O rei Amenemhat III, da XII dinastia do Império Médio, fez
erguer para si próprio duas pirâmides, uma em Hauara onde
ficou sepultado, e outra anterior em Dahchur, conhecida por
«pirâmide negra», que é aquela que estas imagens mostram.
Desta pirâmide preservou-se um bloco de basalto polido, de
forma piramidal, conhecido como piramidion, para fechar a
construção em cima, que se vê na primeira foto, e que agora
está exposto no antigo Museu Egípcio do Cairo (JE 35133).
A pirâmide, cuja altura era de cerca de 80 m, com uma base
de 105 m, foi erigida em tijolo (como se pode ver na foto ao
centro, obtida em finais do século XIX, nas escavações de J.
de Morgan), sendo revestida depois com blocos de calcário.
O piramidion, com 1,40 m de altura e um peso superior a 4
toneladas, está decorado em todas as suas quatro faces com
belos hieróglifos gravados na dureza da pedra, vendo-se na
foto de cima a sua face oriental virada para o nascer do sol.
Ao centro vê-se uma representação do disco solar alado, que
é a imagem do rei divinizado no céu, permitindo a leitura de
«Amenemhat contempla a beleza do sol», e a partir do disco
solar estão os nomes reais. Lado direito: rei do Alto e Baixo
Egito Nimaetré, dotado de vida eternamente; lado esquerdo:
filho de Ré, Amenemhat, dotado de vida eternamente. Note-
-se o virtuosismo estético do enquadramento gráfico unindo
harmoniosamente o conjunto, como é típico da XII dinastia.
A tradução do texto da primeira linha é a seguinte: Palavras
a dizer: Que se abra o olhar do rei do Alto e do Baixo Egito,
senhor das Duas Terras, Nimaetré, que ele veja o senhor do
horizonte navegando no céu, e que este faça aparecer o filho
de Ré Amenemhat como um deus e uma estrela imperecível.
Na linha de baixo: Palavras a dizer pelo soberano: Eu dou o
belo horizonte às Duas Senhoras, tomei a herança das Duas
Terras para que nelas repouse, fruindo o céu. Palavras ditas
pelo horizonte: que nelas repouses, fruindo o céu.
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