quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Aí estão as Actas do Congresso


Depois de longos meses de trabalho e de preparação para edição 
acabaram de sair as Actas do IV Congresso Ibérico de Egiptologia 
que se realizou em Lisboa de 13 a 17 de Setembro de 2010.

Aqui se mostra a atraente capa do 1º volume, porque devido ao grande
 número de textos entregues a obra ficou em dois belos volumes, 
num excelente trabalho da Gráfica Clássica do Porto.

Os participantes no IV Congresso, sejam comunicantes ou assistentes, 
receberão os seus exemplares - mas os escribas do nosso blogue 
também serão contemplados com a oferta da obra!

sábado, 25 de agosto de 2012

Estela de uma rainha

Apresenta-se aqui a estela, de uma conhecida rainha da época ptolomaica, que se encontra no Museu do Louvre.
O nome dela pode ser facilmente lido do grego, que era nessa altura a língua oficial.
Exatamente na segunda linha pode-se ler...

ΚΛΕΟΠΑΤΡΑ



Foi  Cleópatra VII a última rainha ptolomaica antes da conquista do Egito pelos Romanos. Aparentemente ter-se-à suicidado para evitar ser enviada com escrava para Roma.

Nesta estela ela encontra-se ofertando à deusa Ísis.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Uma tríade divina


   Uma escultura em basalto, presente no Museu das Belas Artes em Boston, E.U.A. representa a deusa Hathor, sentada no centro, rodeada pelo faraó Menkauré - o construtor da terceira e mais pequena das Pirâmides de Guiza - e por uma divindade feminina de uma província local com o símbolo de uma lebre em cima da sua cabeça.

     Sensivelmente datada entre 2550-2530 a.C., é uma representação da tríade divina em homenagem ao rei Menkauré, tendo sido encontrada no Templo do Vale referente a este soberano, no Planalto de Guiza. Pretende demonstrar a ligação do monarca ao mundo do além, exibindo a posição sagrada da monarquia faraónica, que no Império Antigo, se reveste de um cariz  absoluto, quando os antigos reis egípcios eram considerados nada menos do que deuses na Terra e intermediários entre este mundo e o mundo celestial.

    O Templo do Vale de Menkauré apresenta uma significativa lista de estátuas deste faraó, frequentemente associado a divindades femininas ou então puramente solitárias, de onde se obteve o pouco que se sabe do seu reinado pouco esclarecido.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Khufu, da Grande Pirâmide à pequena estatueta

Do Faraó Khufu (Quéops), construtor da Grande Pirâmide de Guisa (IV dinastia) apenas existe uma pequena estatueta conhecida e que se encontra no Museu Egípcio do Cairo.

O caricato é que ela tem apenas 7,5 cm de altura contrastando com a imponência da sua colossal pirâmide...







A Pirâmide de Khufu é a que se encontra na imagem à direita e é ligeiramente maior que aquela do seu filho Khafré, também na imagem  logo atrás da famosa esfinge

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O Príncipe Ankh-haf


   No Museu de Belas Artes em Boston, E.U.A., encontra-se este singelo busto que retrata Ankh-haf, um príncipe da IV dinastia, filho do grande rei Seneferu e de uma esposa secundária desconhecida. Meio-irmão do poderoso rei Khufu, criador da Grande Pirâmide de Guiza, Ankh-haf deteve vários cargos importantes, entre eles o de vizir e supervisor das obras reais durante o reinado de Khafré, seu sobrinho.

   Ankh-haf terá testemunhado a construção da Grande Pirâmide de Guiza e provavelmente teve destaque na construção do segundo conjunto piramidal, assim como na criação da Grande Esfinge, a enorme estátua leonina que se pensa representar o faraó Khafré.

   A sua mastaba - G 5710 - localizada na zona leste do planalto funerário de Guiza, é uma das maiores da região e contém representações da sua esposa, a princesa Hetep-herés. Esse nome aliado à posição de sacerdotisa de Seneferu sugere que a mulher de Ankh-haf talvez seja a filha primogénita do fundador da IV dinastia e da sua esposa principal, a rainha Hetep-herés, portanto meia-irmã do seu esposo.

   O túmulo também representa um rapazinho chamado Ankhetef, que aparentemente terá sido neto de Ankh-haf e Hetep-herés através de uma filha de ambos, conforme o indicam as inscrições. Isto pode ser um indicador que Ankh-haf terá chegado a uma idade avançada aquando da construção da sua tumba.
  
   Nessa mesma estrutura tumular, foi encontrado o busto que se pode ver na imagem e que é considerado um dos mais perfeitos da Arte Egípcia do Império Antigo.

    Quem estiver com vontade de ir aos E.U.A. e particularmente a Boston, não se esqueça de visitar o Museu de Belas Artes e de admirar o soberbo busto que ilustra este homem da Antiguidade!

sábado, 18 de agosto de 2012

O anão Seneb e sua família

Esta bonita escultura do anão Seneb acompanhado pela sua bonita esposa e seus filhos encontra-se no Museu Egípcio do Cairo e data da IV dinastia, isto é, contemporâneo das duas maiores pirâmides de Guisa.
Seneb era responsável pelo guarda-roupa dos faraós Khufu e Khafré,  função extremamente prestigiada na época graças à grande intimidade com o faraó.

Esta original escultura mostra o anão com as suas características morfológicas típicas como a cabeça desproporcionadamente grande e as pernas bem curtas, em posição de escriba. 
Os filhos foram colocados numa curiosa disposição como a substituir as pernas do seu pai e dando metaforicamente apoio ao seu progenitor. Como é habitual na representação feminina, a cor da pele da esposa é muito mais clara que a do marido.




quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Pirâmide do faraó Unas

Unas foi o último faraó da V dinastia (aproximadamente  2374 a 2344 a.C. - Império Antigo). 
Segundo o Papiro Real de Turim reinou durante aproximadamente 30 anos, mas infelizmente não se sabe muito deste seu reinado. 
No entanto este faraó ficou conhecido do ponto de vista arqueológico como tendo sido o primeiro a inscrever textos hieroglíficos no interior da sua pirâmide, pois todas as precedentes (Dinastias III e IV) não tinham quaisquer inscrições. 
Esta pirâmide está bastante destruída na sua parte exterior dando ideia ao turista desatento, tratar-se de um monte de escombros. 



As pirâmides deste período tinham um enchimento de pedras pequenas e uma cobertura com lages maiores que, com o passar dos milhares de anos e principalmente com a reutilização dessas pedras aparelhadas em outras construções, levou ao aspeto um tanto desolado dos nossos dias. 
Os "Textos das Pirâmides" eram  textos cerimoniais e que visavam proteger o faraó na sua viagem para a eternidade. De facto ainda hoje o nome do faraó é pronunciado... e como os antigos egípcios diziam... pronunciar o nome do faraó é mantê-lo imortal.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Estela de Hotepi

Uma bonita estela do inspetor dos sacerdotes funerários e escriba dos campos, Hotepi com a sua esposa Kau que se encontra no National Museum of Scotland




terça-feira, 31 de julho de 2012

A arte da construção...

... no Egipto.


Encontrei esta imensa "construção" dentro do National Museum of Scotland
 E é assim... que, em pleno verão, regresso ao "nosso" blog.








Brincadeiras egípcias

No National Museum of Scotland achei curioso uma boneca de madeira, ancestral da atual "Barbie", com cerca de 2500 anos de idade, entre outros objetos que foram utilizados para brincadeiras infantis...


Objetos como estes ajudam a perceber hábitos e costumes da sociedade egípcia...


quarta-feira, 25 de julho de 2012

Se quiserem ver...

   Aos amantes de Egiptologia, apresento aqui dois sites, um mais simples, destinado a quem quer informações elementares sobre o Antigo Egito e que tem alguma vantagem de ser escrito em Português, embora tingido de sotaque brasileiro; o outro um pouquinho mais complexo e específico, mais destinado a pessoas versadas em Egiptologia - peritos, professores, escritores, essencialmente egiptólogos - e escrito em Inglês, com diversas notícias internacionais a respeito de eventos sobre Egiptologia, desde a perda de artefactos à realização de congressos.


O primeiro site, cujas imagens de capa podem ver imediatamente acima tem o seguinte endereço: http://www.egiptologiabrasileira.com.br/

Podem encontrar uma página igualmente muito interessante no Facebook, simplesmente pesquisando "Egiptologia Brasileira", directamente relacionada com esse site.


IAE written in hieroglpyhs 


O segundo site tem como endereço: http://www.iae-egyptology.org/

Espero que apreciem!

P.S. Quem quiser pode tentar decifrar esse conjunto de hieróglifos respeitantes ao segundo site...mesmo que saibam a resposta, é bom experimentar!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Ainda a propósito de Egiptomania

A fascinanação pela História do Antigo Egipto manifesta-se ainda hoje nas mais variadas formas. As imagens seguintes foram captadas num quarto de um obscuro hotel no centro de Nova Iorque, bem próximo da Penn Station.




quarta-feira, 18 de julho de 2012

Texto hieroglífico


Um antigo aluno meu da Faculdade de Letras de Lisboa, que há cinco anos 
frequentou a cadeira de Escrita Hieroglífica (e com sucesso), enviou-me 
esta imagem de um bloco onde se vê um texto hieroglífico de um túmulo, 
pedindo que eu o ajudasse a traduzir.

Já dei a minha resposta, mas não resisto a apresentar aqui para os ágeis
escribas militantes do blogue (ou outros leitores interessados) 
este desafio para que possam ler esta curta inscrição do túmulo de Harua 
(e este nome que aqui se faculta já é uma boa ajuda para a tarefa).

Note-se que a delicada representação da cabeça de uma criança, 
com a sua tradicional trança juvenil caindo sobre o ombro, 
emerge da terra que se foi acumulando no local onde este bloco inscrito 
foi encontrado (e não sei se ele continua lá ou foi levado para algum museu).

terça-feira, 17 de julho de 2012

Serabit el-Kahdim: sugestão de férias no Egipto

A propósito de férias no Egipto e do convite do último post eis a minha sugestão:


Serabit el-Kahdim fica na península do Sinai, aproximadamente a meio da costa ocidental, cerca de 40 km distante de Abu Zanima. Como se pode ler no artigo de Jimmy Dunn existem algumas dificuldades: não há estradas, não há água, é necessário uma caminhada de 2 horas, etc., mas as tribos locais, que fazem guarda aos locais, comprometem-se a guiar os turistas.

Local de minas de turquesa, exploradas desde antes do Período Dinástico, tem um Templo dedicado a Hathor (protectora dos mineiros) foi iniciado por Amenhemat III, ampliado por Hatchepsut, Tutmés III e Amenhotep III.


(Segundo o romance histórico de Adam Palmer "The Moses Legacy" terão aqui sido encontrados os cacos das "pedras dos 10 mandamentos" escritos em acádio, língua cuneiforme assírio-babilónica, que suplantou o sumério no 2º milénio tendo sido substituida pelo aramaico. Seria logicamente abjad e não alfabeto, uma vez que não tinha vogais. Ou em alternativa em proto-sináico, um dos mais antigos alfabetos fonéticos, que Sir William Finders Petrie descobriu em Serabit el-Kahdim quando ali escavou no início do Séc. XX.)



The Temple and Mines at Serabit el-Khadim
In the Sinai

by Jimmy Dunn


The road to Serabit el-Khadem. Things have not changed too much. These roads mostly exist due to local mining operations today.

While the Egyptians seem to have known, crossed and visited the Sinai even before the dynastic period, we have found little evidence of their building activities in the region. Of course, inhabitable areas are usually small, and scarce, and so have been inhabited and built upon continuously over the ages. It is probable that what was built has been built over many times. Today, wondering through the Sinai and viewing its unusual landscape, it is not difficult to imagine a land rich in minerals. Egyptians discovered its mineral wealth very early on, perhaps at the beginning of the dynastic period. Archaeologists have found that the very earliest known settlers in the Sinai, about 8,000 years ago, were miners. Drawn by the region's abundant copper and turquoise deposits, these groups slowly worked their way southward, hopping from one deposit to the next. By 3500 BC, the great turquoise veins of Serabit el-Khadim (Khadem) had been discovered.

The path leading up to Serabit el-Khadem from the valley below, where there is a small lodge
The Mines

Stela found along the route  to the temple

The ancient mining complex of Serabit el-Khadim lies on a small plateau north of modern Al-Tor. It is located about halfway down the western coast, around 40 kilometers due east of Abu Zanima, and about ten miles from Wadi Mughara. It was one of the most important sites for the Egyptians on the peninsula. Today, it is not difficult to reach the Serabit el-Khadim area, though the trip must be made by jeep. There are no paved roads to the base of the mountain. From a parking area, one takes a well marked path that has an elevation gain of over 2600 feet above sea level and is somewhat rigorous Although many of the region's pharaonic reliefs were destroyed by a British attempt to re-open the mines in the mid-nineteenth century, along the path to the temple are a number of engravings that were written by the ancient minors. Some of the most interesting portray the ships that would carry the turquoise to Egypt. There is also an excellent bas relief of King Sekhemkhet on the east face of the plateau, revealing him smiting Egypt's enemies. Other antiquities are found along the path, including ancient tunnels, miner's huts and stele.


The actual temple site at  Serabit el-Khadem is mainly rubble, with a few standing stela and  obelisks


Serabit el-Khadim, a large, systematic operation was set up that would flourish for thousands of years. It was important enough to the Egyptians that a number of policing actions and protective measures were taken to protect the mines throughout most of Egypt dynastic period To mine the turquoise, the Egyptians would hollow out large galleries in the mountains, carving at the entrance to each a representation of the reigning pharaoh who was the symbol of the authority of the Egyptian state over the mines. A huge quantity of turquoise over that period was mined, carried down the Wadi Matalla to a garrisoned port located at el-Markha (south of Abu Zenima), and loaded aboard ships bound for Egypt. The turquoise was then used both for jewelry and to make color pigments for painting.


A depiction of a ship used to carry turquoise


The Temple

A general view of the temple site at Serabit el-Khadem

A general view of the temple site at Serabit el-Khadim





The temple at Serabit el-Khadim, though really only scattered ruins, is one of the few phraonic monuments we know of in the Sinai. In 1905, Flinders Petrie investigated the site, and found the famous proto-Sinaitic script", which is believed to be an early precursor of the alphabet. This was a great motivation for them to learn the sound signs that phonetically articulated their names. These scripts were hieroglyphic signs used to write the names of the West Semitic names of the people who worked the mines, and keep account of their labors. They developed an Alef-Bet with which they could record their Proto-Canaanite language. The script they developed is called Proto-Sinaitric (First-Sinaitic) and the language was a Pan-Canaanite language often called Old Hebrew.

Hieroglyphic signs were used to write their West Semitic names and keep correct accounts of their days of labor. Very soon they had an Alef-Bet with which they could record their Proto-Canaanite language. The script they developed is called Proto-Sinaitric (First-Sinaitic) and the language was a Pan-Canaanite language often called Old Hebrew





The Serabit El Khadim temple looks like a double series of steles leading to an underground chapel dedicated to the Hathor Goodness. Much of the temple's large number of sanctuaries and shrines were dedicated to Hathor, who among her many other attributes, was the patron goddess of copper and turquoise miners. It is the only temple we know of built outside mainland Egypt and mostly dedicated to Hathor. The earliest part of the main rock cut Hathor Temple, which has a front court and portico, dates to the 12th Dynasty The temple was probably founded by Amenemhet III, during a period of time when the mines were particularly active. The 12th Dynasty was a period of considerable mineral wealth for Egyptians and some of the finest jewelry from Egypt's past have been discovered in the tombs of 12th Dynasty women.

A number of scenes portray the role of Hathor in the transformation of the new king, upon ascending the throne, into the deified ruler of Egypt. One scene, for example, depicts Hathor suckling the pharaoh. Another scene from a stone tabled depicts Hathor offering the pharaoh the Ankh.



This older part of the temple was enlarged upon and extended by none other than Queen Hatshepsut, along with Tuthmosis III and Amenhotep III during the New Kingdom. This was a restoration period for the mining operations after an apparent decline in the area during the Second Intermediate Period. These extensions are unusual for a temple in the manner in which they angled to the west off of the earlier structure.

On the north side of the of the temple is a shrine dedicated to the pharaohs who were deified in this region. On one wall of the shrine are numerous stele. A little to the south of the main temple >we also find a shrine dedicated to the god of the eastern desert, Sopdu, which is smaller than the northern shrine.


As a Tourist Destination

Serabit el-Khadim is not a particularly easy place to find or to reach. Indeed, one will probably not find it without the aid of a knowledgeable guide and then, some stemma is needed to reach the actual site of the temple. The local tribes are responsible for protecting the site from looting and are open to assisting tourists and hiring out as guides. Furthermore, a significant segment of the route leading to the area off of the western Sinai coastal highway is not paved. One must climb up a long series of steps to the top of a mountain and then trek back along mountain ridges. It takes about two hours for the average person to reach the temple. Bring lots of water, as there is none to be found along the route. As a pharaonic tourist attraction, Serabit el-Khadim is not nearly as spectacular as many of the Nile Valley sites, though the surrounding area is interesting. It should be considered more of a trek adventure than a pure pharaonic sightseeing tour.

References:

TitleAuthorDatePublisherReference Number
Complete Temples of Ancient Egypt, TheWilkinson, Richard H.2000Thames and Hudson, LtdISBN 0-500-05100-3
Dictionary of Ancient Egypt, TheShaw, Ian; Nicholson, Paul1995Harry N. Abrams, Inc., PublishersISBN 0-8109-3225-3
History of Ancient Egypt, AGrimal, Nicolas1988BlackwellNone Stated
Oxford History of Ancient Egypt, TheShaw, Ian2000Oxford University PressISBN 0-19-815034-2

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Last Updated: June 21st, 2011
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sábado, 14 de julho de 2012

Egito 2013, em preparação


No final de um lauto pequeno-almoço ao ar livre, no Hotel Sonesta 
St. George, em Lucsor, durante a nossa visita de estudo 
na Páscoa de 2012, os guias «oficiais» começaram desde logo 
a preparar com todo o cuidado a próxima viagem ao Egito, 
que está marcada para a Páscoa de 2013.

O programa para a visita de estudo ao Egito em 2013 
já está a ser divulgado pela Tui Viagens, numa iniciativa 
do Instituto Oriental da Faculdade de Letras 
da Universidade de Lisboa, desta vez em frutuosa parceria 
com a Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos.

Quem quer vir?

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Os Antigos Egípcios gostavam de desporto!

   
   É verdade que mais uma vez não ganhámos o campeonato do Euro. Mantenhamos a fé e a esperança de um dia conseguir...até lá sonhamos! 
   Quanto aos Antigos Egípcios, eles não encaravam o desporto a nível internacional, mas isso não os impedia de praticarem modalidades diversas, bem ilustradas em pinturas e relevos de túmulos e templos como em Beni Hassan e em Sakara.


   Ao que parece uma variedade significativa de desportos eram praticados, como se pode verificar por algumas destas imagens: ginástica, luta e jogos com bolas, semelhantes ao andebol e futebol estão entre os mais populares, mas também se salientam outros como corrida, natação, maratona, uma espécie de hóquei, boxe, remo, tiro ao arco, cabo de guerra - mais popularmente conhecido por jogo da corda - esgrima, lançamento do dardo, hipismo, salto em comprimento e até ginástica rítmica! 


   Cada uma destas actividades desportivas tinha o seu propósito: algumas estavam destinadas a serem mera atividade recreativa ou passatempo para os jovens e para as comunidades; outras faziam-se por motivos político-religiosos na qualidade de gestos simbólicos em honra dos deuses; por fim, outras tinham essencialmente a função de aprimorar a força e a agilidade dos futuros soldados.


   Ao que parece os Antigos Egípcios também foram pioneiros na criação das normas desportivas básicas, criando os primeiros árbitros, os primeiros uniformes para equipas adversárias e os primeiros prémios para os vencedores. Mas talvez mais importante ainda, desenvolveram o espírito desportivo, ovacionando tanto os vencedores pela sua proeza física como os vencidos pela sua nobreza em reconhecer a derrota!


   Mais uma vez, testemunhamos a milenar civilização faraónica na vanguarda do nascimento, da evolução e do uso de uma das práticas mais antigas da Humanidade que persiste nos dias de hoje em todos os continentes e países à face da Terra! 

terça-feira, 3 de julho de 2012

De novo as «Múmias de Belém»


No próximo dia 11 de Julho, quarta-feira, a partir das 23 horas,
a RTP 1 vai passar um documentário sobre o recente estudo das múmias
egípcias (quatro múmias animais e três humanas), do Museu Nacional
de Arqueologia, em Belém, no âmbito do «Lisbon Mummy Project».

Esse interessante documentário já tinha passado antes numa emissão
da RTP 2, no dia 9 de Junho, mas coincidiu com o jogo de futebol
entre Portugal e a Alemanha, por isso muita gente não o apreciou
devidamente, além de que a nossa equipa (oh, maldição!)
acabou por perder o jogo  -  terá sido castigo?

domingo, 1 de julho de 2012

O sarcófago dos dois irmãos

No National Museum of Scotland descobrimos um sarcófago muito curioso e, quanto a mim, bastante invulgar. É um curioso sarcófago duplo.
Na legenda do museu é referido que eram dois meios irmãos de nome Pediamun e Penhorupabik e que terão falecido entre os anos 174 e 200 da nossa era, deixando a hipótese de terem morrido por qualquer doença infecciosa, uma vez que terão falecido na mesma altura.




PS: A fotografia foi tirada em condições difíceis, pois este sarcófago encontrava-se atrás de uma vitrina com escassa iluminação. Recusei, como era o meu dever,  usar o flash (embora houvesse gente que o utilizasse) pois provoca a deterioração irreversível das pinturas.
Puxei a máquina ao máximo (apliquei um ISO 800, uma velocidade de obturação de 1/4 de segundo que só não deu imagem demasiado tremida graças ao bom sistema de estabilização de imagem VR da Nikon e abertura da lente máxima). Sem tripé e sem flash não poderia sair melhor.
 Por fim, tive ajuda do software que recuperou bastante a imagem dando a falsa sensação de que até estava bem iluminada ( o Photomatix é assim... não serve só para trabalhar fotos do tipo  HDR -High Dynanic Range, mas aqui quebrou-me o galho).

Esta segunda imagem do interior do sarcófago é do próprio site do museu


quinta-feira, 21 de junho de 2012

O Ramesseum, de balão


Uma das vantagens da ousada viagem de balão que costuma ocorrer durante as visitas de estudo ao Egito é poder ver lá de cima alguns dos monumentos da margem ocidental de Lucsor, onde há muitos séculos foram feitos os túmulos de reis, rainhas, funcionários e artesãos, sobretudo na fase histórica do Império Novo (séculos XVI-XI a. C.).

Além dos túmulos, também alguns faraós mandaram erigir nessa vasta área os seus templos funerários (os palácios de milhões de anos, como se chamavam), e durante a visita deste ano foi apreciado bem do alto o templo funerário de Ramsés II, o Ramesseum, que está hoje bastante destruído, quer por tremores de terra quer por destruição humana.

Ainda assim, consegue-se perceber, depois de um primeiro pátio coberto de destroços, o que resta da passagem que dava acesso a um segundo pátio hipostilo, onde só estão as bases das colunas e alguns colossos osíricos adossados aos pilares da fachada da sala hipostila, na qual se percebe a nave central mais alta que as naves laterais.

Este palácio de milhões de anos feito para o grande Ramsés II não é habitualmente visitado por grupos, mas pode ser que para o próximo ano consigamos incluir uma visita ao seu interior...

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O dia a dia

Uma das grandes dificuldades da "interpretação sociológica" dos antigos egípcios é, obviamente, a sua ausência enquanto sociedade viva. Temos de ir às abundantes fontes históricas, correndo sempre o risco de interpretações abusivas. É por isso que este diorama é para mim interessante, porquanto, abusivamente ou não, aqui os temos vivinhos e bem nutridos, a trabalhar no "maior oásis do mundo".

Fonte: National Museum of Scotland

terça-feira, 19 de junho de 2012

O falcão de Gulbenkian


No seguimento das imagens já aqui publicadas evocativas da visita 
de estudo ao Egito na Páscoa deste ano, aqui vai mais uma, 
desta feita com o pequeno (mas bom) grupo de viajantes 
junto do falcão de Gulbenkian... perdão, do falcão de Hórus, 
no majestoso mas airoso templo de Edfu.

Foi a imponente e conspícua imagem do falcão hórico que serviu
 de inspiração ao escultor Leopoldo de Almeida para fazer a bela 
estátua de Calouste Gulbenkian sentado sob a proteção benfazeja 
e inspiradora do deus Hórus, que bem se pode apreciar 
por quem está na Praça de Espanha olhando para a Gulbenkian.

E tudo isto porque o notável colecionador e generoso mecenas 
que foi Calouste Gulbenkian tirou uma fotografia junto 
desta famosa estátua de Hórus, quando em 1934 visitou o Egipto 
e esteve no grande e majestoso templo de Edfu, 
ficando dessa sua jornada um interessante caderno de viagem.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Um servidor de Akhenaton


     Aperel é o nome de um alto funcionário régio nos reinados de Amenhotep III e Akhenaton. Dispunha de títulos como "General dos Carros de Guerra", "Pai do Deus" e ainda Tjati, ou seja "Vizir", o equivalente a principal chefe da administração central. 

    O túmulo de Aperel foi descoberto em 1987 numa região de Sakara, dedicada ao culto da deusa Bastet. Os registos indicam que Aperel desempenhou as funções de "Vizir do Norte" ou seja era o maior responsável pela administração central no Norte do Egito.

   Também exerceu funções militares e certamente teria grande confiança junto do misterioso faraó «herético» Akhenaton, pois permaneceu no seu cargo durante o reinado deste, mesmo durante a confusa revolução religiosa monoteísta implementada pelo rei. Era, portanto, um seu servidor da mais alta estima.

     A sua esposa, Tauseret, aparenta ter sido uma destacada senhora na corte de Akhenaton e Nefertiti, pois ela foi a única mulher não real do Império Novo sepultada num conjunto de três sarcófagos, o que não era vulgar.

     Conhecem-se três filhos deste antigo casal egípcio: Huy, Seny e Hatiay. O primeiro terá falecido, algures no 10º ano do reinado de Akhenaton, talvez com 25-35 anos de idade. O segundo parece ter seguido a carreira de dignitário e o terceiro veio a ser sacerdote.

    Segundo alguns especialistas, Aperel terá falecido entre os 50 e os 60 anos de idade, ao passo que a esposa não terá ultrapassado os 50. É de supor que dada a carreira de Aperel ter decorrido em dois reinados, ele talvez tenha falecido algures no reinado de Akhenaton, embora não existam certezas. Como em tantos aspectos deste estranho período da História do Antigo Egito, as perguntas são mais do que as respostas...

Um Akhenaton "escocês"

Meus caros amigos, imaginem onde fui encontrar esta representação do nosso conhecido faraó Akhenaton...



Foi num excelente museu em Edimburgo- National Museum of Scotland-  (http://www.nms.ac.uk/)  numa enorme ala repleta de objetos de grande qualidade, e com excelente apresentação.
Acreditem que fiquei maravilhado com o que vi e, se alguma vez forem para estas paragens, não o percam.
Este museu é multitemático: abarcando o contexto histórico, tecnológico, biológico (incluindo fósseis de animais pré-históricos como o famoso T Rex e o Triceratops) e mineral.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

As «Múmias de Belém»


No passado sábado, dia 9 de Junho, a RTP 2 passou um excelente documentário sobre os estudos realizados com as múmias egípcias animais e humanas do Museu Nacional de Arqueologia (chamadas «Múmias de Belém»), cuja qualidade fica muito a dever à realização de Marta Covita e dos técnicos da Iniziomédia.

Depois de vários anos de trabalho, a equipa multidisciplinar, que reuniu médicos radiologistas, um bioarqueólogo, egiptólogos e conservadores, liderados pelo Dr. Luís Raposo (diretor do Museu Nacional de Arqueologia) e pelo Dr. Carlos Prates (médico do IMI) deu por bem empregue todo o tempo dispensado.

Para uma boa divulgação do trabalho levado a cabo foram feitas conferências sobre o Lisbon Mummy Project na Associação dos Arqueólogos Portugueses (no decurso da Festa da Arqueologia no dia 5 de Maio) e no Museu Nacional de Arqueologia (no dia 19 de Maio, numa organização do GAMNA).

domingo, 27 de maio de 2012

A Grande Pirâmide


Esta bela imagem captada na recente visita de estudo ao Egito pode gerar 
a romântica e ilusória sensação de estarmos no árido planalto de Guiza 
subitamente verdejante e frondoso, com a Grande Pirâmide de Khufu 
refletida nas águas calmas do Nilo.

A verdade é que a foto foi tirada junto da piscina do Hotel Mena House, 
mesmo ao lado do planalto de Guiza, durante os agradáveis dois dias 
em que estivemos no Cairo, para vermos, entre outros monumentos, 
as milenares pirâmides da IV dinastia.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

«Fascinating Mummies»

Uma exposição a decorrer no National Museum of Scotland, em Edimburgo, até 27 de Maio.

Quem quiser aceder ao catálogo pode fazê-lo na biblioteca de arte da Gulbenkian.

sábado, 19 de maio de 2012

Na Praça Tahrir


O grupo que visitou o Egito na Páscoa de 2012, e que durante doze dias fruiu os vestígios históricos de uma civilização milenar, pôde também apreciar e sentir um país em mudança, tendo passado pelo coração palpitante da revolução, a famosa Praça Tahrir (a Praça da Libertação).

Embora já sem as compactas multidões que ocuparam esse vasto espaço nos meses antecedentes e já sem os confrontos violentos que fizeram centenas de mortos e feridos, ainda continuam acampados na Praça Tahrir alguns manifestantes com as suas tendas, os seus cartazes e faixas.

Graças ao nosso amigo Gamal Khalifa foi possível entender o que dizem as inscrições captadas nesta foto pela viajante Maria João Freire: o texto da pequena faixa em cima avisa «Allah dá tempo, mas nunca esquece», um outro ao lado diz «Vivenda de um revolucionário da liberdade», e a maior, em baixo, parcialmente tapada, proclama «Conselho da Liderança (da Revolução), contra a conspiração com os americanos!»

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Um pouco mais acerca de Tutmés IV e da «Estela do Sonho»

Na sequência da instrutiva postagem do nosso entusiasta colega escriba Jorge, eis uma reprodução de um detalhe da Estela do Sonho de Tutmés IV à Esfinge de Guiza. O detalhe ilustra a oferenda que o rei faz à divindade agradecendo pela sua ascensão. Esta reprodução pode ser vista no Museu Egípcio Rosacruz em San José, na Califórnia.

Tutmés IV será um grande monarca, o instaurador da paz definitiva com o antigo Reino de Mitanni, com o qual o Egito sob os dois reinados anteriores, havia estado em conflito frequente. As pacíficas relações entre os dois países deram origem a uma época de paz e tranquilidade quase absolutas no Médio Oriente Antigo durante quase 75 anos, aquilo que alguns chamam o «1º equilíbrio internacional». 

Sabe-se que nas relações com Mitanni, o rei Tutmés IV até chegou a reforçar a aliança por intermédio de casamento com princesas desse reino rival, um hábito repetido no tempo do sucessor.

O pacífico reinado de Tutmés IV beneficiou deste equilíbrio internacional, com o Egito a atingir a sua época de máximo esplendor, através de amplas relações com reinos vizinhos e reconhecido como uma das nações mais poderosas do Mundo Antigo por volta de 1400 a.C. O comércio florescia graças ao ouro da Núbia, permitindo ao Egito reforçar a sua supremacia sobre os rivais no âmbito da diplomacia. E obviamente, foram feitas diversas construções em honra de Amon, em Karnak, inclusive um enorme obelisco, hoje presente em Roma, em frente à Igreja de S. João de Latrão.

Tutmés IV reinou sensivelmente entre 1400 e 1390 a.C. um reinado breve mas significativo com o fim das guerras externas e o usufruto de um tempo de paz, prosperidade, riqueza e abundância.

Eu acho que se poderá dizer que a Esfinge cumpriu bem - talvez além das expetativas - o seu trato em fazer de Tutmés IV o soberano de todo o Egito! E este não foi ingrato, protegendo a enorme estátua leonina dos azares do tempo e da incúria dos homens.

O que acham os leitores?