terça-feira, 16 de agosto de 2016

Com o Egito em Tondela



Aqui vão mais duas imagens das férias (apenas metade das férias,
porque elas continuam), onde o país do Nilo está presente na T-shirt
e no chapéu comprado em Lucsor numa das últimas visitas de estudo
ao Egito - que assim continua presente por cá, neste caso em Tondela.

Na imagem de cima, obtida à entrada do simpático Hotel S. José,
e em baixo, no início de um lauto pequeno-almoço, pode apreciar-se
o desenho impresso na T-shirt, reproduzindo uma das joias achadas
no túmulo de Tutankhamon, com o arranjo gráfico e artístico de um
dos nomes do jovem monarca em forma alada: Nebkheperuré.

A sugestiva imagem impressa na T-shirt do veraneante é a mesma 
que está na capa do Dicionário do Antigo Egipto, editado em 2001,
e que agora está completamente esgotado - mas está em preparação 
uma segunda edição, revista e aumentada, para sair em 2017.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

No Caramulo com o Egito e a Faculdade



A exemplo dos anos anteriores, as primeiras duas semanas de férias
foram passadas na região do Caramulo, jornadeando por Tondela,
Besteiros, Santa Comba Dão e afins, sob uma elevada temperatura,
mas felizmente sem fogos (pelo menos até à partida para o Norte),
na continuação de uma agradável (e bem merecida) vilegiatura.

E, tal como nos anos anteriores, o Egito esteve presente na T-shirt
onde está gravado o logotipo do IV Congresso Ibérico de Egiptologia, 
o qual se realizou com grande e notável sucesso em Lisboa em 2010,
como se vê na imagem em baixo, enquanto a Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa é lembrada, mesmo em tempo de férias, 
na T-shirt branca que o veraneante enverga, algures no Caramulo.

Objetos egípcios de toilette


Agora que as férias estivais estão já na sua fase final, recordemos 
que antes do Verão foi apresentada com êxito na Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa uma tese de mestrado de Sara Rodrigues,
dedicada aos artefactos egípcios de toilette existentes em Portugal,
em acervos públicos e privados, mostrando a imagem alguns objetos
desta temática da atraente coleção egípcia do Museu da Farmácia.

O arguente foi o egiptólogo Telo Canhão, que integrava um júri 
presidido pelo emérito Professor Doutor José Augusto Ramos,
com Luís Araújo (orientador) e António Ramos dos Santos, 
e agora a útil bibliografia egiptológica de autores portugueses
poderá ser enriquecida com a edição desta tese. Seria bom!

terça-feira, 14 de junho de 2016

Um táxi núbio


Recordando a viagem pela Núbia, navegando a bordo do Omar Khayam
entre Abu Simbel e Assuão, aqui se mostra o austero táxi núbio salvador
puxado por dois elegantes e bem tratados burros que transportou alguns
viajantes no longo percurso entre os templos de Uadi es-Sebua e Dakka.

Num dia de intenso calor (34º), a airosa carroça duramente almofadada 
em cima e com rodas modernas, salvou os excursionistas mais idosos
por um preço módico e seriamente estipulado em prévia negociação,
contrastando com as torpes vigarices de certos taxistas lisboetas.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Viajantes assíduos do Egito



Eis aqui alguns viajantes assíduos do Egito que, nos últimos anos,
têm feito do país do Nilo um destino favorito, apesar dos problemas
sociais, económicos e políticos que ainda não estão de todo resolvidos
num país que já foi uma grande potência turística até 2011-2012,
mas que agora está a recuperar - e para o ano lá voltaremos!

Em cima está Teresa Neves, que já foi ao Egito, como guia turística,
umas dez vezes, e na imagem de baixo está David Coelho, da Tryvel, 
que já lá esteve mais de trinta vezes - pelo meio fica o egiptólogo
que tem conduzido as visitas de estudo anuais do Instituto Oriental
da Faculdade de Letras de Lisboa, e que já lá esteve dezoito vezes.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Ísis no Museu Nacional de Arqueologia




A poucos dias da desmontagem da exposição sobre a Lusitânia Romana
que com notável sucesso decorreu no Museu Nacional de Arqueologia,
e que no Dia Internacional dos Museus mereceu as significativas visitas
 do primeiro-ministro, António Costa, e do presidente da República,
Marcelo Rebelo de Sousa, teve lugar uma conferência no Salão Nobre
do Museu, no passado dia 4 de junho, dedicada à deusa Ísis.

Esta sessão integrou-se no ciclo «A peça do mês», que evidenciou
diversos objetos expostos no circuito da Lusitânia Romana, que teve
como comissário científico o arqueólogo Carlos Fabião, visando
sublinhar a importância do culto da deusa Ísis e da reinterpretação
iconográfica que dela fizeram os Gregos e os Romanos.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

domingo, 22 de maio de 2016

Como o Antigo Egito influencia até a sátira política atual!

    Este é um pequeno clip de crítica e sátira política contemporânea que se inspira nas tradições do Antigo Egito para nos proporcionar uns bons momentos de crítica através da boa disposição - espero que apreciem! Para isso é só copiar o link abaixo apresentado e colar na barra de pesquisa para se divertirem um pouco! 

https://www.youtube.com/watch?v=2PwTM84-lKc

Informações sobre os primórdios do Egito Antigo

    Fotos: Hieróglifos de 5.000 anos descobertos no Sinai…


    Aproximadamente 60 desenhos e inscrições em hieróglifos, datando por volta de 5.000 anos atrás, foram descobertos no sitio de Wadi Ameyra, no deserto do Sinai.  Eles revelam novas informações sobre os primeiros faraós. “As inscrições são provavelmente um modo de dizer que o estado egípcio era quem controlava a área”, disse o pesquisador chefe Pierre Tallet para a Live Science.
    A descoberta realizada em 2012, foi publicada no livro “La zone minière pharaonique du Sud-Sinaï II” (Institut français d’archéologie orientale, 2015). Entre as inscrições, os pesquisadores encontraram o nome de uma rainha chamada Neith-Hotep, que governou o Egito por volta de 3.000 a.C como regente do faraó Djer. Confira as imagens:
Imagens de animais e barcos.

É um pouco difícil ver as diferentes inscrições. Os pesquisadores realçaram-nas com ajuda da computação.

As inscrições desta imagem mostram um dos primeiros faraós de nome "Iry-Hor" e faz referência às "paredes brancas", nome de Mênfis, antiga capital do Egito.

Narmer, que reinou duas gerações após Iry-Hor, envia uma expedição às minas. Muitos barcos podem ser vistos, sendo que um deles contém um serekh real.

Expedição às minas enviada pelo faraó Djer. Na direita da imagem, é possível ver uma multidão sendo morta.

O nome da rainha Neith-hotep

Um desenho onde mostra a cena do massacre


A chegada do Presidente


No Dia Internacional dos Museus, celebrado com júbilo a 18 de maio, 
o Museu Nacional de Arqueologia, que tem a maior coleção egípcia
existente em Portugal, recebeu a visita do Presidente da República 
Marcelo Rebelo de Sousa, acolhido na ocasião pelo diretor do Museu,
Dr. António Carvalho, e pelo presidente do seu Grupo de Amigos.

Foi um dia memorável para o Museu Nacional de Arqueologia,
porque na parte da manhã já lá tinha estado o primeiro-ministro
Dr. António Costa, assinalando-se assim de uma forma condigna
e muito expressiva o Dia Internacional dos Museus.

Menkauré e a rainha Khamerernebti II


O par real que há dias o nosso participativo escriba cinéfilo
Paulo Ferrero mostrou emergindo na terra, em Guiza, no momento 
da sua descoberta, mostra-se aqui completo, tal como está hoje
na sugestiva coleção egípcia do Museum of Fine Arts, em Boston.

Trata-se de Menkauré (conhecido em grego como Miquerinos),
rei da IV dinastia, que construiu a mais pequena das três pirâmides
que se erguem no planalto de Guiza (c. 2500 a. C.), com a rainha
Khamerernebti II, amorosamente a enlaçar o seu divino marido.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Regresso do Egito


Aqui estão alguns dos felizes participantes da visita de estudo ao Egito
que decorreu, com notável sucesso, durante as férias pascais deste ano, 
e que mais uma vez levou a que se mantivesse a tradição de organizar
um almoço de reencontro no Restaurante Caravela de Ouro, em Algés.

As viagens ao país do Nilo, concebidas e preparadas, desde o ano 2000, 
pelo Instituto Oriental da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa,
e confiadas a diferentes agências de viagem para a organização prática
dos aliciantes percursos lúdico-culturais, são habitualmente antecedidas
por uma útil sessão prévia de preparação dos viajantes na Faculdade,
sendo depois rematadas por um opíparo almoço de confraternização.

No passado dia 14 de maio, sábado, realizou-se o tradicional almoço 
no nosso restaurante cativo para estes alegres reencontros de evocação 
das viagens ao Egito - porque o ambiente é excelente, os funcionários
são simpáticos e atenciosos, e o menu é variado e rico, tanto em pratos 
de carne como em pratos de peixe (menos o osírico e sagrado oxirinco).

Detalhe de estátua de Osíris no Rijksmuseum


«Detail of a temple statue (bronze and gold-leaf) of the god Osiris wearing the white crown with the two feathers and the Uraeus. From ‘Waset’-Thebes, Upper Egypt, 664-525 BCE; now in the Rijksmuseum van Oudheden of Leiden» (in Grand Egyptian Museum)

terça-feira, 17 de maio de 2016

Vislumbre faraónico


«King Menkaure and Queen Khamerernebty II 2490–2472 B.C: The first glimpse of a royal pair statue, January18, 1910. Archaeologist George Reisner wrote in his diary: “In the evening, just before work stopped, a small boy appeared suddenly at my side and said, “Come,”. His workers had uncovered a statue of King Menkaure plus his Queen Khamerernebty II. “A photo was taken in fading light,plus an armed guard of twenty men put on for the night.” The statue is now on display at the Museum of Fine Arts, Boston.»

Sunken Cities: Egypt’s Lost Worlds, exhibition review – What lies beneath


«Centuries after two Egyptians cities were lost to the sea their beautiful treasures can be seen at last in this spectacular show [...]»

13.º dia: de novo no Cairo



Depois do inolvidável cruzeiro no lago Nasser, os felizes viajantes 
regressaram ao Cairo, voando desde Assuão até à capital do Egito,
para ver aqui as mesquitas do Sultão Hassan e de Rifai, e depois
a igreja copta de São Sérgio (também chamada da Sagrada Família) 
e a sinagoga de Ben Ezra (antiga igreja de São Miguel).

Foi assim, e para terminar em beleza a viagem ao país do Nilo, 
uma elucidativa jornada ecuménica, vendo os templos dedicados
ao culto de três grandes religiões diferentes mas com semelhanças
que interpelam e suscitam reflexão - e para isso foram concludentes
as propositadas explicações do nosso guia Mustafa el-Ashaby.

Depois foi o jantar de despedida e os atarefados quefazeres típicos
com as malas e os sacos de viagem, um repouso rápido e a partida
para o aeroporto do Cairo, rumo a Istambul, e daqui para Lisboa, 
onde aterrámos no 14.º dia de uma viagem inesquecível.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Arte egípcia e arte copta







Realizou-se, no passado dia 7 de maio, mais uma visita de estudo
à coleção egípcia do Museu de História Natural e de Ciência
da Universidade do Porto, organizada pelo Instituto Oriental
da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Foi a sexta visita de estudo à Universidade de Porto realizada
com sucesso pelo Instituto Oriental, com cerca de cinquenta alunos
idos de Lisboa, a que se juntaram outras tantas pessoas do Porto
que quiseram assistir à sessão sobre «Arte egípcia e arte copta»,
a qual antecedeu a visita ao interessante acervo egípcio.

A intenção foi mostrar as influências da arte egípcia na arte
dos cristãos do Egito, em especial nas representações de Hórus,
que surge amiúde a cavalo na tardia iconografia egípcia, e que terá
um notório desenvolvimento com os santos salvadores a cavalo 
presentes na iconografia cristã bizantina e medieval.

E se é verdade que na iconografia nem tudo vem do Egito,
reputados especialistas e iconógrafos atestam as anteriores
influências do país do Nilo, as quais se detetam também
nas âmbulas de São Menas e na adaptação do signo ankh,
utilizado em decorações funerárias dos coptas.

Palestras a bordo



Durante o cruzeiro, e cumprindo o programa previamente estabelecido, 
decorreram no confortável e amplo salão do Omar Khayam duas palestras 
temáticas: na primeira imagem Luís Araújo apresenta as coleções egípcias 
públicas e privadas existentes em Portugal, dando um especial destaque
aos principais acervos (Museu Nacional de Arqueologia, Museu Calouste
Gulbenkian, Museu da Farmácia e Museu de História Natural e de Ciência
da Universidade do Porto).

Na segunda imagem está o guia Mustafa el-Ashaby falando da situação
atual do Egito, sublinhando os aspetos político-sociais e económicos
decorrentes da revolução de janeiro de 2011 que depôs Hosni Mubarak,
mas esclarecendo também as questões acerca do turismo, da educação,
 da saúde, e da posição da mulher na sociedade egípcia em particular
e no mundo muçulmano em geral.

Embora as palestras a bordo tenham por breves momentos interrompido
as banhocas na piscina e as amenas conversas sob o toldo do convés,
os bronzeados viajantes concluiram que foram proveitosos momentos 
de enriquecimento cultural e para uma fecunda troca de ideias.
E assim sendo, para o ano há mais...

12.º dia: Uadi es-Sebua e Dakka




No 12.º dia de viagem pelo lago Nasser o Omar Khayam atingiu a região
de Uadi es-Sebua, onde chegámos manhã cedo, e depois do pequeno-almoço
fomos visitar o airoso templo, que é antecedido por uma pequena alameda
com esfinges leoninas, as quais deram o nome ao local: Uadi es-Sebua
significa Vale dos Leões, estando a dois quilómetros do seu sítio original.

O templo foi dedicado a três deuses: Amon-Ré, Ré-Horakhti e Ramsés II,
podendo ler-se em certas inscrições que o nome do edifício é Per-Amon, 
isto é, Casa de Amon, como que a miniaturizar o grande templo de Karnak, 
com o seu pilone, o pátio, a sala e o santuário com vários espaços anexos,
mantendo-se esta disposição após os trabalhos de transferência do templo,
feitos pelo Serviço das Antiguidades e financiados pelos Estados Unidos.

Mais para norte visitámos o templo de Dakka, consagrado ao deus Tot,
devendo-se a construção ao rei núbio Arkamon (Ergamenos), no tempo
de Ptolemeu II (Filadelfo), cujos herdeiros foram aumentando o espaço,
com obras que ainda continuaram no tempo do imperador Augusto,
como se atesta pelo nome deste (Autocrator) e de reis ptolemaicos
gravados nas paredes, onde se podem ler inscrições em escrita grega.

Antes de regressar ao barco ainda houve tempo para visitar o templo
de Maharaka, dedicado a Ísis e Serápis, atestando assim a veneração
destas duas divindades na Núbia. O edifício, que tem a porta principal 
 voltada para o lago, data do período romano e ficou incompleto.

domingo, 8 de maio de 2016

Pôr do sol no lago Nasser




Eis algumas imagens de um romântico pôr do sol no lago Nasser,
durante o inesquecível cruzeiro na Núbia, a bordo do Omar Khayam,
navegando placidamente entre Abu Simbel e Assuão, de 1 a 3 de abril.

Entre as muitas imagens captadas pelos viajantes no convés do navio,
no final do dia 2 de abril, aqui fica esta pequena e sugestiva seleção, 
rematando com a ousada pose cinéfila do Pedro e da Isabel.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O cruzeiro no lago Nasser




Do nascer ao pôr do sol o Omar Khayam foi navegando para norte,
parando nos locais históricos e arqueológicos que importava visitar,
e ainda houve tempo para desfrutar da piscina e do convés do navio,
vendo a paisagem árida e desértica das margens do lago Nasser, 
onde por vezes se via alguma vegetação e raras habitações.

Foi entre a contemplação da paisagem núbia e os lanches no convés,
sorvendo um sumo ou uma cerveja fresca, ou mergulhando na piscina,
que foi possível desembarcar para visitar os templos de Amada e Derr
e o túmulo de Pennut (que já foram referidos), mais os templos de Dakka,
Maharaka e Uadi es-Sebua (que serão evocados em próxima postagem).

quarta-feira, 4 de maio de 2016

O túmulo do governador Pennut




Depois da visita aos templos de Amada e Derr, no 11.º dia de viagem,
caminhando pelo deserto sob um sol escaldante mas rejuvenescedor,
fomos até ao túmulo de Pennut, escavado num rochedo com uma forma
vagamente piramidal, cujo interior está bem conservado, e que estava
no século passado a quarenta quilómetros mais para sul, em Aniba.

A transferência do túmulo de Pennut fez-se graças ao apoio financeiro 
dos Estados Unidos, o que implicou cortar a colina em fragmentos,
num trabalho semelhante ao que se efetuou, em muito maior escala,
nos templos ramséssidas de Abu Simbel (onde fomos no 10.º dia),
estando agora a uma altura superior e a salvo das águas do lago.

Pennut foi governador da Baixa Núbia (Uauat) durante o reinado 
de Ramsés VI, da XX dinastia (século XII a. C.), num tempo difícil
para o Egito, que ia perdendo os seus territórios na Ásia Menor
e também na Alta Núbia (Kuch), e que atravessava momentos 
conturbados na própria corte, tendo Ramsés VI subido ao trono
depois de o usurpar a seu sobrinho Ramsés V (c. 1140 a. C.).

Enquanto isto se passava no Egito, lá longe, na Núbia, Pennut
cumpria a sua missão governando a região onde acabou por ficar
sepultado num túmulo onde ele surge com a sua esposa e filhos,
levando flores e venerando os deuses, enquanto na parede leste
se lê um texto onde o governador afirma que a região de Uauat
estava bem controlada e que pertencia ao faraó Ramsés VI.