terça-feira, 13 de outubro de 2026

De Chatalhöyük a Alajahöyük



Foi deveras proveitosa a visita ao aglomerado proto-urbano
de Chatalhöyük, quer a área já escavada, onde se preservam
os vestígios das casas, que estavam unidas entre si, fazendo
com que a entrada se fizesse pelos telhados, quer o percurso
pelo seu moderno e excelente museu de sítio, com didáticas
e sugestivas reconstituições do interior de diversas casas (as
duas fotos de cima), tendo as legendas em turco e em inglês,
mostrando muitos objetos achados, agora bem conservados.

Depois fomos de Chatalhöyük para Alajahöyük. aqui já com
um urbanismo elaborado que data da presença hitita no sítio,
bem atestada pelos ortóstatos da Porta das Esfinges (foto de 
baixo) depois de a anterior população hatita ter construído a 
cidade, deixando lá túmulos recheados com objetos de ouro 
e bronze (chamados estandartes), datados do Bronze Antigo 
(c. 2400-2200 a .C.), que estão no Museu das Civilizações  
da Anatólia, em Ancara, e foi lá que os pudemos admirar.

De Kanech a Chatalhöyük

 



A passagem por áreas evocativas do passado anatólico, como
é o caso do karum (centro comercial) de Kanech (séculos XX
-XVIII a. C.), gerido por mercadores assírios que mantiveram
estreitas relações comerciais com as populações da região, em
primeiro lugar os hatitas e depois os hititas, proporcionou uma
ampla visão da importância do comércio e da escrita na zona.

Depois da visita ao museu e à área do karum de Kanech, ainda
em fase de escavações (na segunda imagem), fomos da região
 de Kültepe para Chatalhöyük, na planície de Cónia, onde estão
impressionantes vestígios de um povoado proto-urbano datado
do Neolítico e Calcolítico, que foi habitado entre 7500 e 5600
a. C. (foto em baixo), dispondo de um excelente museu local.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Viagem na Turquia Central





Estas quatro fotos aqui publicadas procuram fazer uma síntese
do que foi o interessante percurso da recente viagem à Turquia
Central, entre os dias 26 de setembro e 8 de outubro, vendo os
monumentos e as paisagens que o circuito proporcionou numa
região onde os grupos turísticos estrangeiros são muito raros.

Na primeira imagem, eis alguns dos membros do grupo, junto
de uma das antigas portas da cidade hitita de Hattucha, com a
designação de Porta dos Leões, a seguir no atraente Museu de
Amásia, depois à entrada da mesquita de Divriği, e na última
posando numa das portas da cidade de Iznik (antiga Niceia).

domingo, 11 de outubro de 2026

Instantâneos otomanos


 


A inesquecível visita à bela cidade de Amásia (a antiga cidade
helenística de Amaseia, fundada em princípios do século IV a.
C., por Antígono) proporcionaria aos viajantes a obtenção das
fotos que aqui se publicam, estando no final a guia turca Esra.

Com os gatos da Turquia

 


Atestando a viva atenção e o carinho de que por todo o Médio
Oriente os gatos beneficiam da população, também na Turquia
foi possível comprovar essas dignas motivações, tendo alguns
membros do grupo de viajantes participado com grande afeto,
acariciando e brincando com os gatinhos que iam apanhando.

Acepipes turcos

 

Durante a nossa bela viagem à Turquia Central não faltaram
momentos para experimentar os diversos pratos tradicionais
da cozinha turca, de inspiração seljúcida e otomana, a que se
juntam os costumes gastronómicos locais dos diversos sítios
por onde passámos, em doze dias que foram do agrado geral.

Turquia: na antiga Frígia

 

Na viagem à Turquia, que recentemente terminou, e onde um
pequeno mas muito interessado grupo de viajantes jornadeou 
durante doze agradáveis dias, foi possível percorrer na região
da Anatólia Central (onde raros grupos se deslocam) algumas
zonas que pertenceram ao antigo reino da Frígia, oferecendo
monumentos e vestígios que atestam a presença dos frígios.

As imagens mostram alguns membros do grupo numa antiga
cidade fundada pelo fabuloso rei Midas, na região a oeste da
Turquia Central, pouco restando atualmente para além de um
grande painel, que foi gravado na face lisa de uma alta rocha,
previamente preparada para receber a decoração e inscrições
em grego arcaico na parte superior e parte lateral do bloco.

O faustoso Midas reinou na Frígia em meados do século VIII
a.C., mas o seu nome tornou-se ainda mais conhecido devido
aos mitos que os autores gregos elaboraram a seu respeito, os
quais aludiam à sua faculdade de transformar em ouro tudo o
que ele tocasse, uma aparente felicidade que se transformaria
em tragédia insuportável, até que os deuses o aliviaram disso.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Novamente na Turquia

 





Em breve partiremos para mais uma viagem à Turquia, um país
que conheceu a passagem de várias civilizações importantes no
seu atual e vasto território na península da Anatólia, permitindo
evocar as antigas culturas desde Chatalhöyük e Alajahöyük, até
à chegada dos Hititas, incluindo depois os reinos do Ponto e da
Frígia, antecedendo a presença dos persas, gregos e romanos, e
ainda o estabelecimento de outros povos, e entre eles os turcos,
desde os invasores seljúcidas aos otomanos, que ainda lá estão.

Indo de Ancara, a capital turca, ao antigo Hatti, com as ruínas e
vestígios arqueológicos de Hattucha, a capital hitita, poderão os
viajantes conhecer a milenar história de uma região periférica e
contemporânea das grandes civilizações da Mesopotâmia (atual
Iraque) e do Egito, com a visita ao Mausoléu de Atatürk (a foto
em cima) e ao Museu das Civilizações da Anatólia, indo depois
para o coração do antigo Império Hitita, uma potência que teve
o seu apogeu nos séculos XV-XIII a. C., a par do antigo Egito.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Professora Julieta Araújo

 

Chegou-nos recentemente a triste notícia do falecimento
da Professora Julieta Araújo,  docente no Departamento
de História da Faculdade de Letras da Universidade de
Lisboa, e investigadora integrada do Centro de História
da mesma Universidade, tendo como área de docência e
de investigação a História Medieval, nos diversificados
âmbitos da história religiosa, político-institucional e na
área da diplomacia e das múltiplas relações comerciais.

Orientou várias teses de mestrado e de doutoramento ao
longo da sua empenhada atividade docente, e participou
em diversos projetos internacionais, tendo ainda funções
meritórias na coordenação do programa Erasmus. Além
disso foi académica correspondente da Academia Portu-
guesa da História, membro da Sociedade Portuguesa de
Estudos Medievais e também da Sociedade Histórica da
Independência de Portugal, entre outras associações.

A foto que aqui se publica foi obtida num alegre almoço
de convívio de docentes do Departamento de História,
para assim a recordarmos, bonita e sorridente!

JULIETA ARAÚJO (1968-2026)

O príncipe Khaemuaset


O príncipe Khaemuaset foi uma das principais personagens
do longo reinado de seu pai, o célebre faraó Ramsés II, que
reinou entre 1279 e 1213 a. C., tendo falecido com mais de
90 anos de idade, muito depois da morte de Khaemuaset, o
promissor e muito ativo príncipe herdeiro, que foi também
sumo sacerdote do deus Ptah, em Mênfis, com a referência
ao título de sacerdote sem, em várias estatuetas funerárias,
de acordo com as suas elevadas funções no clero de Sokar.

As imagens publicadas referem-se à capa do belo catálogo
de Jean-Luc Bovot dedicado às estatuetas funerárias de reis
e príncipes que se encontram no Museu do Louvre, Paris, e
que datam do Império Novo à Época Baixa (da XVIII até à
XXVI dinastia, não sendo conhecidas estatuetas funerárias
de dinastias posteriores pertencentes a faraós) mostrando a
imagem à direita uma estatueta que apresenta na inscrição
frontal o nome de um Khaemuaset mas não é Khaemuaset.

O profícuo egiptólogo francês escolheu para ilustrar a capa 
do seu álbum a imagem de um capataz de Khaemuaset, em
diorite verde, que está no Museu do Louvre, mostrando um
chauabti que não exibe a tradicional pose mumiforme, mas
sim o traje dos vivos, tendo uma inscrição frontal onde está
gravado o título de filho do rei (sa-nesu) e sacerdote sem, o
que o identifica com o culto de Sokar, mas Ronaldo Gurgel
garante que se trata de um homónimo, filho de Ramsés III.

Trata-se de uma falsificação, que esteve à venda numa loja
leiloeira de Lisboa, integrada num diversificado lote que a
Polícia Judiciária veio a confiscar, tendo posteriormente as
seis melhores estatuetas funerárias em faiança do conjunto
sido adquiridas pela Embaixada do Egito em Lisboa, mas a
estatueta acima reproduzida (à direita) foi recusada porque
foi considerada falsa pelo famoso egiptólogo Zahi Hawass,
confirmando assim o que eu tinha dito antes num parecer.

Mas o egiptólogo brasileiro Ronaldo Gurgel Pereira, que é
docente na FCSH (Universidade Nova de Lisboa), também
elaborou um parecer, onde diz que este desajeitado e fruste
chauabti é autêntico! E chegou a reproduzir os hieróglifos,
que ele diz estarem dentro de «uma cartela frontal» (?!), só
que comete um erro surpreendente trocando o signo st pelo
signo unilítero s, alterando assim o nome do deus Osíris, o
que é deveras estranho para quem escreveu uma gramática.

Ora, o chauabti falso, feito para enganar possíveis clientes,
e também certos egiptólogos, mostra a falta de «jeito» por
parte do falsificador na iconografia genérica, como o colar
e o texto hieroglífico, onde há signos desleixados, o que é
chocante numa estatueta funerária de um príncipe, mas de
facto bastaria olhar para esta inscrição para perceber logo
que se trata de uma falcatrua - e, no entanto, o egiptólogo
Ronaldo Gurgel Pereira fala em «caligrafia impecável»!!!

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Relaxamento relaxado

 



Como é bem sabido, na internet encontram-se muitas imagens
e textos sobre o antigo Egito, incluindo em apontamentos para
descontrair ou relaxar os visitantes dessas imagens musicadas,
sendo essa música apropriadamente suave, e em geral trechos
de piano que acompanham os vídeos, como o que aqui vemos,
e que nos foi revelado por antigos alunos e viajantes do Egito.

Estas imagens foram obtidas de um vídeo que procura mostrar
a Grande Pirâmide de Guiza, erguida para Khufu (IV dinastia,
no Império Antigo, c. 2580-2550 a. C.), oferecido pela Scenic
Relaxation aos visitantes que queiram relaxar, que, segundo o
dicionário, tem o sentido de descontrair, sossegar ou acalmar,
bem a propósito para as pessoas depois de um dia de trabalho.

Mas os dicionários também esclarecem que relaxado pode ter 
o sentido de desleixado, desmazelado, quiçá de trapalhão, por
descurar regras normais de bom senso e de respeito por quem
visiona vídeos como aquele que aqui se comenta, sem critério
e sem rigor, preparado ofensivamente pela Scenic Relaxation,
numa grande demonstração de falta de respeito pelas pessoas.

Os broncos, ínvios e incultos «técnicos» que produziram este
vídeo sobre a Grande Pirâmide dizem que ela é a mais antiga,
mas é mentira antes dela havia pirâmides feitas por Seneferu,
o rei fundador da IV dinastia, em Meidum e Dahchur, e além
disso dão maior relevo à pirâmide de Khafré que à de Khufu,
aqui apresentado com o nome grego de Queops em Gizé (?!).

E eis que de repente, em imagens acompanhadas por música
mas sem qualquer locução aparecem fotos do templo de Abu
Simbel, no Sul do Egito, que nada têm a ver com o tema que
a Scenic Relaxation anunciou, depois voltam as pirâmides de
Guiza, seguidas, sem qualquer separação ou indicação, pelas
pirâmides dos Maias (Guatemala e México) e Teotihuacan!!!

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Fim do curso no Âmbito Cultural

 





Terminou ontem mais um curso livre sobre o antigo Egito, que
se tem mantido no Âmbito Cultural de El Corte Inglés desde o
ano 2015 sempre com um número elevado de participantes, tal
como voltou a acontecer nesta sua meritória 12.ª organização, e
a última sessão teve como tema a egiptologia e a egiptomania.

E para o próximo ano voltaremos com um novo curso!

Assembleia-geral do GAMNA

 


No dia 18 de setembro, sexta-feira, realiza-se no Museu Nacional
de Arqueologia (Mosteiro dos Jerónimos), Belém, Lisboa, pelas
16h30, uma Assembleia-geral do GAMNA, o Grupo de Amigos 
do Museu Nacional de Arqueologia, tendo já seguido a seu tempo
a convocatória assinada pelo Dr. Pedro Roseta, atual presidente 
da Mesa da Assembleia-geral do GAMNA, tendo em atenção a:

ORDEM DE TRABALHOS

1. Informação sobre o estado das obras no Museu Nacional de
Arqueologia pelo seu diretor Dr. António Carvalho
2. Análise da situação atual do GAMNA
3. Marcação de eleições para os corpos gerentes

domingo, 13 de setembro de 2026

Solidariedade escolar rotária

 

Cumprindo uma solidária prática tradicional que coincide com
o começo dos anos letivos, uma delegação do Rotary Clube de
Lisboa esteve presente na Associação «O Companheiro», para
a entrega de diverso material escolar, que muita ajuda dará às
crianças que o vão utilizar, com votos de um bom ano letivo e
a garantia da continuação do apoio rotário franco e generoso.

A foto mostra um diversificado conjunto de doações de âmbito
escolar, que os sócios do Rotary Clube de Lisboa conseguiram
angariar para a benemérita ação, tendo a entrega dos materiais
ficado a cargo de uma delegação composta pelo presidente do
Clube, Paulo Espanhol (à direita), a secretária Carina Coelho 
e mais dois ativos membros, Alice Nobre e Noémio Correia.

Do Museu Núbio ao GEM

 




Dois museus diferentes estão aqui nestas imagens evocativas
de momentos culturais das nossas viagens ao Egito, vendo-se
nas imagens de cima o Museu Núbio de Assuão e nas duas de
baixo o GEM, o Grande Museu Egípcio, em Guiza, no Cairo,
inaugurado oficialmente em novembro do ano passado com a
abertura das duas galerias destinadas ao faraó Tutankhamon,
onde está exposta a quase totalidade do espólio do túmulo.

Já há algum tempo que os nossos grupos não visitam o muito
sugestivo Museu Núbio, que fica em Assuão, no Sul do Egito,
e que nos tempos faraónicos marcava a fronteira com a Núbia
(chamada Uauat), mas o tempo para os percursos obriga a que
se estabeleçam prioridades, e temos dedicado um dia inteiro à
visita ao GEM, para ver o edifício e as suas galerias cheias de
 artefactos diversos, tendo ao lado o museu da barca de Khufu.

Museu Nacional de Arqueologia

 




Continuam a decorrer em bom ritmo as obras de renovação
profunda do Museu Nacional de Arqueologia, prevendo-se
a sua conclusão para 2030, vendo-se nestas imagens vários
aspetos dos trabalhos que estão a ser desenvolvidos, desde
a fachada principal, as traseiras e o interior, já sem as suas
múltiplas divisórias dos gabinetes, laboratórios e reservas.

As fotos em baixo recordam uma das várias visitas que têm
sido feitas às obras em curso, com o presidente do GAMNA
(Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia) e na
foto de baixo está o diretor do Museu, Dr. António Carvalho,
o presidente do Património Cultural, Dr. João Soalheiro, e o
Eng. André Duque, responsável pela coordenação das obras.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Professor Luís de Albuquerque

 



Foi com imenso agrado que recentemente numa ida a Porto
Salvo, no concelho de Oeiras, encontrámos numa placa que
indicava uma rua o nome do Professor Luís de Albuquerque
(1917-1992), um brilhante docente e investigador e também
empenhado democrata, exímio especialista de matemática e
de engenharia geográfica, além de historiador e cartógrafo,
tendo sido governador civil de Coimbra após o 25 de Abril.

A placa toponímica de uma pacata rua de Porto Salvo, uma
justa homenagem a uma figura maior da cultura portuguesa
do século XX, apresenta um erro na data de nascimento que
devia ser 1917, e não 1918, como lá está gravado, atendendo
a que o consagrado docente universitário nasceu em Lisboa 
no ano que aqui corretamente se indica, tendo vivido muito
tempo em Coimbra, em cuja Universidade seria vice-reitor.

Embora tenha obtido a licenciatura em Ciências Matemáti-
cas (1939) e em Engenharia Geográfica (1940) em Lisboa,
doutorou-se em Matemática na Universidade de Coimbra,
e foi nesta cidade que prosseguiu a sua carreira docente até
à sua jubilação académica em 1987, merecendo destaque o
seu cargo de diretor da Biblioteca Geral da Universidade 
de Coimbra, a quem depois doou a sua biblioteca pessoal.

Como historiador dos descobrimentos portugueses, teve um
grande mérito científico, que foi aplicar o rigor matemático
à História da Náutica e da Marinha, tendo estudado a fundo
as técnicas de navegação astronómica e ainda a cartografia,
elementos fundamentais para compreender o sucesso ímpar
das viagens dos navegadores portugueses dos séculos XV e
XVI, temas que lecionou na Faculdade de Letras de Lisboa.

Além de notável docente universitário e de investigador, foi
um escritor prolífico, sobretudo na área temática de viagens
náuticas relacionadas com a expansão portuguesa universal,
e foi neste contexto que me tornei Amigo do professor Luís
de Albuquerque por ter revisto o seu texto para um volume
das Edições Alfa sobre os descobrimentos portugueses, em
1984, além de ter com ele colaborado em várias atividades 
da Associação de Amizade Portugal-Coreia, aqui evocadas 
com a foto em baixo, obtida num congresso em Nova Deli,
na Índia, sobre a reunificação da Coreia (1982), onde estou
com o professor Luís de Albuquerque, e a Natália da Fé de
Araújo, secretária da Associação, sendo eu secretário-geral.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

O rei Kheperkheperuré Ai

 

Na verdade o faraó Kheperkheperuré Ai, de finais da notável
XVIII dinastia, é pouco conhecido, até porque reinou apenas
quatro anos (c. 1323-1320 a.C.), tendo deixado poucos dados
históricos e arqueológicos, com a agravante de o breve poder
de que desfrutou ter sido banido e apagado por Horemheb.

Uma das mais evidentes e conhecidas provas do seu reinado,
praticamente sem documentos expressivos, pode ver-se num
evento mítico-ideológico pintado numa parede do fruste mas
bem recheado túmulo de Tutankhamon, a quem ele sucedeu,
pondo um fim claro ao período «revolucionário» de Amarna.

A imagem da direita mostra uma imagem restaurada do faraó
Kheperkheperuré Ai numa placa vidraçada do Grande Museu
Egípcio, que se inspira na verdadeira imagem desse rei como
consta no túmulo de Tutankhamon (na foto da esquerda), em
que o jovem faraó defunto se perfila na pose do deus Osíris.

Em cima da figura de Tutankhamon a legenda hieroglífica do
rei osirificado apresenta-o como deus beneficente, senhor das
Duas Terras, senhor das coroas, rei do Alto e do Baixo Egito,
Nebkheperuré, filho de Ré, Tutankhamon, governante de He-
liópolis do Sul (ou Ermant), dotado de vida, eternamente.

À frente dele encontra-se o seu herdeiro Kheperkheperuré Ai
já com 60 anos, a proceder ao ritual de abertura da boca, com
um símbolo mágico (setep), estando coberto por uma vistosa
pele de leopardo, porque está a exercer funções sacerdotais a
favor de seu «pai», com 18 anos, tão precocemente falecido.

À frente do novo faraó, que exibe a coroa azul, pode ler-se a
seguinte legenda:  Deus beneficente, senhor das Duas Terras,
senhor de criações (ou seja, «fazedor de coisas»), rei do Alto 
e do Baixo Egito, Kheperkheperuré, filho de Ré, It-netjer Ai,
dotado de vida como Ré, eternamente, para sempre.