segunda-feira, 6 de julho de 2026

Muita sorte no Nilo



Recordando um célebre título de uma obra da escritora Agatha
Christie, e que daria origem a vários filmes emocionantes com
a idêntica designação de «Morte no Nilo», aqui fica uma breve
crónica publicada no Jornal de Letras há vinte anos (agosto de
2006) num conjunto de artigos reunidos numa secção chamada
«Viagens com Livros», para a qual foram convidados diversos
escritores que descreveram os sítios para onde tinham viajado.
 
Vinte anos depois continuamos a viajar para o Egito, para estar
nas necrópoles de Sakara e Guiza, ou nos templos de Karnak e 
de Lucsor, Deir el-Bahari e o Vale dos Reis, Edfu, Kom Ombo,
Assuão, Filae e Abu Simbel, entre outros locais. Felizmente os
viajantes poderão escolher livremente agências de viagens que
tenham guias capazes e sabedores dos temas que interessam, e
que, sem estar a ler papéis, explicam ao vivo os monumentos.

domingo, 5 de julho de 2026

O faraó Amen-hotep III





Para muitos egiptólogos, o reinado de Amen-hotep III (c. 1390-
-1353 a. C.) marca o apogeu da civilização egípcia, bem patente
num ambiente pacífico de cosmopolitismo e de amplas relações
comerciais e diplomáticas com o estrangeiro, e o florescimento
da arte, tanto na arquitetura como na estatuária e baixo-relevo,
neste caso testemunhado nas paredes de templos e de túmulos.

As obras escultóricas, quer as de grande porte quer as pequenas
produções em estatuetas do rei e de muitos particulares, provam
a excelência do refinado e delicado gosto estético dos artistas da
época, sendo um belo exemplo as representações do jovem faraó
na fase adolescente, restando lamentavelmente em muitos casos 
apenas a cabeça real, com traços típicos nos olhos e nos lábios.

E são alguns desses exemplos que aqui se apresentam, evocando
o deliberado intento de celebrar a eterna juvenilização do rei, até
mesmo em imagens mais tardias do seu feliz reinado, a começar
pelas duas imagens de cima, colocadas lado a lado, a do Museu 
Calouste Gulbenkian e a do Museu do Louvre, e, para comparar 
novamente, a do Museu do Louvre e a do Museu de Cleveland.

Mas eis que no terceiro grupo nos aparece uma horrorosa cabeça
que pretende representar o venturoso monarca, tendo ao seu lado
a imagem de Amen-hotep III, com os seus traços inconfundíveis,
numa cabeça fraturada do Metropolitan Museum of Art de Nova
Iorque, que permite uma esclarecedora comparação, e em baixo 
uma esfinge de faiança de Amen-hotep III com o rosto juvenil.

Das seis cabeças do conhecido rei egípcio da XVIII dinastia aqui
mostradas há uma que evidentemente destoa, que é a quinta vista
no terceiro bloco de imagens: trata-se de uma imitação grotesca e
desajeitada de um falsificador que a procurou impingir a incautos
colecionadores, e por isso ela esteve à venda na «Renascimento»,
uma firma leiloeira de Lisboa, e a Polícia Judiciária confiscou-a.

O egiptólogo Ronaldo Gurgel Pereira, que agora ensina na FCSH
da Universidade Nova de Lisboa, desde que venceu um concurso 
para professor de História Antiga ali realizado em 2025, elaborou
um relatório sobre os artefactos egípcios à venda na mencionada
leiloeira, e disse que a hedionda e imbecil cabeça era autêntica!!!
- apesar do parecer contrário do egiptólogo Zahi Hauass e o meu.

Donde se conclui que não bastará conhecer a gramática da língua
egípcia e saber redigir no quadro com desenvoltura a bela escrita
hieroglífica - é preciso ter noções basilares sobre a história social 
e política, a cultura e a arte do antigo Egito para poder dar aulas e 
dar pareceres sérios, ao invés do que o arqueólogo-egiptólogo da
FCSH - NOVA fez em relação à horrenda cabeça aqui publicada.

Viagem ao Alto Alentejo

 




No dia 25 de junho partiu rumo ao Alto Alentejo um pequeno
grupo de antigos viajantes do Egito (alguns dos quais também
estiveram na Turquia, Jordânia, Arménia, Geórgia e Creta), na
expetativa de conhecerem a história, a cultura e monumentos,
mas não esquecendo a bela e saborosa gastronomia alentejana,
merecendo então um justo encómio o restaurante Páteo Real,
onde os excursionistas se deliciaram com alguns pitéus locais.

Esta visita incluiu os castelos da Amieira e de Alter do Chão e
ainda o mosteiro de Flor da Rosa e a ponte romana de Nisa, os
monumentos que se recordam nas imagens aqui publicadas, as
quais incluem também os participantes nessa frutuosa viagem,
bem conduzida culturalmente pelo Professor José Varandas da
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e especialista
nato em fortificações medievais e de outras épocas históricas.

Fortalezas na Núbia

 



Realizou-se no passado dia 29 de junho a anunciada sessão
sobre as fortificações do antigo Egito dando especial relevo
à rede de fortalezas erigidas na Núbia durante a XII dinastia
do Império Médio (c. 1980-1780 a.C.), com um particular e 
decisivo empenho de reis como Senuseret I e Senuseret III.

O auditório da APAC (Associação Portuguesa dos Amigos 
dos Castelos) estava totalmente cheio, e é gratificante ver o
vivo interesse revelado pelas pessoas em relação aos vários 
temas que evocam a notável civilização do antigo Egito em
singelo contributo para uma difusão séria e fundamentada.