quarta-feira, 9 de outubro de 2019

A escrita das escritas




A aliciante exposição que há vinte anos esteve patente na Fundação
Portuguesa das Comunicações, mostrando as mais importantes ou
as mais conhecidas escritas do mundo (antigas e atuais), originou 
diversos artigos sobre a temática publicados em diferentes revistas,
entre as quais a Códice, que era editada pela Fundação Portuguesa
das Comunicações, além de ter propiciado um volume intitulado
A Escrita das Escritas, que se encontra completamente esgotado.

Entre os vários textos lá inseridos evocando as diversas escritas
patentes na exposição sobre «A escrita: traços e espaços», eis
uma breve lista com alguns colaboradores e respetivos artigos:

Grafismos pré-históricos: «escrita» antes da escrita
João Pedro Cunha-Ribeiro
A escrita ugarítica, fenícia e hebraica e seus antecedentes
José Augusto Ramos
As escritas egípcias: eternidade e quotidiano
Luís Manuel de Araújo
Origens e evolução da escrita chinesa
Li Jian
Sistemas de escrita grega
Custódio Magueijo
Escrita e oralidade na época romana
José Cardim Ribeiro
A «escrita do Sudoeste»
Amílcar Guerra
A escrita árabe: a escrita da mensagem divina
Eva-Maria von Kemnitz
Escritas do subcontinente indiano
Fernando Cardoso
A escrita latina na Idade Média e Renascimento
Bernardo de Sá-Nogueira

A escrita, há vinte anos





A bela exposição sobre «A escrita: traços e espaços», inaugurada
justamente há vinte anos (outubro de 1999), na Fundação Portuguesa 
das Comunicações, procurou reunir todas as escritas do mundo (ou 
melhor, quase todas, pelo menos as mais conhecidas), e nestas fotos
se podem ver algumas das secções expositivas, estando na primeira
imagem a área dedicada à escrita cuneiforme, inventada na Suméria.

Depois vinha a escrita hieroglífica dos antigos Egípcios, representada
na exposição por vários suportes onde ela foi redigida (desde a pedra
à faiança e ao célebre papiro), seguindo-se a escrita fenícia, hebraica
(na segunda imagem), grega, latina e árabe (na terceira imagem), entre
outras, figurando em vários suportes e documentos cedidos por museus
nacionais e estrangeiros (o Museu Britânico e o Museu do Louvre).

Na última imagem pode ver-se o comissário científico da exposição  
esclarecendo o então Presidente da República Doutor Jorge Sampaio, 
estando também presente o Dr. Leiria Viegas, presidente da Fundação
Portuguesa das Comunicações, a quem muito se deve a exitosa mostra
que esteve patente durante seis meses, restando dela várias fotografias
que recordam esse evento, e artigos publicados em diversas revistas,
para além de um volume sobre A Escrita das Escritas, hoje esgotado.

Exposição sobre a escrita




Foi há vinte anos que se inaugurou a exposição «A escrita: traços
e espaços», organizada na Fundação Portuguesa das Comunicações,
com o apoio científico do Instituto Oriental da Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa, que tinha por objetivo mostrar as várias
escritas utilizadas pela humanidade (algumas delas já desaparecidas)
começando pela escrita pictográfica dos Sumérios e dos Egípcios.

A exposição, patente ao público de outubro de 1999 a março de 2000,
foi inaugurada pelo presidente da República Doutor Jorge Sampaio,
que está na segunda imagem acompanhado pelo comissário científico,
o qual também coordenou um volume editado na ocasião, com o título 
de A Escrita das Escritas, que reuniu textos de diversos especialistas 
nas escritas apresentadas na mostra, e que se encontra agora esgotado.

O espaço destinado à exposição, com uma hábil conceção e montagem
do arquiteto Carlos Carvalho, e que mostrava diversos tipos de escrita
em diferentes suportes, começava logo com um painel «provocatório»,
perguntando aos visitantes em que escrita foram redigidos os famosos
«dez mandamentos» recebidos por Moisés no monte Sinai numa placa
de pedra redigida, segundo a Bíblia, por Deus. Qual seria a escrita?

Faltam três semanas


Faltam agora três semanas para mais um grupo de ansiosos viajantes  
partir rumo ao Egito, naquela que será a quinta viagem feita este ano 
ao país do Nilo, em mais uma visita de estudo organizada pela agência
Novas Fronteiras, e com o habitual acompanhamento científico a cargo
do Instituto Oriental da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

domingo, 29 de setembro de 2019

Pausa nas escavações de Copto



Durante as pausas nos trabalhos de escavações na zona de Copto,
de onde nos tempos faraónicos partia a rota do Uadi Hammamat,
os jovens egiptólogos que lá beneficiam de um prático processo
de aprendizagem aproveitam para visitar com detalhe e proveito
o belo templo de Dendera, erigido para o culto da deusa Hathor.

Aproveitando o facto de esse monumento, que nos últimos anos
tem beneficiado de uma excelente ação de restauro, ficar perto 
das instalações onde estão alojados, podem percorrer com vagar
esse templo, deixando como testemunho a selfie tirada no telhado 
do edifício (a caminho do «Zodíaco de Dendera») ou à entrada.

Escavações em Copto



A egiptóloga Daniela Martins, depois de ter concluído o seu mestrado
na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, encontra-se agora
a preparar o seu doutoramento na Universidade de Liverpool, e para
enriquecer os seus conhecimentos práticos integrou a missão do IFAO
(Institut Français d'Archéologie Orientale) e da Universidade de Lyon
Lumière 2, que prossegue escavações arqueológicas na zona de Copto.

A missão conjunta é dirigida por Laure Pantalacci e Cédric Gobeil,
conhecidos egiptólogos, e dispõe de instalações apropriadas perto
do templo de Dendera, onde os membros da equipa estão alojados,
relativamente a pouca distância de Copto (a antiga Koptos da Época
Greco-romana, atualmente é Kift), a capital da 5.ª província do Alto 
Egito, onde era venerado o grande Min, deus itifálico da fertilidade.

Numa das fotos vemos a egiptóloga Daniela Martins, acompanhada
por uma jovem colega italiana, Beatrice de Faveri, testemunhando 
a presença de estudantes que preparam o seu doutoramento na área
da Egiptologia na equipa do IFAO e da Universidade de Lyon,
beneficiando da experiência dos responsáveis pela escavação.


quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Reencontro de guias no Egito


Na quarta viagem deste ano ao Egito (a segunda viagem de Verão)
recentemente efetuada, repetiu-se o tradicional encontro de guias,
novamente num simpático restaurante perto da zona arqueológica
e histórica de Sakara, depois das visitas aos monumentos do sítio,
com relevo para o complexo funerário de Djoser e mastaba de Ti.

A clássica foto mostra os guias depois de uma opípara paparoca,
com o egiptólogo da Faculdade de Letras de Lisboa, o guia egípcio
Mustafa el-Ashabi, a exímia guia Teresa Neves da agência «Novas 
Fronteiras», e o anterior guia das nossas viagens, Gamal Khalifa, 
agora a ultimar a tese de doutoramento na Universidade do Porto.

Os membros comensais do grupo estão escondidos pelos guias,
vendo-se sobre a mesa do repasto uma cândida e inocente latinha
 de Coca-cola, procurando disfarçar a presença de muitas garrafas
 da irrecusável e fresquinha cerveja egípcia «Stella» que se foram
acumulando escandalosamente por lá e que não estão aqui à vista
(ah, mas convém sublinhar que o guia Mustafa não bebe álcool). 

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Arroios no Egito, em Edfu


A velha caleche, conduzida por um exímio e experiente condutor,
um Ben-hur dos tempos modernos, prepara-se para iniciar a viagem
rumo ao belo templo de Edfu, o mais bem conservado dos edifícios 
religiosos do antigo Egito (visitado no dia 25 de agosto), levando
a bordo o guia egiptólogo e a sempre animada Margarida Martins
dinâmica autarca da populosa freguesia de Arroios, em Lisboa.

O segundo grupo do Verão



Aqui estão os viajantes do segundo grupo de Verão, que entre os dias
20 e 27 de agosto percorreram os mais importantes locais históricos
do antigo Egito, numa sucinta viagem que permitiu ver o essencial
do imenso legado da civilização egípcia, das pirâmides de Guiza
a Abu Simbel, e que incluiu o agradável cruzeiro no rio Nilo.

Afetuosamente em Guiza






Eis uma pequena seleção de fotos tiradas no planalto de Guiza,
depois da visita à área onde as três famosas pirâmides se erguem
servindo de belo cenário de fundo para a tradicional captação 
de imagens no local:  os três guias da viagem estão em todas,
variando os viajantes do primeiro grupo do Verão de 2019.

No Khan el-Khalili




Nunca pode faltar, no percurso pela cidade do Cairo, no estrépito
dos seus 22 milhões de habitantes, uma visita ao Khan el-Khalili,
o mais histórico e mais conhecido bazar da cidade, onde uma vez
mais percorremos as suas labirínticas e esconsas vielas atulhadas
de lojas, lojinhas e lojecas onde se vende um pouco de tudo.

Nos últimos anos temos acedido ao famoso e movimentado bazar
cairota entrando pelo lado contrário, por uma das antigas portas
da cidade, a Porta da Vitória (Bab el-Nasr), percorrendo ruelas
cheias de edifícios do período mameluco, e vendo pelo caminho
a área do gado: na foto pode ver vista uma vaca em fase de dieta
e um corpulento carneiro exibindo apêndices expressivos.

«Poses egípcias»




No decurso das frutuosas visitas a locais históricos do antigo Egito
não faltam oportunidades para captar as mais diversas situações,
umas sem preparação prévia, outras em poses estudadas imitando
com grande espírito criativo as representações corporais egípcias.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Postagem número mil


Com esta bela imagem da ilha de Filae, vendo-se o templo de Ísis
e o elegante pavilhão de Augusto-Trajano, onde estaremos dentro
de alguns dias, pretende-se assinalar jubilosamente a postagem 
número mil neste concorrido blogue «Faraó e Companhia».

De facto, desde setembro de 2010 que o blogue se mantém ativo,
embora já sem alguns dos seus inspiradores e escribas iniciais,
mas neste dia em que mais um grupo entusiasta de viajantes parte 
para o Egito convém registar o acontecimento das mil postagens.

E mais virão, porque os nossos leitores bem merecem!

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Amanhã, nova partida para o Egito




É já amanhã que um novo grupo partirá rumo ao Egito, para ver,
entre outros sítios históricos, os monumentos aqui apresentados,
desde os «Colossos de Memnon» (o que resta do grande templo
funerário de Amen-hotep III), ao harmonioso templo de Lucsor 
e o gigantesco templo de Karnak (aqui evocado com um aspeto 
do Akh-menu, o colorido «salão de festas» de Tutmés III).

Esta é já a quarta vez neste ano que viajamos para o país do Nilo
com duas viagens na Páscoa e duas no Verão, respondendo assim
aos desejos de um número crescente de interessados em conhecer
o Egito sob os auspícios da Faculdade de Letras da Universidade
de Lisboa e beneficiando da experiência das «Novas Fronteiras»
com o útil e dinâmico profissionalismo da guia Teresa Neves.

Ah, e no final do ano haverá uma nova viagem ao Egito (que terá
prolongamento para Israel), na intenção de evocar os 150 anos
da visita de Eça de Queirós e do seu amigo Conde de Resende 
ao Egito e Terra Santa (inauguração do canal de Suez em 1869).

domingo, 18 de agosto de 2019

Olhando para cima e para baixo



No templo de Hórus e Sobek em Kom Ombo, bem como em outros
templos egípcios, podem ser apreciadas imagens como as que aqui 
se publicam: olhando para cima ainda hoje se veem alguns linteis, 
arquitraves e lajes de cobertura exibindo pinturas que mostram 
estrelas douradas, inscrições e abutres de longas asas, e olhando
para baixo descobrem-se grandes blocos que estiveram unidos 
pelo sistema de «cauda de andorinha», um tipo de encaixe feito
de metal ou de madeira destinado a robustecer a construção.

sábado, 17 de agosto de 2019

Uma exposição indecente



Um dos aspetos mais chocantes da indecente e aleivosa exposição
que procurava «recriar» o túmulo do famoso faraó Tutankhamon,
levada a efeito pela «Between Planets», no Pavilhão de Portugal,
e que já terminou (felizmente!!!), foi a maneira como se criaram
as legendas das «peças» expostas, as quais, como antes foi dito,
estavam quase todas pejadas de erros grosseiros e insultuosos.

Um dos mais crassos e estouvados dislates constava numa legenda
colocada em baixo de uma imagem que mostrava um rei ajoelhado,
como se pode ver nas fotos em cima, a primeira com Osorkon III, 
da XXIII dinastia (cerca de 780 a. C.), a segunda com Ramsés IX,
da XX dinastia (cerca de 1130 a. C.), em acentuada genuflexão.

Embora a qualidade destas antigas imagens não seja de facto boa,
elas servem ao menos para evocar um aspeto típico da arte egípcia
do Império Novo e Terceiro Período Intermediário, com os faraós
a exibirem a sua piedade para com os deuses em poses de humilde
veneração, mostrando os símbolos da realeza (menos a barba real).

Pois a tal horrorosa exposição no Pavilhão de Portugal, promovida
pela «Between Planets», uma empresa organizadora de eventos (!?),
exibia uma «réplica» parecida com a segunda imagem, e sabem qual 
era a legenda que lá estava por baixo? - Era isto: «Escrava egípcia».
E depois deste exemplo boçal e degradante está tudo dito.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Faltam apenas três dias


Faltam apenas três dias para a partida do segundo grupo estival
rumo ao Egito, para mais uma proveitosa visita de estudo guiada 
pelo Instituto Oriental da Faculdade de Letras da Universidade
de Lisboa em mais uma organização da agência Novas Fronteiras
esperando-se a repetição do sucesso das anteriores viagens.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Manequins no Cairo



Passeando na zona do Cairo antigo, encontram-se
milhares de lojas, lojinhas e lojecas, que vendem
um pouco de tudo, mas nos «Armazéns Jamaica»
podem-se escolher modelos de calças para todos
os gostos  -  e lá como cá os cortes já estão feitos.

Sakara, um sítio incontornável




De acordo com o programa, um dos primeiros locais a ser visitado 
é o complexo funerário do Hórus Netjerikhet Djoser, da III dinastia 
(c. 2650 a. C.), para se perceber como foi iniciada a construção
 das pirâmides do Egito, que atingirão o seu apogeu na IV dinastia
e que continuarão a ser erigidas (há cerca de oitenta pirâmides).

Mas convém cumprir, antes da visita, um importante e raro ritual,
que é oferecer salsichas e outras carninhas, que sobram do lauto
pequeno almoço no hotel, para alimentar os cãezinhos de Sakara,
esses famintos herdeiros de Anúbis, que por ali ainda continuam
e que logo se aproximam avidamente quando o nosso grupo chega.

Seguem-se as habituais visitas: o complexo funerário, com o seu
pátio do Heb-sed (para o rejuvenescimento eterno), as capelas 
do Norte e do Sul, seguindo-se as mastabas de Mereruka e Ti,
e ainda a pirâmide de Teti (VI dinastia), rematando-se a manhã
com a visita ao bem organizado Museu Imhotep, em Sakara.

Embarcando com euforia


Eis uma selfie bem oportuna a testemunhar o momento de embarque
com alguns elementos do grupo exibindo eufóricos os passaportes
e o bilhete para entrada no avião, vendo-se em primeiro plano três
alunas animadas: a Isaura e a Catarina, finalistas da licenciatura
em História da Arte na Faculdade de Letras de Lisboa, e a jovem
Margarida, aluna do ensino secundário, mas já uma fã do Egito.

Templos de Kom Ombo e Edfu





Atracado o barco em Kom Ombo, seguiu-se a visita do templo local
dedicado aos deuses Hórus e Sobek, que hoje se apresenta bastante
arruinado, mas ainda assim capaz de dar uma ideia da sua grandeza
antiga, sendo de destacar um relevo que mostra vários instrumentos 
cirúrgicos datados do período romano (mostrados na foto de cima).

Depois, continuando a viagem para norte, o barco detém-se em Edfu
para uma curta viagem de charrete que leva os visitantes ao templo
do deus Hórus, o mais bem conservado do antigo Egito, merecendo
destaque as suas elegantes e altas colunas e o santuário recôndito,
onde os médicos Olinda e Paulo Marques se fizeram fotografar.