segunda-feira, 2 de julho de 2018

Tradição e progresso em Gurna



Na visita à zona de Lucsor Ocidental, os grupos da Faculdade de Letras
da Universidade de Lisboa costumam entrar em alguns túmulos situados
no chamado «Vale dos Nobres» - que nem é um vale nem é de nobres,
mas que permite apreciar os túmulos de alguns funcionários e artesãos.

Depois das visitas ao Vale dos Reis e ao Vale das Rainhas, é deveras
enriquecedor comparar os túmulos reais com as «casas de eternidade» 
feitas para os funcionários da administração, complementando depois
com a entrada em túmulos de artesãos da necrópole em Deir el-Medina.

Um dos mais espetaculares túmulos é o do vizir Rekhmiré, do reinado
de Tutmés III (meados do século XV a. C.), e para isso basta seguirmos
a indicação e subir até ao TT 100 - não é fácil lá chegar, mas vale a pena
pela alta qualidade das pinturas murais deste notável primeiro-ministro
de uma das épocas mais prósperas e mais faustosas do antigo Egito.

O acesso é feito pela aldeia de Cheikh Abd el-Gurna, estando a maior
parte das velhas habitações já demolidas pelas autoridades arqueológicas
e governamentais, mas por entre as decrépitas casas sobreviventes podem
ver-se testemunhos da tradição (o burro egípcio zurrando faraonicamente) 
e do progresso (com o bólide «carocha» estacionado nas imediações).

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