Teve lugar ontem a sessão prevista na Sociedade de Geografia
de Lisboa, no Auditório Adriano Moreira, sobre as coleções de
antiguidades egípcias existentes no Porto e em Gaia (Canelas)
tendo uma parte dos interessados no tema assistido por zoom,
facultando-se aos presentes um texto de apoio sobre o tema, o
qual inseria a lista de todos os acervos existentes em Portugal,
e que são mais de 1200 peças em núcleos públicos e privados.
Esta conferência foi organizada pela secção de Arqueologia da
Sociedade de Geografia de Lisboa, proporcionando um melhor
conhecimento de várias coleções egípcias existentes no Museu
de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto e no
Museu Nacional de Soares dos Reis, e ainda em Gaia, Canelas,
no Solar Condes de Resende (antigo núcleo Marciano Azuaga)
e que é atualmente a sede ativa da Confraria Queirosiana.
Na anterior referência à sessão da Sociedade de Geografia de
Lisboa foi mostrada a imagem da estatueta funerária (uchebti)
de Djedhor (a mais bela estatueta funerária de faiança entre as
muitas que existem no nosso país), agora é aqui divulgado um
chauabti de madeira feito para Minemai, que tinha o cargo de
guardião da necrópole, exposto no Solar Condes de Resende,
e que é o melhor exemplar feito de madeira do nosso país.
É preciso atender à diferença que existe na classificação das
estatuetas funerárias produzidas no antigo Egito, que surgem
com as designações de chauabti ou de uchebti, reservando-se
o termo chauabti para as estatuetas feitas até meados da XXI
dinastia (c. 1000 a. C.), e o termo uchebti depois dessa data,
uma expressão que deriva do verbo ucheb (responder), dado
que se esperava que as estatuetas respondessem à chamada.
A inscrição hieroglífica gravada na estatueta está reproduzida,
em texto manuscrito, ao lado do chauabti: Que brilhe o Osíris
guarda da porta da necrópole de Mênfis, Minemai. Ele diz: Ó
chauabti, se fores chamado para fazer qualquer dos trabalhos
que se fazem na necrópole (no Além) e se te for imposta uma
tarefa como a um homem nas suas funções tu farás o trabalho
diário que consiste em plantar os campos, encher os canais de
água e transportar areia (ou estrume) de oriente para ocidente.
Tu dirás: Repara, aqui estou, eu o farei.


