Na verdade o faraó Kheperkheperuré Ai, de finais da notável
XVIII dinastia, é pouco conhecido, até porque reinou apenas
quatro anos (c. 1323-1320 a.C.), tendo deixado poucos dados
históricos e arqueológicos, com a agravante de o breve poder
de que desfrutou ter sido banido e apagado por Horemheb.
Uma das mais evidentes e conhecidas provas do seu reinado,
praticamente sem documentos expressivos, pode ver-se num
evento mítico-ideológico pintado numa parede do fruste mas
bem recheado túmulo de Tutankhamon, a quem ele sucedeu,
pondo um fim claro ao período «revolucionário» de Amarna.
A imagem da direita mostra uma imagem restaurada do faraó
Kheperkheperuré Ai numa placa vidraçada do Grande Museu
Egípcio, que se inspira na verdadeira imagem desse rei como
consta no túmulo de Tutankhamon (na foto da esquerda), em
que o jovem faraó defunto se perfila na pose do deus Osíris.
Em cima da figura de Tutankhamon a legenda hieroglífica do
rei osirificado apresenta-o como deus beneficente, senhor das
Duas Terras, senhor das coroas, rei do Alto e do Baixo Egito,
Nebkheperuré, filho de Ré, Tutankhamon, governante de He-
liópolis do Sul (Ermant), dotado de vida, eternamente.
À frente dele encontra-se o seu herdeiro Kheperkheperuré Ai
já com 60 anos, a proceder ao ritual de abertura da boca, com
um símbolo mágico (setep), estando coberto por uma vistosa
pele de leopardo, porque está a exercer funções sacerdotais a
favor de seu «pai», com 18 anos, tão precocemente falecido.
À frente do novo faraó, que exibe a coroa azul, pode ler-se a
seguinte inscrição: Deus beneficente, senhor das Duas Terras
e senhor da criação (ou seja «fazedor de coisas»), rei do Alto
e do Baixo Egito, Kheperkheperuré, filho de Ré, It-netjer Ai,
dotado de vida como Ré, eternamente, para sempre.
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