quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Professor Luís de Albuquerque

 



Foi com imenso agrado que recentemente numa ida a Porto
Salvo, no concelho de Oeiras, encontrámos numa placa que
indicava uma rua o nome do Professor Luís de Albuquerque
(1917-1992), um brilhante docente e investigador e também
empenhado democrata, exímio especialista de matemática e
de engenharia geográfica, além de historiador e cartógrafo,
tendo sido governador civil de Coimbra após o 25 de Abril.

A placa toponímica de uma pacata rua de Porto Salvo, uma
justa homenagem a uma figura maior da cultura portuguesa
do século XX, apresenta um erro na data de nascimento que
devia ser 1917, e não 1918 como lá está gravado, atendendo
a que o consagrado docente universitário nasceu em Lisboa 
no ano que aqui corretamente se indica, tendo vivido muito
tempo em Coimbra, em cuja Universidade seria vice-reitor.

Embora tenha obtido a licenciatura em Ciências Matemáti-
cas (1939) e em Engenharia Geográfica (1940) em Lisboa,
doutorou-se em Matemática na Universidade de Coimbra,
e foi nesta cidade que prosseguiu a sua carreira docente até
à sua jubilação académica em 1987, merecendo destaque o
seu cargo de diretor da Biblioteca Geral da Universidade 
de Coimbra, a quem depois doou a sua biblioteca pessoal.

Como historiador dos descobrimentos portugueses, teve um
grande mérito científico, que foi aplicar o rigor matemático
à História da Náutica e da Marinha, tendo estudado a fundo
as técnicas de navegação astronómica e ainda a cartografia,
elementos fundamentais para compreender o sucesso ímpar
das viagens dos navegadores portugueses dos séculos XV e
XVI, temas que lecionou na Faculdade de Letras de Lisboa.

Além de notável docente universitário e de investigador, foi
um escritor prolífico, sobretudo na área temática de viagens
náuticas relacionadas com a expansão portuguesa universal,
e foi neste contexto que me tornei Amigo do professor Luís
de Albuquerque por ter revisto o seu texto para um volume
das Edições Alfa sobre os descobrimentos portugueses, em
1984, além de ter com ele colaborado em várias atividades 
da Associação de Amizade Portugal-Coreia, aqui evocadas 
com a foto em baixo, obtida num congresso em Nova Deli,
na Índia, sobre a reunificação da Coreia (1982), onde estou
com o professor Luís de Albuquerque, e a Natália da Fé de
Araújo, secretária da Associação, sendo eu secretário-geral.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

O rei Kheperkheperuré Ai

 

Na verdade o faraó Kheperkheperuré Ai, de finais da notável
XVIII dinastia, é pouco conhecido, até porque reinou apenas
quatro anos (c. 1323-1320 a.C.), tendo deixado poucos dados
históricos e arqueológicos, com a agravante de o breve poder
de que desfrutou ter sido banido e apagado por Horemheb.

Uma das mais evidentes e conhecidas provas do seu reinado,
praticamente sem documentos expressivos, pode ver-se num
evento mítico-ideológico pintado numa parede do fruste mas
bem recheado túmulo de Tutankhamon, a quem ele sucedeu,
pondo um fim claro ao período «revolucionário» de Amarna.

A imagem da direita mostra uma imagem restaurada do faraó
Kheperkheperuré Ai numa placa vidraçada do Grande Museu
Egípcio, que se inspira na verdadeira imagem desse rei como
consta no túmulo de Tutankhamon (na foto da esquerda), em
que o jovem faraó defunto se perfila na pose do deus Osíris.

Em cima da figura de Tutankhamon a legenda hieroglífica do
rei osirificado apresenta-o como deus beneficente, senhor das
Duas Terras, senhor das coroas, rei do Alto e do Baixo Egito,
Nebkheperuré, filho de Ré, Tutankhamon, governante de He-
liópolis do Sul (ou Ermant), dotado de vida, eternamente.

À frente dele encontra-se o seu herdeiro Kheperkheperuré Ai
já com 60 anos, a proceder ao ritual de abertura da boca, com
um símbolo mágico (setep), estando coberto por uma vistosa
pele de leopardo, porque está a exercer funções sacerdotais a
favor de seu «pai», com 18 anos, tão precocemente falecido.

À frente do novo faraó, que exibe a coroa azul, pode ler-se a
seguinte legenda:  Deus beneficente, senhor das Duas Terras,
senhor de criações (ou seja, «fazedor de coisas»), rei do Alto 
e do Baixo Egito, Kheperkheperuré, filho de Ré, It-netjer Ai,
dotado de vida como Ré, eternamente, para sempre.

De novo no Âmbito Cultural

 



Pelo décimo segundo ano consecutivo, teve início na semana
passada mais um curso livre sobre o antigo Egito, no Âmbito 
Cultural de El Corte Inglés, que uma vez mais compôs a sala
do 6.º piso onde decorre o curso, sempre com muitas pessoas 
interessadas no tema a quem são distribuídos textos de apoio,
aludindo as imagens aqui publicadas à 3.ª sessão (a história).

O curso que é inteiramente gratuito, e que implica a inscrição
prévia, está, como em anos anteriores, gizado em seis sessões:

1.ª sessão - A geografia do antigo Egito: a terra negra
2.ª sessão - Os habitantes do antigo Egito: o «gado de deus»
3.ª sessão - A história: ascensão, apogeu e queda
4.ª sessão - A religião: os deuses e os templos
5.ª sessão - Uma arte para a eternidade
6.ª sessão - Egiptologia e egiptomania

domingo, 6 de setembro de 2026

Encontro de viajantes

 


Um grupo de amigos que gostam de viajar pelos vários locais
histórico-culturais do nosso país reuniu-se no domingo, dia 6
de setembro, em casa do simpático casal Rosa e Jorge Carmo
que mais uma vez mostraram que são excelentes anfitriões de
requintado gosto culinário e dinamizadores de estimulantes e
profícuas conversas com o tema das viagens algures e não só.

Seguindo para um pacato bairro de Porto Salvo para a singela
e acolhedora vivenda destes incansáveis viajantes puderam os
comensais atacar com pantagruélico denodo uma magnífica e
apetitosa carilada de camarão, com alvo arroz a condizer, que
deleitou os partícipes, rematando com sobremesas deliciosas,
não faltando o café e as bebidas espirituosas (e pecaminosas).

Depois não faltou tempo para recordar as peripécias de várias
viagens ao estrangeiro, com cenas memoráveis, ocorridas nos
diversos países visitados, tendo as diversas bebidas servidas à
refeição contribuído para a animação, incluindo a Amélia que
preferiu consumir vinho sem álcool (?!), mas deu para evocar
o Egito, Turquia, Creta, Irão, Iraque, Chipre, Malta, México...

sábado, 5 de setembro de 2026

Piramidion de Amenemhat III

 



O rei Amenemhat III, da XII dinastia do Império Médio, fez
erguer para si próprio duas pirâmides, uma em Hauara onde 
ficou sepultado, e outra anterior em Dahchur, conhecida por
«pirâmide negra», que é aquela que estas imagens mostram.
Desta pirâmide preservou-se um bloco de basalto polido, de
forma piramidal, conhecido como piramidion, para fechar a
construção em cima, que se vê na primeira foto, e que agora
está exposto no antigo Museu Egípcio do Cairo (JE 35133).

A pirâmide, cuja altura era de cerca de 80 m, com uma base
de 105 m, foi erigida em tijolo (como se pode ver na foto ao
centro, obtida em finais do século XIX, nas escavações de J.
de Morgan), sendo revestida depois com blocos de calcário.
O piramidion, com 1,40 m de altura e um peso superior a 4 
toneladas, está decorado em todas as suas quatro faces com 
belos hieróglifos gravados na dureza da pedra, vendo-se na
foto de cima a sua face oriental virada para o nascer do sol.

Ao centro vê-se uma representação do disco solar alado, que
é a imagem do rei divinizado no céu, permitindo a leitura de
«Amenemhat contempla a beleza do sol», e a partir do disco
solar estão os nomes reais. Lado direito: rei do Alto e Baixo
Egito Nimaetré, dotado de vida eternamente; lado esquerdo:
filho de Ré, Amenemhat, dotado de vida eternamente. Note-
-se o virtuosismo estético do enquadramento gráfico unindo
harmoniosamente o conjunto, como é típico da XII dinastia.

A tradução do texto da primeira linha é a seguinte: Palavras
a dizer: Que se abra o olhar do rei do Alto e do Baixo Egito,
senhor das Duas Terras,  Nimaetré, que ele veja o senhor do
horizonte navegando no céu, e que este faça aparecer o filho
de Ré Amenemhat como um deus e uma estrela imperecível.
Na linha de baixo: Palavras a dizer pelo soberano: Eu dou o
belo horizonte às Duas Senhoras, tomei a herança das Duas
Terras para que nelas repouse, fruindo o céu. Palavras ditas
pelo horizonte: que nelas repouses, fruindo o céu.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Despedida do Egito

 


Depois de no penúltimo dia de viagem termos estado no Khan
el-Khalili, o típico e imenso bairro comercial do Cairo, e ainda
no Grande Museu Egípcio (imagens em cima), chegou o triste
dia da despedida - mas com os viajantes contentes e ajoujados
de cultura, de história e de conhecimentos (imagens de baixo).

Vendo o Egito copta

 

Os nossos grupos de viajantes não percorrem apenas os sítios
históricos com os monumentos evocativos do Egito faraónico
também visitam vestígios do Egito islâmico e do Egito cristão
que a cidade do Cairo preserva, mostrando as imagens a visita
à Igreja Suspensa, no bairro copta, onde também foram vistas
as igrejas de S. Sérgio e S. Baco (a Igreja da Sagrada Família)
mais a de Santa Bárbara, seguindo depois para a zona cairota
de Abasseia, para uma visita à grande catedral do patriarcado
copta, onde raros grupos de turistas vão (imagem da direita).

Egito: festa e cultura


Tal como aconteceu com os grupos anteriores que viajaram
para o Egito, também desta vez, na viagem que decorreu de
19 a 29 de agosto, houve os momentos para a festa, como se
pode ver na imagem de cima, e para a cultura, com as várias
visitas culturais a importantes sítios históricos do passado, e
as duas imagens legendadas atestam a presença do pequeno
mas interessante e interessado grupo em Sakara e em Edfu.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

No planalto de Guiza


Quem vai ao Egito com frequência notará certamente grandes
mudanças em diversos sítios arqueológicos em especial numa
das zonas turísticas mais visitadas, que é o famoso planalto de 
Guiza, onde foram erigidas as pirâmides para três poderosos e 
célebres reis da IV dinastia: Khufu, Khafré e Menkauré, cujos
nomes estão escritos em formas onomásticas que o Ministério
das Antiguidades achou mais certo em termos internacionais.

O acesso ao vasto planalto de Guiza é feito agora por um lado 
contrário à antiga entrada, situada a sul, atendendo a que esse
lado está a ser ligado ao Grande Museu Egípcio por um longo
passadiço com cerca de 2 quilómetros de extensão, antevendo
a sua conclusão em dois anos. Note-se nestas imagens a nova
entrada com uma inscrição hieroglífica «Grande entrada para
as pirâmides» e o nome de Khafre (ou Khafré em português).

Chegada para a procissão

 


No dia seguinte à chegada do Egito pudemos assistir ao final
das festas de Nossa Senhora da Praia, que todos os anos têm
lugar na Praia das Maçãs, durante cinco dias, rematadas pela
tradicional procissão que percorre as ruas principais, sendo o
festivo evento aqui recordado com esta seleção de imagens.

De uma varanda da casa, tivemos um lugar privilegiado para 
assistir à procissão, que abriu com seis briosos cavaleiros da
GNR, tendo a participação de duas bandas, de Almoçageme
e de Colares, que abriam e fechavam o cortejo de andores, o
mais engalanado dos quais era o de Nossa Senhora da Praia.

Presidiu à emocionante cerimónia religiosa o cardeal emérito 
de Lisboa, D. Manuel Clemente, tendo a procissão seguido o
percurso habitual que levou os andores até ao areal da praia e
teve como momento alto a passagem de uma avioneta, a qual
lançou do alto sobre a multidão uma bonita chuva de pétalas.

As festas em honra de Nossa Senhora da Praia são também
caraterizadas pelos muitos espaços de tendas e rulotes com os
mais diferentes produtos regionais e acepipes gastronómicos,
tendo a programação incluído concertos musicais de diversos
grupos além de alegres atividades lúdicas para toda a família.

Um dos mais marcantes e emotivos momentos no decurso da 
procissão é a paragem do cortejo junto do restaurante Búzio 
cujos proprietários todos os anos desenvolvem a sua benéfica
e cívica atuação em prol do sucesso da festa, com relevo para
o dinâmico António Mateus Cruz, um exemplo de altruísmo.

Ler e ver na viagem ao Egito

 


Nas nossas viagens ao Egito aos participantes tempo não falta
para apreciarem artefactos e monumentos cheios de inscrições
hieroglíficas, por isso há muito para ver e para ler, começando
por livros em português sobre o antigo Egito como aquele que
é mostrado na primeira imagem sobre mitos e lendas egípcias,
e que a agência de viagens «Novas Fronteiras» generosamente
oferece aos seus viajantes que escolhem o Egito como destino.

Sob o auspicioso signo do ka

 


O excelente navio de cruzeiro Star Goddess que durante três
inesquecíveis dias nos levou pelo Nilo de Lucsor até Assuão,
passando pela grande comporta de Esna, Edfu e Kom Ombo,
dispunha de uma pequena mas bonita piscina situada à proa,
onde alguns viajantes se banharam amenizando o escaldante
calor que se fazia sentir com aqueles restauradores 40 graus,
propiciando aos excursionistas um esplendoroso bronzeado.

A foto de cima mostra os banhistas captados em flagrante na
piscina, que pela sua inédita disposição na parte da frente do 
barco até parece que estavam mesmo dentro do rio, fazendo 
o gesto do ka com as suas mãos erguidas, que se poderá ver  
na imagem em baixo numa vitrina do antigo Museu Egípcio 
do Cairo, com outros objetos fúnebres, desde o barco com o
corpo de um defunto e duas estatuetas funerárias de faiança.

All aboard!

 



Conforme indicam as datas que acima se veem, estivemos no
Egito no agradável tempo de agosto, numa viagem de grande
sucesso, a qual incluiu o tradicional cruzeiro no plácido Nilo, 
um rio que proporciona boas paisagens em ambas as margens
para deleite dos viajantes que se sentiram vogando num oásis
de paz e de repouso, a bordo do Star Goddess, um belo navio,
numa feliz escolha da dinâmica agência «Novas Fronteiras».

Recordações de Verão


O Verão está a acabar mas dele ficaram boas recordações, como
um domingo passado em Janas, na aprazível quinta dos amigos
Artur Álvaro Pereira e Rita Araújo Pereira, como mostram estas
imagens fruindo da bela piscina, ainda uma enriquecedora visita
 ao Alto Alentejo, com o Professor José Varandas, e uma viagem 
memorável de dez dias ao Egito, de onde regressámos há pouco.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Um belo agosto no Egito




Estamos prestes a partir para o Egito, para mais uma viagem,
e desta vez com o calor reconfortante e rejuvenescedor do sol 
de agosto, num país onde não há humidade e que proporciona
belas banhocas na piscina do hotel e na pequena mas fruitiva
piscina do barco que nos levará em cruzeiro pelo rio Nilo, de
Lucsor para Assuão, com a solicitude das Novas Fronteiras.

Eis os guias da viagem, são os mesmos de sempre.

Do México ao Irão e Egito

 



Estas imagens soltas recordam viagens passadas, pelo México,
o Irão e o Egito, com grupos de viajantes que certamente ainda
hoje se lembrarão dos belos momentos passados nesses países,
com monumentos que ficaram na memória, como o templo de
Chichen Itzá no México, um palácio kadjar em Teerão, e uma
fotografia que está a ser tirada no alto da Cidadela no Cairo.

Arquivos de viagens

 

Estando em fase de arrumação de álbuns de viagens (eles são
dezenas) vão-se descobrindo fotografias soltas e que estavam
fora dos seus sítios apropriados de arquivo memorial, como é
o caso destas imagens que documentam viagens ao México,
à Turquia, ao Egito e à Guatemala, posando com viajantes.

Em cima com o Miguel Araújo, num bar da Riviera maia, ao
lado com o sempre animado Eric Ulrix na Turquia, e depois
com um casal amigo na tradicional «festa da galabeia», num
barco de cruzeiro pelo rio Nilo, e por fim com Jorge Carmo,
algures na Guatemala, tudo sítios onde se espera regressar.

Dicionário do Antigo Egipto

 

Há 25 anos editou-se o Dicionário do Antigo Egipto
e os 3000 exemplares que foram impressos depressa se
esgotaram testemunhando um claro interesse pelo livro
e justificando amplamente a sua edição pela Caminho.

Na obra colaboraram vinte egiptólogos e egiptólogas, e
além disso foi deveras enriquecida pela colaboração de 
vários orientalistas e classicistas de mérito, alargando o 
espaço e o âmbito histórico-cultural do meritório livro.

Os animais da quinta

 



Na sua quinta, ali algures para os lados de Vagos, o egiptólogo
Telo Canhão possui, além de aves de capoeira que antes vimos
em anterior notícia, algumas ovelhas (bem felpudas) e cabras,
mas o belo bode que antigamente tinha, evocando a divindade
Banebdjedet, cultuada em Tânis (no Delta), já lá não está.

Andando à vontade pelo quintal, mas sobretudo no aconchego
do interior da casa, ainda há um cão chamado Tico e uma gata
chamada Celeste, que aqui posam para a fotografia: o cão não
é certamente o canídeo de Anúbis e a gatinha não será Bastet,
mas nem por isso deixam de merecer as devidas atenções. 

No templo de Khonsu

 



Raros grupos de viajantes se deslocam ao templo de Khonsu, 
inserido no vasto complexo templário de Karnak, dedicado a
Amon, chamado «rei dos deuses» (nesu-netjeru), pai do deus
Khonsu, e em cujo templo nós estivemos antes da pandemia.

Trata-se de um pequeno e exemplar templo egípcio, mandado
construir por Ramsés III, no século XII a. C., sendo decorado
no interior com imagens da época do sumo sacerdote Herihor
(XXI dinastia), mostrando um grande portal de Ptolemeu III.

Foi muito restaurado por especialistas do Instituto Oriental da
Universidade de Chicago, e a visita é bastante compensadora,
propiciando leituras interessantes de diversas inscrições com
timbre político-ideológico sobre o começo da XXI dinastia.

O exercício de leitura está documentado nestas imagens, que
procuram recordar essa visita e a ginástica que foi necessário
fazer para esclarecer que o nome de Ramsés que ali se podia
interpretar não era o de Ramsés II mas sim o de Ramsés III.

Gansos egiptológicos

 

O egiptólogo Telo Canhão que agora está fruindo de uma justa
e pacata reforma, tem na sua quinta algumas aves de capoeira,
entre as quais sobressaem os bonitos gansos que aqui se veem
com uma bela ninhada, evocando os gansos do Antigo Egito, e
o mais típico exemplo são os gansos de Meidum (que estão em
cima), figurados na mastaba de Nefermaet, vizir da V dinastia.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Em memória de José Ramos

 


Durante os momentos tristes do velório fúnebre do Professor
Doutor José Augusto Ramos, reunindo na Igreja da Sagrada
Família, no Calhariz de Benfica, a família, com amigos e os
colegas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,
puderam os presentes lançar o seu testemunho num livro de
condolências deixado à entrada da sala mortuária de acordo
com a tradição destes momentos de respeito e de evocação.

Para recordar o querido Amigo de muitos anos de convívio
e de docência, deixei grafada nesse livro uma singela frase,
em escrita hieroglífica, que aqui em baixo se reproduz para
servir de homenagem póstuma à sua grata e viva memória,
com um remate típico de frases tumulares do antigo Egito,
e que na língua portuguesa se poderá traduzir como:

JOSÉ RAMOS, QUE VIVA ETERNAMENTE!



quarta-feira, 29 de julho de 2026

Professor José Augusto Ramos






Durante as férias chegou-nos a triste notícia do falecimento do
Professor Doutor José Augusto Ramos, um consagrado e muito
respeitado professor catedrático emérito jubilado, da Faculdade
de Letras da Universidade de Lisboa, onde foi o diretor da área
de História e diretor do Centro de História em fase atribulada e
dramática daquele Centro que ele (com outros) abnegadamente 
conseguiu salvar, e ainda presidente do Conselho Científico da
Faculdade de Letras de Lisboa, e diretor do Instituto Oriental.

Foi um exímio mestre de tudo o que é história, cultura e língua
das civilizações pré-clássicas, dominando o acádio, o aramaico
mais o hebraico e o ugarítico, entre outras, e os seus enraizados
conhecimentos de grego e de latim, vindos dos seus estudos de
vivências franciscanas, nunca esquecidas, facultaram-lhe, mais
que a qualquer outro, fazer a ponte entre o mundo clássico e o
mundo pré-clássico - na verdade, ele foi sempre, em suma, um 
sumo pontífice, um fazedor de pontes, um humanista preclaro.

No que pessoalmente me dirá respeito, o convívio no Instituto
Oriental da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (a
partir de 1990) proporcionou fecundas trocas de ideias, e para
mim uma gratificante aprendizagem do mundo mesopotâmico
e do mundo bíblico, sendo ele um interessadíssimo indagador
da civilização do antigo Egito, que ele conhecia perfeitamente
e sabia o essencial da antiga língua egípcia, e sobretudo todos
os meandros e aspetos relacionados com a religião e a maet.
 
E o velho Ford Focus que o diga, a lembrar as longas viagens 
de carro para a Gráfica de Coimbra, ida e volta, para a revisão 
das provas finais da revista Cadmo, da qual ele era o diretor, e
as viagens ao Porto para atividades académicas, em encontros 
científicos com temas de interesse comum, em especial sobre
o antigo Egito - uma vez tentei que ele desenhasse um abutre,
um hieróglifo correspondente à letra a (ou alef), mas saiu-lhe
um peru, motivo forte para risadas, e ainda hoje o ouço a rir.

Estas imagens selecionadas que aqui o recordam relacionam-se 
com o IV Congresso Ibérico de Egiptologia, em Lisboa, e ainda 
com diversas atividades académicas da Faculdade de Letras da 
Universidade de Lisboa, em momentos das provas académicas
do signatário, na segunda e na terceira por altura das provas de
doutoramento, em 1998, a quarta nas provas de agregação, em
2008, tendo José Augusto Ramos integrado ambos os júris, e a
última no doutoramento do egiptólogo Telo Ferreira Canhão.