sexta-feira, 29 de abril de 2016

A Vida no Antigo Egipto (IV)


Começou na quarta-feira na Faculdade de Letras da Universidade
de Lisboa mais um curso dedicado ao tema «A Vida no Antigo Egipto»
organizado pelo Centro de História, e a decorrer no Anfiteatro II,
todas as quartas-feiras, entre as 18 e as 20 horas.

Este é o quarto curso egiptológico do género, desta vez com o tema
«Práticas e Hábitos», com o programa que o cartaz acima mostra,
e que conta com a colaboração de docentes que são investigadores 
do Centro de História e habituais presenças nestes cursos.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Ao 10.º dia: Abu Simbel




No décimo dia de viagem partimos de avião de Assuão até Abu Simbel,
num percurso rápido, que em anos anteriores fazíamos de autocarro,
em longa viagem pelo deserto, saindo de Assuão às quatro da manhã, 
para ver o nascer do sol a caminho de Abu Simbel, já em plena Núbia.

A manhã foi passada no barco Omar Khayam, conhecendo as instalações
e almoçando a bordo, saindo à tarde de autocarro para ver os templos
de Abu Simbel, o maior dedicado a quatro deuses (Ptah, Ré-Horakhti, 
Amon-Ré e ao próprio Ramsés II) e o mais pequeno feito para Hathor
e para a rainha Nefertari, a esposa preferida do grande Ramsés II.

A jornada foi gratificante, visitando os templos na parte da tarde,
com uma temperatura aprazível (uns 28º) e com boa luminosidade,
sendo evocada a grande obra de engenharia moderna que conseguiu
transferir no século passado (anos 60) os templos do seu antigo local 
pondo-os a salvo da subida das águas do imenso lago Nasser.

A visita terminou em beleza com um bem organizado espetáculo
de som e luz à noite, melhor que os de Filae, Karnak ou Guiza, 
recordando a história do Egito faraónico, em especial o reinado
de Ramsés II, com os seus tempos de guerra (batalha de Kadech)
e de amor (a paixão por Nefertari), em excelente recriação.


sexta-feira, 22 de abril de 2016

9.º dia: Assuão, Filae e Kalabcha




O 9.º dia foi muito preenchido, saindo cedo para visitar a ilha de Filae
(na verdade a ilha de Agilkia) com o belo templo dedicado à deusa Ísis
e as construções envolventes, entre elas o pavilhão de Augusto-Trajano
que as imagens mostram - e à noite voltámos à ilha para ver o espetáculo 
de som e luz, em que os visitantes vão percorrendo o templo e escutando 
a história de Ísis e Osíris, e do filho Hórus, que vai sendo contada.

Ainda antes do almoço houve tempo para estar nas pedreiras de Assuão,
vendo lá o impressionante Obelisco Inacabado, e para perceber como
os antigos Egípcios extraíam no local o granito escuro e o granito rosado
utilizados nas grandes construções como nos templos de Karnak e Lucsor,
e nas estruturas internas das pirâmides de Dahchur, de Guiza e de Sakara, 
as quais ficam a uns 800 quilómetros para norte de Assuão!

De tarde foi a visita à ilha onde atualmente está o templo de Kalabcha, 
mas que no século passado estava a 40 quilómetros para sul e foi salvo
de ficar submerso nas águas do lago Nasser, juntamente com outros
monumentos que lá se encontram, como o templo de Beit el-Uali.
Ah, e ainda demos um belo passeio de feluca pelo rio Nilo rodeando 
a ilha de Elefantina (a antiga Abu) e fomos ver uma aldeia núbia!

quinta-feira, 21 de abril de 2016

«Festa egípcia» a bordo




Mantendo uma antiga tradição também na viagem deste ano ao Egito
se realizou a bordo, durante o cruzeiro no rio Nilo, a «festa egípcia»
que culminou com um jantar agradável e opíparo, servido com requinte
enquanto o barco navegava tranquilamente à noite rumo a Assuão.

Na imagem de cima os viajantes posam em «trajos típicos regionais»
na escadaria nobre do barco, antes de seguirem para a sala de jantar,
ao meio estão os três guias, Luís Araújo, Teresa Neves e Mustafa, 
e em baixo estão alguns dos viajantes jantando com os seus trajos.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

8.º dia: Edfu e Kom Ombo




O 8.º dia decorreu navegando para sul, em aprazível cruzeiro no Nilo.
passando de noite pela comporta de Esna, rumo a Edfu, onde chegámos
pela manhã para visitar o templo do deus Hórus, muito bem conservado,
onde foi tirada a obrigatória fotografia de grupo junto da grande estátua 
do falcão divino, repetindo o gesto de Calouste Gulbenkian em 1934.

O templo foi percorrido com calma, desde o pilone, o pátio hipostilo,
a escura sala hipostila com as suas altas colunas, e as restantes salas
com sugestivos baixos-relevos, até ao santuário recôndito de Hórus, 
saindo para o corredor externo que envolve o templo entre altos muros
pejados de imagens - entre elas a vitória de Hórus sobre o malvado Set.

Mais a sul, no templo duplo de Kom Ombo, dedicado a Hórus e Sobek,
e que está parcialmente destruído, como se vê na terceira fotografia,
ainda deu para imaginar como seria a construção original, datada
da Época Greco-romana, completada pelo seu profundo nilómetro.

O dia terminou muito bem com a visita ao Museu de Kom Ombo,
excelentemente organizado, sendo impressionantes os crocodilos
mumificados que lá estão expostos, assim como as belas peças
que na sua maioria evocam Sobek, o deus benfazejo do local.
À noite, no barco, foi a «festa egípcia», mas fica para amanhã.

No 7.º dia: Lucsor, margem oriental





Visitada, no dia anterior, a margem ocidental, o 7.º dia da viagem
foi dedicado à margem direita do Nilo para ver os grandes templos
de Karnak e de Lucsor, dedicados ao deus Amon, o «rei dos deuses»,
protetor da realeza faraónica na fase expansionista do Império Novo.

As duas primeiras imagens testemunham a presença dos viajantes
no templo de Karnak, na área de saída da gigantesca sala hipostila,
e junto de um grande obelisco derrubado da rainha-faraó Hatchepsut
que tem lá outro ainda erguido, com cerca de 30 metros de altura.

A última imagem mostra o grupo à entrada do belo templo de Lucsor,
que naquele límpido final de tarde estava cheio de turistas e também
com muitos alunos egípcios de escolas - e é sempre bom verificar
o interesse que as novas gerações têm pelo seu passado histórico.

Também houve tempo para visitar o magnífico Museu de Lucsor,
o qual expõe sobretudo peças encontradas na vasta região tebana, 
desde os distantes tempos pré-históricos até ao período copta,
merecendo também referência o agradável passeio de charrete
através do mercado típico da cidade, repleto de produtos.

terça-feira, 19 de abril de 2016

No 6.º dia: Lucsor, margem ocidental




O primeiro dos dois dias passados em Lucsor, a antiga Uaset faraónica,
à qual, estranhamente, os Gregos irão depois chamar Tebas, foi dedicado
 à margem ocidental, a zona dos túmulos e dos templos funerários dos reis
do Império Novo (c. 1550-1070 a. C.), começando pelo de Hatchepsut,
à frente do qual o grupo tirou a tradicional fotografia «de família».

No Vale dos Reis, sob uma agradável temperatura, foram visitados
quatro túmulos: o de Tutmés III, da XVIII dinastia (KV 34), o de Siptah, 
da XIX dinastia (KV 47) o de Ramsés IX, da XX dinastia (KV 6), além
do famoso túmulo de Tutankhamon (KV 62), o único que foi poupado
aos assaltos que o Vale dos Reis sofreu, sendo descoberto em 1922.

O Vale dos Reis foi o destino final dos faraós do Império Novo,
mostrando a segunda imagem alguns dos túmulos da inóspita área,
com a numeração de cada um e a sigla KV (Kings Valley) - mas 
o desejo das pessoas entrarem nas tumbas de Ramsés II ou de Seti I 
não se pode concretizar: estão fechados desde há vários anos!

Em baixo o grupo posa numa colina do chamado «Vale dos Nobres»,
onde estivemos no túmulo do vizir Rekhmiré, com belas pinturas,
seguindo para Deir-el-Medina, com a vila operária e vários túmulos
de funcionários e de artesãos, com destaque para o de Sennedjem,
e dali para o templo funerário de Ramsés III em Medinet Habu.

«Huge prehistoric whale found in Egyptian desert»


«Researchers working in the Sahara desert have uncovered dozens of fossilised remains thought to be the prehistoric ancestors of whales.

The whale bones were found in the Wati El Hitan in the Egyptian desert, once covered by a huge prehistoric ocean, and one of the finds is a 37 million-year-old skeleton of a legged form of whale that measures more than 65 feet (20 metres) long. [...]»

(via escriba Jorge Mateus, in Facebook)

segunda-feira, 18 de abril de 2016

domingo, 17 de abril de 2016

5.º dia: Abido e Dendera



Pela primeira vez desde que o Instituto Oriental da Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa iniciou as visitas de estudo anuais ao Egito
foi experimentado um novo percurso na viagem: atingir Abido e Dendera
pelo norte, vindos do Cairo, em avião da Egyptair entre a capital e Sohag,
numa solução prática da Tryvel, com os guias Teresa Neves e Mustafa.

Depois foi a jornada entre Sohag e Abido de autocarro, por entre aldeias
e os campos verdejantes, vendo e sentindo a população laboriosa e afável, 
ou então pela estrada do deserto ocidental, até Baliana, e daqui para Abido
onde nos esperava o grande templo de Seti I e de Ramsés II, com alguns 
dos mais belos e expressivos baixos-relevos pintados da arte egípcia. 

Seguiu-se, alguns quilómetros para sul, a visita ao templo de Dendera,
onde era venerada a deusa Hathor, que nos últimos anos foi restaurado
com elevada qualidade, para benefício dos que visitam aquele local,
e sobretudo para preservar o passado, rematando-se com a tradicional
fotografia junto do relevo com o simpático deus Bés, à saída do templo.

sábado, 16 de abril de 2016

Ao 4.º dia, Alexandria



No 4.º dia da nossa viagem ao Egito, indo do Cairo para o Mediterrâneo,
por uma nova e larga autoestrada, mas com um trânsito por vezes maluco
e desvairado, com peões constantemente a atravessar aquela via rápida (!?),
 visitámos a Biblioteca de Alexandria, que há pouco tempo foi contemplada
 com o Prémio Calouste Gulbenkian pelo seu papel na cultura e na ciência.

A ida a Alexandria, com um tempo chuvoso e algum frio, também incluiu 
a visita às catacumbas de Kom Chugafa, do período romano, onde se pode
ver uma curiosa fusão de temas egípcios e greco-romanos na decoração,
passando pela chamada «coluna de Pompeu», rodeada por estatuária,
e pelo sítio onde já existiu outrora o célebre farol (hoje uma fortaleza). 

sexta-feira, 15 de abril de 2016

3.º dia: Sakara, Mênfis e Guiza




No nosso 3.º dia de viagem ao Egito cumpriu-se o programa clássico
de visitar a necrópole de Sakara, a antiga Mênfis e o planalto de Guiza,
num dia com alguma nebulosidade, fenómeno inusitado em fins de março,
com o sol sempre escondido, se bem que o tempo estivesse quente.

Em Sakara estivemos no vasto complexo funerário do Hórus Djoser, 
com a sua pirâmide escalonada em restauro (como se vê pelos andaimes),
e também na pirâmide de Teti (VI dinastia) com o seu interior repleto
com os famosos «Textos das Pirâmides», seguindo-se as mastabas 
de Mereruka, Kaguemeni e de Ti (onde o nosso Eça esteve em 1869),
rematando com o excelente Museu de Imhotep, muito bem organizado.

Depois foi a visita ao que resta da antiga cidade de Mênfis, desde
o grande colosso jacente de Ramsés II a um outro que está erguido,
onde se tirou a tradicional foto de grupo, sendo a tarde dedicada
a Guiza e às célebres pirâmides de Khufu, Khafré e Menkauré,
passando pela Esfinge e o templo do vale de Khafré.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

O 2.º dia: Museu Egípcio do Cairo




O segundo dia da nossa viagem ao Egito, já refeitos do longo percurso
desde Lisboa ao Cairo, passando por Istambul, foi muito bem preenchido
pela indispensável e tradicional visita ao grande Museu Egípcio do Cairo,
com a qual todos os anos iniciamos o intensivo programa cultural,
rematando, no final do dia. com o típico jantar no Parque de Al-Azhar,
onde afetuosa e amavelmente esteve, jantando connosco, a senhora
embaixadora de Portugal no Egito, Dra Madalena Fischer. 

Também se cumpriu a tradição de tirar uma fotografia com todo o grupo 
à entrada do Museu, cuja fachada aqui se vê, mais a sua sala principal,
repleta de estatuária colossal, sarcófagos e outras relíquias históricas,
tendo a foto sido tirada junto da estátua e do túmulo do egiptólogo francês
Auguste Mariette, o fundador do Museu e do Serviço das Antiguidades,
a quem a Egiptologia e o próprio Egito muito devem pelo que ele fez.

Na fotografia, que constitui um belo documento de evocação e recordação,
podem ver-se na fila de cima, da esquerda para a direita:
António Fernandez (arquiteto)
José Bettencourt (engenheiro e consultor)
Pedro Lloret (empresário)
Luís Araújo (professor universitário e egiptólogo)
Filipe Vaz (estudante de doutoramento; arqueologia)
António Goulão (engenheiro e gestor)
Mustafa Elashaby (guia egípcio)

E na fila de baixo, da esquerda para a direita:
Sidalia Rino (professora universitária)
Maria Goulão (socióloga)
Ângela Fernandez (dona de casa)
Jolanta Nadulska (economista)
Daniela Ferreira (estudante de doutoramento; arqueologia)
Helena Vaz (professora universitária)
Isabel Correia (gestora)
Teresa Neves (guia da Tryvel)

A mumificação, passo a passo:


terça-feira, 12 de abril de 2016

Viagem ao Egito: o 1.º dia


Aqui se inicia uma espécie de «reportagem» evocando a recente viagem
ao Egito que na passada semana se concluiu com sucesso, e que durante
catorze dias possibilitou um feliz e agradável convívio entre os quinze
viajantes que nas férias da Páscoa integraram mais uma visita de estudo
do Instituto Oriental da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Desta vez o percurso para o Cairo levou-nos a passar pelo aeroporto
 de Istambul, a antiga Constantinopla, o que permite lembrar o obelisco
egípcio que lá se encontra, com os seus originais 30 metros de altura
reduzidos agora para menos de 20 metros devido a vários acidentes 
no seu longo percurso desde o Egito e à sua trabalhosa recolocação.

Recorde-se que em outubro de 2011 o nosso escriba Jorge Pronto,
médico (sunu) e viajante por diferentes locais histórico-culturais,
tinha feito referência a este obelisco, aludindo ao faraó Tutmés III
que o mandara erguer no grande templo do deus Amon em Karnak, 
para depois, em 390, o imperador Teodósio I (378-395) o mandar
transportar de Alexandria para Constantinopla.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

O Egito na Núbia


Em breve terá lugar uma sessão de apresentação do novo livro
de Eduardo Ferreira, dedicado à presença egípcia na Núbia,
materializada com a construção de poderosas fortalezas pelos
faraós da XII dinastia do Império Médio (c. 1980-1790 a. C.).

O jovem autor desta aliciante obra é mestre em História Militar, 
e defendeu a sua tese, com idêntico título, na Faculdade de Letras 
da Universidade de Lisboa, local onde o volume será apresentado
no dia 19 de abril, pelas 18 horas, no Anfiteatro III.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Leão devorando núbio


«A lion devouring a Nubian, crafted during the 19th dynasty possibly as a fly-whisk handle, symbolizes ‪E‎gypt‬ subjugating the Nubians.»
(in Grand Egyptian Museum, Facebook)