quinta-feira, 23 de julho de 2026

Grande Museu Egípcio

 



Realiza-se no próximo dia 24 de julho, sexta-feira, uma sessão
dedicada ao novo e espetacular Grande Museu Egípcio, o qual
teve a sua inauguração oficial em novembro do ano passado, e
que continua a motivar um grande interesse em todo o mundo.

Este encontro cultural será na Livraria Sá da Costa, em Lisboa, 
na zona do Chiado, com início marcado para as 18 horas, numa
organização da Peddy+, que solicita o pagamento da inscrição
no valor de 10 euros, para o aluguer de um espaço na Livraria.

Contactos: info@peddymais.com e/ou tel. 91 477 38 36.


O Egito no ensino básico

 


O Antigo Egito é lecionado na disciplina de História no 7.º ano
de escolaridade do ensino básico em Portugal, existindo vários
manuais escolares à disposição de professores e alunos, como é
o caso dos exemplos que acima se revelam, referentes a um dos
melhores manuais do género, da autoria de prestigiados e muito
experientes professores da área que produziram um ótimo livro.

A capa do manual, deveras atraente para os alunos (e certamente
para os encarregados de educação), é acompanhada por algumas 
páginas da unidade dedicada às primeiras civilizações, e nelas o
Antigo Egito merece destaque com catorze páginas, das quais se
exibem aqui apenas três: a que apesenta a religião egípcia, outra 
que mostra exemplos da arte, e outra dedicada à escrita egípcia.

No ponto sobre a religião são referidos deuses importantes como 
Osíris, Amon-Ré, Hórus, Tot, Anúbis e deusas como Ísis, Hathor
e Maet. No ponto sobre a arte mostram-se exemplos conhecidos,
como é o caso de Akhenaton e Nefertiti, estatuária e pintura, com
uma peça de joalharia de Tutankhamon. No ponto sobre a escrita
vê-se a Pedra de Roseta e cartelas com os nomes de Ramsés II.

sábado, 11 de julho de 2026

Vasos de vísceras no GEM

 

Entre os muitos objetos expostos na vasta galeria do Grande
Museu Egípcio dedicada às crenças divinas e funerárias está
um conjunto de vasos de vísceras da XXVI dinastia (Época
Baixa), um tempo de retorno a formas do passado, que ficou
bem patenteado na arte com um curioso processo arcaizante
de imitar velhas iconografias, como se vê nas quatro tampas
que já não representam cabeças de animais, são humanas.

A partir da XIX dinastia, as tampas dos quatro vasos aptos a
guardar as vísceras do defunto (fígado, pulmões, estômago e
intestinos) exibiam cabeças diferentes que representavam os
quatro filhos do deus Hórus: Imseti (a quem a egiptóloga, já
reformada, Helena Trindade Lopes, chama «Emesti»), Hapi,
Duamutef (a quem ela chama «Duemantef») e Kebehsenuef 
(designado por «Quesenof»), em desmazelada deturpação.

Cada um dos quatro filhos do deus Hórus tinha a sua função,
eivada de uma ampla profilaxia tanatófila para o defunto em
vasos, em geral de alabastro, calcário, arenito e até madeira:
Imseti, com a cabeça humana, protegia o fígado (com Ísis)
Hapi, cabeça de babuíno, protegia os pulmões (com Néftis)
Duamutef, com cabeça de canídeo, o estômago (com Neit)
Kebehsenuef, cabeça de falcão, os intestinos (com Serket)

No entanto, o egiptólogo brasileiro Ronaldo Gurgel Pereira,
que é docente na Universidade Nova de Lisboa (FCSH), diz
que os órgãos guardados nos quatro vasos (que são vasos de
vísceras e não vasos canópicos) incluíam o coração, o que é
um erro crasso - todavia, em caso de dúvida sempre se pode 
perguntar aos alunos que eles logo responderão que de facto
o coração do defunto não era colocado nos vasos viscerais.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Ainda a hórrida cabeça

 

Retomando a análise ponderada e sensata que já tinha ficado no
conjunto de imagens publicadas na semana passada, renova-se,
com uma bela representação do faraó Amen-hotep III, da XVIII
dinastia, que se encontra no Museu Britânico, em Londres, uma
esclarecedora comparação com a hórrida e defeituosa imagem à
esquerda, que pretende representar um faraó, hipótese aceite, de
forma néscia e azarada, pelo egiptólogo Ronaldo Gurgel Pereira,
que é professor na FCSH-CHAM Universidade Nova de Lisboa,
tendo sido escolhido num concurso efetuado na FCSH em 2025.

Disse com a maior das descontrações o mencionado egiptólogo-
arqueólogo-feniciólogo que aquilo se trata de um «fragmento de 
estatueta (cabeça) representando um faraó», opinião insultuosa e
repelente - mas ele não tem qualquer dúvida, asseverando com a
nefanda e vil conclusão de que «esta estatueta foi confeccionada 
em alguma oficina anexa a algum templo, e possivelmente pelos
melhores escultores disponíveis no local uma vez que se trata de
uma representação do faraó»... O que dirá disto um estudante do 
1.º ano de História da Arte comparando as imagens publicadas?!
E o que diriam os exímios escultores egípcios aqui referidos em
abusiva e vexatória alusão para quem fazia arte de excelência?!!

Estas incríveis opiniões de um professor universitário da área de
História Antiga, exaradas num relatório de peritagem sobre uma
coleção egípcia à venda numa leiloeira de Lisboa, são rematadas
por uma conspurcada sentença: é que «os traços finos do rosto e
a proporção da cabeça» levam o docente carioca a afirmar que é
uma produção do Império Novo (ou Reino Novo, diz ele, com a
terminologia usada no Brasil). Mas tem a dúvida de que se trate
realmente de «Amenófis XIV» (sic) um rei desconhecido, além
do uso da forma grega Amenófis em vez de Amen-hotep, como
aliás ele tinha feito na sua obra sobre Texto, Imagem e Retórica 
Visual na Arte Funerária Egípcia com Amenhotep (pp. 9 e 110)
publicada pela Autografia, uma rapace editora brasileira do Rio
de Janeiro que publicou esse livro pejado de anomalias gráficas.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Amenemhat III e Merenptah no GEM

 

O Grande Museu Egípcio, que os nossos grupos de viajantes
costumam visitar demoradamente nas suas cinco galerias de
exposição com milhares de artefactos, exibe numa escadaria
monumental diversas estátuas, colunas, pórticos, sarcófagos,
altares, entre outras peças, como é o caso das esfinges reais.

O exemplo que aqui se apresenta é uma esfinge do Império 
Médio, que pertenceu ao rei Amenemhat III, da XII dinastia
(c. 1800 a. C.), mas seiscentos anos depois foi usurpada por
Merenptah, rei da XIX dinastia (Império Novo), mandando
gravar nela os seus nomes dentro das tradicionais cartelas.

A cartela é uma superfície lisa onde se pode inscrever o que
se desejar, e no antigo Egito servia para conter os nomes de
reis e rainhas - no entanto, o egiptólogo Gurgel Pereira, que
é docente na FCSH (Universidade Nova de Lisboa), afirma
que deve ser usado o termo «cartucho» em vez de «cartela».

Mas o termo cartucho em português tem um significado que
não parece ser prestigiante, é de resto bastante prosaico para
aludir àquela forma profilática que envolvia os nomes reais,
ou é um saco de papel para tremoços ou então um cartucho
para as espingardas de caça - aliás basta ir ver o dicionário.

Mas como isso dá por certo muito trabalho, escreve-se como
«os outros», em especial franceses ou ingleses, descurando a
língua portuguesa e as suas regras - mas felizmente milhares
de pessoas no nosso país usam o termo cartela para designar
a vinheta protetora dos nomes de reis, sem ir atrás de outros.

Nas cartelas que decoram a bela esfinge de granito escuro do
rei Amenemhat III pode ler-se não o nome dele mas sim o de
Merenptah, o qual se locupletou com a força vibrante que tal
representação leonina do faraó patenteia: e os nomes que lá
figuram são Baenré-meriamon e Hetephermaet-merenptah.

Quanto ao texto hieroglífico horizontal, que corre na base da
colossal imagem faraónica, lê-se da direita para a esquerda, e
diz:  Hórus touro poderoso (ka nakht) que rejubila em (com)
Maet (hai em Maet), rei do Alto e do Baixo Egito (nesu-biti), 
Baenré-merinetjeru (uma variante do nome anterior vertical)
filho de Ré (sa Ré), e o nome dentro da cartela está erodido.

Muita sorte no Nilo



Recordando um célebre título de uma obra da escritora Agatha
Christie, e que daria origem a vários filmes emocionantes com
a idêntica designação de «Morte no Nilo», aqui fica uma breve
crónica publicada no Jornal de Letras há vinte anos (agosto de
2006) num conjunto de artigos reunidos numa secção chamada
«Viagens com Livros», para a qual foram convidados diversos
escritores que descreveram os sítios para onde tinham viajado.
 
Vinte anos depois continuamos a viajar para o Egito para estar
nas necrópoles de Sakara e Guiza, ou nos templos de Karnak e 
de Lucsor, Deir el-Bahari e o Vale dos Reis, Edfu, Kom Ombo,
Assuão, Filae e Abu Simbel, entre outros locais. Felizmente os
viajantes poderão escolher livremente agências de viagens que
tenham guias capazes e sabedores dos temas que interessam, e
que, sem estar a ler papéis, explicam ao vivo os monumentos.

domingo, 5 de julho de 2026

O faraó Amen-hotep III





Para muitos egiptólogos, o reinado de Amen-hotep III (c. 1390-
-1353 a. C.) marca o apogeu da civilização egípcia, bem patente
num ambiente pacífico de cosmopolitismo e de amplas relações
comerciais e diplomáticas com o estrangeiro, e o florescimento
da arte, tanto na arquitetura como na estatuária e baixo-relevo,
neste caso testemunhado nas paredes de templos e de túmulos.

As obras escultóricas, quer as de grande porte quer as pequenas
produções em estatuetas do rei e de muitos particulares, provam
a excelência do refinado e delicado gosto estético dos artistas da
época, sendo um belo exemplo as representações do jovem faraó
na fase adolescente, restando lamentavelmente em muitos casos 
apenas a cabeça real, com traços típicos nos olhos e nos lábios.

E são alguns desses exemplos que aqui se apresentam, evocando
o deliberado intento de celebrar a eterna juvenilização do rei, até
mesmo em imagens mais tardias do seu feliz reinado, a começar
pelas duas imagens de cima, colocadas lado a lado, a do Museu 
Calouste Gulbenkian e a do Museu do Louvre, e, para comparar 
novamente, a do Museu do Louvre e a do Museu de Cleveland.

Mas eis que no terceiro grupo nos aparece uma horrorosa cabeça
que pretende representar o venturoso monarca, tendo ao seu lado
a imagem de Amen-hotep III, com os seus traços inconfundíveis,
numa cabeça fraturada do Metropolitan Museum of Art de Nova
Iorque, que permite uma esclarecedora comparação, e em baixo 
uma esfinge de faiança de Amen-hotep III com o rosto juvenil.

Das seis cabeças do conhecido rei egípcio da XVIII dinastia aqui
mostradas há uma que evidentemente destoa, que é a quinta vista
no terceiro bloco de imagens: trata-se de uma imitação grotesca e
desajeitada de um falsificador que a procurou impingir a incautos
colecionadores, e por isso ela esteve à venda na «Renascimento»,
uma firma leiloeira de Lisboa, e a Polícia Judiciária confiscou-a.

O egiptólogo Ronaldo Gurgel Pereira, que agora ensina na FCSH
da Universidade Nova de Lisboa, desde que venceu um concurso 
para professor de História Antiga ali realizado em 2025, elaborou
um relatório sobre os artefactos egípcios à venda na mencionada
leiloeira, e disse que a hedionda e imbecil cabeça era autêntica!!!
- apesar do parecer contrário do egiptólogo Zahi Hauass e o meu.

Donde se conclui que não bastará conhecer a gramática da língua
egípcia e saber redigir no quadro com desenvoltura a bela escrita
hieroglífica - é preciso ter noções basilares sobre a história social 
e política, a cultura e a arte do antigo Egito para poder dar aulas e 
dar pareceres sérios, ao invés do que o arqueólogo-egiptólogo da
FCSH - NOVA fez em relação à horrenda cabeça aqui publicada.

Viagem ao Alto Alentejo

 




No dia 25 de junho partiu rumo ao Alto Alentejo um pequeno
grupo de antigos viajantes do Egito (alguns dos quais também
estiveram na Turquia, Jordânia, Arménia, Geórgia e Creta), na
expetativa de conhecerem a história, a cultura e monumentos,
mas não esquecendo a bela e saborosa gastronomia alentejana,
merecendo então um justo encómio o restaurante Páteo Real,
onde os excursionistas se deliciaram com alguns pitéus locais.

Esta visita incluiu os castelos da Amieira e de Alter do Chão e
ainda o mosteiro de Flor da Rosa e a ponte romana de Nisa, os
monumentos que se recordam nas imagens aqui publicadas, as
quais incluem também os participantes nessa frutuosa viagem,
bem conduzida culturalmente pelo Professor José Varandas da
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e especialista
nato em fortificações medievais e de outras épocas históricas.

Fortalezas na Núbia

 



Realizou-se no passado dia 29 de junho a anunciada sessão
sobre as fortificações do antigo Egito dando especial relevo
à rede de fortalezas erigidas na Núbia durante a XII dinastia
do Império Médio (c. 1980-1780 a.C.), com um particular e 
decisivo empenho de reis como Senuseret I e Senuseret III.

O auditório da APAC (Associação Portuguesa dos Amigos 
dos Castelos) estava totalmente cheio, e é gratificante ver o
vivo interesse revelado pelas pessoas em relação aos vários 
temas que evocam a notável civilização do antigo Egito em
singelo contributo para uma difusão séria e fundamentada.