segunda-feira, 6 de julho de 2026

Amenemhat III e Merenptah no GEM

 

O Grande Museu Egípcio, que os nossos grupos de viajantes
costumam visitar demoradamente nas suas cinco galerias de
exposição com milhares de artefactos, exibe numa escadaria
monumental diversas estátuas, colunas, pórticos, sarcófagos,
altares, entre outras peças, como é o caso das esfinges reais.

O exemplo que aqui se apresenta é uma esfinge do Império 
Médio, que pertenceu ao rei Amenemhat III, da XII dinastia
(c. 1800 a. C.), mas seiscentos anos depois foi usurpada por
Merenptah, rei da XIX dinastia (Império Novo), mandando
gravar nela os seus nomes dentro das tradicionais cartelas.

A cartela é uma superfície lisa onde se pode inscrever o que
se desejar, e no antigo Egito servia para conter os nomes de
reis e rainhas - no entanto, o egiptólogo Gurgel Pereira, que
é docente na FCSH (Universidade Nova de Lisboa), afirma
que deve ser usado o termo «cartucho» em vez da «cartela».

Mas o termo cartucho em português tem um significado que
não parece ser prestigiante, é de resto bastante prosaico para
aludir àquela forma profilática que envolvia os nomes reais,
ou é um saco de papel para tremoços ou então um cartucho
para as espingardas de caça - aliás basta ir ver o dicionário.

Mas como isso dá por certo muito trabalho, escreve-se como
«os outros», em especial franceses ou ingleses, descurando a
língua portuguesa e as suas regras - mas felizmente milhares
de pessoas no nosso país usam o termo cartela para designar
a vinheta protetora dos nomes de reis, sem ir atrás de outros.

Nas cartelas que decoram a bela esfinge de granito escuro do
rei Amenemhat III pode ler-se não o nome dele mas sim o de
Merenptah, o qual se locupletou com a força vibrante que tal
representação leonina do faraó representa: e os nomes que lá
figuram são Baenré-meriamon e Hetephermaet-merenptah.

Quanto ao texto hieroglífico horizontal, que corre na base da
colossal imagem faraónica, lê-se da direita para a esquerda, e
diz:  Hórus touro poderoso (ka nakht) que rejubila em (com)
Maet (hai em Maet), rei do Alto e do Baixo Egito (nesu-biti), 
Baenré-merinetjeru (uma variante do nome anterior vertical)
filho de Ré (sa Ré), e o nome dentro da cartela está erodido.

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