domingo, 26 de abril de 2026

Ainda a viagem à Núbia

 



O grupo que esteve no Egito entre os dias 1 e 15 de abril teve
a oportunidade de percorrer o país do Nilo desde Alexandria
a Abu Simbel, do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, ou
seja, percorrendo cerca de 1300 quilómetros, com a suprema
vantagem de fazer dois cruzeiros: o percurso clássico no Nilo
entre Lucsor e Assuão, e o percurso pelo lago Nasser, indo de
Abu Simbel até Assuão, passando por diversos monumentos,
todos eles transferidos nos anos 60 dos seus sítios originais.

O cruzeiro através do lago Nasser, que resultou da construção
da grande barragem de Assuão (inaugurada em 1971), motiva
sempre uma grande expetativa entre os viajantes, e mais uma
vez a navegação na Núbia foi um sucesso, permitindo rever o
impressionante sítio histórico de Abu Simbel e seus templos,
seguindo para norte, em direção a Kasr Ibrim, Amada (a foto  
em cima), Uadi es-Sebua (segunda foto), mais os templos de
Derr, Dakka e Maharaka, vendo o belo pôr do sol da Nùbia. 

Regresso à Núbia





Pela terceira vez fomos visitar a região mais ao sul do Egito,
um maravilhoso local onde poucos grupos se deslocam, mas
vale a pena uma viagem pela Núbia, como podem atestar os
viajantes que lá estiveram em abril, para verem as paisagens
que ladeiam o imenso lago Nasser e os monumentos que por
lá foram erigidos pelos antigos Egípcios ocupando a região.

Viajando a bordo do Prince Abbas, o belo navio de cruzeiro
em estilo old fashion, com bons quartos e um restaurante de
elevado nível e excelente serviço, que é um verdadeiro hotel
flutuante, puderam os entusiasmados excursionistas visitar a
velha fortaleza de Kasr Ibrim e diversos templos deslocados
dos seus sítios originais e integrados num percurso turístico.

Império Médio e Império Novo

 


Cerca de quinhentos anos separam estas duas imagens, sendo 
a primeira a base de um altar datada do reinado de Senuseret I
(da XII dinastia) e a segunda é o fragmento de uma decoração
mural com a imagem de Amen-hotep III (da XVIII dinastia),
em cujo reinado a civilização egípcia atingiu o seu apogeu.

No bloco de granito rosado que está em cima, pode ler-se uma
parte da titulatura régia de Senuseret I (c. 1950-1900 a.C.), e o
texto alude a lautas oferendas que são trazidas para o monarca, 
que se declara dotado de vida, de estabilidade e prosperidade,
vendo-se um desfile de figuras que representam províncias.

Na pintura em baixo vê-se Amen-hotep III (1390-1353 a. C.),
com o seu prenome (o quarto nome) de Nebmaetré antecedido 
pelo título de deus bom (netjer nefer) e criador (iret-khet, que
à letra é «fazedor de coisas»), dotado de vida como Ré, tendo
atrás dele a sua mãe (mut-nesu), Mutemuia, dotada de vida.

Religião egípcia em Coimbra

 




Cumprindo uma proveitosa colaboração, que já tem oito anos,
entre a Faculdade de Letras de Lisboa (Centro de História) e o
Departamento de História da Faculdade de Letras de Coimbra,
realizou-se nesta prestigiada instituição mais uma conferência
dedicada à religião egípcia, desde os primórdios pré-históricos
ao advento do cristianismo, rematando com um belo almoço, a
convite do simpático anfitrião Professor Doutor Luís Rêpas.

Universidade Americana no Cairo

 




Na última viagem ao Egito em abril, ficámos mais dois dias no
Cairo devido à inopinada greve da Lufthansa (sempre ela!...) e
por isso houve a feliz oportunidade para visitar a Universidade 
Americana do Cairo, com as suas enormes instalações na zona 
nova da imensa cidade do Cairo, as quais são impressionantes,
decorrendo nesta altura vastas obras de construção no campus.

Fundada em 1919, esta centenária Universidade pretende agora
alargar o seu campus com novos edifícios e espaços verdes, em
prol dos seus alunos, docentes e funcionários, mas o que existe
neste momento já é digno de admiração, quer na espaçosa área
dedicada ao ensino quer nas instalações para os estudantes, que
muito irão beneficiar com o alargamento das suas estruturas.

A visita foi guiada pela egiptóloga Joana Mendes Pinto, aluna
do mestrado em Egiptologia na Universidade Americana, que 
recentemente concluiu com sucesso o seu curso, apresentando
uma inovadora tese dedicada às carpideiras do Império Antigo
dirigida pela Professora Salima Ikram, a qual se vê na imagem,
rematando com uma foto da visita da Joana a Guiza (2021).

terça-feira, 21 de abril de 2026

Em Guiza, há 60 anos

 

Na viagem ao Egito que teve lugar no mês de fevereiro, num
percurso clássico que nos levou de Alexandria a Abu Simbel
e incluiu o tradicional cruzeiro no rio Nilo, conhecemos uma
simpática companheira de viagem, Ana Ramalhete, que tinha
estado no Egito há mais de 60 anos, prometendo então enviar 
uma fotografia antiga dessa jornada, para ela inesquecível.

E aqui está essa velha fotografia tirada no famoso planalto de
Guiza, vendo-se ao longe a grande pirâmide do rei Khufu (da
IV dinastia, conhecido também pelo seu nome helenizado de
Queóps), tendo à esquerda da imagem a cabeça da Esfinge e 
o templo do vale de Khafré (Quéfren), com a pequena Ana,
então com 8 anos, num alto dromedário, com os seus pais.

No velho Museu Egípcio

 


Na última estadia no Egito, enquanto um grupo de viajantes
partia e outro chegava, houve a rara oportunidade de passar
um dia inteiro no Grande Museu Egípcio, na zona de Guiza,
e outro dia no velho Museu Egípcio do Cairo, em Tahrir, ali
bem no centro tradicional da grande cidade, duas visitas que
se complementaram e enriqueceram deveras o egiptólogo.

Percorrendo com vagar as várias salas e corredores do velho
museu cairota dedicado à civilização do antigo Egito, e com 
o caderno de apontamentos à mão, recordaram-se as peças e
artefactos mais conhecidos (como a perturbadora estatuária
de Akhenaton na sala dos vestígios amarnianos), as estátuas
achadas em Tânis (da XXI dinastia) e o rei Amen-hotep III.

De Tânis é oriunda uma peanha inscrita, em granito escuro,
tendo em cima o babuíno sagrado do deus Tot (que se vê na
imagem de cima), com um longo texto em linhas verticais e
horizontais onde consta o nome do rei Pasebakhaenniut que 
em grego é Psusennes, chamando ainda a atenção a estátua
de Amen-hotep III, idoso e pançudo, anunciando Amarna.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Bumerangues egípcios

 

Numa das galerias destinadas ao espólio do faraó Tutankamon
no Grande Museu Egípcio, na secção dedicada a artefactos de
âmbito militar e cinegético, encontra-se exposto um conjunto
de bumerangues feitos de madeira, e alguns deles decorados.

A abundância de tais objetos e a sua aparente semelhança com
os bumerangues usados pelos aborígenes australianos acabaria
por levar uma certa viajante a concluir que os Egípcios antigos 
tinham chegado à Austrália, tendo sido impossível contestá-la.

Outra conclusão de outra viajante de um anterior grupo foi que
os Maias tinham estado no Egito, atendendo às «semelhanças»
entre as pirâmides da América Central e as do Egito faraónico,
garantindo que o Homo sapiens tinha chegado a todo o lado!

Situações estranhas e anómalas como estas ocorrem por vezes
no decurso das viagens ao Egito, mas felizmente são raras, e a
solução para quem não aceita explicações ou esclarecimentos 
sérios e científicos é deixar tudo na mesma, nada há a fazer...

Coluna de Merenptah no GEM

 

No amplo átrio do Grande Museu Egípcio, que os anteriores
grupos de viajantes do país do Nilo têm visitado, encontra-se
uma coluna de granito rosa inscrita celebrando as vitórias do
rei Merenptah (1213-1203 a.C.) contra os inimigos do Egito.

Mas esta coluna acaba por passar despercebida aos visitantes
do GEM porque perto ergue-se uma colossal estátua do faraó
Ramsés II (pai de Merenptah), e no entanto ela proporciona a
leitura de dados interessantes sobre o final da XIX dinastia.

A legenda que acompanha a coluna informa que nela se pode
ver a deusa Anat a dar ao rei uma arma contra os inimigos, e
omite a presença do deus Amon e outras divindades além de
não traduzir o essencial dos textos que lá foram gravados.

Claro que as legendas não podem dizer tudo, por isso aqui se
traduz parte do texto da parte inferior da coluna, onde consta
na primeira linha a captura de milhares de inimigos, no meio
alude-se a espólio variado, incluindo cavalos (44 animais), e
aos bois e burros confiscados, em baixo consta o número de
espadas (9.268), de arcos (6.860) e de flechas (128.660).

Na imagem inferior vê-se a base da coluna, a qual foi feita
em calcário, onde o texto mostra o nome de Hórus (que era
o primeiro nome do rei em geral inscrito dentro do serekh): 
Hor ka nakht hai em Maet, ou seja, Hórus Touro Poderoso,
que rejubila em Maet - assim se aludia ao faraó Merenptah.

Dedicatórias funerárias no GEM

 

Percorrendo com todo o vagar e com deleite os amplos espaços 
do Grande Museu Egípcio, tempo não faltará para a descoberta 
de objetos que habitualmente passam despercebidos ao viajante
mais afoito, mas que podem facultar compensadoras leituras ao
egiptólogo como aliciante desafio e como útil aprendizagem.

Foi o que sucedeu durante a última estada no Egito, passando o
tempo à procura de novidades, rematando com a observação de
duas estelas fúnebres do Império Médio: a da esquerda, erigida
para dois irmãos, Senankh e Minnefer, filhos de Ptahuerbau, a 
da direita feita para o governador da cidade (Uaset) Simontu.

 Tradução da estela da esquerda:
Oferta feita pelo rei (hotep-di-nesu) a Osíris, líder dos (que está
à frente dos) Ocidentais (defuntos), e senhor de Abido, para que 
ele conceda invocações-oferendas em pão, cerveja, carne de boi
e de aves, para o grande mordomo (imirá-per uer) Senankh, que
foi feito por (filho de) Ptahuerbau.

Oferta feita pelo rei (hotep-di-nesu) a Osíris, líder dos (que está
à frente dos) Ocidentais (defuntos), e senhor de Abido, para que 
ele conceda invocações-oferendas em pão, cerveja, carne de boi
e de aves, para o conhecido do rei (rekh-nesu) Minnefer, que foi
feito por (filho de) Ptahuerbau.

Tradução da estela da direita:
Oferta feita pelo rei (hotep-di-nesu) a Osíris, líder dos (que está
à frente dos) Ocidentais (os defuntos), deus grande (netjer aá) e
senhor de Abido, e Uepuauet, senhor da terra sagrada (ta djeser,
a necrópole), para que eles concedam invocações-oferendas em
pão, cerveja, carne de boi e de aves, roupa, incenso, tudo coisas
boas e puras... impregnadas de divino, para o ka do membro da
elite, governador (hatiá) da cidade, Simontu.

Quer os dois irmãos em cima, quer o funcionário em baixo, têm
à sua frente altares recheados com vitualhas, estando Simontu a 
ser venerado por seu filho Senebef, que era sacerdote de Amon.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Pelo Nilo, de Norte a Sul

 


Terminada a viagem do grupo que irá percorrer um outro Egito
de 22 a 30 de março, eis que no dia seguinte chega outro grupo
para visitar o muito que há para ver desde Alexandria no Delta
até Abu Simbel na Núbia, seguindo ao longo do rio Nilo, indo
de norte para sul, jornadeando por mais de 1400 quilómetros.

Quanto aos guias, são os três que aqui estão!


Rumo a outro Egito

 




Decorreu ontem a tradicional sessão por zoom de preparação
e esclarecimento dos viajantes que partem já no próximo dia
22 de março para irem conhecer um outro Egito em percurso
aliciante e variado, que os levará a visitar o legado islâmico,
os mosteiros coptas no deserto do mar Vermelho, e o legado 
monumental do Egito faraónico, que aqui estão muito bem
representados com esta seleção de expressivas imagens.

Mais de 1 500 000 visitantes!

 


Em vésperas de mais uma partida para o Egito, que no meio
da inquietante agitação que reina no Médio Oriente mantém
uma inteligente postura de neutralidade e de mediação, veio 
em boa hora a empolgante, auspiciosa e gratificante notícia 
que o blogue Faraó e Companhia conseguiu ultrapassar 
os 1 500 000 visitantes. Muitos parabéns e continuem!

quarta-feira, 18 de março de 2026

Engenheiro Rui Matoso

 



Hoje, 18 de março, foi o dia penoso do funeral do Engenheiro
Rui Matoso, amigo e dedicado companheiro do Rotary Clube
de Lisboa, que aqui recordamos numa sua faceta humanista e
solidária de conhecer os outros  -  outros países, outros povos,
outras culturas, viajando com entusiasmo e um lídimo prazer,
em ecuménica universalidade que robustecia a alma rotária.

Alegremente dispunha-se a percorrer o mundo para entender
a sua variedade cultural, e os grupos que integrava acabavam
por fruir da sua cativante jovialidade propícia ao diálogo a ao
debate de ideias - as imagens que aqui se publicam recordam
as viagens ao Irão (em cima com companheiros rotários) e ao
Egito, num aceno fraterno e eterno para assim o recordarmos.

Construção naval caseira

 


Aproveitando os poucos tempos livres entre as diversificadas
atividades de âmbito cultural (viagens ao estrangeiro, cursos,
conferências e palestras aqui e ali, redação e revisão de textos
para diversas entidades) sempre se arranja algum tempo livre
para atividades lúdicas, como é o caso da construção naval.

No sossego da vida caseira, beneficiando do ameno ambiente
marítimo tranquilo da Praia das Maçãs, eis que se iniciou um
trabalho deveras entusiasmante de montagem de um barco de
guerra dos séculos XVIII-XIX:  é o navio de linha Santíssima
Trinidad da armada espanhola, que foi o maior do seu tempo.

sábado, 7 de março de 2026

As entradas dos novos museus

 
Os novos museus do Egito, que foram inaugurados nos anos
mais recentes, apresentam entradas muito sugestivas para os
visitantes, tornando ainda mais imperiosa a legítima vontade 
de lá entrar - aqui ficam como exemplos imagens do Grande 
Museu Egípcio e do Museu Greco-Romano de Alexandria, e
que muito interesse têm despertado nos grupos de viajantes,
juntando-se ainda o Museu Nacional da Civilização Egípcia.

A porta principal de acesso para a visita ao Grande Museu 
Egípcio, na zona cairota de Guiza (Mathaf al-Misri al-Kibir)
é ladeada por diversas cartelas que contêm os nomes de reis
do antigo Egito, podendo ler-se o nome de Seneferu, Khufu,
Senuseret, Khafré, Menkauré, Tutmés e Hatchepsut; quanto
ao Museu Greco-Romano de Alexandria apresenta à entrada
a inscrição em letras árabes Al-Mathaf al-Ionani al-Romani.

Sessões rotárias





Com periodicidade normal o Rotary Clube de Lisboa mantém
o hábito de fazer as suas reuniões semanais à terça-feira para,
num ambiente de frutuoso companheirismo, debater assuntos
relacionados com as suas várias atividades de solidariedade e 
de entreajuda, auxiliando diversas instituições carenciadas de
acordo com os seus princípios humanistas de pensar nos mais
necessitados, destacando o apoio à luta contra a poliomielite, 
entre outras atividades de cariz filantrópico de benemerência,
de que muito têm beneficiado instituições da área de Lisboa.

As fotos reunidas na primeira imagem aqui publicada evocam
sessões diversificadas, como a receção a uma recente membro
do Rotary Clube de Lisboa, Jeovana Ribeiro, entrega de livros
aos aniversariantes de Fevereiro, palestra da Professora Isabel
Ribeiro e a entrega de um diploma ao Dr. Miguel Cavique, um 
generoso apoiante do movimento rotário; na foto seguinte está
a presidente indicada para o ano rotário 2026-27, Teresa Maia,
e depois dois membros da direção com os produtos adquiridos
para entregar a várias instituições, graças às «cestas básicas».

sexta-feira, 6 de março de 2026

De novo rumo ao Egito




Dentro de duas semanas estaremos de novo no Egito fruindo
um belo tempo de Primavera, acompanhados pelos habituais
três guias que se veem na primeira foto, e novamente iremos
apreciar as pinturas bem conservadas dos templos e túmulos,
de novo visitaremos a cativante ilha de Filae com seu templo
dedicado à deusa Ísis, onde os gatinhos ladinos que lá vivem 
aguardam a chegada dos portugueses que levam a paparoca.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Prestes a partir para o Egito




Estamos prestes partir para o Egito e desta vez com dois grupos
de viajantes, o primeiro para um percurso de nove dias, entre os
dias 22 e 30 de março, e depois o segundo grupo que estará por
lá quinze dias, entre 31 de março e 14 de abril, na Primavera do
Egito, que é sempre deveras agradável, passando ali a Páscoa, e
tendo por companhia os habituais guias que constam nas fotos.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Desporto caseiro



Chegou a bicicleta que um aniversariante decidiu oferecer ao
próprio aniversariante, para se exercitar diariamente em casa
pedalando com entusiasmo e alguma energia, mas sem evitar
o passeio diário de cerca de meia hora que irá continuar pela
Praia das Maçãs, cumprindo as recomendações do médico, e
procurando estar em forma para as futuras viagens ao Egito.

Vamos lá a pedalar com estilo de campeão!

Aniversário radiante



No requintado e acolhedor restaurante Adega do Almirante,
sito na Quinta do Almirante em Frielas, Loures, celebrou-se
com gáudio e animação o aniversário de um egiptólogo que
conta agora com 77 anos viçosos e frescos, numa jantarada
opípara preparada, em segredo, por bons e diletos amigos.

Metidos neste conluio, para surpreenderem o aniversariante
feliz beneficiário da festança, estiveram os professores José 
Varandas e João Cosme, combinados com Miguel Araújo, e,
surpresa das surpresas, apareceram lá a Teresa Neves mais 
a filha Mariana e o Mustafa, vindo do Cairo para o ágape.