segunda-feira, 22 de abril de 2013

O rei Khakheperré Senuseret!


   A clássica posição da estátua deste faraó, o rei Khakheperré Senuseret  - conhecido por Senuseret II - demonstra bem a sólida autoridade da monarquia faraónica, força motriz da brilhante era do Império Médio.

    Sabe-se pouco deste quarto rei da XII dinastia comparado a alguns dos seus antecessores e sucessores, dado o carácter fragmentário ou contraditório das fontes. Filho de Amenemhat II, a duração e datação do seu reinado são inexactas: tanto lhe atribuem 10 como 19 anos de reinado, algures entre 1897 e 1860 a.C. sendo que muitos apontam 1870-1860 a.C. como a altura mais provável. Também não existe consenso sobre a ideia de um reinado conjunto com seu pai.

   O  pacífico reinado de Senuseret II, sem registo de ações bélicas, é marcado pela diplomacia e pelo comércio com os reinos vizinhos do Médio Oriente. A nível interno, desenvolveu boas relações com nomarcas, como atestam os indícios no túmulo de Khnumhotep, governador de Beni Hasan.

   Sem guerras ou rebeliões para o atormentar, Senuseret II dedicou os seus esforços ao incremento da agricultura. Uma oportuna descida do nível das águas do lago Moeris, no oásis do Faium expôs consideráveis extensões de terras férteis, circunstância que o faraó aproveitou, ampliando vários projectos hidráulicos anteriores mediante a construção de diques e canais para melhor controlo e distribuição de água. Para o efeito, em Senuserethotep - hoje Kahun - mandou erguer os primeiros bairros de trabalhadores conhecidos.

   As artes conheceram também os seus tempos áureos. A nível arquitectónico, destaca-se o complexo piramidal do rei em El-Lahun, onde além de um sarcófago de granito rosado, foi descoberto, em 1889, pelo egiptólogo Flinders Petrie um uraeus de ouro finamente trabalhado, possivelmente pertencente à máscara fúnebre do soberano. Mais recentemente, em 2009, novas escavações permitiram descobrir alguns corpos mumificados.


    Nas criptas adjacentes onde se sepultaram as filhas do rei, foram encontradas belíssimas jóias de ouro, prata e pedras semi-preciosas. No complexo fúnebre do sucessor, Senuseret III, destaca-se a cripta da princesa Sithathoriunet, onde Petrie e Brunton descobriram em 1914, um nicho com mais jóias (como o peitoral com o nome de Senuseret II acima visualizado), vasos, espelhos e outros materiais cosméticos de excelente qualidade.
    A estatuária também atingiu notável refinamento, como se verifica pelas diversas estátuas de Senuseret II, atestando a XII dinastia como exemplar na representação artística da figura humana. Algumas dessas estátuas seriam reaproveitadas séculos mais tarde por outros soberanos.

    Da corte de Senuseret II, as informações são escassas. Existem registos que apontam a existência de duas rainhas - Khenemetneferhedjet I (mãe de Senuseret III) e Nofret II - e duas esposas secundárias. Conhecem-se com relativa certeza três ou quatro filhas, entre as quais Sithathoriunet.
   No que toca aos altos funcionários e ministros, são poucos os dados. Salienta-se Khnumhotep, que além de governador local, terá sido diplomata, chefe da casa real e finalmente vizir. Todavia, como no que toca à maioria dos restantes faraós, as perguntas sobre Khakheperré Senuseret são mais do que as respostas!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Estivemos em Dahchur


No decurso da recente viagem ao Egito organizada pelo Instituto Oriental
 o nosso grupo esteve em Dahchur, a alguns quilómetros a sul de Guiza 
e Sakara, e lá pudemos ver duas grandes pirâmides da IV dinastia pouco 
visitadas, a insólita «pirâmide romboidal», e a «pirâmide vermelha»,
porque são muito raros os grupos que ali se deslocam.

Graças à greve da TAP (obrigado TAP), partimos mais cedo para o Egito,
e assim tivemos mais um dia, que deu para visitar a necrópole de Dahchur,
onde existem pirâmides da IV dinastia (do rei Seneferu) e da XII dinastia
(feitas para os reis Senuseret III, Amenemhat II e Amenemhat III).

A imagem mostra a chamada «pirâmide romboidal», com a sua estranha 
forma, mas alguns «voluntários» entraram na «pirâmide vermelha», 
o que não é nada fácil, quer pela penosa subida até à sua entrada 
quer pelo percurso interno, com vários metros (a descer e a subir) 
andando numa incómoda posição agachada.

Mas sim, estivemos lá!

domingo, 14 de abril de 2013

Os três guias


Mantendo a tradição das anteriores visitas de estudo ao Egito
dos grupos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,
também neste ano a viagem teve o acompanhamento de três guias:
um egiptólogo do Instituto Oriental (Luís Araújo), uma guia profissional
 da Tui Viagens (Teresa Neves), e o guia local (Mustafa el-Ashabi).

E tudo correu muito bem!

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O banho no mar Vermelho


Tal como no ano passado, a visita de estudo deste ano ao Egito terminou
 com um retemperador banho nas águas do mar Vermelho, em Hurghada,
depois de alguns dias de peregrinação cultural.

Alguns dos viajantes quiseram lembrar a sua presença do dia de Páscoa
 deste ano em Hurghada, em 31 de março, na tradicional pose do ka,
sob uns agradáveis 30 graus de temperatura...
Ah, e em Portugal nessa altura chovia a potes e estava frio!

sábado, 6 de abril de 2013

Mais uma visita de estudo


Terminou com sucesso mais uma visita de estudo ao Egito organizada 
pelo Instituto Oriental da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,
desta vez em parceria com a Associação Portuguesa dos Amigos 
dos Castelos, com dezoito participantes desejosos de aprender, 
e que decorreu entre 20 de março e 2 de abril de 2013.

Aqui está o grupo de viajantes numa foto tirada no sítio da antiga cidade
de Mênfis (Ieneb-hedj), uma das grandes capitais do antigo Egito, visitada
no primeiro dia de um longo percurso que decorreu sem problemas,
ao contrário do que se esperaria com as notícias alarmantes da imprensa
manifestamente exageradas acerca da situação no Egito.

Para o ano lá estaremos novamente! 

domingo, 17 de março de 2013

Ptah, o senhor da Criação!


   Esta bonita estátua, oriunda da antiga capital de Tebas-Usaet, no Sul do Egito, é datada do reinado de Amenhotep III, c. de 1390-53 a.C. e representa uma das maiores divindades egípcias: Ptah, "o da bela face", "o senhor da Verdade", "o mestre da Justiça", "o que ouve as orações", "o mestre das Cerimónias", "o senhor da Eternidade" - só alguns dos epítetos pelos quais era designado.

   A importância de Ptah no panteão religioso egípcio não deve ser subestimada: era considerado o senhor da Criação, que com o seu pensamento e com a sua palavra, criou o Mundo. Nessa qualidade, todos os componentes da Natureza e do Universo deviam a Ptah a sua existência, dado que ele concebeu-os por via do pensamento e por via da magia da sua palavra, deu-lhes forma.

   A sua importância simbológica como criador reforçou-se ao longo dos milénios através da sua associação à monarquia faraónica, já que se considerava Ptah como um crucial preservador do papel do monarca. Sem contar ainda que Ptah era o patrono dos artífices, protegendo os que se dedicavam aos trabalhos artesanais e artísticos. Dada a profusão de obras de arte de todas as qualidades, promovidas ao longo de milhares de anos, compreende-se porque o culto de Ptah, tão cedo iniciado, se tenha espalhado e prolongado por todo o Antigo Egito até ao fim da era faraónica.

  Ptah era a principal divindade na região da milenar Mênfis desde os primórdios da unificação do país, fazendo parte da Tríade Menfita, ao lado de Sekhmet, sua esposa e Nefertum, seu filho. É representado frequentemente na forma de Osíris (pele de cor verde, envolto em linho e com a típica barba divina), segurando um bastão ou cetro com os símbolos de ankh, djed e uas, ou seja vida, estabilidade e poder, fortalecendo a sua posição como deus com o poder da criação e estabilização. Devido ao seu papel criador, também tem afinidade com as questões da fertilidade e do renascimento e, como é habitual na religião egípcia antiga, sofre o sincretismo com outras divindades, como Bes, o boi Ápis e Sokar.

  O culto de Ptah tornou-se tão popular na sociedade egípcia que veio a ser elevado à posição de uma das principais divindades nacionais, associado às cerimónias faraónicas. O seu culto depressa se estendeu aos maiores centros populacionais, encontrando-se vestígios da sua prática em Abido, Tebas, Abu-Simbel e Pi-Ramsés. Existem ainda provas do seu culto fora das fronteiras do Duplo País, em diversos pontos do Mediterrâneo Central e Oriental - Cartago, por exemplo - graças aos Fenícios.

  A estátua, aqui exibida, encontra-se no Museu Egípcio de Turin, em Itália, o qual contém uma das maiores coleções de Arte Egípcia encontradas no estrangeiro. Vale a pena visitar!

sexta-feira, 1 de março de 2013

Hoje, no University College London:


TONIGHT
6.30 Institute of Archaeology. Clive Barham Carter talks about 'A Thousand Miles up the Nile with Amelia Edwards'. Free admission, all welcome. Should be great lecture: Amelia is our hero - Petrie's patron, founder of the Petrie Museum and the EES.
Pena, a crise.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Fragmento do Cairo

Quando eu a cinjo e ela me abre os braços,
Sou como um homem que regressa da Arábia,
Impregnado de perfumes.

Desço o rio numa barca,
ao ritmo dos remadores.
Com um feixe de canas ao ombro,
vou para Mênfis,
e direi a Ptah, senhor da verdade:
«dá-me esta noite a minha amada».
Este deus é como um rio de vinho,
com seus maciços de canas.
E a deusa Sekhmet é como se fosse a sua moita de flores.
E a deusa Earit, seu lótus em botão.
E o seu lótus aberto, o deus Nefertum.

- E a minha amada será feliz.

Levanta-se a aurora através da sua beleza.
Mênfis é um cesto de tomates
posto frente ao deus de rosto puro.

Bom é mergulhar, bom,
ó deus meu amigo,
é banhar-me diante de ti.
Adivinhas-me quando se molha
minha túnica de fino linho real.
E juntos entramos nas águas,
e à tua frente eu saio das águas,
agarrando entre os dedos
um estupendo peixe encarnado.
- Olha para mim.

Tanto se alvora meu coração, de puro amor,
que metade da minha cabeleira se desfaz,
quando corro ao teu encontro.

Para que me vejas sempre igual e bela
diante de ti,
eu componho os meus cabelos.

Poema de Herberto Helder, in «O Bebedor Nocturno»

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Há precisamente 90 anos...

 
   Hoje, 16 de Fevereiro de 2013, completam-se 90 anos da abertura da última das câmaras funerárias do túmulo de Tutankhamon, quando Howard Carter quebrou o selo que a encerrava, acompanhado de membros da sua equipa. Lá dentro vislumbrou-se pela primeira vez em mais de 3 mil anos, o sarcófago deste jovem rei egípcio, falecido de forma prematura com apenas 18 anos.
 
   Carter tinha descoberto os primeiros vestígios do túmulo, em Novembro de 1922, mas levou quase três meses somente para desobstruir o entulho em frente à porta principal, remover e registar todos os magníficos tesouros que estavam nas primeiras câmaras e finalmente alcançar a última, que abriu nesta data, precisamente há 90 anos atrás. 
   
   O jornalista britânico, Henry Wollam Morton, do Daily Express, foi praticamente o único membro da impressa internacional autorizado a entrar no local juntamente com Carter e os seus ajudantes e o criador dos primeiros artigos jornalísticos a respeito da descoberta do túmulo real, que cimentaram a reputação do perseverante arqueólogo e do seu achado junto do público britânico e consequentemente pelo mundo inteiro.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Lá se foi o Carnaval...


Lá se foi o Carnaval, perdendo-se a ocasião de nos mascararmos 
de poderosos faraós, como alguns fazem em certos corsos 
e em descontraídas palhaçadas caseiras.

Estes adereços devem ser apropriados para climas mais frios, 
e como estas imagens são de origem americana 
compreende-se bem este pesado vestuário carnavalesco.

Quanto ao tropical clima do Brasil, ele revela-se mais propício 
para a recriação histórica, pois lá os figurantes e foliões
podem exibir apenas a faraónica tanga real - cá não...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Installation of the colossal statue of Amenemhat II (ca. 1919--1885 B.C.)




    Este vídeo exibe a instalação de uma estátua colossal de Amenemhat II, terceiro rei da XII dinastia, no Grande Salão de Entrada do Museu Metropolitano de Arte, em Nova York. Cedida temporariamente pelo Museu de Antiguidades Egípcias de Berlim, a estátua permaneceu em exposição nesse local por um ano, a partir de Agosto de 2011.

    Amenemhat II reinou c. de 1919 a 1885 a.C. (ou segundo alguns autores entre 1929 e 1895 a.C. ou entre 1900 e 1870 a.C.), durante o Império Médio - mas o seu reinado é pouco destacado comparativamente aos mais ilustres soberanos da dinastia. Existem discordâncias sobre a possibilidade ou não de ter exercido uma co-regência conjunta no fim do reinado do pai, Senuseret I.

   No essencial, o reinado de Amenemhat II é uma serena continuidade da governação anterior: a nível interno, uma boa gestão económica, demonstrada pela exploração agrícola do oásis do Faium, com a construção de canais e ampliação das terras de cultivo; a nível externo, caracterizado pelo aumento do comércio com o Egeu, a Sírio-Palestina, a Ásia Menor e a Mesopotâmia, demonstrado pela descoberta de diversos objetos egípcios (estátuas e escaravelhos reais) em antigas cidades do Levante, além da descoberta do «tesouro de Tod», onde entre outros, foram encontrados objetos de origem cretense e mesopotâmica. Conhece-se ainda uma expedição à misteriosa Terra de Punt, por volta do 28º ano do reinado.

   Existe uma estela fragmentada em Mênfis com referências a uma expedição bélica contra tribos beduínas no Sinai assim como a destruição de duas cidades na Ásia, para além da vinda de um tributo oriundo da Núbia. Sem tais referências, o reinado de Amenemhat II é basicamente desprovido de campanhas bélicas.

   Pouco se sabe sobre a corte deste rei: conhecem-se os nomes de duas esposas - Senet, através de estátuas encontradas no Delta e Kaneferu, enterrada junto ao marido em Dahchur - tal como os nomes de várias filhas através de inscrições em estátuas e sepulcros associados ao complexo piramidal do monarca. São ainda conhecidos os nomes de dois príncipes, Amenemhat-ankh e Senuseret - o último dos quais será o sucessor, Senuseret II. Entre os seus funcionários, destacam-se os vizires Senuseret e Ameni, os tesoureiros Merikau e Sa-Iset, o governador provincial Djehuty-hotep e ainda o chefe da expedição a Punt, Khent-khetuer.

  O complexo piramidal de Amenemhat II, em Dahchur, hoje largamente arruinado, ainda não foi sujeito a uma intensa investigação, embora algum do requinte artístico da época possa ser admirado, nomeadamente no capítulo da joalharia descoberta nos sepulcros das princesas Ita e Khnemet - anéis, braceletes, colares e diademas finamente trabalhados. Além do complexo piramidal em Dahchur e outros raros vestígios, pouco mais subsiste deste reinado, um dos mais escassamente documentados da XII dinastia.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Mais um desafio para os interessados!


    Esta elegante escultura em quartzito, datada c. de 1400 a.C., encontra-se atualmente no Museu Britânico, em Londres. Representa um babuíno, animal outrora comum nas margens do rio Nilo, famoso pela sua agilidade, inteligência, perspicácia e hábil destreza manual. 

     Não admira, portanto, que tenha sido associado como animal sagrado a uma divindade em particular, a qual é vista como protetora da escrita e dos escribas, criador dos hieróglifos, dos cálculos matemáticos, de todos os trabalhos científicos, mágicos, filosóficos e religiosos, orientador das posições das estrelas e dos corpos celestes e até mesmo mediador entre as forças do bem e do mal.

   Agora coloco um pequeno desafio aos amigos e participantes deste blogue: qual a divindade associada ao babuíno?

   E quem quiser e se conseguir, pode tentar ler os hieróglifos presentes na escultura, entre os quais existem duas cartelas reais, onde estão indubitavelmente os nomes de um rei. 

   
   A todos, boas leituras e boa sorte!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A vida no Antigo Egito


Correspondendo ao interesse que os cursos de temática egiptológica 
continuam a despertar entre os alunos, os estudiosos, e entre o público 
em geral, decidiu o Centro de História da Faculdade de Letras 
da Universidade de Lisboa, através da sua linha de investigação 
de História Antiga e Memória Global, organizar um novo curso 
em cinco sessões, com o tema «A vida no Antigo Egito»,
que terá o seguinte calendário e programação: 

2 de maio - Viver no campo (Telo Ferreira Canhão)
9 de maio - Viver na cidade (José das Candeias Sales)
16 de maio - Viver no templo (Luís Manuel de Araújo)
23 de maio - Viver no exército (José Varandas)
30 de maio - Viver no túmulo (Rogério Sousa)

As sessões do curso decorrem no Anfiteatro III da Faculdade de Letras
 de Lisboa, às quintas-feiras, das 18 às 20 horas, podendo os interessados
obter mais informações sobre o curso junto do secretariado do Centro.

Rosto de um rei!


   Esta foto mostra o rosto de um grande monarca do Império Novo, que reinou cerca de 1290-1279 a.C. como Menmaetré Seti-merenptah, ou seja Seti I, segundo faraó da XIX dinastia e pai do ainda mais célebre Ramsés II, que tão popularmente é conhecido.

   Seti I, cujo nome indica a sua inclinação pelo culto ao deus Set e atesta a origem da família, de cariz militar e provavelmente vinda do Delta Oriental do rio Nilo, teve um reinado relativamente curto, se comparado com o do seu famoso sucessor, possivelmente não superior a 11 anos, mas não menos pleno de realizações políticas, artísticas e militares. Da sua consorte, Tuia, teve vários filhos, inclusive o seu célebre herdeiro.

   Associado ao poder, ainda em vida do pai, Ramsés I, fundador da linhagem, o novo monarca depressa se inteirou das questões governativas e bélicas, na qualidade de vizir e comandante, usando depois as suas capacidades para travar o avanço dos Hititas na região da Sírio-Palestina e subordinar de novo as tribos e principados rebeldes após as perturbações decorrentes da experiência armaniana. Assaltou a cidade de Kadesh e dominou, mais ou menos vitoriosamente, os seus inimigos, conseguindo manter intactas as possessões egípcias na Ásia. Também existem notícias de expedições contras tribos líbias e contra os Núbios. A competência militar de Seti I, juntamente com o apoio de excelentes funcionários permitiu uma sã administração do país e a manutenção do seu prestígio internacional, embora o conflito com os Hititas só se resolvesse no reinado seguinte.

   A nível artístico, destacam-se obras de Seti I no grande templo de Karnak, em Tebas-Uaset, sobretudo a fabulosa sala hipostila, com 134 colunas, que ainda hoje constitui uma das grandes atracções turísticas. Em Abido, o rei ampliou e decorou o templo em honra de Osíris, suprema divindade local, a par de outras divindades nacionais e dele próprio como deificado. Os relevos do templo de Abido são dos mais belos e bem preservados de todo o Egito e possuem, inclusive, a lista de sucessão dinástica dos monarcas egípcios anteriores a ele, com as devidas alterações para eliminar nomes impróprios. O templo não seria terminado senão já no reinado do seu filho, Ramsés II.

   Em Gurna, Seti mandou criar o seu templo mortuário ao passo que existem outros vestígios seus em Auaris, Mênfis e mesmo na Núbia e no Sinai como forma de reconhecimento do poder e riqueza do faraonato mesmo além-fronteiras.

    No Vale dos Reis, na margem ocidental do rio Nilo, perto de Tebas, Seti foi a enterrar no túmulo KV17, o maior e mais ricamente decorado sepulcro da necrópole real. Tem 136 metros de comprimento, onze câmaras e algumas salas anexas. Giovanni Batista Belzoni, um dos primeiros arqueólogos modernos, foi o responsável pelo achado tumular, em 1817, daí que por vezes se chame ao KV17, o "túmulo de Belzoni". Dado o avançado estrago feito por Champollion, ao remover duas secções de paredes, em 1829, o túmulo de Seti I encontra-se quase sempre encerrado ao público para minimizar os danos.

    A múmia de Seti I seria encontrada num túmulo coletivo em Deir-el-Bahari, em 1881. Embora a mais bem preservada, não escapou à ação destruidora dos ladrões tumulares, pois sabe-se que a sua cabeça fora decepada e depois cuidadosamente recolocada com o auxílio de pedaços de linho por sacerdotes fiéis que em seguida enterraram o corpo nesse túmulo coletivo para evitar mais profanações. Atualmente, encontra-se no Museu Egípcio do Cairo.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Escrita hieroglífica


Está agora a decorrer o curso de Iniciação à Escrita Hieroglífica, 
em mais uma iniciativa do Centro de História da Universidade de Lisboa, 
através da sua linha de investigação de História Antiga e Memória Global, 
a qual congrega diversos investigadores de História Antiga 
(incluindo o Egito, Mesopotâmia, Israel, Grécia e Roma, 
entre outras culturas da Antiguidade).

As sessões têm lugar às quintas-feiras, das 18 às 20 horas, no Anfiteatro IV 
da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com cerca de 50 alunos 
inscritos, o que para os tempos que correm é muito bom, 
atestando o interesse que os temas de Egiptologia continuam a despertar.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Laços de família


   Do período ramséssida, surge-nos esta bela imagem, proveniente do túmulo TT359, última morada do chefe dos trabalhadores de Deir-el-Medina, Inherkhau. Este homem, não sendo pertencente à alta sociedade egípcia da época, destaca-se em parte pela invulgaridade de ter mandado construir dois túmulos distintos. Em virtude da inesgotável informação a respeito desta imagem e deste funcionário do Império Novo, cingir-me-ei aos dados principais:

      - Inherkhau significa "Onuris aparece", sendo que Onuris é uma adulteração grega para o deus Iny-hor. Terá sido uma espécie de supervisor dos trabalhos de construção tumular régia no Vale dos Reis e aparentemente descende de uma linhagem de homens que exerceram essas mesmas tarefas ao longo de várias gerações. Terá vivido algures nos reinados de Ramsés III e Ramsés IV, ou seja cerca de 1150 a.C.

      - nesta imagem, presente na câmara G do túmulo TT359, Inherkhau está acompanhada da sua esposa Wabet "A Pura" e de quatro jovens filhos, um rapaz (o qual não possui brincos nas orelhas) e três raparigas. O momento é de intimidade doméstica com Inherkhau a acariciar a trança da filha mais velha à sua frente, enquanto esta dá a uma irmã mais nova uma pequena ave malhada, ao passo que o rapaz se apoia nos joelhos da mãe, Wabet. Esta, por sua vez, abraça o seu marido. Atrás, a terceira filha segura na mão outra pequena ave malhada.

      - em frente a Inherkhau e respetiva família, surgem dois homens, o primeiro dos quais lhe entrega uma estatueta de Osíris e uma pequena caixa, que contém escrito o título de Inherkhau. O segundo homem entrega um pequeno cântaro ou vaso. Ambos atuam como servidores da família de Inherkhau no mundo do além para poupar-lhes as tarefas de cariz manual.

   A profunda intimidade entre os membros da família de Inherkhau é um testemunho do grande valor e importância concedida pelos Antigos Egípcios à instituição familiar, base da sociedade. O próprio papel de Inherkhau - «supervisor das construções do Senhor das Duas Terras» - também dispõe de um peso social considerável: afinal Inerkhau viveu numa era de perturbações políticas, sociais e económicas, o que muitas vezes se traduzia em empobrecimento artístico e cultural, mas os seus túmulos não evidenciam esse declínio, pois é ricamente decorado e ornamentado, atestando a sua proeminência na época.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Erotismo e sexualidade


Eis uma das bonitas imagens que constam no livro sobre Erotismo 
e Sexualidade no Antigo Egito, que teve a sua sessão de lançamento 
na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa 
no passado dia 19 de dezembro, com a apresentação da obra 
a cargo do egiptólogo Doutor Telo Ferreira Canhão.

O autor aproveita o ensejo desta postagem para muito justamente 
parabenizar as Edições Colibri e os seus eficazes profissionais 
pela qualidade estético-gráfica do volume e para agradecer 
aos muitos amigos e admiradores da civilização egípcia
 que estiveram presentes naquela sessão.

Quanto ao conteúdo da obra, isso dirão os leitores, esperando-se
 convictamente que ela possa esgotar, como sucedeu ao volume 
que em 1995 foi editado com o título de Estudos sobre Erotismo 
no Antigo Egipto, e que serviu de inspiração para este novo livro.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Prendas generosas


Um dos temas mais tradicionais da variada decoração de alguns templos
egípcios são as figuras de fecundidade que simbolizam as oferendas
que cada província faz ao rei e à divindade que nesse templo
 é cultuada - e neste caso o rei, cujo nome lá consta na inscrição,
é o famoso Ramsés II, o deus é Osíris e o templo é em Abido.

São imagens de abundância, mostrando a frutuosa produtividade
de cada província do Egito, com as mais diversas vitualhas
que as personificações dessas provincias transportam - e hoje,
nesta quadra festiva que atravessamos e que não ameniza a crise,
diríamos que são prendas generosas.

A figura da esquerda é um Nilo hermafrodita que aqui representa
a 15ª província (Khmunu, a dos Oito), ou província da Lebre,
que hoje é El-Achmunein, e a da direita é uma figura feminina
correspondente à 14ª província (Kis ou Kussai), que hoje é Meir.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

100 anos


Em Dezembro de 1912, em Tell el-Amarna, foi encontrado o busto de Nefertiti, na que terá sido a oficina oficial do escultor de Tutmés, durante escavações realizadas pela Sociedade Alemã do Oriente.



Rainha do Antigo Egipto (c. de 1383-1345 a.C),
e esposa principal de Amen-hotep IV, mais tarde Akhenaton.



Há dois anos estivemos frente a frente no Egyptian Museum, Neues Museum, em Berlim. Na única sala em que não nos é permitido fotografias, daí esta foto de recurso...

sábado, 3 de novembro de 2012

Uma notícia da agência France-Presse...



Cairo - A tumba de uma princesa faraónica da V dinastia (2.500 a.C.) foi descoberta na região de Abusir, 25km ao sul do Cairo, anunciou nesta sexta-feira o ministro das Antiguidades egípcio, Mohamed Ibrahim. "Descobrimos a antecâmara da tumba da princesa faraónica Cheritnebti, em cujo centro há quatro colunas de calcário", anunciou Ibrahim. As colunas apresentam "hieróglifos com o nome da princesa e seus títulos", acrescentou.

"Foi a missão do Instituto Checo de Egiptologia, ligado à Faculdade de Letras da Universidade Carlos de Praga, que descobriu a tumba", diz a nota do ministro.

Segundo Ibrahim, "a descoberta da tumba marca o começo de uma nova era na história das sepulturas de Abusir e Sakara, após a exploração da parte sul da tumba". "Foram encontradas tumbas de empregados que não faziam parte da família real, 2km ao norte das sepulturas dos membros da realeza da V dinastia", assinalou o ministro.

Na tumba da princesa, a equipe checa também encontrou um corredor que começa no sudeste da antecâmara. Em sua parede, quatro aberturas levam a outras tumbas. Duas delas, do reinado de Djedkaré Isesi, pertencem a funcionários do alto escalão, e as outras duas estão sendo estudadas, afirmou o chefe da missão checa, Miroslav Barta.

No corredor, há quatro grandes sarcófagos de calcário contendo estatuetas, entre elas a de um homem acompanhado de seu filho.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Cleópatra através da pintura

Cleópatra VII (69-30 a.C.) foi a última rainha do Egito ptolemaico...
Embora existam algumas boas fontes de informação sobre esta atribulada época, também é certo que muito se especulou sobre a sua vida e a sua trágica morte.
Segundo a maioria das fontes, ter-se-ia suicidado para evitar ser humilhada pelo imperador romano Octaviano.

Pintura de Peter Paul Rubens (1615)

A sua morte tornou-se praticamente uma lenda, tendo sido veiculada como causa da sua morte a picada de áspides (pequenas víboras venenosas).
Plutarco também admitiu essa possibilidade mas não teve a certeza que essa tenha sido a causa da morte
Pelo que me documentei (diversas fontes) acho um pouco inverosímil a picada de áspide, mas admito que a simbologia da serpente ligada ao faraonato terá ajudado a veicular essa ideia.
As razões principais da minha dúvida são as seguintes: 
-Atendendo a que apenas 4% das picadas de áspide, sem tratamento, serem fatais;
-Serem feridas bastante dolorosas; 
-Mesmo em caso de morte, ela teria um desfecho arrastado de alguns dias, que, a meu ver, não seria adequado como escolha de Cleópatra.
Apesar de tudo seria talvez mais plausível o uso de um veneno forte que causasse um desfecho rápido...

Aqui ficam duas belas pinturas da época barroca onde se documenta a idealização da morte da Cleópatra 

Pintura de Guido Reni (1630)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O rei e os deuses!


    Esta bela imagem provém do túmulo KV43, no Vale dos Reis, perto de Lucsor, onde no Império Novo foi sepultada a larga maioria dos monarcas egípcios das XVIII, XIX e XX dinastias. No caso deste túmulo, viria a ser colocado aqui o corpo do faraó Tutmés IV, que reinou aproximadamente entre 1400 e 1390 a.C., distinto rei da XVIII dinastia, época em que o Antigo Egito atingia um dos seus momentos mais gloriosos.
   Além de Tutmés IV, também parecem ter sido sepultados no KV43, dois dos seus filhos, a princesa Tetamon e o príncipe Amenemhat, de acordo com algumas inscrições e vestígios funerários aí encontrados. O túmulo foi descoberto pelas equipas de Howard Carter, em 1903.
   
   A posição do túmulo, situado numa zona mais elevada do Vale dos Reis permitiu-lhe sobreviver às inundações que por vezes ocorrem no local, contribuindo para a extraordinária preservação das suas pinturas. O sarcófago do monarca encontra-se no seu respectivo lugar, estando essencialmente intacto.
 
   Este painel faz parte da segunda câmara rectangular. Representa o rei Tutmés IV na companhia de diversas divindades, as quais lhe oferecem o ankh, sinal da vida. Da esquerda para a direita, vemos o faraó na companhia de: 

- Hathor, «Senhora do Deserto do Ocidente»;
- Anúbis, divindade protectora dos mortos e dos embalsamadores;
- Hathor desta vez na qualidade de «Senhora de Tebas», «Senhora do Céu», «Senhora das Duas Terras»;
- Osíris, deus do mundo subterrâneo, juíz dos mortos e do renascimento.

   Uma outra divindade está presente no painel, embora não se veja nesta imagem - é mais uma vez Hathor, de novo na capacidade de «Senhora de Tebas», «Senhora do Céu», «Senhora das Duas Terras». Outras partes da sala estão decoradas de acordo com os mesmos temas e padrões artísticos.

   Quem quiser saber mais pormenores do túmulo KV43, pode consultar o site www.osirisnet.net, onde estão listas da maioria dos principais monumentos egípcios, com narrativas detalhadas das suas descobertas e descrições das suas formas e conteúdos.

domingo, 14 de outubro de 2012

Erotismo no antigo Egito


Esgotada que está, desde há seis anos, a primeira edição da obra
Estudos sobre Erotismo no Antigo Egito, está agora em preparação
uma segunda edição revista e aumentada.

Aqui se deixa a imagem escolhida para a capa do volume,
prevendo-se que possa ter cerca de quinhentas páginas
profusamente ilustradas além de um caderno central a cores.

A sessão de lançamento está prevista (se tudo correr bem)
para o dia 19 de dezembro, quarta-feira, pelas 18 horas, 
no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

A edição do volume terá o generoso apoio do Centro de História
da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
e o nome do apresentador da obra será anunciado em breve.


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

José do Egito, um mito ou um facto?



Esta é uma magnífica pintura de Peter von Cornelius (1783-1867), onde José aparece a interpretar o sonho do faraó.

Esta história é conhecida através do Antigo Testamento...
José teria sido enganado pelos seus irmãos que o venderam como escravo, sendo posteriormente levado para o Egito onde foi preso. 
José tinha o dom da interpretação dos sonhos e mesmo no cárcere as suas profecias eram certas, tendo granjeado bastante fama.
O faraó (talvez um faraó Hicso??) teve um sonho no qual havia 7 vacas gordas e 7 vacas magras, em que estas últimas comiam as primeiras mas mesmo assim não engordavam...
Intrigado com o significado desse sonho, o faraó pediu aos sacerdotes que o interpretassem, mas ninguém teve uma explicação convincente. Entretanto os rumores de que José tinha capacidade para descobrir o enigma chegaram aos ouvidos do faraó e este convocou-o para vir até à sua presença. 
José interpretou o sonho da seguinte maneira: o Egito iria ter 7 anos de fartura e 7 anos de seca. 
Segundo a Bíblia, a José foi atribuído o cargo de governador e foram construídos celeiros para guardar a produção nos 7 anos da abundância para servir de reserva para os 7 anos de escassez.

Até à presente data não temos a certeza se esta história foi real ou não passa de uma lenda. 

Fica a bonita pintura a a história bíblica... 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Quem é ele?



     Esta curiosa estátua de mármore, presente no Museu do Vaticano, em Roma, representa uma estranha forma de sincretismo religioso patente nos últimos séculos do Antigo Egito. 

     Aos mais participativos, lanço o desafio de tentarem identificar esta bizarra divindade. Atenção, o que poderá parecer à primeira vista, pode ser enganador! O vencedor terá uma «mosca de ouro» ou um cone de perfume como prémio - consoante o género!

      Boa sorte!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Natureza, religião e arte


     No Museu do Louvre, em Paris, encontramos esta bela peça de faiança, que representa um hipopótamo, a qual data da época do Império Médio, c. de 2150-1765 a.C.

    Os Antigos Egípcios perspectivavam o universo a partir dos seres e dos fenómenos naturais à sua volta. Assim esta peça é um perfeito exemplo da tripla associação entre a natureza, a religião e a arte: sendo o hipopótamo um animal selvagem, perigoso e destruidor, rapidamente o associaram ao deus Set, convertendo-o num tema para propósitos artísticos como estatuetas, esculturas ou pinturas, exibindo, deste modo, o seu simbolismo como animal da divindade do caos e da desordem.

    Quem for a Paris não deixe de visitar o Museu do Louvre onde entre a Mona Lisa e outros grandiosos objectos de arte, encontramos cerca de 50 mil peças egípcias, incluindo este simpático exemplar.
     

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Eis o volume II


Depois de ter sido mostrada a capa do volume I desta obra, aqui está a bonita capa do volume II, reunindo os dois volumes (com mais de seiscentas páginas cada um) os textos dos egiptólogos portugueses, espanhóis, argentinos e brasileiros que estiveram presentes no IV Congresso Ibérico de Egiptologia que teve lugar em Lisboa em Setembro de 2010.

A obra terá uma sessão de lançamento no próximo dia 10 de outubro, uma quarta-feira, a partir das 18 horas, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras de Lisboa - exatamente no dia e no local onde terá início mais um curso livre de Egiptologia organizado pelo Centro de História da mesma Faculdade,
estando agora a decorrer as inscrições para o curso.

sábado, 15 de setembro de 2012

Setembro e as vindimas


Eis o túmulo de Sennefer em Cheikh Abd el-Gurna (TT 96), decorado na sua antecâmara com grandes vinhas em latada de onde pendem abundantes cachos de uvas. Os troncos das vides partem da base das paredes e sobem por elas cobrindo o tecto, numa provável homenagem ao deus Osíris, considerado também como o «senhor do vinho» e símbolo de ressurreição. Visitámo-lo na Páscoa de 2010.

Fontes: Dicionário do Antigo Egipto (texto) e
Localyte (foto)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

«Ancient Egyptian Ostraca Art»

«A magnificent Egyptian painting, which is about 3300 years old, depicting an Egyptian woman dancer, performing a backbend, commonly found in performances of contortion, gymnastics and dances. The backbend, which requires intense training, shows the superior professionalism, talents and high skills of the dancer.

The dancing woman, wearing a typical black dance costume and gold hoop earrings, is perfectly at ease while bending, and in total control and balance. Her curly, wavy hair is left loose, and is flowing in a natural pattern in harmony with her dance movement. But her earrings are pointed upwards, defying gravitational force, and seems a bit odd in an otherwise perfect composition of art. It is hard to believe that the artist who painted this picture is aware of the effect of gravity on her hair which is lightweight, but he ignored it in the case of the comparatively heavier earrings.

However, the admirable bala...nce of colors and high standards of artistry seen in this painting requires very high levels of expertise. Like several other Ostraka art pieces, this painting is also from the ancient Egyptian village of Deir el-Medina, home to the artisans who worked on the tombs of the Valley of the Kings in Thebes where the Pharaohs of the 18th to 20th Dynasties of the New Kingdom period (1550 BC to 1080 BC) were buried.

The artwork is painted on ostracon, singular of ostraca, which refer to pieces of pottery and fragments of limestone. Because Papyrus was expensive, ostracon was extensively used in ancient Egypt because of its durability, cheap or free availability and ease of working on it. It was the most preferred medium for not only drawing and painting, but also everyday writing, such as letters, documents, receipts, stories, prescriptions, etc.

The art piece in this picture survived in an impeccable condition despite several centuries of neglect until it was collected by Bernardino Drovetti (1776-1852), Consul General of France in Egypt. Possibly the work would not have survived so long, if it was created on any other media, other than ostraca.

Though Drovetti collected Egyptian art and antiquities in the name of France, he built up a huge personal collection for himself. In 1824, King Charles Felix (Carlo Felice Giuseppe Maria) acquired much of his personal collection consisting of 5,268 pieces, which later formed the foundation for the Museo Egizio in Turin, the second largest Egyptology museum after Cairo.»

(via Francisco Filipe Cruz, in Facebook)

Vale a pena dar uma olhadela!

 
  A todos os interessados, venho por este meio apresentar-vos um site na Internet acerca dos túmulos e locais funerários no Egito. A página do site tem o nome da divindade presente à esquerda por óbvias razões: trata-se de Osíris, senhor do mundo dos mortos, do mundo subterrâneo e do ciclo da morte e ressurreição a quem é devoto um culto quase tão antigo como a própria fundação do Duplo País.

   O site em si tem o seguinte endereço:

   www.osirisnet.net

   Todos os que quiserem ou estiverem com vontade de saber mais sobre os túmulos no Antigo Egito são gratificados com uma lista imensa de sepulturas de todos os géneros e feitios, desde as grandiosas pirâmides
de Guiza às recônditas sepulturas dos artífices de Deir-el-Medina.

   Não só tem uma lista bastante vasta, como cada túmulo apresentado contém descrições pormenorizadas da sua planta arquitectónica, da sua decoração, das suas inscrições, dos seus conteúdos, das circunstâncias da sua descoberta. Sem contar com as descrições de numerosos outros monumentos, além de diversos artigos e referências a questões religiosas e quotidianas, assim como novidades do mundo da Egiptologia. E para completar o ramalhete, existem versões 3D, versões virtuais de algumas plantas tumulares. Só não sei se podem ver nos vossos computadores essas versões tridimensionais. Eu não consegui...

   A única particularidade será o facto de o site estar apresentado em duas línguas estrangeiras possíveis - ou em Inglês ou em Francês, não em Português, infelizmente. Portanto, espero que saibam uma de ambas para lerem e compreenderem as matérias apresentadas que são muito interessantes.

   De resto acho que vale a pena dar uma olhadela! Divirtam-se!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Os Jardins de Nakht!


   Os Antigos Egípcios também se revelaram jardineiros de primeira qualidade. Durante milénios a cultivarem plantas de inúmeros tipos e espécies em hortas para a sua subsistência, gradualmente desenvolveram os jardins nos templos, nos palácios e nas residências privadas dos abastados, não só como fonte de produção alimentar e medicinal - muitas das plantas eram hortícolas e medicinais assim as árvores eram de fruto para abastecer as cozinhas e as mesas - mas também como espaço de recreio, lazer e descanso para os respectivos proprietários. 

   À medida que crescia a riqueza do Antigo Egito, especialmente no Império Novo, os jardins dos privilegiados e dos templos tornaram-se ainda mais elaborados e luxuriantes, com todo o género de plantas exóticas, flores bizarras, delicadas e belas e até mesmo piscinas e lagos com peixes e aves aquáticas como ornamentos decorativos.

   E evidentemente, quando faleciam, os Antigos Egípcios procuravam recriar os jardins na forma de modelos funerários em miniatura que sepultavam nos túmulos dos seus proprietários a fim de lhes permitir gozarem esses prazeres verdejantes na vida além da morte.
     
   A bonita imagem acima provém do túmulo de Nakht, um jardineiro real, nos princípios do século XIV a.C. - meados do Império Novo - e representa os "Jardins de Amon", do Templo de Karnak, tal como ele se lembra de os gerir e orientar. Esses jardins produziam flores, plantas e árvores para abastecimento das cozinhas, para questões medicinais e para os ritos religiosos, ligados com os ciclos da natureza e das estações do ano. Esta pintura pode ser vista no Museu Real de Arte e História, em Bruxelas, na Bélgica.


P.S. Para quem quiser saber um pouco mais sobre antiga jardinagem egípcia é favor ver o seguinte link: http://en.wikipedia.org/wiki/Gardens_of_Ancient_Egypt.

«De pequenino... »


Aqui fica uma sugestão para o público dos 8 aos 80.
A revisão científica é do Prof. Luís Manuel de Araújo.

Mais uma mudança no Egipto

«A woman presenter has appeared on Egyptian state TV in an Islamic headscarf for what is believed to be first time since it opened in 1960.

Fatima Nabil wore a cream-coloured headscarf as she read a news bulletin.

Under the regime of ex-President Hosni Mubarak there was an unofficial ban on women presenters covering their hair.

But the new Muslim Brotherhood-led government has introduced new rules, saying that nearly 70% of Egyptian women wear the headscarf. [...]» (in BBC News)

sábado, 1 de setembro de 2012

O Faraó de Prata!


   Meus caros colegas e amigos, achei este vídeo no Youtube, sobre Psusennes I, faraó da XXI dinastia, c. de 1039-991 a.C. Lamento que esteja em inglês e sem legendas, mas ainda assim pode ter interesse para aqueles que dominam o idioma e compreendem ou conhecem um pouco a história deste monarca do Terceiro Período Intermediário, cujo reinado foi um dos mais longos e importantes da época e cujo túmulo é quase tão extraordinário como o de Tutankhamon, embora muito menos divulgado ao público em geral.

   A maior curiosidade acerca de Psusennes I advém do seu espectacular sarcófago, inteiramente feito em prata - daí em parte da designação deste documentário - e a sua fabulosa máscara de ouro, que rivaliza com a Tutankhamon em beleza e estilo. Mas o resto eu remeto para o vídeo, que espero que gostem!