terça-feira, 9 de julho de 2019

Ainda Tutankhamon





Ainda acerca da pobre exposição sobre o túmulo de Tutankhamon,
que acaba por ser o chamariz e a «justificação» para exibir imbecis
e alvares «reproduções» de outras épocas históricas do antigo Egito,
poderá a organização invocar que se limitou a comprar a «artesãos
do Cairo» (até dizem que têm as «faturas») as «réplicas» expostas,
muitas delas patenteando um incrível, vil e adulterado mau gosto,
tendo ainda sido «aprovadas» pelo Museu Egípcio do Cairo, o que
é altamente duvidoso, e até insultuoso para aquela instituição.

Tudo isto para apresentar, como dizem alguns anúncios da mostra,
«uma visão única» sobre o tema... De facto, trata-se da visão muito 
deturpada e ínvia de quem adquiriu as «réplicas», algumas delas
bem conhecidas de quem visita várias lojas do Cairo onde estão
à venda, como testemunham as imagens aqui publicadas, vendo-se
na segunda foto uma das «réplicas» mais solicitadas: a máscara
funerária de Tutankhamon, em geral com um semblante esgazeado
e néscio, a que se juntam outros objetos encontrados no túmulo.

Desde que os clientes disponham da verba pedida, tudo se pode 
comprar nessas lojas, e com tais «réplicas» até se podem montar
exposições que, de uma forma despudorada, se podem travestir
com um sedutor timbre «cultural» e «pedagógico» - enfim, afinal
tudo não passa de um negócio, e negócios há muitos, mas nestas
situações convém que haja seriedade e respeito pelos visitantes
que pagaram as suas entradas no Pavilhão de Portugal, tutelado
pela Universidade de Lisboa (o que torna o caso mais triste).

Alguns alunos e amigos confessaram que em meios informáticos
adequados protestaram contra as gritantes e estouvadas anomalias
mas as suas reclamações e as suas críticas foram sistematicamente
apagadas pela organização, só lá ficam os comentários positivos.
No entanto, noutras páginas não censuradas sobreviveram alguns 
comentários do género: «A exposição foi uma desilusão total», 
 ou «A relação qualidade-preço deixa muito a desejar», e ainda
«Uma exposição a evitar, todos os objetos são réplicas com ar
duvidoso», ou «Trata-se, no fundo, de uma exploração à custa
do fabuloso achado e da magnífica história que o rodeia. Uma
exposição que é uma vergonha para o nome de Tutankhamon».

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Tutankhamon enxovalhado




Na aviltante exposição que agora decorre no Pavilhão de Portugal,
no Parque das Nações, onde o faraó Tutankhamon é enxovalhado,
não se encontram muitas «réplicas» da bela joalharia profilática 
achada no seu túmulo - o que afinal não deixa de ser gratificante,
já bastam os muitos e crassos dislates que por lá abundam, além
de que é possível ver as verdadeiras imagens em catálogos, onde
se poderão apreciar algumas peças como aquelas que aqui estão.

Na verdade, à organização daquela horrorosa e rábida exposição, 
e às pessoas que montaram o percurso expositivo e selecionaram
as «peças», apenas interessou o lucro com o preço das entradas,
porque algumas «réplicas», toscas e frustes, não deviam lá estar,
com a agravante de diversas «peças» nem pertencerem ao túmulo,
são de épocas anteriores e posteriores ao reinado do jovem faraó,
juntando-se a isto muitas legendas redigidas com demência.

A exposição acaba afinal por revelar um deplorável desrespeito
e desprezo pelo público, a quem adrede foi prometida, de acordo 
com a propaganda divulgada pela organização, uma «espetacular
recriação do túmulo», ou ainda «uma fantástica viagem», quando
o que muitos visitantes porventura experimentarão após terem
percorrido aquelas salas é uma evidente revelação do desleixo, 
incúria, ganância e ignorância da organização do evento - com
a agravante de ele ser mostrado ao público num bem conhecido 
espaço cultural que agora pertence à Universidade de Lisboa.

Tutankhamon em Lisboa



Decorre no Parque das Nações, no Pavilhão de Portugal (pertencente
à Universidade de Lisboa), uma exposição sobre o rei Tutankhamon 
que procura recriar o túmulo do famoso faraó mostrando «réplicas»
de algumas peças encontradas nesse túmulo, descoberto em 1922.

Acontece, porém, que a maior parte das legendas que acompanham
as «réplicas» mostram erros espantosos e com dislates grosseiros, 
e, em certos casos, até insultuosos para os visitantes que pagaram 
o bilhete de entrada - demasiado caro para a dececionante mostra,
a qual certamente não foi dirigida e revista por nenhum egiptólogo.

De resto, algumas daquelas «réplicas» horríveis (que se podem aliás 
comprar em diversas lojas do Cairo) nem deviam lá estar expostas 
porque desvirtuam o brilhantismo da arte funerária do antigo Egito, 
conspurcando a cultura, a ciência, a arqueologia e a história da arte
de tal forma que até os alunos do ensino básico darão pelos erros.

Ainda por cima, a organização da arrepiante exposição, promovida
por Between Planets, «Org. de Eventos Unipessoal Lda», com apoio 
da Altice, apresenta-nos tudo aquilo como sendo «uma experiência 
fascinante e pedagógica», quiçá oferecida a alunos do ensino básico 
 que, eventualmente, lá queiram ir com os respetivos docentes.

O que, em suma, se poderá retirar dessa penosa experiência que foi
a visita à exposição sobre o túmulo de Tutankhamon é a deplorável
imagem de uma organização de eventos a quem sobretudo interessa
o lucro com as entradas dos visitantes - quanto ao resto, a cultura, 
a ciência, o rigor, o respeito pela história e pela arqueologia...
ah, isso não interessa absolutamente para nada!

Redescobrir o Egito no Ocidente




Realizou-se no mês passado uma sessão na Sociedade de Geografia
 de Lisboa evocando a presença do antigo Egito no Ocidente, um tema
para o qual foram selecionadas imagens que assinalam e comprovam
um fenómeno de egiptomania e egiptofilia que remonta já aos séculos
passados mas que ainda hoje continua bem vivo e muito atraente.

A sessão decorreu no Auditório Professor Adriano Moreira, vendo-se
na última foto um aspeto parcial dessa sala, merecendo ser sublinhado
 o notável empenho organizativo dos arqueólogos Ana Cristina Martins
e João Senna-Martinez, responsáveis pela secção de Arqueologia
da Sociedade de Geografia de Lisboa.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Antigamente, em Abido





Os acessos ao belo templo-cenotáfio de Abido, uma notável obra 
de Seti I completada por seu filho Ramsés II (XIX dinastia), estão
hoje totalmente diferentes, devido aos trabalhos de beneficiação
que nos últimos anos têm sido levados a cabo pelas autoridades
arqueológicas e turísticas do Egito para benefício dos visitantes.

Hoje os acessos foram melhorados com um edifício próprio onde
se adquirem os bilhetes, com um espaço dotado de imagens que,
de algum modo, elucidam o visitante que se prepara para entrar
no grande monumento, mas antigamente, isto é, há uns seis anos, 
tudo era diferente em relação ao «restaurante» e WC público.

Atualmente existe um pequeno, simpático e muito limpo hotel
nas imediações, onde os nossos grupos almoçam, e o edifício
da receção aos visitantes do templo dispõe de casas de banho
condignas, ao contrário de anteriores viagens onde se comia
em lunch-box, debaixo de um improvisado teto de canas.

As fotos mostram o grupo que lá esteve em 2012, iniciando
o seu almoço num típico ambiente rural, e antes da partida
para a próxima visita os viajantes previnem-se, após o lauto
repasto, com a ida indispensável às casas de banho locais,  
indo, naturalmente, cada um para o seu espaço apropriado.

O descanso em Hurghada






Depois do percurso histórico-cultural, os viajantes do próximo grupo,
que estarão no Egito entre 26 de julho e 5 de agosto, terão um repouso
merecido numa estância balnear em Hurghada, desfrutando de belas
piscinas, de boa praia e das águas cálidas e azuis do mar Vermelho,
como as fotos tiradas em viagens anteriores aqui podem testemunhar.

Ajoujados de cultura e de conhecimentos, mas também relativamente
extenuados pelas visitas a tantos sítios históricos de um país cheio
de monumentos e de locais interessantes, os viajantes beneficiarão
de dois dias de um revigorante Heb-sed total, fruindo da excelente 
temperatura estival que o Egito proporciona em julho e agosto.

O Heb-sed era, no antigo Egito, um festival eivado de significado
político, religioso, mágico e social, destinado a propiciar ao faraó
reinante uma nova fase de governação porque se acreditava que ele
ficava rejuvenescido após trinta anos de reinado (em teoria, porque
na prática vários reis celebraram o Heb-sed com mais frequência).

terça-feira, 2 de julho de 2019

Eles estão quase a chegar!





«Eles estão quase a chegar!» - parece estar a dizer o primeiro camelo
aos companheiros que aguardam, ansiosamente, no planalto de Guiza,
a chegada de mais um grupo de viajantes (o nosso grupo!) que partirá 
rumo ao Egito no próximo dia 26 de julho, para uma visita de estudo
que irá ter a duração de onze dias, com o regresso a 5 de agosto.

Belas fotografias podem ser obtidas junto desses simpáticos animais
típicos da atual paisagem egípcia - sim, da atual paisagem, porque
nos antigos tempos faraónicos o camelo (dromedário) ainda não era
conhecido, e por isso mesmo não consta na imensa lista de signos 
hieroglíficos onde a fauna nilótica está muito bem representada.

Falta menos de um mês





Falta menos de um mês para mais um grupo partir para o Egito, pois 
a partida será já no dia 26 de julho, marcando o início de uma visita
de estudo que irá terminar a 5 de agosto, com uma parte de timbre 
histórico-cultural e outra de repouso, numa estância balnear junto
do mar Vermelho (que ali é mesmo azul e bastante convidativo).

Esta será a terceira viagem deste ano ao Egito, depois das duas
que exitosamente se realizaram nas férias da Páscoa, com quase
setenta pessoas, mais uma vez beneficiando do apoio científico 
do Instituto Oriental da Faculdade de Letras da Universidade 
de Lisboa com a organização da agência Novas Fronteiras.

As imagens acima publicadas, colhidas em viagens dos anos 
anteriores, deixam antever alguns sítios que serão apreciados
pelos novos viajantes que fruirão do agradável verão egípcio,
desde a paisagem, os monumentos faraónicos de conhecidos
locais históricos, mas também monumentos islâmicos.

Egito para os mais jovens em Gaia




Realizou-se no Colégio de Nossa Senhora da Bonança, situado em Gaia,
no segundo semestre letivo, agora já concluído, um workshop de Escrita 
Hieroglífica integrado no evento «FantasLíngua» que todos os anos se
leva a efeito no Colégio, tendo desta vez o antigo Egito assumido lugar
de destaque na programação por ser uma «civilização fascinante».

Por isso foi o professor egiptólogo convidado para participar, tendo
beneficiado da dinâmica organizativa das docentes do grupo de História
do Colégio (7.º ano), algumas das quais se encontram na segunda imagem, 
com relevo para a Professora Eva Baptista, que está à esquerda na foto,
vendo-se em baixo um aspeto parcial da sala onde decorreu a sessão.

O Colégio de Nossa Senhora da Bonança, das Irmãs Franciscanas
Hospitaleiras Portuguesas, tem como seu lema «Educar para humanizar»
e como digna missão promover uma aprendizagem de excelência, feliz, 
inovadora, e em interioridade cristã, sendo atualmente a sua diretora 
a Irmã Salomé Gonçalves, licenciada em Ciências Físico-Químicas.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

No templo de Ísis em Filae





A visita ao belo templo da deusa Ísis, na ilha de Filae (antiga ilha
de Agilkia), constitui um dos momentos mais significativos e mais
memoráveis das viagens ao Egito, figurando na primeira imagem
o templo visto do lado ocidental, com destaque para o imponente
primeiro pilone e para o mammisi (a casa do nascimento divino).

Antes do início da visita convém dar uma sucinta ideia da história
do local e da transferência dos monumentos para o sítio onde agora
se encontram, o que acontece no pavilhão de Nectanebo I (da XXX
dinastia, a última do antigo Egito), e a segunda fotografia recorda 
esse momento, com os visitantes a disputarem a escassa sombra.

As restantes fotos mostram o grupo na sala recôndita do templo,
onde se cultuava uma estátua da deusa Ísis, estando as paredes 
repletas de imagens da benevolente deusa, o seu esposo e irmão 
Osíris, e o filho de ambos, o jovem deus Hórus, entre outras
divindades, e ainda no pavilhão de Augusto-Trajano.

A caminho da aldeia núbia





Fomos de barco visitar uma aldeia núbia, situada na margem esquerda
do rio Nilo, e para isso passamos pela ilha Elefantina, vendo no alto
de uma colina para lá da ilha o túmulo de Aga Khan, líder espiritual
dos ismaelitas, um ramo muito ativo e empenhado do Islão de hoje.

Depois, na aldeia núbia, e feitas as compras no pequeno bazar local, 
com portas abertas para a estreita rua empoeirada e pejada de bostas 
de camelo, o grupo toma o chá na varanda de uma típica habitação
local, como atestam as duas últimas fotos desta «reportagem», após 
o que se inicia o regresso a Assuão de barco, repetindo um percurso 
habitual dos anos anteriores, e que é sempre do agrado de todos.

No templo de Karnak





A visita ao grande templo de Karnak, onde era venerado Amon-Ré,
considerado no Império Novo como «rei dos deuses» (nesu-netjeru), 
é dos espaços histórico-culturais do antigo Egito que leva mais tempo
a percorrer dada a sua imensidão - de resto, o grande templo amoniano
com as suas várias partes levou dois mil anos a ser construído e nunca
foi acabado, tendo mesmo desaparecido o seu núcleo inicial que datava
do Império Médio (e foi nesse espaço, vazio e inexpressivo, que foram
fotografados os membros do grupo escutando as explicações do guia).

Estudantes de História no Egito





Já lá vai o tempo, sobretudo nas primeiras viagens ao país do Nilo,
em que integravam os grupos muitos alunos da Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa, agora são mais escassos - rccordemos
entretanto que na primeira viagem, em 2000, iam oito alunos, e na
quinta viagem, em 2004, foram dezoito alunos e cinco professores. 

No entanto, uma vez por outra, alguns estudantes, sobretudo da área
de História, integram os grupos de viajantes, como aconteceu agora
na visita de estudo organizada recentemente na Páscoa, a qual contou
com a presença de duas alunas, Mara Sevinatti Santos (de mestrado) 
e Joana Mendes Pinto (de licenciatura), como as fotos testemunham.

Mais a Sul, em Abu Simbel





O ponto mais a sul do programa das visitas de estudo é Abu Simbel,
com os seus dois templos rupestres, o maior dedicado a Ramsés II
e outras divindades, e o mais pequeno dedicado à rainha Nefertari
e à deusa Hathor, visitas que remataram com um fruitivo espetáculo 
de som e luz (o melhor dos vários que se podem ver no Egito).