domingo, 18 de agosto de 2019

Olhando para cima e para baixo



No templo de Hórus e Sobek em Kom Ombo, bem como em outros
templos egípcios, podem ser apreciadas imagens como as que aqui 
se publicam: olhando para cima ainda hoje se veem alguns linteis, 
arquitraves e lajes de cobertura exibindo pinturas que mostram 
estrelas douradas, inscrições e abutres de longas asas, e olhando
para baixo descobrem-se grandes blocos que estiveram unidos 
pelo sistema de «cauda de andorinha», um tipo de encaixe feito
de metal ou de madeira destinado a robustecer a construção.

sábado, 17 de agosto de 2019

Uma exposição indecente



Um dos aspetos mais chocantes da indecente e aleivosa exposição
que procurava «recriar» o túmulo do famoso faraó Tutankhamon,
levada a efeito pela «Between Planets», no Pavilhão de Portugal,
e que já terminou (felizmente!!!), foi a maneira como se criaram
as legendas das «peças» expostas, as quais, como antes foi dito,
estavam quase todas pejadas de erros grosseiros e insultuosos.

Um dos mais crassos e estouvados dislates constava numa legenda
colocada em baixo de uma imagem que mostrava um rei ajoelhado,
como se pode ver nas fotos em cima, a primeira com Osorkon III, 
da XXIII dinastia (cerca de 780 a. C.), a segunda com Ramsés IX,
da XX dinastia (cerca de 1130 a. C.), em acentuada genuflexão.

Embora a qualidade destas antigas imagens não seja de facto boa,
elas servem ao menos para evocar um aspeto típico da arte egípcia
do Império Novo e Terceiro Período Intermediário, com os faraós
a exibirem a sua piedade para com os deuses em poses de humilde
veneração, mostrando os símbolos da realeza (menos a barba real).

Pois a tal horrorosa exposição no Pavilhão de Portugal, promovida
pela «Between Planets», uma empresa organizadora de eventos (!?),
exibia uma «réplica» parecida com a segunda imagem, e sabem qual 
era a legenda que lá estava por baixo? - Era isto: «Escrava egípcia».
E depois deste exemplo boçal e degradante está tudo dito.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Faltam apenas três dias


Faltam apenas três dias para a partida do segundo grupo estival
rumo ao Egito, para mais uma proveitosa visita de estudo guiada 
pelo Instituto Oriental da Faculdade de Letras da Universidade
de Lisboa em mais uma organização da agência Novas Fronteiras
esperando-se a repetição do sucesso das anteriores viagens.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Manequins no Cairo



Passeando na zona do Cairo antigo, encontram-se
milhares de lojas, lojinhas e lojecas, que vendem
um pouco de tudo, mas nos «Armazéns Jamaica»
podem-se escolher modelos de calças para todos
os gostos  -  e lá como cá os cortes já estão feitos.

Sakara, um sítio incontornável




De acordo com o programa, um dos primeiros locais a ser visitado 
é o complexo funerário do Hórus Netjerikhet Djoser, da III dinastia 
(c. 2650 a. C.), para se perceber como foi iniciada a construção
 das pirâmides do Egito, que atingirão o seu apogeu na IV dinastia
e que continuarão a ser erigidas (há cerca de oitenta pirâmides).

Mas convém cumprir, antes da visita, um importante e raro ritual,
que é oferecer salsichas e outras carninhas, que sobram do lauto
pequeno almoço no hotel, para alimentar os cãezinhos de Sakara,
esses famintos herdeiros de Anúbis, que por ali ainda continuam
e que logo se aproximam avidamente quando o nosso grupo chega.

Seguem-se as habituais visitas: o complexo funerário, com o seu
pátio do Heb-sed (para o rejuvenescimento eterno), as capelas 
do Norte e do Sul, seguindo-se as mastabas de Mereruka e Ti,
e ainda a pirâmide de Teti (VI dinastia), rematando-se a manhã
com a visita ao bem organizado Museu Imhotep, em Sakara.

Embarcando com euforia


Eis uma selfie bem oportuna a testemunhar o momento de embarque
com alguns elementos do grupo exibindo eufóricos os passaportes
e o bilhete para entrada no avião, vendo-se em primeiro plano três
alunas animadas: a Isaura e a Catarina, finalistas da licenciatura
em História da Arte na Faculdade de Letras de Lisboa, e a jovem
Margarida, aluna do ensino secundário, mas já uma fã do Egito.

Templos de Kom Ombo e Edfu





Atracado o barco em Kom Ombo, seguiu-se a visita do templo local
dedicado aos deuses Hórus e Sobek, que hoje se apresenta bastante
arruinado, mas ainda assim capaz de dar uma ideia da sua grandeza
antiga, sendo de destacar um relevo que mostra vários instrumentos 
cirúrgicos datados do período romano (mostrados na foto de cima).

Depois, continuando a viagem para norte, o barco detém-se em Edfu
para uma curta viagem de charrete que leva os visitantes ao templo
do deus Hórus, o mais bem conservado do antigo Egito, merecendo
destaque as suas elegantes e altas colunas e o santuário recôndito,
onde os médicos Olinda e Paulo Marques se fizeram fotografar. 

O belo cruzeiro no rio Nilo





Durante três inesquecíveis dias o grupo fruiu de um belo cruzeiro
no rio Nilo, a bordo do «Crown Jubilee», que ia parando quando
chegava o momento de visitar os templos ao longo do percurso,
como sucedeu em Kom Ombo e em Edfu, entre Assuão e Lucsor.

Tempo não falta para apreciar as margens úberes e frondosas,
por vezes com o deserto fulvo e montanhoso quase junto do rio,
mas também é uma boa ocasião para falar da história e cultura
do antigo Egito, esclarecendo questões pendentes das visitas.

Do amanhecer ao anoitecer, em suave e romântica navegação,
é só apontar a máquina fotográfica (ou, agora, o telemóvel)
para captar belas imagens, quer com os viajantes em amena
conversa no convés, quer com o belo pôr do sol nilótico.

No hotel em Lucsor




Depois das visitas histórico-culturais sabe bem repousar no hotel,
sobretudo se ele for de alta qualidade, como é sempre o nosso caso,
dado que a agência «Novas Fronteiras» escolhe com todo o cuidado
e com muito critério os hotéis onde ficamos instalados na viagem.

Foi o que sucedeu, uma vez mais, em Lucsor, onde existem muitos 
monumentos para serem vistos, mas também houve tempo para lazer
e merecido repouso no hotel que se pode ver na primeira imagem, 
numa instalação renovada adquirida pelo grupo Steigenberger.

Da ampla esplanada da área da piscina via-se a margem esquerda
de Lucsor, a margem ocidental, onde se situam várias necrópoles
e templos funerários, com relevo para o de Hatchepsut  -  ah, mas
a piscina do hotel também se revelou um belo monumento.

«Festa egípcia» a bordo




Mantendo uma divertida tradição, realizou-se a bordo do navio
onde fizemos o cruzeiro no rio Nilo uma «festa egípcia», vendo-se
na primeira imagem alguns dos membros do grupo que se vestiram
com «trajes regionais» para um momento de descontraído lazer.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Só falta uma semana



Ainda há poucos dias viemos do Egito e em breve lá voltaremos,
pois falta apenas uma semana para o segundo grupo de viajantes
partir para mais uma visita de estudo que será acompanhada pelos
três guias habituais: o docente e egiptólogo da Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa, a guia Teresa Neves da agência Novas
 Fronteiras, e o guia egípcio Mustafa el-Ashabi, que aqui se veem
 em fotos obtidas na viagem anterior, no belo templo de Dendera.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Em Guiza, no calor do Verão


No segundo dia da viagem estivemos no planalto de Guiza para ver
as famosas pirâmides erigidas naquele local pelos reis da IV dinastia
do Império Antigo, Khufu, Khafré e Menkauré, entre 2600 e 2500 a. C., 
num dia de intenso calor, mesmo típico do escaldante Verão egípcio.

O pequeno grupo de viajantes é aqui ladeado pela guia Teresa Neves, 
exibindo uma bandeirinha da agência «Novas Fronteiras» (impecável, 
como sempre), e pelo imprescindível guia egípcio Mustafa el-Ashabi, 
com uma pequena bandeira portuguesa que sempre o acompanha.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

O Cairo e a Lufthansa botsuânica


No regresso de mais uma bela viagem ao Egito, eis a primeira imagem
de uma série que pretende evocar a semana e meia que fruímos no país
dos faraós, visitando os principais sítios histórico-culturais do antigo
Egito, sempre com uma envolvente temperatura estival, quer ao longo do
percurso pelo rio Nilo quer em Hurgada, nas margens do mar Vermelho.

Esta foto não mostra todo o grupo de viajantes desta viagem de Verão,
porque uma parte do grupo teve de seguir pelo Dubai para depois voltar
ao Egito, outros foram por Atenas (em ambos os casos sem poder sair
dos respetivos aeroportos), tudo por causa do cancelamento do voo
que deveria partir de Lisboa para Frankfurt no dia 26 de julho.

De facto, a Lufthansa nesse dia cancelou de forma inopinada o voo
por razões que nunca foram suficientemente explicadas, seguindo-se
depois uma lamentável confusão, com os viajantes a recuperarem 
as suas malas e a procurarem voos alternativos, que no nosso caso
foram o Dubai (Emirates) e Atenas (Aegean), separando-se o grupo.

A Lufthansa, que é considerada uma das melhores companhias aéreas
do mundo, acabou por ter um comportamento desastrado no voo 1169
Lisboa-Frankfurt, com horas perdidas a recuperar as malas e muitos
passageiros desesperados, como um casal dinamarquês a perguntar
se o voo pura e simplesmente cancelado não seria da Air Zimbabué,
enquanto um turista inglês julgava que seria antes da Air Botsuana.

Com o comportamento botsuânico e terceiro-mundista da Lufthansa,
valeu a longa experiência desenvolta da agência Novas Fronteiras, 
e tudo se resolveu com voos alternativos, fazendo com que o grupo
chegasse finalmente ao Cairo em dias diferentes - mas o programa
previsto para as visitas na área foi cumprido para agrado de todos.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Iala bina - Lá vamos nós!


Iala bina, lá vamos nós! - podem exclamar com júbilo os que partem.
A poucas horas da partida para o Egito de mais um grupo de viajantes,
para onze dias muito frutuosos e deveras agradáveis com o acolhedor
verão egípcio, resta desejar aos que partem uma boa viagem, e aos que 
cá ficam boas férias, seja na praia, no campo, na aldeia ou na cidade.

A imagem acima foi obtida no grande templo de Amon, em Karnak, 
na zona norte da cidade de Lucsor, vendo-se aqui um impressionante 
escaravelho de granito, do reinado de Amen-hotep III (XVIII dinastia,
c.1390-1353 a. C.), entre dois obeliscos: o da esquerda é de Tutmés I
e o da direita é da sua filha, que foi a rainha-faraó Hatchepsut.

Estaremos em breve no templo de Karnak, um roteiro obrigatório 
das nossas visitas, tal como no templo de Lucsor, a que se juntam
os monumentos e túmulos da margem ocidental, para já não falar 
de outros sítios onde ficam os templos de Kom Ombo, Edfu, Filae,
as pirâmides de Guiza, a necrópole de Sakara, e muito mais...

quinta-feira, 25 de julho de 2019

É já amanhã...


É já amanhã que parte mais um grupo de viajantes para o Egito, 
seguindo via Frankfurt para o Cairo, de novo com a orientação
científica e cultural do Instituto Oriental da Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa e a realização prática da agência 
«Novas Fronteiras», com a experiente guia Teresa Neves.

Boa viagem!

quarta-feira, 17 de julho de 2019

A pirâmide “torta” do Egipto abriu-se ao turismo


«A pirâmide “torta” do Egipto abriu-se ao turismo
Primeiro, estranha-se. Depois, fica-se a saber que afinal a estrutura com 4600 anos é um marco na construção das pirâmides.»
(Fugas/Público e Reuters, 17 de Julho de 2019)

terça-feira, 16 de julho de 2019

Como Filae era antes...



Uma foto ilustrativa da região onde se situava o templo de Ísis, em Filae, datada de 1906 é bastante sugestiva do risco que muitos antigos monumentos egípcios podiam sofrer com as agruras do tempo, particularmente devido aos elementos como vento e água e as ações pouco cuidadosas do Homem. Após a construção da Primeira Barragem de Assuão, o templo de Ísis sofreu com as inundações daí advindas como é patente na foto. Levaram 60 anos e a construção da Grande Barragem de Assuão no tempo de Nasser para decidir em arrancá-lo do local visível na foto e colocá-lo na ilha atual: Agilkia. Vá lá, antes tarde do que nunca...



Tradições egípcias no início do Cristianismo.

    
   Uma interessante observação: o que servia aos antigos, servia às gerações posteriores. Caso do papiro, que mesmo 3 mil anos após o início do Antigo Egito e com a sua completa absorção pelo Império Romano e ruína da sua antiga religião pela ascensão do Cristianismo, continuaria a ser o mais usado suporte de escrita. Eis a notícia que vos apresento a esse respeito, do escritor Luiz Fernando P. Sampaio:


"Uma carta na coleção de papiros da Basileia descreve assuntos do dia a dia de uma família e ainda é único à sua própria maneira: fornece conhecimentos valiosos sobre o mundo dos primeiros cristãos no Império romano, que não foram registrados em nenhuma outra fonte histórica. A carta foi datada de meados da década de 230 d.C., sendo assim, mais antiga que as outras evidências documentais do Egito romano previamente conhecidas.
Os primeiros cristãos do Império romano são frequentemente retratados como excêntricos, que se retiraram do mundo e eram ameaçados por perseguição. Isso é contrariado pelo conteúdo da carta do papiro P.Bas. 2.43 da Basileia. A carta contém indicações de que no início do século terceiro cristãos estavam vivendo fora das cidades, na região do interior, onde mantinham posições políticas de liderança e não diferiam do seu ambiente pagão nas suas vidas cotidianas.

Uma família com crenças cristãs
O papiro P.Bas. 2.43 está sob posse da Universidade da Basileia por mais de 100 anos. É uma carta de um homem chamado Arrianus para o seu irmão Paulus. O documento se destaca da massa de cartas preservadas do Egito greco-romano por sua fórmula de saudação final: após reportar sobre assuntos familiares cotidiano e pedir pelo melhor molho de peixe como um souvenir, o autor da carta usa a última linha para expressar seu desejo de que seu irmão prospere “no Senhor”. O autor usa a forma abreviada da frase cristã “Eu oro para que você esteja bem ‘no Senhor’”.
«O uso dessa abreviação – conhecida como um nomen sacrum nesse contexto – não deixa dúvidas sobre as crenças cristãs do autor da carta», diz Sabine Huebner, Professora de História Antiga na Universidade da Basileia. «É uma fórmula exclusivamente cristã com a qual estamos familiarizados dos manuscritos do Novo Testamento». O nome do irmão também é revelador, Huebner segue explicando: «Paulus era um nome extremamente raro naquele tempo e podemos deduzir que os pais mencionados na carta eram cristãos e haviam nomeado o filho deles com o nome do apóstolo, já no início dos anos 200 d.C.».

Determinando data e origem
Através de extensa pesquisa prosopográfica, Huebner foi capaz de traçar o papiro até a décadas de 230 d.C. Isso faz com que a carta tenha pelo menos 40 ou 50 anos a mais do que todas as cartas documentadas mundialmente. Ela também fornece detalhes importantes sobre o contexto social dessa antiga família cristã: Arrianus e seu irmão Paulus eram jovens, filhos letrados de uma elite local, proprietários de terra e funcionários públicos.
O local do papiro também foi reconstruído com sucesso: ele veio da vila de Theadelphia [atual Batn el-Harit] na parte central do Egito e pertencia ao famoso arquivo Heroninos, o maior arquivo de papiros do período romano.
A carta está no coração da nova monografia de Huedbner, Papyri and the Social World of the New Testament [lançada em Julho]. O livro dela se destina a um público amplo e mostra como o papiro do Egito greco-romano pode ajudar a ilustrar a vida, social, política e econômica dos primeiros cristãos. Além disso, esse ano todos os papiros da Basileia aparecerão numa edição impressa pela primeira vez nos suplementos do Archiv für Papyrusforschung. A publicação digital apareceu em Junho de 2019 na base internacional Papyri.info."


Traduzido de:
University of Basel. The world’s oldest autograph by a Christian is in Basel. 11 Jul. 2019. Disponível em: https://www.unibas.ch/en/News-Events/News/Uni-Research/The-world-s-oldest-autograph-by-a-Christian-is-in-Basel.html. Acesso em: 14/07/19.

Link: https://antigoegito.org/o-autografo-mais-antigo-de-um-cristao-esta-num-papiro-egipcio/

terça-feira, 9 de julho de 2019

Ainda Tutankhamon





Ainda acerca da pobre exposição sobre o túmulo de Tutankhamon,
que acaba por ser o chamariz e a «justificação» para exibir imbecis
e alvares «reproduções» de outras épocas históricas do antigo Egito,
poderá a organização invocar que se limitou a comprar a «artesãos
do Cairo» (até dizem que têm as «faturas») as «réplicas» expostas,
muitas delas patenteando um incrível, vil e adulterado mau gosto,
tendo ainda sido «aprovadas» pelo Museu Egípcio do Cairo, o que
é altamente duvidoso, e até insultuoso para aquela instituição.

Tudo isto para apresentar, como dizem alguns anúncios da mostra,
«uma visão única» sobre o tema... De facto, trata-se da visão muito 
deturpada e ínvia de quem adquiriu as «réplicas», algumas delas
bem conhecidas de quem visita várias lojas do Cairo onde estão
à venda, como testemunham as imagens aqui publicadas, vendo-se
na segunda foto uma das «réplicas» mais solicitadas: a máscara
funerária de Tutankhamon, em geral com um semblante esgazeado
e néscio, a que se juntam outros objetos encontrados no túmulo.

Desde que os clientes disponham da verba pedida, tudo se pode 
comprar nessas lojas, e com tais «réplicas» até se podem montar
exposições que, de uma forma despudorada, se podem travestir
com um sedutor timbre «cultural» e «pedagógico» - enfim, afinal
tudo não passa de um negócio, e negócios há muitos, mas nestas
situações convém que haja seriedade e respeito pelos visitantes
que pagaram as suas entradas no Pavilhão de Portugal, tutelado
pela Universidade de Lisboa (o que torna o caso mais triste).

Alguns alunos e amigos confessaram que em meios informáticos
adequados protestaram contra as gritantes e estouvadas anomalias
mas as suas reclamações e as suas críticas foram sistematicamente
apagadas pela organização, só lá ficam os comentários positivos.
No entanto, noutras páginas não censuradas sobreviveram alguns 
comentários do género: «A exposição foi uma desilusão total», 
 ou «A relação qualidade-preço deixa muito a desejar», e ainda
«Uma exposição a evitar, todos os objetos são réplicas com ar
duvidoso», ou «Trata-se, no fundo, de uma exploração à custa
do fabuloso achado e da magnífica história que o rodeia. Uma
exposição que é uma vergonha para o nome de Tutankhamon».

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Tutankhamon enxovalhado




Na aviltante exposição que agora decorre no Pavilhão de Portugal,
no Parque das Nações, onde o faraó Tutankhamon é enxovalhado,
não se encontram muitas «réplicas» da bela joalharia profilática 
achada no seu túmulo - o que afinal não deixa de ser gratificante,
já bastam os muitos e crassos dislates que por lá abundam, além
de que é possível ver as verdadeiras imagens em catálogos, onde
se poderão apreciar algumas peças como aquelas que aqui estão.

Na verdade, à organização daquela horrorosa e rábida exposição, 
e às pessoas que montaram o percurso expositivo e selecionaram
as «peças», apenas interessou o lucro com o preço das entradas,
porque algumas «réplicas», toscas e frustes, não deviam lá estar,
com a agravante de diversas «peças» nem pertencerem ao túmulo,
são de épocas anteriores e posteriores ao reinado do jovem faraó,
juntando-se a isto muitas legendas redigidas com demência.

A exposição acaba afinal por revelar um deplorável desrespeito
e desprezo pelo público, a quem adrede foi prometida, de acordo 
com a propaganda divulgada pela organização, uma «espetacular
recriação do túmulo», ou ainda «uma fantástica viagem», quando
o que muitos visitantes porventura experimentarão após terem
percorrido aquelas salas é uma evidente revelação do desleixo, 
incúria, ganância e ignorância da organização do evento - com
a agravante de ele ser mostrado ao público num bem conhecido 
espaço cultural que agora pertence à Universidade de Lisboa.