sexta-feira, 10 de julho de 2026

Ainda a hórrida cabeça

 

Retomando a análise ponderada e sensata que já tinha ficado no
conjunto de imagens publicadas na semana passada, renova-se,
com uma bela representação do faraó Amen-hotep III, da XVIII
dinastia, que se encontra no Museu Britânico, em Londres, uma
esclarecedora comparação com a hórrida e defeituosa imagem à
esquerda, que pretende representar um faraó, hipótese aceite, de
forma néscia e azarada, pelo egiptólogo Ronaldo Gurgel Pereira,
que é professor na FCSH-CHAM Universidade Nova de Lisboa,
tendo sido escolhido num concurso efetuado na FCSH em 2025.

Diz, com a maior das descontrações, o mencionado egiptólogo-
arqueólogo-feniciólogo que aquilo se trata de um «fragmento de 
estatueta (cabeça) representando um faraó», opinião insultuosa e
repelente - mas ele não tem qualquer dúvida, asseverando com a
nefanda e vil conclusão de que «esta estatueta foi confeccionada 
em alguma oficina anexa a algum templo, e possivelmente pelos
melhores escultores disponíveis no local uma vez que se trata de
uma representação do faraó»... O que dirá disto um estudante do 
1.º ano de História da Arte comparando as imagens publicadas?!
E o que diriam os exímios escultores egípcios aqui referidos em
abusiva e vexatória alusão para quem fazia arte de excelência?!!

Estas incríveis opiniões de um professor universitário da área de
História Antiga, exaradas num relatório de peritagem sobre uma
coleção egípcia à venda numa leiloeira de Lisboa, são rematadas
por uma conspurcada sentença: é que «os traços finos do rosto e
a proporção da cabeça» levam o docente carioca a afirmar que é
uma produção do Império Novo (ou Reino Novo, diz ele, com a
terminologia usada no Brasil). Mas tem a dúvida de que se trate
realmente de «Amenófis XIV» (sic) um rei desconhecido, além
do uso da forma grega Amenófis em vez de Amen-hotep, como
aliás ele tinha feito na sua obra sobre Texto, Imagem e Retórica 
Visual na Arte Funerária Egípcia com Amenhotep (pp. 9 e 110)
publicada pela Autografia, uma rapace editora brasileira do Rio
de Janeiro que publicou esse livro pejado de anomalias gráficas.

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