sábado, 16 de fevereiro de 2013

Há precisamente 90 anos...

 
   Hoje, 16 de Fevereiro de 2013, completam-se 90 anos da abertura da última das câmaras funerárias do túmulo de Tutankhamon, quando Howard Carter quebrou o selo que a encerrava, acompanhado de membros da sua equipa. Lá dentro vislumbrou-se pela primeira vez em mais de 3 mil anos, o sarcófago deste jovem rei egípcio, falecido de forma prematura com apenas 18 anos.
 
   Carter tinha descoberto os primeiros vestígios do túmulo, em Novembro de 1922, mas levou quase três meses somente para desobstruir o entulho em frente à porta principal, remover e registar todos os magníficos tesouros que estavam nas primeiras câmaras e finalmente alcançar a última, que abriu nesta data, precisamente há 90 anos atrás. 
   
   O jornalista britânico, Henry Wollam Morton, do Daily Express, foi praticamente o único membro da impressa internacional autorizado a entrar no local juntamente com Carter e os seus ajudantes e o criador dos primeiros artigos jornalísticos a respeito da descoberta do túmulo real, que cimentaram a reputação do perseverante arqueólogo e do seu achado junto do público britânico e consequentemente pelo mundo inteiro.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Lá se foi o Carnaval...


Lá se foi o Carnaval, perdendo-se a ocasião de nos mascararmos 
de poderosos faraós, como alguns fazem em certos corsos 
e em descontraídas palhaçadas caseiras.

Estes adereços devem ser apropriados para climas mais frios, 
e como estas imagens são de origem americana 
compreende-se bem este pesado vestuário carnavalesco.

Quanto ao tropical clima do Brasil, ele revela-se mais propício 
para a recriação histórica, pois lá os figurantes e foliões
podem exibir apenas a faraónica tanga real - cá não...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Installation of the colossal statue of Amenemhat II (ca. 1919--1885 B.C.)




    Este vídeo exibe a instalação de uma estátua colossal de Amenemhat II, terceiro rei da XII dinastia, no Grande Salão de Entrada do Museu Metropolitano de Arte, em Nova York. Cedida temporariamente pelo Museu de Antiguidades Egípcias de Berlim, a estátua permaneceu em exposição nesse local por um ano, a partir de Agosto de 2011.

    Amenemhat II reinou c. de 1919 a 1885 a.C. (ou segundo alguns autores entre 1929 e 1895 a.C. ou entre 1900 e 1870 a.C.), durante o Império Médio - mas o seu reinado é pouco destacado comparativamente aos mais ilustres soberanos da dinastia. Existem discordâncias sobre a possibilidade ou não de ter exercido uma co-regência conjunta no fim do reinado do pai, Senuseret I.

   No essencial, o reinado de Amenemhat II é uma serena continuidade da governação anterior: a nível interno, uma boa gestão económica, demonstrada pela exploração agrícola do oásis do Faium, com a construção de canais e ampliação das terras de cultivo; a nível externo, caracterizado pelo aumento do comércio com o Egeu, a Sírio-Palestina, a Ásia Menor e a Mesopotâmia, demonstrado pela descoberta de diversos objetos egípcios (estátuas e escaravelhos reais) em antigas cidades do Levante, além da descoberta do «tesouro de Tod», onde entre outros, foram encontrados objetos de origem cretense e mesopotâmica. Conhece-se ainda uma expedição à misteriosa Terra de Punt, por volta do 28º ano do reinado.

   Existe uma estela fragmentada em Mênfis com referências a uma expedição bélica contra tribos beduínas no Sinai assim como a destruição de duas cidades na Ásia, para além da vinda de um tributo oriundo da Núbia. Sem tais referências, o reinado de Amenemhat II é basicamente desprovido de campanhas bélicas.

   Pouco se sabe sobre a corte deste rei: conhecem-se os nomes de duas esposas - Senet, através de estátuas encontradas no Delta e Kaneferu, enterrada junto ao marido em Dahchur - tal como os nomes de várias filhas através de inscrições em estátuas e sepulcros associados ao complexo piramidal do monarca. São ainda conhecidos os nomes de dois príncipes, Amenemhat-ankh e Senuseret - o último dos quais será o sucessor, Senuseret II. Entre os seus funcionários, destacam-se os vizires Senuseret e Ameni, os tesoureiros Merikau e Sa-Iset, o governador provincial Djehuty-hotep e ainda o chefe da expedição a Punt, Khent-khetuer.

  O complexo piramidal de Amenemhat II, em Dahchur, hoje largamente arruinado, ainda não foi sujeito a uma intensa investigação, embora algum do requinte artístico da época possa ser admirado, nomeadamente no capítulo da joalharia descoberta nos sepulcros das princesas Ita e Khnemet - anéis, braceletes, colares e diademas finamente trabalhados. Além do complexo piramidal em Dahchur e outros raros vestígios, pouco mais subsiste deste reinado, um dos mais escassamente documentados da XII dinastia.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Mais um desafio para os interessados!


    Esta elegante escultura em quartzito, datada c. de 1400 a.C., encontra-se atualmente no Museu Britânico, em Londres. Representa um babuíno, animal outrora comum nas margens do rio Nilo, famoso pela sua agilidade, inteligência, perspicácia e hábil destreza manual. 

     Não admira, portanto, que tenha sido associado como animal sagrado a uma divindade em particular, a qual é vista como protetora da escrita e dos escribas, criador dos hieróglifos, dos cálculos matemáticos, de todos os trabalhos científicos, mágicos, filosóficos e religiosos, orientador das posições das estrelas e dos corpos celestes e até mesmo mediador entre as forças do bem e do mal.

   Agora coloco um pequeno desafio aos amigos e participantes deste blogue: qual a divindade associada ao babuíno?

   E quem quiser e se conseguir, pode tentar ler os hieróglifos presentes na escultura, entre os quais existem duas cartelas reais, onde estão indubitavelmente os nomes de um rei. 

   
   A todos, boas leituras e boa sorte!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A vida no Antigo Egito


Correspondendo ao interesse que os cursos de temática egiptológica 
continuam a despertar entre os alunos, os estudiosos, e entre o público 
em geral, decidiu o Centro de História da Faculdade de Letras 
da Universidade de Lisboa, através da sua linha de investigação 
de História Antiga e Memória Global, organizar um novo curso 
em cinco sessões, com o tema «A vida no Antigo Egito»,
que terá o seguinte calendário e programação: 

2 de maio - Viver no campo (Telo Ferreira Canhão)
9 de maio - Viver na cidade (José das Candeias Sales)
16 de maio - Viver no templo (Luís Manuel de Araújo)
23 de maio - Viver no exército (José Varandas)
30 de maio - Viver no túmulo (Rogério Sousa)

As sessões do curso decorrem no Anfiteatro III da Faculdade de Letras
 de Lisboa, às quintas-feiras, das 18 às 20 horas, podendo os interessados
obter mais informações sobre o curso junto do secretariado do Centro.

Rosto de um rei!


   Esta foto mostra o rosto de um grande monarca do Império Novo, que reinou cerca de 1290-1279 a.C. como Menmaetré Seti-merenptah, ou seja Seti I, segundo faraó da XIX dinastia e pai do ainda mais célebre Ramsés II, que tão popularmente é conhecido.

   Seti I, cujo nome indica a sua inclinação pelo culto ao deus Set e atesta a origem da família, de cariz militar e provavelmente vinda do Delta Oriental do rio Nilo, teve um reinado relativamente curto, se comparado com o do seu famoso sucessor, possivelmente não superior a 11 anos, mas não menos pleno de realizações políticas, artísticas e militares. Da sua consorte, Tuia, teve vários filhos, inclusive o seu célebre herdeiro.

   Associado ao poder, ainda em vida do pai, Ramsés I, fundador da linhagem, o novo monarca depressa se inteirou das questões governativas e bélicas, na qualidade de vizir e comandante, usando depois as suas capacidades para travar o avanço dos Hititas na região da Sírio-Palestina e subordinar de novo as tribos e principados rebeldes após as perturbações decorrentes da experiência armaniana. Assaltou a cidade de Kadesh e dominou, mais ou menos vitoriosamente, os seus inimigos, conseguindo manter intactas as possessões egípcias na Ásia. Também existem notícias de expedições contras tribos líbias e contra os Núbios. A competência militar de Seti I, juntamente com o apoio de excelentes funcionários permitiu uma sã administração do país e a manutenção do seu prestígio internacional, embora o conflito com os Hititas só se resolvesse no reinado seguinte.

   A nível artístico, destacam-se obras de Seti I no grande templo de Karnak, em Tebas-Uaset, sobretudo a fabulosa sala hipostila, com 134 colunas, que ainda hoje constitui uma das grandes atracções turísticas. Em Abido, o rei ampliou e decorou o templo em honra de Osíris, suprema divindade local, a par de outras divindades nacionais e dele próprio como deificado. Os relevos do templo de Abido são dos mais belos e bem preservados de todo o Egito e possuem, inclusive, a lista de sucessão dinástica dos monarcas egípcios anteriores a ele, com as devidas alterações para eliminar nomes impróprios. O templo não seria terminado senão já no reinado do seu filho, Ramsés II.

   Em Gurna, Seti mandou criar o seu templo mortuário ao passo que existem outros vestígios seus em Auaris, Mênfis e mesmo na Núbia e no Sinai como forma de reconhecimento do poder e riqueza do faraonato mesmo além-fronteiras.

    No Vale dos Reis, na margem ocidental do rio Nilo, perto de Tebas, Seti foi a enterrar no túmulo KV17, o maior e mais ricamente decorado sepulcro da necrópole real. Tem 136 metros de comprimento, onze câmaras e algumas salas anexas. Giovanni Batista Belzoni, um dos primeiros arqueólogos modernos, foi o responsável pelo achado tumular, em 1817, daí que por vezes se chame ao KV17, o "túmulo de Belzoni". Dado o avançado estrago feito por Champollion, ao remover duas secções de paredes, em 1829, o túmulo de Seti I encontra-se quase sempre encerrado ao público para minimizar os danos.

    A múmia de Seti I seria encontrada num túmulo coletivo em Deir-el-Bahari, em 1881. Embora a mais bem preservada, não escapou à ação destruidora dos ladrões tumulares, pois sabe-se que a sua cabeça fora decepada e depois cuidadosamente recolocada com o auxílio de pedaços de linho por sacerdotes fiéis que em seguida enterraram o corpo nesse túmulo coletivo para evitar mais profanações. Atualmente, encontra-se no Museu Egípcio do Cairo.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Escrita hieroglífica


Está agora a decorrer o curso de Iniciação à Escrita Hieroglífica, 
em mais uma iniciativa do Centro de História da Universidade de Lisboa, 
através da sua linha de investigação de História Antiga e Memória Global, 
a qual congrega diversos investigadores de História Antiga 
(incluindo o Egito, Mesopotâmia, Israel, Grécia e Roma, 
entre outras culturas da Antiguidade).

As sessões têm lugar às quintas-feiras, das 18 às 20 horas, no Anfiteatro IV 
da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com cerca de 50 alunos 
inscritos, o que para os tempos que correm é muito bom, 
atestando o interesse que os temas de Egiptologia continuam a despertar.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Laços de família


   Do período ramséssida, surge-nos esta bela imagem, proveniente do túmulo TT359, última morada do chefe dos trabalhadores de Deir-el-Medina, Inherkhau. Este homem, não sendo pertencente à alta sociedade egípcia da época, destaca-se em parte pela invulgaridade de ter mandado construir dois túmulos distintos. Em virtude da inesgotável informação a respeito desta imagem e deste funcionário do Império Novo, cingir-me-ei aos dados principais:

      - Inherkhau significa "Onuris aparece", sendo que Onuris é uma adulteração grega para o deus Iny-hor. Terá sido uma espécie de supervisor dos trabalhos de construção tumular régia no Vale dos Reis e aparentemente descende de uma linhagem de homens que exerceram essas mesmas tarefas ao longo de várias gerações. Terá vivido algures nos reinados de Ramsés III e Ramsés IV, ou seja cerca de 1150 a.C.

      - nesta imagem, presente na câmara G do túmulo TT359, Inherkhau está acompanhada da sua esposa Wabet "A Pura" e de quatro jovens filhos, um rapaz (o qual não possui brincos nas orelhas) e três raparigas. O momento é de intimidade doméstica com Inherkhau a acariciar a trança da filha mais velha à sua frente, enquanto esta dá a uma irmã mais nova uma pequena ave malhada, ao passo que o rapaz se apoia nos joelhos da mãe, Wabet. Esta, por sua vez, abraça o seu marido. Atrás, a terceira filha segura na mão outra pequena ave malhada.

      - em frente a Inherkhau e respetiva família, surgem dois homens, o primeiro dos quais lhe entrega uma estatueta de Osíris e uma pequena caixa, que contém escrito o título de Inherkhau. O segundo homem entrega um pequeno cântaro ou vaso. Ambos atuam como servidores da família de Inherkhau no mundo do além para poupar-lhes as tarefas de cariz manual.

   A profunda intimidade entre os membros da família de Inherkhau é um testemunho do grande valor e importância concedida pelos Antigos Egípcios à instituição familiar, base da sociedade. O próprio papel de Inherkhau - «supervisor das construções do Senhor das Duas Terras» - também dispõe de um peso social considerável: afinal Inerkhau viveu numa era de perturbações políticas, sociais e económicas, o que muitas vezes se traduzia em empobrecimento artístico e cultural, mas os seus túmulos não evidenciam esse declínio, pois é ricamente decorado e ornamentado, atestando a sua proeminência na época.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Erotismo e sexualidade


Eis uma das bonitas imagens que constam no livro sobre Erotismo 
e Sexualidade no Antigo Egito, que teve a sua sessão de lançamento 
na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa 
no passado dia 19 de dezembro, com a apresentação da obra 
a cargo do egiptólogo Doutor Telo Ferreira Canhão.

O autor aproveita o ensejo desta postagem para muito justamente 
parabenizar as Edições Colibri e os seus eficazes profissionais 
pela qualidade estético-gráfica do volume e para agradecer 
aos muitos amigos e admiradores da civilização egípcia
 que estiveram presentes naquela sessão.

Quanto ao conteúdo da obra, isso dirão os leitores, esperando-se
 convictamente que ela possa esgotar, como sucedeu ao volume 
que em 1995 foi editado com o título de Estudos sobre Erotismo 
no Antigo Egipto, e que serviu de inspiração para este novo livro.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Prendas generosas


Um dos temas mais tradicionais da variada decoração de alguns templos
egípcios são as figuras de fecundidade que simbolizam as oferendas
que cada província faz ao rei e à divindade que nesse templo
 é cultuada - e neste caso o rei, cujo nome lá consta na inscrição,
é o famoso Ramsés II, o deus é Osíris e o templo é em Abido.

São imagens de abundância, mostrando a frutuosa produtividade
de cada província do Egito, com as mais diversas vitualhas
que as personificações dessas provincias transportam - e hoje,
nesta quadra festiva que atravessamos e que não ameniza a crise,
diríamos que são prendas generosas.

A figura da esquerda é um Nilo hermafrodita que aqui representa
a 15ª província (Khmunu, a dos Oito), ou província da Lebre,
que hoje é El-Achmunein, e a da direita é uma figura feminina
correspondente à 14ª província (Kis ou Kussai), que hoje é Meir.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

100 anos


Em Dezembro de 1912, em Tell el-Amarna, foi encontrado o busto de Nefertiti, na que terá sido a oficina oficial do escultor de Tutmés, durante escavações realizadas pela Sociedade Alemã do Oriente.



Rainha do Antigo Egipto (c. de 1383-1345 a.C),
e esposa principal de Amen-hotep IV, mais tarde Akhenaton.



Há dois anos estivemos frente a frente no Egyptian Museum, Neues Museum, em Berlim. Na única sala em que não nos é permitido fotografias, daí esta foto de recurso...

sábado, 3 de novembro de 2012

Uma notícia da agência France-Presse...



Cairo - A tumba de uma princesa faraónica da V dinastia (2.500 a.C.) foi descoberta na região de Abusir, 25km ao sul do Cairo, anunciou nesta sexta-feira o ministro das Antiguidades egípcio, Mohamed Ibrahim. "Descobrimos a antecâmara da tumba da princesa faraónica Cheritnebti, em cujo centro há quatro colunas de calcário", anunciou Ibrahim. As colunas apresentam "hieróglifos com o nome da princesa e seus títulos", acrescentou.

"Foi a missão do Instituto Checo de Egiptologia, ligado à Faculdade de Letras da Universidade Carlos de Praga, que descobriu a tumba", diz a nota do ministro.

Segundo Ibrahim, "a descoberta da tumba marca o começo de uma nova era na história das sepulturas de Abusir e Sakara, após a exploração da parte sul da tumba". "Foram encontradas tumbas de empregados que não faziam parte da família real, 2km ao norte das sepulturas dos membros da realeza da V dinastia", assinalou o ministro.

Na tumba da princesa, a equipe checa também encontrou um corredor que começa no sudeste da antecâmara. Em sua parede, quatro aberturas levam a outras tumbas. Duas delas, do reinado de Djedkaré Isesi, pertencem a funcionários do alto escalão, e as outras duas estão sendo estudadas, afirmou o chefe da missão checa, Miroslav Barta.

No corredor, há quatro grandes sarcófagos de calcário contendo estatuetas, entre elas a de um homem acompanhado de seu filho.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Cleópatra através da pintura

Cleópatra VII (69-30 a.C.) foi a última rainha do Egito ptolemaico...
Embora existam algumas boas fontes de informação sobre esta atribulada época, também é certo que muito se especulou sobre a sua vida e a sua trágica morte.
Segundo a maioria das fontes, ter-se-ia suicidado para evitar ser humilhada pelo imperador romano Octaviano.

Pintura de Peter Paul Rubens (1615)

A sua morte tornou-se praticamente uma lenda, tendo sido veiculada como causa da sua morte a picada de áspides (pequenas víboras venenosas).
Plutarco também admitiu essa possibilidade mas não teve a certeza que essa tenha sido a causa da morte
Pelo que me documentei (diversas fontes) acho um pouco inverosímil a picada de áspide, mas admito que a simbologia da serpente ligada ao faraonato terá ajudado a veicular essa ideia.
As razões principais da minha dúvida são as seguintes: 
-Atendendo a que apenas 4% das picadas de áspide, sem tratamento, serem fatais;
-Serem feridas bastante dolorosas; 
-Mesmo em caso de morte, ela teria um desfecho arrastado de alguns dias, que, a meu ver, não seria adequado como escolha de Cleópatra.
Apesar de tudo seria talvez mais plausível o uso de um veneno forte que causasse um desfecho rápido...

Aqui ficam duas belas pinturas da época barroca onde se documenta a idealização da morte da Cleópatra 

Pintura de Guido Reni (1630)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O rei e os deuses!


    Esta bela imagem provém do túmulo KV43, no Vale dos Reis, perto de Lucsor, onde no Império Novo foi sepultada a larga maioria dos monarcas egípcios das XVIII, XIX e XX dinastias. No caso deste túmulo, viria a ser colocado aqui o corpo do faraó Tutmés IV, que reinou aproximadamente entre 1400 e 1390 a.C., distinto rei da XVIII dinastia, época em que o Antigo Egito atingia um dos seus momentos mais gloriosos.
   Além de Tutmés IV, também parecem ter sido sepultados no KV43, dois dos seus filhos, a princesa Tetamon e o príncipe Amenemhat, de acordo com algumas inscrições e vestígios funerários aí encontrados. O túmulo foi descoberto pelas equipas de Howard Carter, em 1903.
   
   A posição do túmulo, situado numa zona mais elevada do Vale dos Reis permitiu-lhe sobreviver às inundações que por vezes ocorrem no local, contribuindo para a extraordinária preservação das suas pinturas. O sarcófago do monarca encontra-se no seu respectivo lugar, estando essencialmente intacto.
 
   Este painel faz parte da segunda câmara rectangular. Representa o rei Tutmés IV na companhia de diversas divindades, as quais lhe oferecem o ankh, sinal da vida. Da esquerda para a direita, vemos o faraó na companhia de: 

- Hathor, «Senhora do Deserto do Ocidente»;
- Anúbis, divindade protectora dos mortos e dos embalsamadores;
- Hathor desta vez na qualidade de «Senhora de Tebas», «Senhora do Céu», «Senhora das Duas Terras»;
- Osíris, deus do mundo subterrâneo, juíz dos mortos e do renascimento.

   Uma outra divindade está presente no painel, embora não se veja nesta imagem - é mais uma vez Hathor, de novo na capacidade de «Senhora de Tebas», «Senhora do Céu», «Senhora das Duas Terras». Outras partes da sala estão decoradas de acordo com os mesmos temas e padrões artísticos.

   Quem quiser saber mais pormenores do túmulo KV43, pode consultar o site www.osirisnet.net, onde estão listas da maioria dos principais monumentos egípcios, com narrativas detalhadas das suas descobertas e descrições das suas formas e conteúdos.

domingo, 14 de outubro de 2012

Erotismo no antigo Egito


Esgotada que está, desde há seis anos, a primeira edição da obra
Estudos sobre Erotismo no Antigo Egito, está agora em preparação
uma segunda edição revista e aumentada.

Aqui se deixa a imagem escolhida para a capa do volume,
prevendo-se que possa ter cerca de quinhentas páginas
profusamente ilustradas além de um caderno central a cores.

A sessão de lançamento está prevista (se tudo correr bem)
para o dia 19 de dezembro, quarta-feira, pelas 18 horas, 
no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

A edição do volume terá o generoso apoio do Centro de História
da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
e o nome do apresentador da obra será anunciado em breve.


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

José do Egito, um mito ou um facto?



Esta é uma magnífica pintura de Peter von Cornelius (1783-1867), onde José aparece a interpretar o sonho do faraó.

Esta história é conhecida através do Antigo Testamento...
José teria sido enganado pelos seus irmãos que o venderam como escravo, sendo posteriormente levado para o Egito onde foi preso. 
José tinha o dom da interpretação dos sonhos e mesmo no cárcere as suas profecias eram certas, tendo granjeado bastante fama.
O faraó (talvez um faraó Hicso??) teve um sonho no qual havia 7 vacas gordas e 7 vacas magras, em que estas últimas comiam as primeiras mas mesmo assim não engordavam...
Intrigado com o significado desse sonho, o faraó pediu aos sacerdotes que o interpretassem, mas ninguém teve uma explicação convincente. Entretanto os rumores de que José tinha capacidade para descobrir o enigma chegaram aos ouvidos do faraó e este convocou-o para vir até à sua presença. 
José interpretou o sonho da seguinte maneira: o Egito iria ter 7 anos de fartura e 7 anos de seca. 
Segundo a Bíblia, a José foi atribuído o cargo de governador e foram construídos celeiros para guardar a produção nos 7 anos da abundância para servir de reserva para os 7 anos de escassez.

Até à presente data não temos a certeza se esta história foi real ou não passa de uma lenda. 

Fica a bonita pintura a a história bíblica... 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Quem é ele?



     Esta curiosa estátua de mármore, presente no Museu do Vaticano, em Roma, representa uma estranha forma de sincretismo religioso patente nos últimos séculos do Antigo Egito. 

     Aos mais participativos, lanço o desafio de tentarem identificar esta bizarra divindade. Atenção, o que poderá parecer à primeira vista, pode ser enganador! O vencedor terá uma «mosca de ouro» ou um cone de perfume como prémio - consoante o género!

      Boa sorte!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Natureza, religião e arte


     No Museu do Louvre, em Paris, encontramos esta bela peça de faiança, que representa um hipopótamo, a qual data da época do Império Médio, c. de 2150-1765 a.C.

    Os Antigos Egípcios perspectivavam o universo a partir dos seres e dos fenómenos naturais à sua volta. Assim esta peça é um perfeito exemplo da tripla associação entre a natureza, a religião e a arte: sendo o hipopótamo um animal selvagem, perigoso e destruidor, rapidamente o associaram ao deus Set, convertendo-o num tema para propósitos artísticos como estatuetas, esculturas ou pinturas, exibindo, deste modo, o seu simbolismo como animal da divindade do caos e da desordem.

    Quem for a Paris não deixe de visitar o Museu do Louvre onde entre a Mona Lisa e outros grandiosos objectos de arte, encontramos cerca de 50 mil peças egípcias, incluindo este simpático exemplar.
     

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Eis o volume II


Depois de ter sido mostrada a capa do volume I desta obra, aqui está a bonita capa do volume II, reunindo os dois volumes (com mais de seiscentas páginas cada um) os textos dos egiptólogos portugueses, espanhóis, argentinos e brasileiros que estiveram presentes no IV Congresso Ibérico de Egiptologia que teve lugar em Lisboa em Setembro de 2010.

A obra terá uma sessão de lançamento no próximo dia 10 de outubro, uma quarta-feira, a partir das 18 horas, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras de Lisboa - exatamente no dia e no local onde terá início mais um curso livre de Egiptologia organizado pelo Centro de História da mesma Faculdade,
estando agora a decorrer as inscrições para o curso.

sábado, 15 de setembro de 2012

Setembro e as vindimas


Eis o túmulo de Sennefer em Cheikh Abd el-Gurna (TT 96), decorado na sua antecâmara com grandes vinhas em latada de onde pendem abundantes cachos de uvas. Os troncos das vides partem da base das paredes e sobem por elas cobrindo o tecto, numa provável homenagem ao deus Osíris, considerado também como o «senhor do vinho» e símbolo de ressurreição. Visitámo-lo na Páscoa de 2010.

Fontes: Dicionário do Antigo Egipto (texto) e
Localyte (foto)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

«Ancient Egyptian Ostraca Art»

«A magnificent Egyptian painting, which is about 3300 years old, depicting an Egyptian woman dancer, performing a backbend, commonly found in performances of contortion, gymnastics and dances. The backbend, which requires intense training, shows the superior professionalism, talents and high skills of the dancer.

The dancing woman, wearing a typical black dance costume and gold hoop earrings, is perfectly at ease while bending, and in total control and balance. Her curly, wavy hair is left loose, and is flowing in a natural pattern in harmony with her dance movement. But her earrings are pointed upwards, defying gravitational force, and seems a bit odd in an otherwise perfect composition of art. It is hard to believe that the artist who painted this picture is aware of the effect of gravity on her hair which is lightweight, but he ignored it in the case of the comparatively heavier earrings.

However, the admirable bala...nce of colors and high standards of artistry seen in this painting requires very high levels of expertise. Like several other Ostraka art pieces, this painting is also from the ancient Egyptian village of Deir el-Medina, home to the artisans who worked on the tombs of the Valley of the Kings in Thebes where the Pharaohs of the 18th to 20th Dynasties of the New Kingdom period (1550 BC to 1080 BC) were buried.

The artwork is painted on ostracon, singular of ostraca, which refer to pieces of pottery and fragments of limestone. Because Papyrus was expensive, ostracon was extensively used in ancient Egypt because of its durability, cheap or free availability and ease of working on it. It was the most preferred medium for not only drawing and painting, but also everyday writing, such as letters, documents, receipts, stories, prescriptions, etc.

The art piece in this picture survived in an impeccable condition despite several centuries of neglect until it was collected by Bernardino Drovetti (1776-1852), Consul General of France in Egypt. Possibly the work would not have survived so long, if it was created on any other media, other than ostraca.

Though Drovetti collected Egyptian art and antiquities in the name of France, he built up a huge personal collection for himself. In 1824, King Charles Felix (Carlo Felice Giuseppe Maria) acquired much of his personal collection consisting of 5,268 pieces, which later formed the foundation for the Museo Egizio in Turin, the second largest Egyptology museum after Cairo.»

(via Francisco Filipe Cruz, in Facebook)

Vale a pena dar uma olhadela!

 
  A todos os interessados, venho por este meio apresentar-vos um site na Internet acerca dos túmulos e locais funerários no Egito. A página do site tem o nome da divindade presente à esquerda por óbvias razões: trata-se de Osíris, senhor do mundo dos mortos, do mundo subterrâneo e do ciclo da morte e ressurreição a quem é devoto um culto quase tão antigo como a própria fundação do Duplo País.

   O site em si tem o seguinte endereço:

   www.osirisnet.net

   Todos os que quiserem ou estiverem com vontade de saber mais sobre os túmulos no Antigo Egito são gratificados com uma lista imensa de sepulturas de todos os géneros e feitios, desde as grandiosas pirâmides
de Guiza às recônditas sepulturas dos artífices de Deir-el-Medina.

   Não só tem uma lista bastante vasta, como cada túmulo apresentado contém descrições pormenorizadas da sua planta arquitectónica, da sua decoração, das suas inscrições, dos seus conteúdos, das circunstâncias da sua descoberta. Sem contar com as descrições de numerosos outros monumentos, além de diversos artigos e referências a questões religiosas e quotidianas, assim como novidades do mundo da Egiptologia. E para completar o ramalhete, existem versões 3D, versões virtuais de algumas plantas tumulares. Só não sei se podem ver nos vossos computadores essas versões tridimensionais. Eu não consegui...

   A única particularidade será o facto de o site estar apresentado em duas línguas estrangeiras possíveis - ou em Inglês ou em Francês, não em Português, infelizmente. Portanto, espero que saibam uma de ambas para lerem e compreenderem as matérias apresentadas que são muito interessantes.

   De resto acho que vale a pena dar uma olhadela! Divirtam-se!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Os Jardins de Nakht!


   Os Antigos Egípcios também se revelaram jardineiros de primeira qualidade. Durante milénios a cultivarem plantas de inúmeros tipos e espécies em hortas para a sua subsistência, gradualmente desenvolveram os jardins nos templos, nos palácios e nas residências privadas dos abastados, não só como fonte de produção alimentar e medicinal - muitas das plantas eram hortícolas e medicinais assim as árvores eram de fruto para abastecer as cozinhas e as mesas - mas também como espaço de recreio, lazer e descanso para os respectivos proprietários. 

   À medida que crescia a riqueza do Antigo Egito, especialmente no Império Novo, os jardins dos privilegiados e dos templos tornaram-se ainda mais elaborados e luxuriantes, com todo o género de plantas exóticas, flores bizarras, delicadas e belas e até mesmo piscinas e lagos com peixes e aves aquáticas como ornamentos decorativos.

   E evidentemente, quando faleciam, os Antigos Egípcios procuravam recriar os jardins na forma de modelos funerários em miniatura que sepultavam nos túmulos dos seus proprietários a fim de lhes permitir gozarem esses prazeres verdejantes na vida além da morte.
     
   A bonita imagem acima provém do túmulo de Nakht, um jardineiro real, nos princípios do século XIV a.C. - meados do Império Novo - e representa os "Jardins de Amon", do Templo de Karnak, tal como ele se lembra de os gerir e orientar. Esses jardins produziam flores, plantas e árvores para abastecimento das cozinhas, para questões medicinais e para os ritos religiosos, ligados com os ciclos da natureza e das estações do ano. Esta pintura pode ser vista no Museu Real de Arte e História, em Bruxelas, na Bélgica.


P.S. Para quem quiser saber um pouco mais sobre antiga jardinagem egípcia é favor ver o seguinte link: http://en.wikipedia.org/wiki/Gardens_of_Ancient_Egypt.

«De pequenino... »


Aqui fica uma sugestão para o público dos 8 aos 80.
A revisão científica é do Prof. Luís Manuel de Araújo.

Mais uma mudança no Egipto

«A woman presenter has appeared on Egyptian state TV in an Islamic headscarf for what is believed to be first time since it opened in 1960.

Fatima Nabil wore a cream-coloured headscarf as she read a news bulletin.

Under the regime of ex-President Hosni Mubarak there was an unofficial ban on women presenters covering their hair.

But the new Muslim Brotherhood-led government has introduced new rules, saying that nearly 70% of Egyptian women wear the headscarf. [...]» (in BBC News)

sábado, 1 de setembro de 2012

O Faraó de Prata!


   Meus caros colegas e amigos, achei este vídeo no Youtube, sobre Psusennes I, faraó da XXI dinastia, c. de 1039-991 a.C. Lamento que esteja em inglês e sem legendas, mas ainda assim pode ter interesse para aqueles que dominam o idioma e compreendem ou conhecem um pouco a história deste monarca do Terceiro Período Intermediário, cujo reinado foi um dos mais longos e importantes da época e cujo túmulo é quase tão extraordinário como o de Tutankhamon, embora muito menos divulgado ao público em geral.

   A maior curiosidade acerca de Psusennes I advém do seu espectacular sarcófago, inteiramente feito em prata - daí em parte da designação deste documentário - e a sua fabulosa máscara de ouro, que rivaliza com a Tutankhamon em beleza e estilo. Mas o resto eu remeto para o vídeo, que espero que gostem!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Aí estão as Actas do Congresso


Depois de longos meses de trabalho e de preparação para edição 
acabaram de sair as Actas do IV Congresso Ibérico de Egiptologia 
que se realizou em Lisboa de 13 a 17 de Setembro de 2010.

Aqui se mostra a atraente capa do 1º volume, porque devido ao grande
 número de textos entregues a obra ficou em dois belos volumes, 
num excelente trabalho da Gráfica Clássica do Porto.

Os participantes no IV Congresso, sejam comunicantes ou assistentes, 
receberão os seus exemplares - mas os escribas do nosso blogue 
também serão contemplados com a oferta da obra!

sábado, 25 de agosto de 2012

Estela de uma rainha

Apresenta-se aqui a estela, de uma conhecida rainha da época ptolomaica, que se encontra no Museu do Louvre.
O nome dela pode ser facilmente lido do grego, que era nessa altura a língua oficial.
Exatamente na segunda linha pode-se ler...

ΚΛΕΟΠΑΤΡΑ



Foi  Cleópatra VII a última rainha ptolomaica antes da conquista do Egito pelos Romanos. Aparentemente ter-se-à suicidado para evitar ser enviada com escrava para Roma.

Nesta estela ela encontra-se ofertando à deusa Ísis.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Uma tríade divina


   Uma escultura em basalto, presente no Museu das Belas Artes em Boston, E.U.A. representa a deusa Hathor, sentada no centro, rodeada pelo faraó Menkauré - o construtor da terceira e mais pequena das Pirâmides de Guiza - e por uma divindade feminina de uma província local com o símbolo de uma lebre em cima da sua cabeça.

     Sensivelmente datada entre 2550-2530 a.C., é uma representação da tríade divina em homenagem ao rei Menkauré, tendo sido encontrada no Templo do Vale referente a este soberano, no Planalto de Guiza. Pretende demonstrar a ligação do monarca ao mundo do além, exibindo a posição sagrada da monarquia faraónica, que no Império Antigo, se reveste de um cariz  absoluto, quando os antigos reis egípcios eram considerados nada menos do que deuses na Terra e intermediários entre este mundo e o mundo celestial.

    O Templo do Vale de Menkauré apresenta uma significativa lista de estátuas deste faraó, frequentemente associado a divindades femininas ou então puramente solitárias, de onde se obteve o pouco que se sabe do seu reinado pouco esclarecido.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Khufu, da Grande Pirâmide à pequena estatueta

Do Faraó Khufu (Quéops), construtor da Grande Pirâmide de Guisa (IV dinastia) apenas existe uma pequena estatueta conhecida e que se encontra no Museu Egípcio do Cairo.

O caricato é que ela tem apenas 7,5 cm de altura contrastando com a imponência da sua colossal pirâmide...







A Pirâmide de Khufu é a que se encontra na imagem à direita e é ligeiramente maior que aquela do seu filho Khafré, também na imagem  logo atrás da famosa esfinge

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O Príncipe Ankh-haf


   No Museu de Belas Artes em Boston, E.U.A., encontra-se este singelo busto que retrata Ankh-haf, um príncipe da IV dinastia, filho do grande rei Seneferu e de uma esposa secundária desconhecida. Meio-irmão do poderoso rei Khufu, criador da Grande Pirâmide de Guiza, Ankh-haf deteve vários cargos importantes, entre eles o de vizir e supervisor das obras reais durante o reinado de Khafré, seu sobrinho.

   Ankh-haf terá testemunhado a construção da Grande Pirâmide de Guiza e provavelmente teve destaque na construção do segundo conjunto piramidal, assim como na criação da Grande Esfinge, a enorme estátua leonina que se pensa representar o faraó Khafré.

   A sua mastaba - G 5710 - localizada na zona leste do planalto funerário de Guiza, é uma das maiores da região e contém representações da sua esposa, a princesa Hetep-herés. Esse nome aliado à posição de sacerdotisa de Seneferu sugere que a mulher de Ankh-haf talvez seja a filha primogénita do fundador da IV dinastia e da sua esposa principal, a rainha Hetep-herés, portanto meia-irmã do seu esposo.

   O túmulo também representa um rapazinho chamado Ankhetef, que aparentemente terá sido neto de Ankh-haf e Hetep-herés através de uma filha de ambos, conforme o indicam as inscrições. Isto pode ser um indicador que Ankh-haf terá chegado a uma idade avançada aquando da construção da sua tumba.
  
   Nessa mesma estrutura tumular, foi encontrado o busto que se pode ver na imagem e que é considerado um dos mais perfeitos da Arte Egípcia do Império Antigo.

    Quem estiver com vontade de ir aos E.U.A. e particularmente a Boston, não se esqueça de visitar o Museu de Belas Artes e de admirar o soberbo busto que ilustra este homem da Antiguidade!

sábado, 18 de agosto de 2012

O anão Seneb e sua família

Esta bonita escultura do anão Seneb acompanhado pela sua bonita esposa e seus filhos encontra-se no Museu Egípcio do Cairo e data da IV dinastia, isto é, contemporâneo das duas maiores pirâmides de Guisa.
Seneb era responsável pelo guarda-roupa dos faraós Khufu e Khafré,  função extremamente prestigiada na época graças à grande intimidade com o faraó.

Esta original escultura mostra o anão com as suas características morfológicas típicas como a cabeça desproporcionadamente grande e as pernas bem curtas, em posição de escriba. 
Os filhos foram colocados numa curiosa disposição como a substituir as pernas do seu pai e dando metaforicamente apoio ao seu progenitor. Como é habitual na representação feminina, a cor da pele da esposa é muito mais clara que a do marido.




quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Pirâmide do faraó Unas

Unas foi o último faraó da V dinastia (aproximadamente  2374 a 2344 a.C. - Império Antigo). 
Segundo o Papiro Real de Turim reinou durante aproximadamente 30 anos, mas infelizmente não se sabe muito deste seu reinado. 
No entanto este faraó ficou conhecido do ponto de vista arqueológico como tendo sido o primeiro a inscrever textos hieroglíficos no interior da sua pirâmide, pois todas as precedentes (Dinastias III e IV) não tinham quaisquer inscrições. 
Esta pirâmide está bastante destruída na sua parte exterior dando ideia ao turista desatento, tratar-se de um monte de escombros. 



As pirâmides deste período tinham um enchimento de pedras pequenas e uma cobertura com lages maiores que, com o passar dos milhares de anos e principalmente com a reutilização dessas pedras aparelhadas em outras construções, levou ao aspeto um tanto desolado dos nossos dias. 
Os "Textos das Pirâmides" eram  textos cerimoniais e que visavam proteger o faraó na sua viagem para a eternidade. De facto ainda hoje o nome do faraó é pronunciado... e como os antigos egípcios diziam... pronunciar o nome do faraó é mantê-lo imortal.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Estela de Hotepi

Uma bonita estela do inspetor dos sacerdotes funerários e escriba dos campos, Hotepi com a sua esposa Kau que se encontra no National Museum of Scotland




terça-feira, 31 de julho de 2012

A arte da construção...

... no Egipto.


Encontrei esta imensa "construção" dentro do National Museum of Scotland
 E é assim... que, em pleno verão, regresso ao "nosso" blog.








Brincadeiras egípcias

No National Museum of Scotland achei curioso uma boneca de madeira, ancestral da atual "Barbie", com cerca de 2500 anos de idade, entre outros objetos que foram utilizados para brincadeiras infantis...


Objetos como estes ajudam a perceber hábitos e costumes da sociedade egípcia...