segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Installation of the colossal statue of Amenemhat II (ca. 1919--1885 B.C.)




    Este vídeo exibe a instalação de uma estátua colossal de Amenemhat II, terceiro rei da XII dinastia, no Grande Salão de Entrada do Museu Metropolitano de Arte, em Nova York. Cedida temporariamente pelo Museu de Antiguidades Egípcias de Berlim, a estátua permaneceu em exposição nesse local por um ano, a partir de Agosto de 2011.

    Amenemhat II reinou c. de 1919 a 1885 a.C. (ou segundo alguns autores entre 1929 e 1895 a.C. ou entre 1900 e 1870 a.C.), durante o Império Médio - mas o seu reinado é pouco destacado comparativamente aos mais ilustres soberanos da dinastia. Existem discordâncias sobre a possibilidade ou não de ter exercido uma co-regência conjunta no fim do reinado do pai, Senuseret I.

   No essencial, o reinado de Amenemhat II é uma serena continuidade da governação anterior: a nível interno, uma boa gestão económica, demonstrada pela exploração agrícola do oásis do Faium, com a construção de canais e ampliação das terras de cultivo; a nível externo, caracterizado pelo aumento do comércio com o Egeu, a Sírio-Palestina, a Ásia Menor e a Mesopotâmia, demonstrado pela descoberta de diversos objetos egípcios (estátuas e escaravelhos reais) em antigas cidades do Levante, além da descoberta do «tesouro de Tod», onde entre outros, foram encontrados objetos de origem cretense e mesopotâmica. Conhece-se ainda uma expedição à misteriosa Terra de Punt, por volta do 28º ano do reinado.

   Existe uma estela fragmentada em Mênfis com referências a uma expedição bélica contra tribos beduínas no Sinai assim como a destruição de duas cidades na Ásia, para além da vinda de um tributo oriundo da Núbia. Sem tais referências, o reinado de Amenemhat II é basicamente desprovido de campanhas bélicas.

   Pouco se sabe sobre a corte deste rei: conhecem-se os nomes de duas esposas - Senet, através de estátuas encontradas no Delta e Kaneferu, enterrada junto ao marido em Dahchur - tal como os nomes de várias filhas através de inscrições em estátuas e sepulcros associados ao complexo piramidal do monarca. São ainda conhecidos os nomes de dois príncipes, Amenemhat-ankh e Senuseret - o último dos quais será o sucessor, Senuseret II. Entre os seus funcionários, destacam-se os vizires Senuseret e Ameni, os tesoureiros Merikau e Sa-Iset, o governador provincial Djehuty-hotep e ainda o chefe da expedição a Punt, Khent-khetuer.

  O complexo piramidal de Amenemhat II, em Dahchur, hoje largamente arruinado, ainda não foi sujeito a uma intensa investigação, embora algum do requinte artístico da época possa ser admirado, nomeadamente no capítulo da joalharia descoberta nos sepulcros das princesas Ita e Khnemet - anéis, braceletes, colares e diademas finamente trabalhados. Além do complexo piramidal em Dahchur e outros raros vestígios, pouco mais subsiste deste reinado, um dos mais escassamente documentados da XII dinastia.

2 comentários:

  1. Ninguém faz um comentariozinho a este post...ohhh

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  2. Felicito vivamente o nosso esforçado escriba Fernando Azul pelo seu excelente texto sobre o rei Amenemhat II, da XII dinastia, a propósito da sua estátua colossal exposta no Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque (cedida pelo Museu Egípcio de Berlim).

    A sucinta clareza do texto publicado permite que os leitores do blogue, mesmo sem estarem relacionados com estudos de Egiptologia, percebam o essencial do reinado deste pouco conhecido faraó, terceiro rei de uma notável dinastia que procurou implementar na prática a maet.

    O facto de a sua pirâmide ter sido erigida na necrópole de Dahchur, a sul de Sakara, permite lembrar que o grupo que em breve partirá para o Egito, em mais uma visita de estudo do Instituto Oriental da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (em parceria com a Associação dos Amigos dos Castelos), irá a esse local.

    Trata-se de uma vasta necrópole, com túmulos reais e privados do Império Antigo e do Império Médio, onde raros grupos se deslocam, mas desta feita iremos estar em Dahchur pela primeira vez em treze anos de visitas de estudo ao Egito - e depois contaremos tudo, tudo!

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