Algumas dessas estátuas seriam reaproveitadas séculos mais tarde por outros soberanos.

    Da corte de Senuseret II, as informações são escassas. Existem registos que apontam a existência de duas rainhas - Khenemetneferhedjet I (mãe de Senuseret III) e Nofret II - e duas esposas secundárias. Conhecem-se com relativa certeza três ou quatro filhas, entre as quais Sithathoriunet.
   No que toca aos altos funcionários e ministros, são poucos os dados. Salienta-se Khnumhotep, que além de governador local, terá sido diplomata, chefe da casa real e finalmente vizir. Todavia, como no que toca à maioria dos restantes faraós, as perguntas sobre Khakheperré Senuseret são mais do que as respostas!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Estivemos em Dahchur


No decurso da recente viagem ao Egito organizada pelo Instituto Oriental
 o nosso grupo esteve em Dahchur, a alguns quilómetros a sul de Guiza 
e Sakara, e lá pudemos ver duas grandes pirâmides da IV dinastia pouco 
visitadas, a insólita «pirâmide romboidal», e a «pirâmide vermelha»,
porque são muito raros os grupos que ali se deslocam.

Graças à greve da TAP (obrigado TAP), partimos mais cedo para o Egito,
e assim tivemos mais um dia, que deu para visitar a necrópole de Dahchur,
onde existem pirâmides da IV dinastia (do rei Seneferu) e da XII dinastia
(feitas para os reis Senuseret III, Amenemhat II e Amenemhat III).

A imagem mostra a chamada «pirâmide romboidal», com a sua estranha 
forma, mas alguns «voluntários» entraram na «pirâmide vermelha», 
o que não é nada fácil, quer pela penosa subida até à sua entrada 
quer pelo percurso interno, com vários metros (a descer e a subir) 
andando numa incómoda posição agachada.

Mas sim, estivemos lá!