quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Laços de família


   Do período ramséssida, surge-nos esta bela imagem, proveniente do túmulo TT359, última morada do chefe dos trabalhadores de Deir-el-Medina, Inherkhau. Este homem, não sendo pertencente à alta sociedade egípcia da época, destaca-se em parte pela invulgaridade de ter mandado construir dois túmulos distintos. Em virtude da inesgotável informação a respeito desta imagem e deste funcionário do Império Novo, cingir-me-ei aos dados principais:

      - Inherkhau significa "Onuris aparece", sendo que Onuris é uma adulteração grega para o deus Iny-hor. Terá sido uma espécie de supervisor dos trabalhos de construção tumular régia no Vale dos Reis e aparentemente descende de uma linhagem de homens que exerceram essas mesmas tarefas ao longo de várias gerações. Terá vivido algures nos reinados de Ramsés III e Ramsés IV, ou seja cerca de 1150 a.C.

      - nesta imagem, presente na câmara G do túmulo TT359, Inherkhau está acompanhada da sua esposa Wabet "A Pura" e de quatro jovens filhos, um rapaz (o qual não possui brincos nas orelhas) e três raparigas. O momento é de intimidade doméstica com Inherkhau a acariciar a trança da filha mais velha à sua frente, enquanto esta dá a uma irmã mais nova uma pequena ave malhada, ao passo que o rapaz se apoia nos joelhos da mãe, Wabet. Esta, por sua vez, abraça o seu marido. Atrás, a terceira filha segura na mão outra pequena ave malhada.

      - em frente a Inherkhau e respetiva família, surgem dois homens, o primeiro dos quais lhe entrega uma estatueta de Osíris e uma pequena caixa, que contém escrito o título de Inherkhau. O segundo homem entrega um pequeno cântaro ou vaso. Ambos atuam como servidores da família de Inherkhau no mundo do além para poupar-lhes as tarefas de cariz manual.

   A profunda intimidade entre os membros da família de Inherkhau é um testemunho do grande valor e importância concedida pelos Antigos Egípcios à instituição familiar, base da sociedade. O próprio papel de Inherkhau - «supervisor das construções do Senhor das Duas Terras» - também dispõe de um peso social considerável: afinal Inerkhau viveu numa era de perturbações políticas, sociais e económicas, o que muitas vezes se traduzia em empobrecimento artístico e cultural, mas os seus túmulos não evidenciam esse declínio, pois é ricamente decorado e ornamentado, atestando a sua proeminência na época.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Erotismo e sexualidade


Eis uma das bonitas imagens que constam no livro sobre Erotismo 
e Sexualidade no Antigo Egito, que teve a sua sessão de lançamento 
na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa 
no passado dia 19 de dezembro, com a apresentação da obra 
a cargo do egiptólogo Doutor Telo Ferreira Canhão.

O autor aproveita o ensejo desta postagem para muito justamente 
parabenizar as Edições Colibri e os seus eficazes profissionais 
pela qualidade estético-gráfica do volume e para agradecer 
aos muitos amigos e admiradores da civilização egípcia
 que estiveram presentes naquela sessão.

Quanto ao conteúdo da obra, isso dirão os leitores, esperando-se
 convictamente que ela possa esgotar, como sucedeu ao volume 
que em 1995 foi editado com o título de Estudos sobre Erotismo 
no Antigo Egipto, e que serviu de inspiração para este novo livro.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Prendas generosas


Um dos temas mais tradicionais da variada decoração de alguns templos
egípcios são as figuras de fecundidade que simbolizam as oferendas
que cada província faz ao rei e à divindade que nesse templo
 é cultuada - e neste caso o rei, cujo nome lá consta na inscrição,
é o famoso Ramsés II, o deus é Osíris e o templo é em Abido.

São imagens de abundância, mostrando a frutuosa produtividade
de cada província do Egito, com as mais diversas vitualhas
que as personificações dessas provincias transportam - e hoje,
nesta quadra festiva que atravessamos e que não ameniza a crise,
diríamos que são prendas generosas.

A figura da esquerda é um Nilo hermafrodita que aqui representa
a 15ª província (Khmunu, a dos Oito), ou província da Lebre,
que hoje é El-Achmunein, e a da direita é uma figura feminina
correspondente à 14ª província (Kis ou Kussai), que hoje é Meir.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

100 anos


Em Dezembro de 1912, em Tell el-Amarna, foi encontrado o busto de Nefertiti, na que terá sido a oficina oficial do escultor de Tutmés, durante escavações realizadas pela Sociedade Alemã do Oriente.



Rainha do Antigo Egipto (c. de 1383-1345 a.C),
e esposa principal de Amen-hotep IV, mais tarde Akhenaton.



Há dois anos estivemos frente a frente no Egyptian Museum, Neues Museum, em Berlim. Na única sala em que não nos é permitido fotografias, daí esta foto de recurso...

sábado, 3 de novembro de 2012

Uma notícia da agência France-Presse...



Cairo - A tumba de uma princesa faraónica da V dinastia (2.500 a.C.) foi descoberta na região de Abusir, 25km ao sul do Cairo, anunciou nesta sexta-feira o ministro das Antiguidades egípcio, Mohamed Ibrahim. "Descobrimos a antecâmara da tumba da princesa faraónica Cheritnebti, em cujo centro há quatro colunas de calcário", anunciou Ibrahim. As colunas apresentam "hieróglifos com o nome da princesa e seus títulos", acrescentou.

"Foi a missão do Instituto Checo de Egiptologia, ligado à Faculdade de Letras da Universidade Carlos de Praga, que descobriu a tumba", diz a nota do ministro.

Segundo Ibrahim, "a descoberta da tumba marca o começo de uma nova era na história das sepulturas de Abusir e Sakara, após a exploração da parte sul da tumba". "Foram encontradas tumbas de empregados que não faziam parte da família real, 2km ao norte das sepulturas dos membros da realeza da V dinastia", assinalou o ministro.

Na tumba da princesa, a equipe checa também encontrou um corredor que começa no sudeste da antecâmara. Em sua parede, quatro aberturas levam a outras tumbas. Duas delas, do reinado de Djedkaré Isesi, pertencem a funcionários do alto escalão, e as outras duas estão sendo estudadas, afirmou o chefe da missão checa, Miroslav Barta.

No corredor, há quatro grandes sarcófagos de calcário contendo estatuetas, entre elas a de um homem acompanhado de seu filho.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Cleópatra através da pintura

Cleópatra VII (69-30 a.C.) foi a última rainha do Egito ptolemaico...
Embora existam algumas boas fontes de informação sobre esta atribulada época, também é certo que muito se especulou sobre a sua vida e a sua trágica morte.
Segundo a maioria das fontes, ter-se-ia suicidado para evitar ser humilhada pelo imperador romano Octaviano.

Pintura de Peter Paul Rubens (1615)

A sua morte tornou-se praticamente uma lenda, tendo sido veiculada como causa da sua morte a picada de áspides (pequenas víboras venenosas).
Plutarco também admitiu essa possibilidade mas não teve a certeza que essa tenha sido a causa da morte
Pelo que me documentei (diversas fontes) acho um pouco inverosímil a picada de áspide, mas admito que a simbologia da serpente ligada ao faraonato terá ajudado a veicular essa ideia.
As razões principais da minha dúvida são as seguintes: 
-Atendendo a que apenas 4% das picadas de áspide, sem tratamento, serem fatais;
-Serem feridas bastante dolorosas; 
-Mesmo em caso de morte, ela teria um desfecho arrastado de alguns dias, que, a meu ver, não seria adequado como escolha de Cleópatra.
Apesar de tudo seria talvez mais plausível o uso de um veneno forte que causasse um desfecho rápido...

Aqui ficam duas belas pinturas da época barroca onde se documenta a idealização da morte da Cleópatra 

Pintura de Guido Reni (1630)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O rei e os deuses!


    Esta bela imagem provém do túmulo KV43, no Vale dos Reis, perto de Lucsor, onde no Império Novo foi sepultada a larga maioria dos monarcas egípcios das XVIII, XIX e XX dinastias. No caso deste túmulo, viria a ser colocado aqui o corpo do faraó Tutmés IV, que reinou aproximadamente entre 1400 e 1390 a.C., distinto rei da XVIII dinastia, época em que o Antigo Egito atingia um dos seus momentos mais gloriosos.
   Além de Tutmés IV, também parecem ter sido sepultados no KV43, dois dos seus filhos, a princesa Tetamon e o príncipe Amenemhat, de acordo com algumas inscrições e vestígios funerários aí encontrados. O túmulo foi descoberto pelas equipas de Howard Carter, em 1903.
   
   A posição do túmulo, situado numa zona mais elevada do Vale dos Reis permitiu-lhe sobreviver às inundações que por vezes ocorrem no local, contribuindo para a extraordinária preservação das suas pinturas. O sarcófago do monarca encontra-se no seu respectivo lugar, estando essencialmente intacto.
 
   Este painel faz parte da segunda câmara rectangular. Representa o rei Tutmés IV na companhia de diversas divindades, as quais lhe oferecem o ankh, sinal da vida. Da esquerda para a direita, vemos o faraó na companhia de: 

- Hathor, «Senhora do Deserto do Ocidente»;
- Anúbis, divindade protectora dos mortos e dos embalsamadores;
- Hathor desta vez na qualidade de «Senhora de Tebas», «Senhora do Céu», «Senhora das Duas Terras»;
- Osíris, deus do mundo subterrâneo, juíz dos mortos e do renascimento.

   Uma outra divindade está presente no painel, embora não se veja nesta imagem - é mais uma vez Hathor, de novo na capacidade de «Senhora de Tebas», «Senhora do Céu», «Senhora das Duas Terras». Outras partes da sala estão decoradas de acordo com os mesmos temas e padrões artísticos.

   Quem quiser saber mais pormenores do túmulo KV43, pode consultar o site www.osirisnet.net, onde estão listas da maioria dos principais monumentos egípcios, com narrativas detalhadas das suas descobertas e descrições das suas formas e conteúdos.

domingo, 14 de outubro de 2012

Erotismo no antigo Egito


Esgotada que está, desde há seis anos, a primeira edição da obra
Estudos sobre Erotismo no Antigo Egito, está agora em preparação
uma segunda edição revista e aumentada.

Aqui se deixa a imagem escolhida para a capa do volume,
prevendo-se que possa ter cerca de quinhentas páginas
profusamente ilustradas além de um caderno central a cores.

A sessão de lançamento está prevista (se tudo correr bem)
para o dia 19 de dezembro, quarta-feira, pelas 18 horas, 
no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

A edição do volume terá o generoso apoio do Centro de História
da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
e o nome do apresentador da obra será anunciado em breve.


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

José do Egito, um mito ou um facto?



Esta é uma magnífica pintura de Peter von Cornelius (1783-1867), onde José aparece a interpretar o sonho do faraó.

Esta história é conhecida através do Antigo Testamento...
José teria sido enganado pelos seus irmãos que o venderam como escravo, sendo posteriormente levado para o Egito onde foi preso. 
José tinha o dom da interpretação dos sonhos e mesmo no cárcere as suas profecias eram certas, tendo granjeado bastante fama.
O faraó (talvez um faraó Hicso??) teve um sonho no qual havia 7 vacas gordas e 7 vacas magras, em que estas últimas comiam as primeiras mas mesmo assim não engordavam...
Intrigado com o significado desse sonho, o faraó pediu aos sacerdotes que o interpretassem, mas ninguém teve uma explicação convincente. Entretanto os rumores de que José tinha capacidade para descobrir o enigma chegaram aos ouvidos do faraó e este convocou-o para vir até à sua presença. 
José interpretou o sonho da seguinte maneira: o Egito iria ter 7 anos de fartura e 7 anos de seca. 
Segundo a Bíblia, a José foi atribuído o cargo de governador e foram construídos celeiros para guardar a produção nos 7 anos da abundância para servir de reserva para os 7 anos de escassez.

Até à presente data não temos a certeza se esta história foi real ou não passa de uma lenda. 

Fica a bonita pintura a a história bíblica... 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Quem é ele?



     Esta curiosa estátua de mármore, presente no Museu do Vaticano, em Roma, representa uma estranha forma de sincretismo religioso patente nos últimos séculos do Antigo Egito. 

     Aos mais participativos, lanço o desafio de tentarem identificar esta bizarra divindade. Atenção, o que poderá parecer à primeira vista, pode ser enganador! O vencedor terá uma «mosca de ouro» ou um cone de perfume como prémio - consoante o género!

      Boa sorte!

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Natureza, religião e arte


     No Museu do Louvre, em Paris, encontramos esta bela peça de faiança, que representa um hipopótamo, a qual data da época do Império Médio, c. de 2150-1765 a.C.

    Os Antigos Egípcios perspectivavam o universo a partir dos seres e dos fenómenos naturais à sua volta. Assim esta peça é um perfeito exemplo da tripla associação entre a natureza, a religião e a arte: sendo o hipopótamo um animal selvagem, perigoso e destruidor, rapidamente o associaram ao deus Set, convertendo-o num tema para propósitos artísticos como estatuetas, esculturas ou pinturas, exibindo, deste modo, o seu simbolismo como animal da divindade do caos e da desordem.

    Quem for a Paris não deixe de visitar o Museu do Louvre onde entre a Mona Lisa e outros grandiosos objectos de arte, encontramos cerca de 50 mil peças egípcias, incluindo este simpático exemplar.
     

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Eis o volume II


Depois de ter sido mostrada a capa do volume I desta obra, aqui está a bonita capa do volume II, reunindo os dois volumes (com mais de seiscentas páginas cada um) os textos dos egiptólogos portugueses, espanhóis, argentinos e brasileiros que estiveram presentes no IV Congresso Ibérico de Egiptologia que teve lugar em Lisboa em Setembro de 2010.

A obra terá uma sessão de lançamento no próximo dia 10 de outubro, uma quarta-feira, a partir das 18 horas, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras de Lisboa - exatamente no dia e no local onde terá início mais um curso livre de Egiptologia organizado pelo Centro de História da mesma Faculdade,
estando agora a decorrer as inscrições para o curso.

sábado, 15 de setembro de 2012

Setembro e as vindimas


Eis o túmulo de Sennefer em Cheikh Abd el-Gurna (TT 96), decorado na sua antecâmara com grandes vinhas em latada de onde pendem abundantes cachos de uvas. Os troncos das vides partem da base das paredes e sobem por elas cobrindo o tecto, numa provável homenagem ao deus Osíris, considerado também como o «senhor do vinho» e símbolo de ressurreição. Visitámo-lo na Páscoa de 2010.

Fontes: Dicionário do Antigo Egipto (texto) e
Localyte (foto)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

«Ancient Egyptian Ostraca Art»

«A magnificent Egyptian painting, which is about 3300 years old, depicting an Egyptian woman dancer, performing a backbend, commonly found in performances of contortion, gymnastics and dances. The backbend, which requires intense training, shows the superior professionalism, talents and high skills of the dancer.

The dancing woman, wearing a typical black dance costume and gold hoop earrings, is perfectly at ease while bending, and in total control and balance. Her curly, wavy hair is left loose, and is flowing in a natural pattern in harmony with her dance movement. But her earrings are pointed upwards, defying gravitational force, and seems a bit odd in an otherwise perfect composition of art. It is hard to believe that the artist who painted this picture is aware of the effect of gravity on her hair which is lightweight, but he ignored it in the case of the comparatively heavier earrings.

However, the admirable bala...nce of colors and high standards of artistry seen in this painting requires very high levels of expertise. Like several other Ostraka art pieces, this painting is also from the ancient Egyptian village of Deir el-Medina, home to the artisans who worked on the tombs of the Valley of the Kings in Thebes where the Pharaohs of the 18th to 20th Dynasties of the New Kingdom period (1550 BC to 1080 BC) were buried.

The artwork is painted on ostracon, singular of ostraca, which refer to pieces of pottery and fragments of limestone. Because Papyrus was expensive, ostracon was extensively used in ancient Egypt because of its durability, cheap or free availability and ease of working on it. It was the most preferred medium for not only drawing and painting, but also everyday writing, such as letters, documents, receipts, stories, prescriptions, etc.

The art piece in this picture survived in an impeccable condition despite several centuries of neglect until it was collected by Bernardino Drovetti (1776-1852), Consul General of France in Egypt. Possibly the work would not have survived so long, if it was created on any other media, other than ostraca.

Though Drovetti collected Egyptian art and antiquities in the name of France, he built up a huge personal collection for himself. In 1824, King Charles Felix (Carlo Felice Giuseppe Maria) acquired much of his personal collection consisting of 5,268 pieces, which later formed the foundation for the Museo Egizio in Turin, the second largest Egyptology museum after Cairo.»

(via Francisco Filipe Cruz, in Facebook)

Vale a pena dar uma olhadela!

 
  A todos os interessados, venho por este meio apresentar-vos um site na Internet acerca dos túmulos e locais funerários no Egito. A página do site tem o nome da divindade presente à esquerda por óbvias razões: trata-se de Osíris, senhor do mundo dos mortos, do mundo subterrâneo e do ciclo da morte e ressurreição a quem é devoto um culto quase tão antigo como a própria fundação do Duplo País.

   O site em si tem o seguinte endereço:

   www.osirisnet.net

   Todos os que quiserem ou estiverem com vontade de saber mais sobre os túmulos no Antigo Egito são gratificados com uma lista imensa de sepulturas de todos os géneros e feitios, desde as grandiosas pirâmides
de Guiza às recônditas sepulturas dos artífices de Deir-el-Medina.

   Não só tem uma lista bastante vasta, como cada túmulo apresentado contém descrições pormenorizadas da sua planta arquitectónica, da sua decoração, das suas inscrições, dos seus conteúdos, das circunstâncias da sua descoberta. Sem contar com as descrições de numerosos outros monumentos, além de diversos artigos e referências a questões religiosas e quotidianas, assim como novidades do mundo da Egiptologia. E para completar o ramalhete, existem versões 3D, versões virtuais de algumas plantas tumulares. Só não sei se podem ver nos vossos computadores essas versões tridimensionais. Eu não consegui...

   A única particularidade será o facto de o site estar apresentado em duas línguas estrangeiras possíveis - ou em Inglês ou em Francês, não em Português, infelizmente. Portanto, espero que saibam uma de ambas para lerem e compreenderem as matérias apresentadas que são muito interessantes.

   De resto acho que vale a pena dar uma olhadela! Divirtam-se!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Os Jardins de Nakht!


   Os Antigos Egípcios também se revelaram jardineiros de primeira qualidade. Durante milénios a cultivarem plantas de inúmeros tipos e espécies em hortas para a sua subsistência, gradualmente desenvolveram os jardins nos templos, nos palácios e nas residências privadas dos abastados, não só como fonte de produção alimentar e medicinal - muitas das plantas eram hortícolas e medicinais assim as árvores eram de fruto para abastecer as cozinhas e as mesas - mas também como espaço de recreio, lazer e descanso para os respectivos proprietários. 

   À medida que crescia a riqueza do Antigo Egito, especialmente no Império Novo, os jardins dos privilegiados e dos templos tornaram-se ainda mais elaborados e luxuriantes, com todo o género de plantas exóticas, flores bizarras, delicadas e belas e até mesmo piscinas e lagos com peixes e aves aquáticas como ornamentos decorativos.

   E evidentemente, quando faleciam, os Antigos Egípcios procuravam recriar os jardins na forma de modelos funerários em miniatura que sepultavam nos túmulos dos seus proprietários a fim de lhes permitir gozarem esses prazeres verdejantes na vida além da morte.
     
   A bonita imagem acima provém do túmulo de Nakht, um jardineiro real, nos princípios do século XIV a.C. - meados do Império Novo - e representa os "Jardins de Amon", do Templo de Karnak, tal como ele se lembra de os gerir e orientar. Esses jardins produziam flores, plantas e árvores para abastecimento das cozinhas, para questões medicinais e para os ritos religiosos, ligados com os ciclos da natureza e das estações do ano. Esta pintura pode ser vista no Museu Real de Arte e História, em Bruxelas, na Bélgica.


P.S. Para quem quiser saber um pouco mais sobre antiga jardinagem egípcia é favor ver o seguinte link: http://en.wikipedia.org/wiki/Gardens_of_Ancient_Egypt.

«De pequenino... »


Aqui fica uma sugestão para o público dos 8 aos 80.
A revisão científica é do Prof. Luís Manuel de Araújo.

Mais uma mudança no Egipto

«A woman presenter has appeared on Egyptian state TV in an Islamic headscarf for what is believed to be first time since it opened in 1960.

Fatima Nabil wore a cream-coloured headscarf as she read a news bulletin.

Under the regime of ex-President Hosni Mubarak there was an unofficial ban on women presenters covering their hair.

But the new Muslim Brotherhood-led government has introduced new rules, saying that nearly 70% of Egyptian women wear the headscarf. [...]» (in BBC News)

sábado, 1 de setembro de 2012

O Faraó de Prata!


   Meus caros colegas e amigos, achei este vídeo no Youtube, sobre Psusennes I, faraó da XXI dinastia, c. de 1039-991 a.C. Lamento que esteja em inglês e sem legendas, mas ainda assim pode ter interesse para aqueles que dominam o idioma e compreendem ou conhecem um pouco a história deste monarca do Terceiro Período Intermediário, cujo reinado foi um dos mais longos e importantes da época e cujo túmulo é quase tão extraordinário como o de Tutankhamon, embora muito menos divulgado ao público em geral.

   A maior curiosidade acerca de Psusennes I advém do seu espectacular sarcófago, inteiramente feito em prata - daí em parte da designação deste documentário - e a sua fabulosa máscara de ouro, que rivaliza com a Tutankhamon em beleza e estilo. Mas o resto eu remeto para o vídeo, que espero que gostem!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Aí estão as Actas do Congresso


Depois de longos meses de trabalho e de preparação para edição 
acabaram de sair as Actas do IV Congresso Ibérico de Egiptologia 
que se realizou em Lisboa de 13 a 17 de Setembro de 2010.

Aqui se mostra a atraente capa do 1º volume, porque devido ao grande
 número de textos entregues a obra ficou em dois belos volumes, 
num excelente trabalho da Gráfica Clássica do Porto.

Os participantes no IV Congresso, sejam comunicantes ou assistentes, 
receberão os seus exemplares - mas os escribas do nosso blogue 
também serão contemplados com a oferta da obra!

sábado, 25 de agosto de 2012

Estela de uma rainha

Apresenta-se aqui a estela, de uma conhecida rainha da época ptolomaica, que se encontra no Museu do Louvre.
O nome dela pode ser facilmente lido do grego, que era nessa altura a língua oficial.
Exatamente na segunda linha pode-se ler...

ΚΛΕΟΠΑΤΡΑ



Foi  Cleópatra VII a última rainha ptolomaica antes da conquista do Egito pelos Romanos. Aparentemente ter-se-à suicidado para evitar ser enviada com escrava para Roma.

Nesta estela ela encontra-se ofertando à deusa Ísis.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Uma tríade divina


   Uma escultura em basalto, presente no Museu das Belas Artes em Boston, E.U.A. representa a deusa Hathor, sentada no centro, rodeada pelo faraó Menkauré - o construtor da terceira e mais pequena das Pirâmides de Guiza - e por uma divindade feminina de uma província local com o símbolo de uma lebre em cima da sua cabeça.

     Sensivelmente datada entre 2550-2530 a.C., é uma representação da tríade divina em homenagem ao rei Menkauré, tendo sido encontrada no Templo do Vale referente a este soberano, no Planalto de Guiza. Pretende demonstrar a ligação do monarca ao mundo do além, exibindo a posição sagrada da monarquia faraónica, que no Império Antigo, se reveste de um cariz  absoluto, quando os antigos reis egípcios eram considerados nada menos do que deuses na Terra e intermediários entre este mundo e o mundo celestial.

    O Templo do Vale de Menkauré apresenta uma significativa lista de estátuas deste faraó, frequentemente associado a divindades femininas ou então puramente solitárias, de onde se obteve o pouco que se sabe do seu reinado pouco esclarecido.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Khufu, da Grande Pirâmide à pequena estatueta

Do Faraó Khufu (Quéops), construtor da Grande Pirâmide de Guisa (IV dinastia) apenas existe uma pequena estatueta conhecida e que se encontra no Museu Egípcio do Cairo.

O caricato é que ela tem apenas 7,5 cm de altura contrastando com a imponência da sua colossal pirâmide...







A Pirâmide de Khufu é a que se encontra na imagem à direita e é ligeiramente maior que aquela do seu filho Khafré, também na imagem  logo atrás da famosa esfinge

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O Príncipe Ankh-haf


   No Museu de Belas Artes em Boston, E.U.A., encontra-se este singelo busto que retrata Ankh-haf, um príncipe da IV dinastia, filho do grande rei Seneferu e de uma esposa secundária desconhecida. Meio-irmão do poderoso rei Khufu, criador da Grande Pirâmide de Guiza, Ankh-haf deteve vários cargos importantes, entre eles o de vizir e supervisor das obras reais durante o reinado de Khafré, seu sobrinho.

   Ankh-haf terá testemunhado a construção da Grande Pirâmide de Guiza e provavelmente teve destaque na construção do segundo conjunto piramidal, assim como na criação da Grande Esfinge, a enorme estátua leonina que se pensa representar o faraó Khafré.

   A sua mastaba - G 5710 - localizada na zona leste do planalto funerário de Guiza, é uma das maiores da região e contém representações da sua esposa, a princesa Hetep-herés. Esse nome aliado à posição de sacerdotisa de Seneferu sugere que a mulher de Ankh-haf talvez seja a filha primogénita do fundador da IV dinastia e da sua esposa principal, a rainha Hetep-herés, portanto meia-irmã do seu esposo.

   O túmulo também representa um rapazinho chamado Ankhetef, que aparentemente terá sido neto de Ankh-haf e Hetep-herés através de uma filha de ambos, conforme o indicam as inscrições. Isto pode ser um indicador que Ankh-haf terá chegado a uma idade avançada aquando da construção da sua tumba.
  
   Nessa mesma estrutura tumular, foi encontrado o busto que se pode ver na imagem e que é considerado um dos mais perfeitos da Arte Egípcia do Império Antigo.

    Quem estiver com vontade de ir aos E.U.A. e particularmente a Boston, não se esqueça de visitar o Museu de Belas Artes e de admirar o soberbo busto que ilustra este homem da Antiguidade!

sábado, 18 de agosto de 2012

O anão Seneb e sua família

Esta bonita escultura do anão Seneb acompanhado pela sua bonita esposa e seus filhos encontra-se no Museu Egípcio do Cairo e data da IV dinastia, isto é, contemporâneo das duas maiores pirâmides de Guisa.
Seneb era responsável pelo guarda-roupa dos faraós Khufu e Khafré,  função extremamente prestigiada na época graças à grande intimidade com o faraó.

Esta original escultura mostra o anão com as suas características morfológicas típicas como a cabeça desproporcionadamente grande e as pernas bem curtas, em posição de escriba. 
Os filhos foram colocados numa curiosa disposição como a substituir as pernas do seu pai e dando metaforicamente apoio ao seu progenitor. Como é habitual na representação feminina, a cor da pele da esposa é muito mais clara que a do marido.




quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Pirâmide do faraó Unas

Unas foi o último faraó da V dinastia (aproximadamente  2374 a 2344 a.C. - Império Antigo). 
Segundo o Papiro Real de Turim reinou durante aproximadamente 30 anos, mas infelizmente não se sabe muito deste seu reinado. 
No entanto este faraó ficou conhecido do ponto de vista arqueológico como tendo sido o primeiro a inscrever textos hieroglíficos no interior da sua pirâmide, pois todas as precedentes (Dinastias III e IV) não tinham quaisquer inscrições. 
Esta pirâmide está bastante destruída na sua parte exterior dando ideia ao turista desatento, tratar-se de um monte de escombros. 



As pirâmides deste período tinham um enchimento de pedras pequenas e uma cobertura com lages maiores que, com o passar dos milhares de anos e principalmente com a reutilização dessas pedras aparelhadas em outras construções, levou ao aspeto um tanto desolado dos nossos dias. 
Os "Textos das Pirâmides" eram  textos cerimoniais e que visavam proteger o faraó na sua viagem para a eternidade. De facto ainda hoje o nome do faraó é pronunciado... e como os antigos egípcios diziam... pronunciar o nome do faraó é mantê-lo imortal.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Estela de Hotepi

Uma bonita estela do inspetor dos sacerdotes funerários e escriba dos campos, Hotepi com a sua esposa Kau que se encontra no National Museum of Scotland




terça-feira, 31 de julho de 2012

A arte da construção...

... no Egipto.


Encontrei esta imensa "construção" dentro do National Museum of Scotland
 E é assim... que, em pleno verão, regresso ao "nosso" blog.








Brincadeiras egípcias

No National Museum of Scotland achei curioso uma boneca de madeira, ancestral da atual "Barbie", com cerca de 2500 anos de idade, entre outros objetos que foram utilizados para brincadeiras infantis...


Objetos como estes ajudam a perceber hábitos e costumes da sociedade egípcia...


quarta-feira, 25 de julho de 2012

Se quiserem ver...

   Aos amantes de Egiptologia, apresento aqui dois sites, um mais simples, destinado a quem quer informações elementares sobre o Antigo Egito e que tem alguma vantagem de ser escrito em Português, embora tingido de sotaque brasileiro; o outro um pouquinho mais complexo e específico, mais destinado a pessoas versadas em Egiptologia - peritos, professores, escritores, essencialmente egiptólogos - e escrito em Inglês, com diversas notícias internacionais a respeito de eventos sobre Egiptologia, desde a perda de artefactos à realização de congressos.


O primeiro site, cujas imagens de capa podem ver imediatamente acima tem o seguinte endereço: http://www.egiptologiabrasileira.com.br/

Podem encontrar uma página igualmente muito interessante no Facebook, simplesmente pesquisando "Egiptologia Brasileira", directamente relacionada com esse site.


IAE written in hieroglpyhs 


O segundo site tem como endereço: http://www.iae-egyptology.org/

Espero que apreciem!

P.S. Quem quiser pode tentar decifrar esse conjunto de hieróglifos respeitantes ao segundo site...mesmo que saibam a resposta, é bom experimentar!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Ainda a propósito de Egiptomania

A fascinanação pela História do Antigo Egipto manifesta-se ainda hoje nas mais variadas formas. As imagens seguintes foram captadas num quarto de um obscuro hotel no centro de Nova Iorque, bem próximo da Penn Station.




quarta-feira, 18 de julho de 2012

Texto hieroglífico


Um antigo aluno meu da Faculdade de Letras de Lisboa, que há cinco anos 
frequentou a cadeira de Escrita Hieroglífica (e com sucesso), enviou-me 
esta imagem de um bloco onde se vê um texto hieroglífico de um túmulo, 
pedindo que eu o ajudasse a traduzir.

Já dei a minha resposta, mas não resisto a apresentar aqui para os ágeis
escribas militantes do blogue (ou outros leitores interessados) 
este desafio para que possam ler esta curta inscrição do túmulo de Harua 
(e este nome que aqui se faculta já é uma boa ajuda para a tarefa).

Note-se que a delicada representação da cabeça de uma criança, 
com a sua tradicional trança juvenil caindo sobre o ombro, 
emerge da terra que se foi acumulando no local onde este bloco inscrito 
foi encontrado (e não sei se ele continua lá ou foi levado para algum museu).

terça-feira, 17 de julho de 2012

Serabit el-Kahdim: sugestão de férias no Egipto

A propósito de férias no Egipto e do convite do último post eis a minha sugestão:


Serabit el-Kahdim fica na península do Sinai, aproximadamente a meio da costa ocidental, cerca de 40 km distante de Abu Zanima. Como se pode ler no artigo de Jimmy Dunn existem algumas dificuldades: não há estradas, não há água, é necessário uma caminhada de 2 horas, etc., mas as tribos locais, que fazem guarda aos locais, comprometem-se a guiar os turistas.

Local de minas de turquesa, exploradas desde antes do Período Dinástico, tem um Templo dedicado a Hathor (protectora dos mineiros) foi iniciado por Amenhemat III, ampliado por Hatchepsut, Tutmés III e Amenhotep III.


(Segundo o romance histórico de Adam Palmer "The Moses Legacy" terão aqui sido encontrados os cacos das "pedras dos 10 mandamentos" escritos em acádio, língua cuneiforme assírio-babilónica, que suplantou o sumério no 2º milénio tendo sido substituida pelo aramaico. Seria logicamente abjad e não alfabeto, uma vez que não tinha vogais. Ou em alternativa em proto-sináico, um dos mais antigos alfabetos fonéticos, que Sir William Finders Petrie descobriu em Serabit el-Kahdim quando ali escavou no início do Séc. XX.)



The Temple and Mines at Serabit el-Khadim
In the Sinai

by Jimmy Dunn


The road to Serabit el-Khadem. Things have not changed too much. These roads mostly exist due to local mining operations today.

While the Egyptians seem to have known, crossed and visited the Sinai even before the dynastic period, we have found little evidence of their building activities in the region. Of course, inhabitable areas are usually small, and scarce, and so have been inhabited and built upon continuously over the ages. It is probable that what was built has been built over many times. Today, wondering through the Sinai and viewing its unusual landscape, it is not difficult to imagine a land rich in minerals. Egyptians discovered its mineral wealth very early on, perhaps at the beginning of the dynastic period. Archaeologists have found that the very earliest known settlers in the Sinai, about 8,000 years ago, were miners. Drawn by the region's abundant copper and turquoise deposits, these groups slowly worked their way southward, hopping from one deposit to the next. By 3500 BC, the great turquoise veins of Serabit el-Khadim (Khadem) had been discovered.

The path leading up to Serabit el-Khadem from the valley below, where there is a small lodge
The Mines

Stela found along the route  to the temple

The ancient mining complex of Serabit el-Khadim lies on a small plateau north of modern Al-Tor. It is located about halfway down the western coast, around 40 kilometers due east of Abu Zanima, and about ten miles from Wadi Mughara. It was one of the most important sites for the Egyptians on the peninsula. Today, it is not difficult to reach the Serabit el-Khadim area, though the trip must be made by jeep. There are no paved roads to the base of the mountain. From a parking area, one takes a well marked path that has an elevation gain of over 2600 feet above sea level and is somewhat rigorous Although many of the region's pharaonic reliefs were destroyed by a British attempt to re-open the mines in the mid-nineteenth century, along the path to the temple are a number of engravings that were written by the ancient minors. Some of the most interesting portray the ships that would carry the turquoise to Egypt. There is also an excellent bas relief of King Sekhemkhet on the east face of the plateau, revealing him smiting Egypt's enemies. Other antiquities are found along the path, including ancient tunnels, miner's huts and stele.


The actual temple site at  Serabit el-Khadem is mainly rubble, with a few standing stela and  obelisks


Serabit el-Khadim, a large, systematic operation was set up that would flourish for thousands of years. It was important enough to the Egyptians that a number of policing actions and protective measures were taken to protect the mines throughout most of Egypt dynastic period To mine the turquoise, the Egyptians would hollow out large galleries in the mountains, carving at the entrance to each a representation of the reigning pharaoh who was the symbol of the authority of the Egyptian state over the mines. A huge quantity of turquoise over that period was mined, carried down the Wadi Matalla to a garrisoned port located at el-Markha (south of Abu Zenima), and loaded aboard ships bound for Egypt. The turquoise was then used both for jewelry and to make color pigments for painting.


A depiction of a ship used to carry turquoise


The Temple

A general view of the temple site at Serabit el-Khadem

A general view of the temple site at Serabit el-Khadim





The temple at Serabit el-Khadim, though really only scattered ruins, is one of the few phraonic monuments we know of in the Sinai. In 1905, Flinders Petrie investigated the site, and found the famous proto-Sinaitic script", which is believed to be an early precursor of the alphabet. This was a great motivation for them to learn the sound signs that phonetically articulated their names. These scripts were hieroglyphic signs used to write the names of the West Semitic names of the people who worked the mines, and keep account of their labors. They developed an Alef-Bet with which they could record their Proto-Canaanite language. The script they developed is called Proto-Sinaitric (First-Sinaitic) and the language was a Pan-Canaanite language often called Old Hebrew.

Hieroglyphic signs were used to write their West Semitic names and keep correct accounts of their days of labor. Very soon they had an Alef-Bet with which they could record their Proto-Canaanite language. The script they developed is called Proto-Sinaitric (First-Sinaitic) and the language was a Pan-Canaanite language often called Old Hebrew





The Serabit El Khadim temple looks like a double series of steles leading to an underground chapel dedicated to the Hathor Goodness. Much of the temple's large number of sanctuaries and shrines were dedicated to Hathor, who among her many other attributes, was the patron goddess of copper and turquoise miners. It is the only temple we know of built outside mainland Egypt and mostly dedicated to Hathor. The earliest part of the main rock cut Hathor Temple, which has a front court and portico, dates to the 12th Dynasty The temple was probably founded by Amenemhet III, during a period of time when the mines were particularly active. The 12th Dynasty was a period of considerable mineral wealth for Egyptians and some of the finest jewelry from Egypt's past have been discovered in the tombs of 12th Dynasty women.

A number of scenes portray the role of Hathor in the transformation of the new king, upon ascending the throne, into the deified ruler of Egypt. One scene, for example, depicts Hathor suckling the pharaoh. Another scene from a stone tabled depicts Hathor offering the pharaoh the Ankh.



This older part of the temple was enlarged upon and extended by none other than Queen Hatshepsut, along with Tuthmosis III and Amenhotep III during the New Kingdom. This was a restoration period for the mining operations after an apparent decline in the area during the Second Intermediate Period. These extensions are unusual for a temple in the manner in which they angled to the west off of the earlier structure.

On the north side of the of the temple is a shrine dedicated to the pharaohs who were deified in this region. On one wall of the shrine are numerous stele. A little to the south of the main temple >we also find a shrine dedicated to the god of the eastern desert, Sopdu, which is smaller than the northern shrine.


As a Tourist Destination

Serabit el-Khadim is not a particularly easy place to find or to reach. Indeed, one will probably not find it without the aid of a knowledgeable guide and then, some stemma is needed to reach the actual site of the temple. The local tribes are responsible for protecting the site from looting and are open to assisting tourists and hiring out as guides. Furthermore, a significant segment of the route leading to the area off of the western Sinai coastal highway is not paved. One must climb up a long series of steps to the top of a mountain and then trek back along mountain ridges. It takes about two hours for the average person to reach the temple. Bring lots of water, as there is none to be found along the route. As a pharaonic tourist attraction, Serabit el-Khadim is not nearly as spectacular as many of the Nile Valley sites, though the surrounding area is interesting. It should be considered more of a trek adventure than a pure pharaonic sightseeing tour.

References:

TitleAuthorDatePublisherReference Number
Complete Temples of Ancient Egypt, TheWilkinson, Richard H.2000Thames and Hudson, LtdISBN 0-500-05100-3
Dictionary of Ancient Egypt, TheShaw, Ian; Nicholson, Paul1995Harry N. Abrams, Inc., PublishersISBN 0-8109-3225-3
History of Ancient Egypt, AGrimal, Nicolas1988BlackwellNone Stated
Oxford History of Ancient Egypt, TheShaw, Ian2000Oxford University PressISBN 0-19-815034-2

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Last Updated: June 21st, 2011
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