sexta-feira, 1 de julho de 2011

Inauguração da Avenida das Esfinges


De acordo com a notícia publicada no Blog do Dr. Hawass, à qual podem aceder através do link (título), está a ser preparada para Outubro do corrente ano a grandiosa abertura da Avenida das Esfinges.

Devidamente restaurada, a Avenida das Esfinges tem 2,7 Km de extensão e é assim denominada pois é ladeada de Esfinges em todo o seu percurso. Terá uma iluminação própria, adequada à importância arqueológica do sítio.

No templo de Karnak a Rainha Hatshepsut registou ter ali mandado construir 6 capelas dedicadas a Amon-Ré. Sucessivas construções e restauros terão sido realizados nos reinados de Akhenaton, Tutankhamon e Horemheb. Também ali se encontraram oficinas do tempo Greco-romano. O Rei Nectanebo I (30ª Din.) reconstruiu a Avenida de modo a poder ali realizar-se a procissão anual da Barca Sagrada de Amon, quando esta divindade visitava a sua divina mulher Mut. Lê-se numa inscrição desse tempo: "Construí para o meu pai Amon-Ré uma bela estrada ladeada de paredes decoradas com flores para a procissão do templo de Luxor".

ps. a foto é cortesia do Cmdt. Artur Pereira

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Museu Fitzwilliam - Cambridge, R.U.


O Império Antigo, também conhecido como a Era das Pirâmides, tem como percursor o Rei Djoser, para quem o Arquitecto Imhotep construiu uma primeira Pirâmide, a Pirâmide de Degraus, em Sakara. Construída para ser o complexo funerário do Rei, consiste o seu interior num elaborado sistema de quartos e corredores revestidos de magníficos conjuntos de azulejos em faiança egípcia. (A "faiança egípcia" assim denominada, por ser um composto de quartzo esmagado com pasta de vidro, distinguindo-se da verdadeira faiança do Séc. XV, a majólica).
Os azulejos da foto estavam engessados precisamente numa das paredes referidas, do complexo funerário de Djoser, III dinastia, c.2690-2670 B.C.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O SENTIDO DA HISTÓRIA
















Entre 1858 e 1926 as escavações em Abydos foram orientadas principalmente por dois arqueólogos: Auguste Mariette e Flinders Petrie, cujas personalidades e métodos não podiam ser mais distintos.
Mariette, nomeado em 1858, primeiro chefe da Organização de Antiguidades Egípcias, recuperou em Abydos, desde 1858 até 1861, uma vasta quantidade de materiais e publicou sobre o sítio os primeiros relatórios arqueológicos significativos. Morreu em 1881, um ano depois de Petrie visitar o Egipto pela primeira vez.
Petrie promoveu escavações meticulosas e focalizadas por 2 vezes: 1899-1903 e 1921-22. Supervisionava pessoalmente as escavações, em proximidade com os assistentes. Apesar das excentricidades, era muito respeitado. Foi Petrie que identificou, perto do Templo de Khentamentiu, que mais tarde se apelidaria de Osíris, uma povoação de tamanho considerável, a que está associado um importante cemitério, onde desde a Dinastia O até à II Dinastia foram sepultados muitos Reis do Egipto e seus antecessores.
O Museu Petrie em Londres tem mais de 80000 objectos reportados ao Vale do Nilo.

Vem aí uma segunda barca solar


«Khufu’s second solar boat revealed


Buried for 4,500 years, King Khufu’s second solar boat, designed to ferry him to the afterlife, has been uncoveredNevine El-Aref , Thursday 23 Jun 2011

Today, hundreds of foreign and Egyptian journalists along with photographers, cameramen and TV presenters flocked to the Giza Plateau, where Minister of State for Antiquities Zahi Hawass, Chargé d’Affaires at the Japanese Embassy to Egypt Masami Kinefuchi, and the chief executive representative of the Nitori Holding Company, Akio Nitori, unveiled King Khufu’s second solar boat.

This boat was first discovered in 1954 by Egyptian architect and archaeologist Kamal El-Malakh with fellow archaeologist Zaki Nour during routine cleaning at the southern side of Khufu’s Great Pyramid. The first pit was found under a roof of 41 limestone slabs. Removing one of these slabs, a cedar boat, completely dismantled but arranged in the semblance of its finished form, was found along with layers of mats, ropes, instruments made of flint and some small pieces of white plaster with 12 oars, 58 poles, three cylindrical columns and five doors.

The boat was removed from the pit to a nearby warehouse where the late master of restorers Ahmed Youssef spent more than 20 years reassembling it. It is now exhibited at the Khufu Solar Boat Museum near to the Great Pyramid. The second solar boat remained sealed in its pit until 1987 when the American National Geographic Society examined it in association with the Egyptian Office for Historical Monuments. The team penetrated the limestone ceiling and inserted a tiny camera ascertain the boat’s status, then sealing the pit again. Unfortunately the hole made leaked air into the pit, allowing insects to thrive inside and damage some part of the boat’s wooden beams.

In collaboration with the Japanese government, a Japanese scientific and archaeological team from Waseda University offered a grant of $10 million to lift the boat out of the pit, restore and reassemble it and exhibit it beside its twin. A joint team made up of staff of the Egyptian Ministry of State for Antiquities, a delegation from Waseda University and the Japanese Institute for Restoration Research embarked on a scientific examination of the boat.

In 2008, the Japanese team from Waseda University led by archaeologist Sakuji Yoshimura inserted a tiny camera through a hole in the chamber’s limestone ceiling to transmit video images of the boat onto a small TV monitor on site in order to re-examine and assess the condition of the boat’s cedar beams and ascertain at the possibility of restoring it. It also make the boat available to Giza Plateau visitors through an LCD screen installed inside a hangar erected at the Plateau.

Today, after the completion of a comprehensive study, the limestone blocks, consisting of 41 panels that have covered the boat pit for 4,500 years, were removed and the boat’s wooden beams extracted one by one to a special warehouse in order to be reassembled as it would have looked in ancient times.

A beaming Hawass told reporters that it is the first time that this technology has been used to look at buried antiquities. Modern technology had also been used to solve other riddles of ancient Egypt, explained Hawass, such as the "CT scan examination to know the reason for the mysterious death of Tutankhamun, as well as identifying royal mummies, such as that of Queen Hatshepsut, and the diseases they suffered from," he said. He celebrated the application of modern science in the service of ancient history.

Upon completion of the restoration, the boat will be erected near the entrance gate to the Pyramids Plateau, on the Cairo-Fayoum road, Hawass told reporters. The first boat, on the other hand, will be moved from its current site, beside Khufu's Pyramid to the Grand Egyptian Museum, currently under construction.»

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Morte no Nilo


Às 22:21h de amanhã, na RTP Memória.

E a Núbia?


Uma curiosíssima variante de pirâmides, as do actual Sudão, em que, por bela disposição cénica, aquelas se dispõem como que acopladas em pilones. Definitivamente, do outro mundo. Definitivamente, à atenção dos programas turísticos e das visitas de estudo.



Foto

terça-feira, 14 de junho de 2011

Os deuses que há em mim

«Eu sou Ré que torna fortes os que ama.
Eu sou o Nó do Destino cósmico escondido na Árvore sacrossanta.
Se eu prospero, Ré prospera.
Em verdade, vede!
Os cabelos da minha cabeça são os mesmos do deus Nun.
O meu rosto é o Disco solar de Ré.
A força da deusa Hathor vive nos meus olhos.
A alma de Upuaut ecoa nas minhas orelhas.
No meu nariz vivem as forças do deus Khenti-Khas.
Os meus dois lábios são os lábios de Anupu.
Os meus dentes são os dentes de Serket.
O meu pescoço é o pescoço da deusa Ísis.
As minhas duas mãos são as mãos do poderoso Senhor de Djedu.
É Neit, a soberana de Sais, que vive nos meus dois braços.
A minha coluna vertebral é a de Set.
O meu falo é o falo de Osíris.
A minha carne é a carne do senhor de Kher-Aha.
O meu peito é o do Senhor dos Terrores.
O meu ventre e as minhas costas são os da deusa Sekhemet.
As forças do Olho de Hórus circulam nas minhas nádegas.
As minhas pernas são as pernas de Nut.
Os meus pés são os os pés de Ptah.
Os meus dedos são os dedos do duplo Falcão divino que vive eternamente.
Em verdade! Não há nem um só dos meus membros do meu corpo que não seja habitado por uma divindade.
Quanto a Tot, ele protege todo o meu corpo.
Semelhante a Ré, renovo-me todos os dias.»


Extracto do capítulo XLII do Livro dos Mortos

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Hicsos- Sua influência na história do Antigo Egito

Às vezes o que aparentemente é mau pode ter, no fim, uma influência bem positiva.
Aqui deixo um exemplo...
Se o asteróide que caiu há 65 milhões de anos na região do Iucatão não tivesse acertado na Terra, ainda hoje provavelmente os dinossauros por aqui andavam e nós nunca teríamos hipótese de aqui estar...

Mas aonde é que eu quero chegar?

No fim do Império Médio (XIII dinastia) o poder dos faraós decai significativamente, ao mesmo tempo que aumenta de modo si
gnificante a influência dos nomarcas e chefes regionais. No Baixo Egito começaram a chegar, ao longo de várias décadas, povos nómadas algo heterogéneos, de origem asiática, a quem mais tarde se chamou de Hicsos.
Esses povos eram culturalmente menos desenvolvidos que os egípcios, mas em determinada altura, por possuírem uma técnica militar mais evoluída, nomeadamente o uso de cavalos com carros de combate e arcos de flechas mais potentes e precisos, infligiram uma pesada derrota, pelo que a XV e XVI dinastias foram dominadas por faraós hicsos.
A sua presença no Egito teve, no entanto, alguns pontos positivos, pois trouxeram muitas inovações tecnológicas que passaram a fazer parte do património egípcio.
O faraó Ahmés, fundador da XVIII dinastia, combateu e venceu finalmente
os Hicsos, mas beneficiaram dos conhecimentos adquiridos e permitiu o início de um novo período de desenvolvimento, a que se chamou Império Novo.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Mais uma BD imprescindível:


Blake e Mortimer (1954), por Edgard P. Jacobs. Tem algumas similitudes com a epopeia vivida pelos demais escribas há pouco mais que um ano, senão vejamos:

«Le professeur Philip Mortimer a décidé de passer ses vacances au Caire avec son fidèle serviteur, Nasir. Il compte y retrouver son vieil ami, le professeur Ahmed Rassim Bey, conservateur du Musée des Antiquités Égyptiennes, qui lui offre la fantastique opportunité d’assouvir sa passion pour l’égyptologie. Le professeur Bey l’a invité à participer au déchiffrement de ses dernières trouvailles, en l’occurrence des papyrus provenant d’un cartonnage de momie de l’époque des Ptolémées.

Son enthousiasme est tel qu’il ne s’inquiète pas des soupçons de Nasir, qui, dès leur arrivée à l’aéroport, a l’impression qu’ils sont suivis par une mystérieuse " Lincoln " noire. Il se plonge avec délices dans les mystères de l’égyptologie antique. Et quelle n’est pas sa stupéfaction de découvrir que l’un des fragments semble avoir été écrit par Manethon, seul historien de race égyptienne connu et dont l’œuvre avait été perdue depuis deux mille ans.
[...]»

Cara ou coroa?

Para os antigos egípcios a simbologia era fundamental.
A coroa real transmitia ao faraó uma força sobrenatural e mágica, importante para a sua afirmação ideológica sobre os seus súbditos.

(à direita- coroação do imperador romano Tibério)


No Alto Egito era utilizada a coroa branca, Hedjet, de forma aproximada de cone alto com ponta arredondada. Para além do faraó era frequentemente associada à deusa abutre, Nekhbet que regia o Alto Egito.


No Baixo Egito era utilizada a coroa vermelha, Decheret, de forma aproximada de tronco de cilindro, com uma alta procidência posterior e apresentando à frente um apêndice enrolado possivelmente relacionado com a antena da abelha, inseto que se encontrava relacionado com o baixo Egito. Também se associava à divindade titular do Baixo Egito, a deusa serpente, Uadjit.
Desde que foi realizada a união do Alto e Baixo Egito que se juntaram sob a forma da coroa dupla, Pschent, as duas coroas representativas dos dois reinos, já anteriormente em uso.
Já na paleta de Narmer , que documenta a reunião das duas terras, ambas as coroas eram representadas na cabeça do faraó, embora ainda em imagens separadas já que se encontravam uma em cada face da referida paleta.


sábado, 4 de junho de 2011

Vai. Glups.


Ei-la, a henket mais famosa do Egipto ... actual.

Ora vai uma cervejinha?


Estamos a entrar no verão... por isso vou esmiuçar um pouco o tema...

A cerveja foi criada há muitos milhares de anos, ainda em período pré-histórico aparentemente na região da Mesopotâmia pelos Sumérios mas também foi produzida desde uma fase muito arcaica no Egito e é quase tão antiga como a confeção do pão. De facto as cervejarias mais antigas foram descobertas no Egito e datavam do período anterior a 5000 a.C.

As características dessa cerveja eram bastante diferente da cerveja actual embora tambem ela fosse produzida pela fermentação da cevada a que se associavam outros componentes (tâmaras, mel, etc.) para enriquecer o sabor e produzir num líquido mais espesso e nutritivo.
Pela semelhança de processos (fermentação) com a panificação, foi nas padarias que se iniciou o seu fabrico.
A cerveja tornou-se a bebida nacional e fazia juntamente com o pão a base da sua alimentação, por essa razão era utilizada como parte do pagamento pelo trabalho executado.
Também não era de admirar que fosse um produto muito apreciado para ofertas funerárias assim como para os deuses.


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Antigo Egito a terra da dualidade

Na verdade o Nilo é só um, mas é um facto que tem duas margens.


Os antigos egípcios cedo criaram um mundo de dualidades.
A margem oriental, onde o sol nascia, era dedicada aos vivos, enquanto o lado ocidental, onde o sol se punha, era vocacionado para os que estavam no Além. Daí, com raríssimas exceções, ser a zona ocidental a escolhida para os túmulos. pirâmides, mastabas e templos funerários; enquanto a zona oriental era a dos templos votivos dos muitos deuses, assim como as cidades dos homens.
O país também era conhecido pelas duas terras: uma a norte, o baixo Egito, representado pelo papiro, pela abelha ou pela deusa cobra (Uadgit),
e o baixo Egito, representado pela flor de lotus, pelo junco ou pela deusa abutre (Nekhbet)
Para além destas dualidades, havia outras, como a terra negra, cor dada pelos aluviões trazidos pelas cheias do Nilo (Khemet) e a terra vermelha que corresponde ao deserto (Decheret); o dia e a noite; a ordem e o caos. Cabia à deusa Maet, com a sua inconfundível pena de avestruz na cabeça, a preservação da ordem, a justiça e a harmonia tão cara aos antigos egípcios.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

E o nariz da esfinge?


O álbum «Astérix e Cleópatra» é peremptório: o nariz da esfinge mais conhecida do Egipto partiu-se por culpa do obeso Obélix. Isto é, a BD ganhou aos pontos à "História", seja ela qual for e essa é que é essa.

Aconchegada em estátua-cubo


A princesa Neferuré no regaço do seu preceptor Senenmut

(Museu Egípcio de Berlim)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Horror Vacui

A ideia deste tema surgiu-me após uma visita a um dos locais onde, no nosso país, se podem encontrar sarcófagos egípcios antropomórficos, por sinal, particularmente mal conservados, (a história do costume, problemas logístico/financeiros, etc..) mas não é isso que agora interessa, mas sim a profusa decoração que os antigos egípcios aplicavam nos sarcófagos, e que cabe na categoria da historia de arte de “horror vacui”, que significa precisamente o horror ao espaço vazio, não deixando nenhum centímetro por preencher. As diversas épocas registam, na arte, diversas formas de expressão onde este elemento está presente mas, seguramente com objectivos diferentes dos antigos egípcios. Uma arte que procura a perfeição, não para ser admirada pelos vivos, mas para ficar “escondida por toda a eternidade”, para garantir que o defunto atinja a vida eterna, pode, de acordo com a hierarquia social da época, decorar o mais que pode, na esperança de que quanto mais pode, mais eficaz será.

O verdadeiro Post(e)

Para os meus amigos escribas, que tanto me têm criticado por não "postar" nada ultimamente, aqui vos deixo a verdadeira razão, tenho andado a trabalhar no post, e saiu isto...bom, para não dar por totalmente perdido este precioso conjunto de bites que este post consome, aqui vai um link com as últimas do nosso estimado Hawass, com os (s) todos..

http://www.nytimes.com/2011/04/18/arts/design/antiquities-official-sentenced-in-egypt.html?_r=2&ref=design

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Abido, fonte de conhecimento

É conhecida a importância de Abido como local onde se cimentou a ideologia que modulou a prática civilizacional egípcia durante mais de 3000 anos.
Abido contribui sobremaneira para a compreensão da cultura do Antigo Egipto como um todo e nas suas várias vertentes.
Hoje gostaria de, embora ao de leve, realçar as possibilidades de conhecimento sobre urbanismo que as escavações arqueológicas no canto Norte de Abido já conseguiram. Mathew Adams identificou 9 casas, construídas na mesma altura, no início do I Período Intermediário e que ainda funcionavam no início do Império Médio. Formam um conjunto muito diferente dos das "cidades" das Pirâmides, cujo padrão de construção é repetitivo e com funcionalidades específicas.
Construídas a Sul do que terá sido uma casa excepcionalmente grande, possivelmente habitada por um Alto Sacerdote, tinham funcionalidades muito diversificadas e não obedecem a um padrão de construção. São todas diferentes umas das outras, o que constitui uma especificidade rara na arqueologia egípcia. Adjacente uma manufactura de faiança, ou seja cerâmica fina, usada em amuletos, estatuetas e quejandos. Inscrições evidenciam uma comunidade complexa que corresponde aos achados arqueológicos.
Estes achados são também importantes porque são de uma época tremendamente conflituosa, que tanto afectou a elite dominante. Contudo não se encontra deterioração das condições de vida e existem muitos materiais importados do Sul. Será que a luta pelo poder passou ao lado das populações?
Fonte: David O'Connor, Abydos, The American University in Cairo Press

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Description de l'Egypte

Napoleão Bonaparte foi um dos grandes responsáveis pela divulgação da história do Antigo Egito.
Na sua expedição ao Egito (1798 a 1801) vieram mais de 160 especialistas ligados a variadas áreas, assim como largas centenas de artistas especializados em desenho e pintura. No fim foram feitos vários livros em que mostrava com bastante detalhe os monumentos e artefactos encontrados no Egito, e a que se chamou globalmente "Description de l'Egypte" e foram publicados progressivamente entre 1909 e 1929.

No Link da Wikipedia podemos ter uma ideia geral desta extraordinária obra.

Aqui abaixo fica então o interessante link com acesso a uma parte importante desta obra e que eu recomendo vivamente.
Nota: Escolher a divisória "Plates Volumes" que se encontra na parte superior da página para ver as excelentes imagens da obra. Pode-se fazer zoom de cada página e até copiar para o nosso desktop. ;-).
(Para os que queiram também ver os textos, é escolher a divisória "Text Volumes").

«Imagens de satélite permitiram encontrar pirâmides no Egipto»


In Público (25.05.2011)

«A arqueologia espacial “substituiu” Indiana Jones. Imagens de satélite sobre o Egipto permitiram descobrir 17 pirâmides que estavam desaparecidas e três mil infra-estruturas escondidas debaixo do solo, num trabalho pioneiro de arqueologia espacial de um laboratório em Alabama, apoiado pela NASA.
As autoridades egípcias pretendem utilizar esta tecnologia para proteger o seu património (Foto: Asmaa Waguih/Reuters/arquivo)

"Indiana Jones é o método antigo. Ultrapassámos Indy, desculpa Harrison Ford”, disse à BBC Sarah Parcak, do laboratório de Birmingham, Alabama, especializada em arqueologia espacial.

A equipa de Parcak analisou as imagens obtidas por satélites a 700 quilómetros da Terra, equipados com câmaras de infra-vermelhos capazes de detectar objectos com menos de um metro de diâmetro na superfície terrestre. “Escavar uma pirâmide é o sonho de qualquer arqueólogo”, comentou Parcak, dizendo-se surpreendida com o que ela e a sua equipa encontraram.

“Trabalhámos intensamente durante mais de um ano. Mas o momento alto foi quando pude, finalmente, ver o conjunto de tudo o que encontrámos. Nem queria acreditar que localizámos tantos sítios em todo o Egipto”.

Depois de localizar os locais, a equipa começou as escavações. Já está confirmada a descoberta de duas pirâmides na região de Saqqara.

Segundo a BBC, as autoridades egípcias pretendem utilizar esta tecnologia para ajudar a proteger o seu património. Parcak acredita que este método pode encorajar os jovens cientistas e ajudar os arqueólogos em todo o mundo. “Permite-nos ser mais rigorosos no trabalho que fazemos. Perante um sítio enorme, muitas vezes não sabemos por onde começar”.»

sábado, 21 de maio de 2011

Hoje é um dia triste

Pelo desparecimento do nosso escriba e amigo João Venâncio, que há cerca de um ano desbravou connosco as maravilhas do Antigo Egipto, sempre gentil e afável. Fica connosco.

Templo solar de Abu Gurab















Este templo é muito diferente da maioria dos outros templos do Antigo Egito.
Era dedicado a Ré, divindade solar que foi cultuada muito intensamente na V dinastia (Império Antigo) tendo sido mandado erigir pelo faraó Niuserré Ini (c. 2453-2422 a.C.).
A sua localização situa-se a sul do atual Cairo, entre Guisa e Sakara, perto de Abusir.

A tipologia deste templo solar era basicamente constituído por um pequeno templo de acolhimento perto do Nilo que se ligava ao templo principal localizado mais acima, por um caminho processional.

No interior deste existia um pátio a descoberto onde se encontrava o altar em forma do signo "hotep" (oferenda), orientado pelos quatro pontos cardeais, ficando atrás deste um um obelisco bastante largo, encimado por um piramidion e assente numa espécie de pódium de pedra, o benben, que representava o raio de sol petrificado.
Infelizmente o templo está bastante destruído, mas mesmo assim foi possível com o material encontrado ter uma ideia aproximada como foi na realidade. (ver foto acima )

Outro templo solar que fica na proximidade e com idênticas características foi mandado erigir pelo faraó Userkaf, também da V dinastia, mas ainda aguarda que seja adequadamente escavado.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Buhen, uma fortaleza que não soube nadar…



A imagem da fortaleza de Buhen, que ficava praticamente sobre a fronteira egito-sudaneza perto da 2ª catarata do Nilo na sua margem ocidental, desapareceu definitivamente, porque infelizmente não foi transladada do local original por motivo do enchimento do lago Nasser na sequência do represamento do Nilo quando foi feita a barragem de Assuão, ao contrário do que aconteceu para alguns templos que se encontravam em localização semelhante. Assim, já que o material de construção era em grande parte o adobe e menos a pedra, terá sido destruída completamente fruto da corrente natural do rio.

Foi atribuída a sua execução ao faraó Senuseret III da XII dinastia, cerca de 1860 a.C. , e destinava-se a fazer a defesa militar do território relativamente à Núbia bem como
o apoio a intervenções militares mais a sul principalmente na região de Cush.
A maior curiosidade é o seu aspecto muito semelhante aos castelos medievais que foram construídos cerca de 2500 anos depois. Podiam-se ver vários tipos de torres com seteiras, muralhas com ameias e contrafortes, valas exteriores de protecção, pontes e até um pequeno templo.
Deixo-vos aqui este raríssimo vídeo que documenta como eram as ruínas antes da área ter sido completamente inundada.
RIP

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Casamento no Antigo Egito

Uma idiosincrasia no Antigo Egito é aquilo que nós chamamos casamento.
Ao contrário da nossa tradição, o casamento era neste caso um acto apenas do foro privado, sem um claro enquadramento jurídico ou mesmo religioso.
Apesar disso o casamento era muito importante, sendo habitualmente uma relação monogâmica. No entanto em alguns casos em que havia uma maior capacidade económica era permitido ao homem o concubinato, mas com mulheres com estatuto inferior ao da esposa (“nebet-per”).
As mulheres casavam habitualmente bastante cedo, entre os 12 e os 14 anos e os homens um pouco mais tarde, por volta dos 16 ou 17 anos. A justificação de ser tão precoce tinha em grande medida a ver com a baixa esperança média de vida e a necessidade de ter uma ampla descendência, já que a mortalidade infantil precoce era muitíssimo elevada.
Para além do interesse dos noivos, era essencial a concordância paterna, e o casamento consumava-se com a coabitação do novo casal. Havia habitualmente um contrato pré-nupcial em que havia troca de presentes entre ambos os cônjuges e dos familiares para os noivos.
Nos ensinamentos de Ptah-hotep, era feita recomendação a qualquer homem a se casar e a constituir família, logo que as suas condições económicas o permitissem, sendo também aconselhado ao homem, a amar e a procurar agradar à sua esposa.
Nas instruções de Hardjedef, era sugerido ao homem, quando começasse a prosperar, a erguer a sua casa, a tomar uma mulher de bom coração, para que ela lhe dê um filho.
No caso de divórcio que era previsto em casos de adultério, de incapacidade para gerar um filho ou de incompatibilidade do casal, era proporcionada proteção tanto à esposa como os eventuais filhos do casal.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Inacabado


Pedindo desculpas ao autor do post já aqui escrito sobre este impressionante obelisco inacabado, depois do repto feito num comentário à última "postagem" e porque o tema continua por acabar, é-me impossível resistir a colocar esta imagem do mesmo, tirada há cerca de um ano junto àquele bloco colossal.

sábado, 14 de maio de 2011

A melhor altura para visitar o Egito

A localização deste país encastrado entre dois imensos desertos condiciona algum cuidado a fazer na escolha do calendário de visita.
O período de junho a agosto é desaconselhado por causa do calor extremo e do muito baixo teor de umidade, principalmente se a viagem inclui o sul, onde as temperaturas diurnas podem aproximar-se da faixa dos 45 - 50º. Quem for saudável, tenha uma boa proteção solar e carregue bastante água mineral, sobreviverá certamente, mas fica aqui o aviso.

Habitualmente considera-se como a melhor altura para viajar para este país, o período de janeiro a maio, porque aqui o clima encontra-se mais ameno, facilitando a visita dos muitos monumentos ao ar livre. Mesmo assim é habitual a presença no período de meados de março a abril, de ventos quentes e intensos soprando do deserto líbico e que duram vários dias, a que se chama Khamsin (Khanseen) e que arrasta grande quantidade de areia e poeira prejudicando bastante a visibilidade (ver fotos).

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Um quiosque em Kalabcha


«... Sur une colline conique qui domine le Nil et le désert, un petit sanctuaire d'Hathor élève ses ruines élégantes. Dans ces contrées pleines de constructions cyclopéennes, on est surpris de trouver un temple grêle et délicat. C'est le temps qui, en faisant son oeuvre, l'a rendu si charmant; en effet, il a abattu les murailles, la terrasse, et n'a laissé debout que deux colonnes et deux piliers qui se détachent sur le ciel bleu. Les colonnes, reliées par une architrave monolithique de cinq mètres de long, ont des chapiteaux à fleur de lotus. Les piliers carrés, encore embarrassés des jambages d'une porte brisée, sont surmontés par une tête d'Hathor, entourée de bandelettes et couronnée d'un petit temple, sa coiffure spéciale; nulle inscription ne raconte l'époque de la construction, qui paraît remonter aux empereurs romains. À travers l'intervalle des colonnes, on aperçoit à l'horizon des palmiers verdoyants, et les méandres du fleuve..»

Maxime du Camp (1822-1894)



Foto: TMS

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Umm Seti

Umm Seti é o nome por que ficou conhecida Dorothy Eady, uma inglesa, nascida em 1904 e falecida em 1981, assaz excêntrica que, depois de ter visitado o Museu Britânico aos 4 anos, se convenceu que o seu mundo era o antigo Egipto. Desde a adolescência que se dedicou à Egiptologia e ao estudo da Escrita Hieroglífica, mas só aos 29 anos, já casada com um egípcio, viajou para o Egipto, tendo sido a primeira mulher a ocupar um cargo no Serviço de Antiguidades, onde trabalhou muitos anos. Teve um filho a quem chamou Seti, daí o nome Umm Seti. Só em 1956, já descasada, seguiu o seu destino, Abido e o Templo de Seti I, onde ela se considerava uma Sacerdotisa jovem de 14 anos, chamada Bentreshyt. Muito inteligente, no dizer de David O'Connor que com ela privou, com uma imaginação muito criativa, combinada com profundos conhecimentos de Egiptologia, tornaram esta mulher famosa e conhecida de todos os Egiptólogos, que desde os anos 60 (após uma interrupção de 30 anos) estudam os muitos e importantes sítios arqueológicos de Abido. Para mais informações consultar o link, onde também podem ser vistos 3 pequenos filmes. http://meerkatz007.multiply.com/journal/item/1348

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Belzoni


A este Indiana Jones de princípios do séc. XIX se devem muitas das descobertas mais famosas feitas no Egipto. E maior fã fiquei deste antigo artista de circo depois de visionar «Egypt», uma série memorável e imperdível da BBC.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Um saltinho até ao Neolitico


A figura mais pequena mostra um dos locais astronómicos mais antigos do mundo. Trata-se de Nabta Playa, a cerca de 800 km a sul do Cairo, no deserto Nubio.
Os alinhamentos da pedra em círculos, mostram a existência, há mais de 7000 anos a.c., de um calendário. As pesquisas revelam que Sirius e Orion estão lá representados, e serviria para a previsão de fenómenos naturais, nomeadamente as cheias do Nilo.


sábado, 7 de maio de 2011

Nilo, um rio especial

O Nilo é um rio extraordinário, não só pela sua dimensão (o 2º maior, com 6852 Km) e caudal, mas por percorrer todo o Egito, numa extensão de cerca de 1200 Km, tendo permitido a fixação das populações na antiguidade ao longo das suas margens e permitido o desen-volvimento de uma avançada civilização ao longo de milhares de anos.
Só a partir do século XIX se descobriram as origens do Nilo, sendo constituído pela junção de três braços:
-O Nilo Azul, proveniente da Etiópia;
-O Nilo Branco originado no Lago Vitória, já ao Sul do Equador;
-O Rio Atbara também proveniente da Etiópia.
Os dois primeiros, que são os braços principais juntam-se na cidade sudanesa de Cartun.

Dada a origem de uma parte muito importante das suas águas nas áreas equatoriais, as inundações no Egito aconteciam em meados de Julho, pouco depois do reaparecimento de Sirius acima do horizonte.
Para os antigos egípcios, essas cheias, que normalmente duravam cerca de quatro meses, eram "asseguradas" pelo faraó, e pelas oferendas às divindades. Esses sedimentos férteis trazidos pelas cheias eram essenciais para permitir a sementeira e a posterior colheita agrícola.
Na antiguidade, eram contabilizadas seis cataratas, sendo a primeira em Assuão, ainda no Egito e as outras cinco em território do atual Sudão.
No século XX foram feitas duas barragens na zona de Assuão, que regularizaram definitivamente o caudal do Nilo, terminando com as cíclicas cheias e tendo criado um enorme lago artificial chamado lago Nasser.