Retomando a análise ponderada e sensata que já tinha ficado no
conjunto de imagens publicadas na semana passada, renova-se,
com uma bela representação do faraó Amen-hotep III, da XVIII
dinastia, que se encontra no Museu Britânico, em Londres, uma
esclarecedora comparação com a hórrida e defeituosa imagem à
esquerda, que pretende representar um faraó, hipótese aceite, de
forma néscia e azarada, pelo egiptólogo Ronaldo Gurgel Pereira,
que é professor na FCSH-CHAM Universidade Nova de Lisboa,
tendo sido escolhido num concurso efetuado na FCSH em 2025,
instituição onde aliás já lecionava, sendo este o momento, mais
uma vez, de insistir na necessidade de nunca esquecer o imenso
respeito e atenção que os nossos leitores e os alunos merecem.
Disse com a maior das descontrações o mencionado egiptólogo-
arqueólogo-feniciólogo que aquilo se trata de um «fragmento de
estatueta (cabeça) representando um faraó», opinião insultuosa e
repelente - mas ele não tem qualquer dúvida, asseverando com a
nefanda e vil conclusão de que «esta estatueta foi confeccionada
em alguma oficina anexa a algum templo, e possivelmente pelos
melhores escultores disponíveis no local uma vez que se trata de
uma representação do faraó»... O que dirá disto um estudante do
1.º ano de História da Arte comparando as imagens publicadas?!
E o que diriam os exímios escultores egípcios aqui referidos em
abusiva e vexatória alusão para quem fazia arte de excelência?!!
E o que dirão disto os apaixonados pela cultura do antigo Egito?
Estas incríveis opiniões de um professor universitário da área de
História Antiga, exaradas num relatório de peritagem sobre uma
coleção egípcia à venda numa leiloeira de Lisboa, são rematadas
por uma conspurcada sentença: é que «os traços finos do rosto e
a proporção da cabeça» levam o docente carioca a afirmar que é
uma produção do Império Novo (ou Reino Novo, diz ele, com a
terminologia usada no Brasil). Mas tem a dúvida de que se trate
realmente de «Amenófis XIV» (sic), um rei desconhecido, além
do uso da forma grega Amenófis, em vez de Amen-hotep, como
aliás ele tinha feito na sua obra sobre Texto, Imagem e Retórica
Visual na Arte Funerária Egípcia com Amenhotep (pp. 9 e 110)
publicada pela Autografia, uma rapace editora brasileira do Rio
de Janeiro que publicou esse livro pejado de anomalias gráficas.
Sem comentários:
Enviar um comentário